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Negar Deus, negar realidade: Por que não precisamos de evidência para Deus (parte 3 de 3)

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Descrição: A existência de Deus não requer evidência.  Parte 3 discute como a existência de Deus está enraizada na natureza inata da humanidade.

  • Por Hamza Andreas Tzortzis
  • Publicado em 03 Apr 2017
  • Última modificação em 03 Apr 2017
  • Impresso: 14
  • Visualizado: 4373 (média diária: 5)
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Nossa natureza inata (fitrah)

Denying_God_03.jpg Toda essa ideia de crenças básicas, de verdades auto evidentes referentes a existência de Deus, está alinhada com a tradição teológica islâmica referente à fitrah.  A fitrah é uma palavra árabe que significa essencialmente o estado natural, a natureza inata ou a disposição inata do ser humano.  Essa natureza inata reconhece Deus e quer adorá-Lo.[1]  Como o Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse em uma tradição profética autêntica: "Toda criança nasce em um estado de fitrah. Seus pais fazem dela um judeu, um cristão ou um mago...".[2]

O conceito de fitrah foi tópico de discussão acadêmica na tradição intelectual islâmica.  Ibn Taymiyyah, teólogo e erudito do século 14, explicou que "a afirmação de um Criador está firmemente enraizada nos corações de todos os homens... é parte das necessidades vinculantes de sua criação..."[3]  Al-Raghib al-Asfahani, erudito do século 12, de maneira semelhante afirma que o conhecimento de Deus "está firmemente enraizado na alma".[4]

Apesar disso, a fitrah pode ser "velada" ou "danificada" por influências externas.  Essas influências, como indicado pela tradição profética acima, podem incluir os pais, a sociedade e pressão de colegas.  Essas influências podem turvar a fitrah e preveni-la de reconhecer a verdade.  Nessa situação Ibn Taymiyyah argumenta que quando o estado natural de alguém é "alterado", aquela pessoa pode precisar de "outras evidências" para a existência de Deus:

      "A afirmação de um Criador e Sua perfeição é inata e necessária com respeito àquele cuja disposição inata permanece intacta, mesmo que junto com essa afirmação existam muitas outras evidências também e com frequência quando a disposição inata é alterada... muitas pessoas podem precisar dessas outras evidências."[5]

Essas outras evidências podem incluir argumentos racionais.  Ibn Taymiyyah afirma que o próprio ser originado "sabe, por meio da razão clara, que tem um originador".[6] Entretanto, esses argumentos racionais devem estar em conformidade com a teologia islâmica e não adotar premissas que a contradigam.  A partir dessa perspectiva, é importante saber que a crença em Deus não é inferida a partir de alguma evidência indutiva, dedutiva, filosófica ou científica.  Ao invés disso, esse tipo de evidência atua como um gatilho para acordar a fitrah, a disposição natural inata de acreditar em Deus.  Além disso, um princípio chave é que os argumentos corânicos "desvelam" ou "descobrem" a fitrah.  Esses argumentos corânicos incluem encorajar a reflexão, meditação e introspecção:

"Assim elucidamos os versículos àqueles que refletem." (Alcorão 10:24)

"Nisto há sinal para os que refletem." (Alcorão 16:69)

"Porventura, não foram eles criados do nada, ou são eles os criadores? Ou criaram, acaso, os céus e a terra? Qual! Não se persuadirão!" (Alcorão 52:35-36)

Evidência em suporte à Fitrah

O conceito islâmico de fitrah é apoiado por evidência psicológica, sociológica e antropológica.  Abaixo alguns exemplos breves:

·       Evidência psicológica: a acadêmica Olivera Petrovich conduziu alguns estudos relacionados à psicologia do ser humano e a existência de Deus.  Ela conclui que a crença em um Deus não antropomórfico é o estado natural de um ser humano.  O ateísmo é uma psicologia aprendida.  O teísmo é nosso estado natural.

      "A possibilidade de que algumas crenças religiosas são universais (por exemplo, crença básica em um Deus não antropomórfico como criador do mundo natural) parece ter uma base empírica mais forte do que pode ser inferido de textos religiosos.  Alguns dos achados iniciais da pesquisa no entendimento religioso primitivo são consistentes com outras áreas de pesquisa de desenvolvimento, o que sugere que existem cognitivos universais em vários domínios do conhecimento humano..."[7]

·       Evidência sociológica: Veja, por exemplo, o professor Justin Barrett.  A pesquisa do Professor Barrett em seu livro Born Believers: The Science of Children’s Religious Belief, examinou o comportamento e afirmações de crianças.  Concluiu que as crianças acreditavam no que ele chama de "religião natural".  É a ideia de que existe um ser pessoal que criou todo o universo.  Esse "ser" não pode ser humano - deve ser divino e sobrenatural.

      "Pesquisa científica sobre as mentes em desenvolvimento das crianças e crenças sobrenaturais sugere que as crianças normal e rapidamente adquirem mentes que facilitam a crença em agentes sobrenaturais.  Particularmente no primeiro ano depois do nascimento, as crianças distinguem entre agentes e não-agentes, entendendo agentes como capazes de se moverem com propósitos em busca de objetivos.  São propensas a encontrar agência ao redor delas, mesmo com pouca evidência.  Pouco tempo depois de seu primeiro aniversário, os bebês parecem entender que agentes, mas não forças naturais ou objetos comuns, podem criar ordem a partir da desordem... Essa tendência de ver função e propósito, mais um entendimento de que o propósito e a ordem vêm de seres com mente própria, faz com que as crianças sejam propensas a ver fenômenos naturais como criados de maneira intencional.  Quem é o Criador? As crianças sabem que pessoas não são bons candidatos.  Deve haver um deus... crianças nascem crentes do que chamamos de religião natural..."[8]

·       Evidência antropológica: Considere o ateísmo da Rússia e China comunistas.  Ainda tinham sinais do que se chamaria de um instinto de adoração, um instinto de santificação, consciência de um ser maior, que se relaciona com a fitrah.  Suas grandes estátuas de Stalin e Lênin eram quase reverenciadas.  Quando se olha para culturas diferentes pode-se ver esse instinto de adoração.  Esse instinto se manifesta até em culturas ateias.

Em resumo, negar Deus é como negar que o mundo real é, de fato, real.  Discutimos anteriormente verdades auto evidentes e que a realidade de nosso mundo é uma delas, embora não tenhamos evidência para isso.  É por isso que se negar Deus, Que também é uma verdade auto evidente, está negando a realidade em si.

E isso foi confirmado via os ensinamentos de nosso amado profeta há mais de 1.400 anos.

"Pode haver qualquer dúvida sobre Deus, o Criador dos céus e da terra?" (Alcorão 14:10)



Notas de rodapé:

[1] Ibn Qayyim argumentou que a fitrah é uma predisposição inata de reconhecer Allah, a Unicidade de Allah e a religião do Islã (al-Asqalani, Fathul Bari, p. 198).

[2] Saheeh Muslim

[3] Dar’ al-Ta’arud 8/482

[4] al-Dharee’ah p. 199

[5] Majmu’ al-Fatawa 6/73

[6] Nubuwwat, 266

[7] Crianças "têm crença natural em Deus".  The Age National (Australia) http://www.theage.com.au/national/infants-have-natural-belief-in-god-20080725-3l3b.html.  Acessado em 17 de dezembro de 2014.

[8] Justin L. Barrett. Born Believers: The Science of Children’s Religious Belief. Free Press. 2012, pp.35 – 36.

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