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Oum Abdulaziz, Ex-Cristã, EUA (parte 2 de 4): Jesus no Cristianismo

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Descrição: Continuação da pesquisa sobre a divindade de Jesus com base nas referências cristãs.

  • Por Oum Abdulaziz
  • Publicado em 10 Dec 2012
  • Última modificação em 10 Dec 2012
  • Impresso: 54
  • Visualizado: 5408 (média diária: 2)
  • Classificação: 1 de 5
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Examinei algumas das “provas” apresentadas para reivindicar a divindade para Jesus (que a paz esteja sobre ele).  Alguns alegam que os milagres que realizou provam sua divindade, mas um exame mais próximo mostra que os milagres realizados por Jesus (que a paz esteja sobre ele) também foram realizados por outros.  (Caminhar sobre a água – Êxodo (14:22); ressuscitar o morto – 1 Reis (17:22), 2 Reis (4:34, 13:21); curar o cego e os leprosos – 2 Reis (5:14, 6:17, 6:20); multiplicação de alimentos – 2 Reis (4:17, 4:43-44); expulsar demônios – Mateus (12:27), Marcos (9:38), Lucas (11:19)). É claro que os apóstolos sabiam que esses milagres foram alcançados somente pelo poder de Deus.

“Varão aprovado por Deus entre vós com milagres, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós...” Atos 2:22

E os que foram curados também entenderam isso e glorificaram e louvaram Deus (Mateus 15:31, Lucas 13:13, 17:15 e Atos 4:21). O próprio Jesus suplica a Deus antes de ressuscitou Lázaro implorando a Deus para fazer disso um sinal para as pessoas “para que possam acreditar que Tu (Deus) me enviaste.” (João 11:42) Jesus (que a paz esteja sobre ele) diz a seus seguidores que se tivessem fé poderiam fazer o que ele fazia (Mateus 21:18-22), que outros seriam capazes de fazer “obras maiores que essas” (João 14:12) e alerta que até mesmo “os falsos cristos e falsos profetas surgiriam e fariam grandes sinais e maravilhas.” (Mateus 24:24)

Também foi necessário refletir sobre por que, no Cristianismo, Jesus (que a paz esteja sobre dele) deve ser divino.  Por que deve haver a deificação de qualquer homem? O Cristianismo majoritário ensina que Jesus deve ser divino se a morte dele deve ser suficiente para a redenção dos pecados de todos os homens.  Então, tive que perguntar: Deus morreu? Não, foi a resposta que ouvi.  Somente o homem Jesus morreu.  Por que então a morte de qualquer homem não é suficiente? O Cristianismo ensina que todos os homens são imperfeitos porque herdam o pecado do pai Adão, mas Jesus era livre dessa mancha do pecado porque não tinha pai.  Quanto mais profundamente analisava esses argumentos, mais eles me intrigavam.

Jesus (que a paz esteja sobre ele) não nasceu de uma mulher? Maria não descendia de Adão e Eva, sendo que ambos pecaram perante seu Senhor? Acreditar no conceito de pecado original, que foi passado de geração em geração, é acreditar que Adão e Eva pecaram e nunca foram completamente perdoados.  Como um Deus justo e amoroso me responsabilizaria por iniquidades que nunca cometi? Como um Deus compassivo e misericordioso me responsabilizaria por agressões que não tinha o poder de prevenir ou suprimir?

Não encontrei que Jesus (que a paz esteja sobre ele) ou qualquer dos profetas que o precederam na Bíblia ensinaram esse conceito de pecado original.  Jesus (que a paz esteja sobre ele) ensinou a natureza pura da criança.  “Deixai vir a mim os pequeninos… porque dos tais é o reino de Deus.” (Marcos 10:14) Os caminhos de Deus são justos.  “Sendo, pois, o homem justo, e praticando juízo e justiça...o tal justo certamente viverá...E se ele gerar um filho ladrão, derramador de sangue...Não viverá. Todas estas abominações ele fez, certamente morrerá...o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai levará a iniquidade do filho.”(Ezequiel 18:5-20).

“Cada qual morrerá por seu próprio pecado.” (Jeremias 31:30)

Por que as afirmações de Deus “visito a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração” encontradas em Êxodo (20:5) e Deuteronômio (5:9) devem ser tomadas literalmente, quando existem muitos versos que os contradizem, como

Deuteronômio 24:16: “Não se farão morrer os pais pelos filhos, nem os filhos pelos pais; cada qual morrerá pelo seu próprio pecado.”

Foi muito interessante para mim aprender que no Islã a culpa da tentação de Adão não é colocada sobre Eva.  O Islã ensina que ambos, Adão e Eva, foram induzidos por Satanás e pecaram.  Então, clamaram:  “Senhor nosso! Nós mesmos nos condenamos e, se não nos perdoares e Te apiedares de nós, seremos desventurados.” (Alcorão 7:23) E seu Senhor os perdoou. (Alcorão 2:37)[1] Deus diz ao muçulmano:

“Nenhuma alma peca exceto contra si mesma, e nenhuma alma pecadora arca com o pecado de outra.” (Alcorão 6:164)

Nas epístolas do Novo Testamento, entretanto, uma nova doutrina toma forma, a doutrina de que Jesus (que a paz esteja sobre ele) ofereceu-se como “oferta e sacrifício físicos a Deus” (Efésios 5:2) e que não é meramente a misericórdia de Deus, mas “o sangue de Jesus...que nos purifica de todos os pecados” (1 João 1:7). E que “sem derramamento de sangue não existe perdão de pecados.” (Hebreus 9:22) Não consigo me conformar com essa doutrina por várias razões, principalmente porque essa doutrina de expiação pelo sangue é pagã em sua natureza e não pode coincidir com um Deus que é ao mesmo tempo Todo-Poderoso (ou seja, capaz de perdoar quem quiser) e Amoroso.  Jesus (que a paz esteja sobre ele) falou sobre si mesmo como “o pão da vida” em uma parábola na qual se compara com o maná enviado dos céus para Moisés, dizendo: “Aquele que comer de minha carne e beber de meu sangue...viverá para sempre.”  Mas Jesus (que a paz esteja sobre ele) prossegue explicando que não fala de corpo físico.  “As palavras que vos falo são espírito e vida.” (João 6:48-63) Comecei a sentir que talvez os muçulmanos estivessem corretos em dizer que o Cristianismo moderno é uma religião sobre Jesus e o Islã é a verdadeira religião de Jesus.

A doutrina de expiação pelo sangue era o evangelho de Paulo (2 Timóteo 2:8), um evangelho sobre o qual ele diz: “Não o recebi de homem, nem me foi ensinado, mas veio (a mim) através de revelação.” (Gálatas 1:12) Paulo nunca encontrou Jesus (que a paz esteja sobre ele) nem estudou sob os discípulos de Jesus.  Diz: “...não consultei a carne nem o sangue, nem tornei a Jerusalém, a ter com os que já antes de mim eram apóstolos, mas parti para a Arábia. Depois, passados três anos, fui a Jerusalém para ver a Pedro, e fiquei com ele quinze dias. E não vi a nenhum outro dos apóstolos, senão a Tiago, irmão do Senhor. E não era conhecido de vista das igrejas da Judéia. Depois, passados catorze anos, subi outra vez a Jerusalém com Barnabé...” (Gálatas 1:16-2:1)

Quanto mais lia sobre a igreja primitiva dos estudiosos da Bíblia, mais confuso isso ficava para mim.  Paulo saiu para pregar seu evangelho de Jesus (que a paz esteja sobre ele) entre os gentios.  Atraiu um grande número de seguidores e seus próprios apóstolos.  A pregação de Paulo não era a mesma pregação aos cristãos de origem judaica, os seguidores e discípulos originais de Jesus (que a paz esteja sobre ele) e isso causou uma grande divisão na igreja primitiva.  O povo dizia: “Pertenço a Paulo” ou “pertenço a Apolo” ou ainda, “pertenço a Pedro” (1 Coríntios 1:12). Paulo finalmente separou-se dos discípulos de Pedro, Barnabé e dos seguidores de Tiago, irmão de Jesus, acusando-os de “não serem diretos sobre a verdade” e de terem “agido de forma insincera.” (Gálatas 2:13-14) Paulo repreende os coríntios por ouvirem os outros evangelhos de Jesus (que a paz esteja sobre ele) (2 Coríntios 11:4) e fala sobre si mesmo: “Porque penso que em nada fui inferior aos mais excelentes apóstolos.” (2 Coríntios 11:5)

Aprender algo da história do Cristianismo nos primeiros séculos foi surpreendente e abriu meus olhos.  Não houve consenso da doutrina essencial no início.  Teorias intermináveis foram discutidas para definir a natureza de Jesus (que a paz esteja sobre ele), propondo de tudo desde um Jesus exclusivamente humano a um Jesus exclusivamente divino, até uma possível combinação intermediária.  A religião foi sendo construída ao redor da personalidade de Jesus (que a paz esteja sobre ele) e sem um “livro” para orientação, cada vez mais atributos foram adicionados à reputação de Jesus.  A influência das sociedades pagãs existentes sobre a nova fé foi profunda, especialmente dos cultos de adoração ao sol de Roma, Pérsia, Grécia, Babilônia e Egito.  O imperador de Roma foi considerado a manifestação do deus Sol na terra.  No fim, a igreja adotou o dia do Sol romano (domingo) como o shabat cristão.  Vinte e cinco de dezembro, o aniversário tradicional do deus Sol tornou-se o aniversário de Jesus.  O símbolo da cruz tornou-se o símbolo do Cristianismo.  A cruz tinha sido por muito tempo um símbolo de redenção entre os pagãos e a “cruz de luz” também era o emblema do deus Sol.  A doutrina da trindade cristã desenvolveu-se nessa época.  As trindades sagradas são encontradas em muitos dos cultos da época entre os babilônios, hindus, romanos, persas, egípcios e caldeus.  No final do segundo século, a palavra “trindade” começa a aparecer nos escritos cristãos.  A trindade, como aprovada pelo concílio das igrejas em 431 EC, incluía Maria, a mãe de Jesus, mas ela foi substituída posteriormente pelo Espírito Santo porque alguns teólogos tinham dificuldade com o conceito de “mãe de Deus.”

Outro assunto que foi de grande interesse para mim foi a reivindicação islâmica de que a própria Bíblia previu a vinda do profeta Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele.

“...o Profeta iletrado, o qual encontram mencionado em sua Tora e no Evangelho…” (Alcorão 7:157)



Footnotes:

[1] “Adão obteve do seu Senhor algumas palavras de inspiração, e Ele o perdoou, porque é o Remissório, o Misericordioso.” (Alcorão 2:37)

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