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Estudiosos Cristãos Reconhecem Contradições na Bíblia (parte 4 de 5): Alterações nas Escrituras Cristãs

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Descrição: Escrituras cristãs “corrigidas” por cristãos ortodoxos.

  • Por Misha’al ibn Abdullah (retirado do livro: What Did Jesus Really Say?(O que Jesus Realmente Di
  • Publicado em 09 Mar 2009
  • Última modificação em 18 Mar 2009
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Vitor de Tununa, um bispo africano do século seis relatou em sua Crônica (566 AD) que quando Messala foi cônsul em Constantinopla (506 AD), ele “censurou e corrigiu” os Evangelhos gentílicos escritos por pessoas consideradas analfabetas pelo imperador Anastácio.  A implicação foi que foram alterados para se adequarem ao Cristianismo do século seis que diferia do Cristianismo dos séculos anteriores.[1]

Essas “correções” não estavam de forma alguma confinadas aos primeiros séculos depois de Cristo.  Sir Higgins diz:

“É impossível negar que os monges beneditinos de Saint Maur, com relação às línguas latina e grega, eram muito letrados e talentosos, assim como muitos grupos de homens. Em ‘Life of Lanfranc, Archbishop of Canterbury’ (Vida de Lanfranc, Arcebispo de Canterbury, em tradução livre) de Cleland, existe a seguinte passagem: ‘Lanfranc, um monge beneditino, Arcebispo de Canterbury, ao constatar as escrituras muito corrompidas por copistas, se aplicou para corrigi-las, assim como os escritos dos patriarcas, em conformidade com a fé ortodoxa, secundum fidem orthodoxam.”[2]

Em outras palavras, as escrituras cristãs foram reescritas para se adequarem às doutrinas dos séculos onze e doze, e até os escritos dos fundadores da igreja primitiva foram “corrigidos” para que as mudanças não fossem descobertas.  Sir Higgins prossegue dizendo: “O mesmo divino Protestante tem essa passagem notável: ‘A imparcialidade exige de mim a confissão, de que os ortodoxos alteraram os Evangelhos em alguns lugares’”.

O autor então prossegue demonstrando como um esforço maciço foi empreendido em Constantinopla, Roma, Canterbury e no mundo cristão em geral para “corrigir” os Evangelhos e destruir todos os manuscritos anteriores a esse período.

Teodoro Zahan, ilustrou os profundos conflitos dentro das igrejas estabelecidas nos Artigos do Credo Apostólico.  Ele destaca que os católicos romanos acusam a Igreja Ortodoxa grega de remodelar o texto das escrituras sagradas por adições e omissões, com boas e más intenções.  Os ortodoxos gregos, por outro lado, acusam os católicos romanos de se desviarem em muitos lugares do texto original.  Apesar de suas diferenças, ambos unem forças para condenar os cristãos não-conformistas de desvio do “caminho verdadeiro” e condená-los como hereges.  Os hereges por sua vez condenam os católicos por terem “cunhado novamente a verdade como ferreiros.” O autor conclui “Fatos não suportam essas acusações?”

14. “E também aceitamos a promessa daqueles que disseram: Somos cristãos! Porém, esqueceram-se de grande parte do que lhes foi recomendado, pelo que disseminamos a inimizade e o ódio entre eles, até ao Dia da Ressurreição. Deus os inteirará, então, do que cometeram. 

15. Ó adeptos do Livro, foi-vos apresentado o Nosso Mensageiro para mostrar-vos muito do que ocultáveis do Livro e perdoar-vos em muito. Já vos chegou de Deus uma Luz e um Livro lúcido, 

16. Pelo qual Deus conduzirá aos caminhos da salvação aqueles que procurarem a Sua complacência e, por Sua vontade, tirá-los-á das trevas e os levará para a luz, encaminhando-os para a senda reta. 

17. São blasfemos aqueles que dizem: Deus é o Messias, filho de Maria. Dize-lhes: Quem possuiria o mínimo poder para impedir que Deus, assim querendo, aniquilasse o Messias, filho de Maria, sua mãe e todos os que estão na terra? Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra, e tudo quanto há entre ambos. Ele cria o que Lhe apraz, porque é Onipotente. 

18. Os judeus e os cristãos dizem: Somos os filhos de Deus e os Seus prediletos. Dize-lhes: Por que, então, Ele vos castiga por vossos pecados? Qual! Sois tão-somente seres humanos como os outros! Ele perdoa a quem Lhe apraz e castiga quem quer. Só a Deus pertence o reino dos céus e da terra e tudo quanto há entre ambos, e para Ele será o retorno. 

19. Ó adeptos do Livro, foi-vos apresentado o Nosso Mensageiro, para preencher a lacuna (na série) dos mensageiros,a fim de que não digais. Não nos chegou alvissareiro nem admoestador algum! Sim, já vos chegou um alvissareiro e admoestador, porque Deus é Onipotente.” (Alcorão 5:14-19)

O próprio Santo Agostinho, um homem reconhecido e consultado tanto por protestantes quanto por católicos, professou que existiam doutrinas secretas na religião cristã e que:

“... existiam muitas coisas verdadeiras na religião cristã que não era conveniente para o vulgar [pessoa comum] saber, e algumas coisas eram falsas, mas era conveniente para o vulgar acreditar nelas.”

Sir Higgins admite:

“Não é injusto supor que nessas verdades ocultadas temos parte dos mistérios cristãos modernos, e penso que dificilmente será negado que a igreja, cujas autoridades mais altas mantiveram essas doutrinas, não teve escrúpulos em retocar as escrituras sagradas.”[3]

Mesmo as epístolas atribuídas a Paulo não foram escritas por ele.  Após anos de pesquisa, católicos e protestantes concordam que das treze epístolas atribuídas a Paulo apenas sete são genuinamente dele.  São elas: Romanos 1, Coríntios 2, Gálatas, Filipenses, Filemom e Tessalonicenses 1.

Denominações cristãs não concordam nem mesmo sobre a definição do que é exatamente um livro “inspirado” de Deus.  Os protestantes são ensinados que existem 66 livros verdadeiramente “inspirados” na Bíblia, enquanto que os católicos são ensinados que existem 73 livros verdadeiramente “inspirados”, sem mencionar muitas outras denominações e seus livros “mais novos”, como os mórmons, etc.  Como veremos brevemente, os primeiros cristãos, por muitas gerações, não seguiram nem os 66 livros dos protestantes nem os 73 livros dos católicos.  Muito pelo contrário, eles acreditavam nos livros que, muitas gerações depois, foram “reconhecidos” como fabricações e apócrifos por uma época mais iluminada do que a dos apóstolos.



Footnotes:

[1] The Dead Sea Scrolls, the Gospel of Barnabas, and the New Testament, by M. A. Yusseff, p. 81.

[2] History of Christianity in the light of Modern knowledge (História do Cristianismo à luz do Conhecimento Moderno, em tradução livre), Higgins p.318.

[3] The Dead Sea Scrolls, the Gospel of Barnabas, and the New Testament (Os Manuscritos do Mar Morto, o Evangelho de Barnabé e o Novo Testamento, em tradução livre), M. A. Yusseff, p.83

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