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O Perdão que Muhammad Mostrou aos Não-Muçulmanos (parte 2 de 2)

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Descrição: O perdão do Profeta em relação aos não-muçulmanos, mesmo aqueles que tentaram matá-lo e se opuseram à sua missão ao longo da vida dele.  Parte 2: Mais exemplos.

  • Por M. Abdulsalam (IslamReligion.com)
  • Publicado em 09 Mar 2009
  • Última modificação em 18 Mar 2009
  • Impresso: 397
  • Visualizado: 13493 (média diária: 4)
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A misericórdia do Profeta foi estendida até mesmo àqueles que brutalmente mataram e então mutilaram o corpo do seu tio Hamzah, uma das pessoas mais amadas para o Profeta.  Hamzah foi um dos primeiros a aceitar o Islã e, através de seu poder e posição na hierarquia coraixita, evitou muito dano aos muçulmanos.  Um escravo abissínio da esposa de Abu Sufyan, Hind, procurou por Hamzah e o matou na batalha de Uhud.  Na noite anterior à vitória de Meca Abu Sufyan aceitou o Islã, temendo a vingança do Profeta, que Deus o exalte.  O Profeta o perdoou e não buscou a retribuição por seus anos de inimizade.

Depois de Hind ter matado Hamzah ela mutilou o seu corpo cortando seu peito e despedaçando seu fígado e coração.  Quando ela veio em silêncio ao Profeta e aceitou o Islã, ele a reconheceu mas não disse nada.  Ela ficou tão impressionada por sua magnanimidade e estatura que disse: “Ó Mensageiro de Deus, nenhuma tenda era mais rejeitada aos meus olhos do que a sua; mas hoje nenhuma tenda é mais adorável em meus olhos do que a sua.”

Ikrama, filho de Abu Jahl, foi um grande inimigo do Profeta e do Islã.  Ele fugiu após a vitória de Meca e foi para o Iêmen.  Após sua esposa abraçar o Islã, ela o trouxe para o Profeta Muhammad sob sua proteção.  Ele estava tão feliz em vê-lo que o saudou com as palavras:

“Ó cavaleiro emigrante, bem-vindo.”

Safwan bin Umaya, um dos chefes de Meca, também foi um grande inimigo de Muhammad e do Islã.  Ele prometeu uma recompensa a Umair ibn Wahab se conseguisse matar Muhammad.  Quando Meca foi conquistada, Safwan fugiu para Jeddah na esperança de encontrar uma embarcação que o levasse para o Iêmen por mar.  Umair ibn Wahab veio a Muhammad e disse: “Ó Mensageiro de Deus! Safwan ibn Umayya, um chefe desta tribo, fugiu por medo do que pudesse fazer a ele e ameaçou se jogar no mar.”  O Profeta enviou uma garantia de proteção e, quando ele retornou, pediu a Muhammad dois meses para chegar à uma decisão.  Ele recebeu quatro meses, após os quais se tornou muçulmano espontaneamente.

Habir ibn al-Aswad foi outro inimigo cruel de Muhammad e do Islã. Ele infligiu uma injúria grave a Zainab, filha do Nobre Profeta quando ela decidiu migrar para Medina.  Ela estava grávida quando começou sua migração e os politeístas de Meca tentaram impedi-la de partir.  Esse homem em particular, Habbar bin al-Aswad, a atacou fisicamente e de forma intencional fez com que ela caísse de seu camelo.  A queda fez com que ela abortasse seu bebê e ela própria ficou muito ferida.  Ele também tinha cometido muitos outros crimes contra os muçulmanos.  Ele queria fugir para a Pérsia mas, quando ao invés disso decidiu vir a Muhammad, o Profeta magnanimamente o perdoou.

A tribo coraixita era arquiinimiga do Islã e, por um período de treze anos enquanto ele estava em Meca, o repreenderam, insultaram, ironizaram, bateram e abusaram dele, física e mentalmente.  Eles colocaram a placenta de uma camela em suas costas enquanto ele orava, e o boicotaram e à sua tribo até que as sanções sociais se tornaram insuportáveis.  Eles planejaram e tentaram matá-lo em mais de uma ocasião, e quando o Profeta escapou para Medina, reuniram a maioria das tribos árabes e empreenderam muitas guerras contra ele.  Ainda assim, quando ele entrou em Meca vitorioso com um exército de 10.000 homens, ele não fez revanche contra ninguém.  O Profeta disse aos coraixitas:

“Ó povo de Coraix! O que pensam que farei a vocês?”

Esperando uma boa resposta, eles disseram: “Fará o bem. És um irmão nobre, filho de um irmão nobre.”

O Profeta então disse:

“Então direi a vocês o que José disse a seus irmãos: ‘Não há culpa sobre vocês.’ Vão! Estão todos livres!.”[1]

Raramente nos anais da história podemos ler esses exemplos de perdão. Até seu mais terrível inimigo, Abu Sufyan, que liderou tantas batalhas contra o Islã, foi perdoado, como foi qualquer pessoa que ficasse em sua casa e não viesse combater o Profeta.

O Profeta, que Deus o exalte, era inclinado ao perdão e nenhum crime ou agressão contra ele era tão grande que não pudesse ser perdoado.  Ele foi o exemplo completo de perdão e gentileza, como mencionado no seguinte versículo do Alcorão:

“Conserva-te indulgente, encomenda o bem e foge dos insipientes.” (Alcorão 7:199)

Ele sempre repeliu o mal com o bem do perdão e comportamento gentil porque, em sua opinião, um antídoto era melhor que o veneno.  Ele acreditava e praticava o preceito de que o amor podia deter o ódio e a agressão podia ser superada pelo perdão.  Ele superou a ignorância das pessoas com o conhecimento do Islã e a insensatez e maldade das pessoas com seu tratamento gentil e perdoador.  Com seu perdão, ele libertou as pessoas da escravidão do pecado e do crime e também as fez grandes amigas do Islã.  Ele foi uma epítome do versículo do Alcorão:

“Jamais poderão equiparar-se a bondade e a maldade! Retribui (ó Muhammad) o mal da melhor forma possível, e eis que aquele que nutria inimizade por ti converter-se-á em íntimo amigo!” (Alcorão 41:34)



Footnotes:

[1] “Mukhtasar Seeratur Rasool”, Muhammad ibn Sulayman at-Tameemi.

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