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Álcool (parte 2 de 2): A Mãe de Todos os Males

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Descrição: A posição Islâmica sobre as bebidas alcoólicas.

  • Por AbdurRahman Mahdi (© 2010 IslamReligion.com)
  • Publicado em 21 Jun 2010
  • Última modificação em 22 Jun 2010
  • Impresso: 258
  • Visualizado: 14214 (média diária: 4)
  • Classificação: 5 de 5
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“Ó Deus, que os homens coloquem um inimigo em suas bocas para roubar-lhes os cérebros! Que com alegria, prazer, deleite e aplauso nos transformemos em bestas!” (Cássio, em Otelo de William Shakespeare, ato 2, cena 3)

Um dia quando saía de sua mesquita, o Profeta Muhammad, que Deus envie seus louvores sobre ele, notou que seu primo e genro, Ali b. Abi Talib estava visivelmente aborrecido.  Quando o Profeta preocupado perguntou a Ali o que o estava incomodando, Ali simplesmente apontou para a carcaça cheia de sangue de seu querido camelo – não um camelo comum, mas o camelo que Ali cavalgou em sua corajosa defesa do Profeta e do Islã no campo de batalha.  Ali contou ao Profeta que um de seus tios tinha sido responsável pelo abato não sancionado de seu animal, e assim o Profeta foi ouvir o lado da história de seu tio.

Ao entrar na presença de seu tio o Profeta o encontrou bêbado com vinho.  Ao ver o desprazer na face de seu sobrinho, o tio soube de imediato, apesar da intoxicação, que o Profeta tinha vindo questioná-lo sobre o camelo de Ali.  Com nada de bom para dizer em sua defesa, o tio culpado e bêbado deixou escapar para seu sobrinho: “Você e seu pai são meus servos!” A única resposta do Profeta ao acesso de raiva blasfemo foi exclamar: “Verdadeiramente, o álcool é a mãe de todos os males!”

E assim, da biografia do Profeta Muhammad aprendemos uma lição valiosa com relação às consequências maléficas colossais da bebida alcoólica.  Qualquer um dos atos inspirados pelo álcool nesse curto episódio da vida do abençoado Profeta seria suficiente para o leitor como repreensão: seja pela morte do camelo de Ali, o estado de embriaguez de um tio de um profeta de Deus – sem mencionar Seu último e final mensageiro para a humanidade – ou o insulto perverso contra ele e seu próprio irmão morto, que era nada menos que o pai do Profeta de Deus.  Como considerar todos esses crimes juntos?  Sem mencionar os muitos males resultantes indiretamente do consumo de álcool pelo tio, como a perda para a comunidade muçulmana de uma de suas montarias de batalha, ou a dor, angústia e, talvez, embaraço que Muhammad deve ter sentido com esse trágico assunto familiar.  Sem dúvida, foi precisamente porque o Profeta reconheceu que foi o álcool que provocou e nutriu todos esses pecados infames que o denunciou como “a mãe de todos os males!”

Assim, vemos que o Islã proíbe completamente o consumo de álcool, em pequenas ou grandes quantidades.  O Profeta Muhammad disse:

“Se uma quantidade grande de algo causa intoxicação, uma pequena quantidade também é proibida.” [1]

Nesse hadith, vemos a perfeição do Islã como religião, seu caráter conclusivo como código legal, e sua abrangência como modo de vida.  Como um convertido alemão ao Islã destacou:

“O Islã valoriza a saúde moral e espiritual de uma nação tanto quanto seu bem-estar físico. Considera qualquer coisa que interfira com o funcionamento normal da mente, embaça nossos sentidos e, consequentemente, reduz nosso nível de vergonha ou responsabilidade, ou obscurece nossa percepção como prejudicial (isso inclui o álcool e também outras drogas que alteram a mente). E reconhece que pessoas diferentes reagem de forma muito diferente ao mesmo estimulante, não importa o quanto seja aceitável para elas. Muitas pessoas pensavam que tinham controle sobre seus hábitos relacionados à bebida e acabaram bebendo um copo atrás do outro. O Islã afirma categoricamente que se uma substância pode destruir a clareza da mente em grandes quantidades, é prejudicial mesmo em quantidades mínimas. O Islã, consequentemente, advoga a proibição total de drogas narcóticas, incluindo o álcool. Proíbe o uso, não apenas o abuso dessas substâncias.”[2]

Sim, existem alguns benefícios que derivam de bebidas alcoólicas.  Por exemplo, o álcool pode dar força e confiança; ajuda a relaxar e, em pequenas quantidades, é até bom para a saúde do coração.[3]  Entretanto, como o Glorioso Alcorão afirma, os prejuízos associados com o álcool superam seus benefícios.  Assim, na análise final, o álcool é um inimigo e não um amigo daquele que o consome.

“Interrogam-te (Ó Profeta) a respeito da bebida inebriante e do jogo de azar. Dize: Em ambos há benefícios e malefícios para o homem; porém, os seus malefícios são maiores do que os seus benefícios.” (Alcorão 2:219)

Somente porque o Islã busca o benefício e o aprimoramento do homem é que a lei islâmica criminaliza o consumo, produção, transporte e venda de bebida alcoólica.[4] De fato, o mero consumo de álcool é uma atividade criminosa tão séria que acarreta uma punição corporal severa.  Quanto à Vida Futura, a punição é verdadeiramente grotesca:

“Todo intoxicante é proibido.  Deus fez uma promessa em relação àqueles que consomem intoxicantes de lhes dar para beber a evacuação (dos habitantes do Inferno)!”[5]

Para concluir, talvez seja útil fazer o leitor ponderar sobre a seguinte história bem conhecida; bem conhecida pelo menos para muitos muçulmanos cautelosos.

Uma vez uma mulher má convidou um bom homem para maus atos.  O homem, temendo a Deus, recusou totalmente.  Mas, determinada a não deixar sua presa escapar, a mulher ofereceu a ele uma das três escolhas, cada uma mais vil que a outra: consumir álcool, cometer adultério ou matar o filho que ela teve de um casamento anterior.  Se o homem recusasse, ela gritaria alegando estupro.  Então, após ponderar sobre sua situação difícil, o homem devoto escolheu o que considerou o menor de três males.  Entretanto, ao consumir álcool o homem ficou bêbado e então, sob a influência da bebida que destrói o cérebro, ele matou a criança e cometeu adultério com a mulher perversa.

Pondere e então considere o quão facilmente poderia degenerar como ser humano se também abraçasse “a mãe de todos os males.”



Footnotes:

[1] Narrado pelo Companheiro, Jaabir, e registrado nas coletâneas de Tirmidhi, Abu Dawud & Ibn Majah.

[2] Sahib M. Bleher, One glass too many. Pg. 199.

[3] Embora, estritamente falando, o pigmento que ocorre naturalmente dentro da uva e não necessariamente o vinho fermentado e que é benéfico para o coração.

[4] “Allah amaldiçoa todos os intoxicantes (bebidas alcoólicas); (Ele também amaldiçoa) quem a bebe e a serve, quem a vende e a compra, que a produz e quem pede que a preparem, quem a entrega e a quem ela é entregue.” (Abu Dawud)

[5] Sahih Muslim.

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