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Malcolm X, EUA (parte 2 de 2)

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Descrição: A história da descoberta do verdadeiro Islã por uma das figuras revolucionárias afro-americanas mais proeminentes, e como ele resolve o problema do racismo. Parte 2: Um novo homem com uma nova mensagem.

  • Por Yusuf Siddiqui
  • Publicado em 04 Jan 2009
  • Última modificação em 07 Jan 2009
  • Impresso: 462
  • Visualizado: 11601 (média diária: 3)
  • Classificação: 3 de 5
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A Unicidade do Homem sob Um Deus

Foi durante sua peregrinação que ele começou a escrever algumas cartas para seus assistentes leais na recém-formada mesquita no Harlem.  Ele pediu que sua carta fosse copiada e distribuída à imprensa:

“Nunca testemunhei tamanha hospitalidade sincera e o espírito dominante de fraternidade verdadeira como praticados por pessoas de todas as cores e raças aqui nessa antiga Terra Sagrada, a Casa de Abraão, Muhammad e todos os outros Profetas das Escrituras Sagradas. Na última semana fiquei completamente sem palavras e fascinado pela bondade que vi ser exibida à minha volta por pessoas de todas as cores...

“Você pode estar chocado com essas palavras vindo de mim. Mas nessa peregrinação o que tenho visto, e experimentado, forçou-me a reorganizar muito dos padrões de pensamento mantidos anteriormente, e a deixar de lado algumas das minhas conclusões prévias. Não foi muito difícil para mim.  Apesar de minhas firmes convicções, sempre fui um homem que tenta enfrentar os fatos, e aceitar a realidade da vida na medida em que é revelada por experiência e conhecimento novos.  Sempre mantive a mente aberta, o que é necessário para a flexibilidade que deve andar de mãos dadas com toda forma inteligente de busca pela verdade.

“Durante os últimos onze dias aqui no mundo muçulmano, comi no mesmo prato, bebi do mesmo copo, e dormi na mesma cama (ou no mesmo tapete) – enquanto orava para o mesmo Deus - com companheiros muçulmanos, cujos olhos eram os mais azuis dos azuis, cujos cabelos eram os mais loiros dos loiros, cuja pele era a mais branca das brancas. E nas palavras, ações e atos dos muçulmanos “brancos”, senti a mesma sinceridade que senti entre os muçulmanos africanos negros da Nigéria, Sudão e Gana.

“Éramos todos verdadeiramente os mesmos (irmãos) – porque sua crença em um Deus tinha removido o “branco” de suas mentes, o ‘branco’ de seu comportamento e o ‘branco’ de suas atitudes.

“Pude ver disso que, talvez se os americanos brancos pudessem aceitar a Unicidade de Deus, então, talvez, também pudessem aceitar na realidade a Unicidade do Homem – e parar de avaliar, obstruir e prejudicar outros em termos de suas "diferenças" na cor.

“Com o racismo infestando a América como um câncer incurável, o suposto coração americano branco “cristão” devia ser mais receptivo a uma solução comprovada para esse problema destrutivo.  Talvez esteja em tempo de salvar a América de um desastre iminente – a mesma destruição que ocorreu à Alemanha pelo racismo que eventualmente destruiu os próprios alemães.

“Perguntaram-me o que mais me impressionou sobre o Hajj. . . Eu disse, “A fraternidade!  Os povos de todas as raças, cores, de todo o mundo se reunindo como um só!  Isso me provou o poder do Deus Único. . . . Todos comem como um e dormem como um.  Tudo na atmosfera da peregrinação acentua a Unicidade do Homem sob Um Único Deus.”

Malcom retornou da peregrinação como El-Hajj Malik al-Shabazz.  Estava incendiado com novo discernimento espiritual.  Para ele, a batalha tinha evoluído da luta de um nacionalista pelos direitos civis para a luta pelos direitos humanos de um internacionalista e humanitário.

Depois da Peregrinação

Repórteres e outros brancos estavam ansiosos para aprender sobre as recém-formadas opiniões de El-Hajj Malik sobre eles.  Mal podiam acreditar que o homem que tinha pregado contra eles por tantos anos podia repentinamente ter se modificado e chamá-los de irmãos.  Para essas pessoas El-Hajj Malik tinha isso a dizer:

“Vocês me perguntam ‘Você não disse que agora aceita os brancos como irmãos?’  Bem, minha resposta é que no mundo muçulmano eu vi, senti e escrevi para casa como meu pensamento tinha se ampliado!  Enquanto escrevia, compartilhava amor fraternal verdadeiro com muitos muçulmanos de complexão branca que nunca se importaram com a raça ou complexão de outro muçulmano.

“Minha peregrinação ampliou meu escopo. Ela me abençoou com um novo discernimento. Em duas semanas na Terra Sagrada eu vi o que nunca tinha visto em trinta e nove anos aqui na América. Vi todas as raças, todas as cores, - de loiros de olhos azuis a africanos negros – em verdadeira irmandade!  Em unidade!  Vivendo como um!  Adorando como um!  Sem segregacionistas – nem liberais; eles não saberiam interpretar o significado dessas palavras.

“No passado, sim, fiz acusações generalizadas a todas as pessoas brancas. Nunca serei culpado disso novamente – uma vez que agora sei que algumas pessoas brancas são verdadeiramente sinceras, que algumas são verdadeiramente capazes de serem irmãs de um homem negro. O Islã verdadeiro me mostrou que fazer uma acusação coletiva contra todas as pessoas brancas é tão errado quanto os brancos fazerem acusações coletivas contra os negros.”

Para os negros que constantemente olharam para ele como um líder, El-Hajj Malik pregou uma nova mensagem, totalmente oposta à que ele tinha pregado como ministro na Nação do Islã:

“O verdadeiro Islã ensinou-me que são necessários todos os ingredientes, ou características, religiosos, políticos, econômicos, psicológicos e raciais, para completar a Família e a Sociedade Humanas.

 “Eu disse às minhas audiências nas ruas do Harlem que somente quando a humanidade se submeter a Um Deus que criou a todos - somente então a humanidade se aproximará da "paz" da qual muito se ouve falar... mas em cuja direção pouca ação tem sido vista.”

Muito Perigoso para Durar

A nova mensagem universalista de El-Hajj Malik era o pior pesadelo da instituição americana.  Ela não apelava somente para as massas negras, mas para intelectuais de todas as raças e cores.  Agora ele era consistentemente demonizado pela imprensa como um “defensor da violência” e um “militante”, embora na verdade ele e o Dr. Martin Luther King estivessem se aproximando em termos de ponto de vista:

“O objetivo sempre foi o mesmo, com abordagens tão diferentes quanto a minha e a marcha não-violenta do Dr. Martin Luther King, que dramatiza a brutalidade e o mal do homem branco contra negros indefesos. E no clima racial desse país hoje, é um mistério qual dos “extremos” na abordagem dos problemas do homem negro encontrará a nível pessoal uma catástrofe fatal primeiro – o ‘não-violento’ Dr. King, ou o suposto ‘violento’ eu.”

El-Hajj Malik sabia bem que era um alvo de muitos grupos.  Apesar disso, nunca teve medo de dizer o que tinha que dizer quando tinha que dizê-lo.  Como um tipo de epitáfio no fim de sua autobiografia, ele diz:

“Sei que as sociedades com freqüência mataram as pessoas que ajudaram a mudar essas sociedades. Se eu puder morrer tendo trazido alguma luz, tendo exposto alguma verdade significativa que ajudará a destruir o câncer racista que é maligno no corpo da América - então, todo o crédito é devido a Deus. Somente os erros foram meus.”

O Legado de Malcom X

Embora El-Hajj Malik soubesse que era um alvo para assassinato, ele aceitou esse fato sem requisitar proteção policial.  Em 21 de fevereiro de 1965, enquanto se preparava para dar uma palestra em um hotel de Nova Iorque, foi baleado por três homens negros.  Faltavam três meses para completar quarenta anos.  Embora esteja claro que a Nação do Islã teve algo a ver com o assassinato, muitas pessoas acreditam que houve mais de uma organização envolvida.  O FBI, conhecido por sua tendência antimovimento negro, foi sugerido como cúmplice.  Podemos nunca saber ao certo quem estava por trás do assassinato de El-Hajj Malik ou do assassinato de outros líderes nacionais no início dos anos 60.

A vida de Malcom X afetou os americanos de muitas formas importantes. O interesse dos afro-americanos em suas raízes islâmicas floresceu desde a morte de El-Hajj Malik.  Alex Haley, que escreveu a autobiografia de Malcom, escreveu depois o épico Raízes, sobre a experiência de uma família muçulmana com a escravidão.  Mais e mais afro-americanos estão se tornando muçulmanos, adotando nomes islâmicos ou explorando a cultura africana.  O interesse em Malcom X aumentou repentinamente em tempos recentes devido ao filme de Spike Lee, “X”.  El-Hajj Malik é uma fonte de orgulho para os afro-americanos, muçulmanos, e americanos em geral.  Sua mensagem é simples e clara:

“Não sou racista sob qualquer aspecto. Não acredito em qualquer forma de racismo. Não acredito em qualquer forma de discriminação ou segregação. Acredito no Islã. Sou um muçulmano.”

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