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A história de José (parte 1 de 7): A história começa

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Descrição: José recebe uma profecia e a inveja leva o melhor de seus irmãos.

  • Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
  • Publicado em 17 Aug 2015
  • Última modificação em 17 Aug 2015
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Essa é uma história de intriga e engodo, de inveja, orgulho e paixão... e não é The Bold and the Beautiful.  É uma saga de paciência, lealdade, bravura e compaixão e não é Dr. Phil ou Oprah.  É a história do profeta José, que Deus o cubra com Seus louvores.  O mesmo José conhecido da produção de Andrew Lloyd Webber - José e seu maravilhoso manto tecnicolor - e das tradições judaicas e cristãs.  Deus revelou essa história ao profeta Muhammad quando um israelita pediu a ele para contar o que sabia sobre José.[1] As histórias no Alcorão geralmente são contadas em pequenos trechos e distribuídas em vários capítulos. A história de José, entretanto, é única.  Foi revelada em um capítulo, do início ao fim.  É a história e experiência completas do profeta José.  Aprendemos sobre as alegrias, dificuldades e tristezas de José e caminhamos com ele pelos anos de sua vida enquanto ele se arma com piedade e paciência e, no fim, emerge vitorioso.  A história de José começa com um sonho e termina com a interpretação do sonho.

"Nós te relatamos a mais formosa das narrativas, ao inspirar-te este Alcorão, se bem que antes disso eras um dos desatentos." (Alcorão 12:3)

Infância de José

José era um menino bonito, feliz e muito amado por seu pai.  Acordou uma manhã excitado com um sonho e correu direto para seu pai, explicando com felicidade o que tinha visto no sonho.  O pai de José ouviu com atenção seu amado filho e seu rosto brilhou de alegria, porque José relatou um sonho que falava do cumprimento de uma profecia.  José disse:

"Ó pai, vi, em sonho, onze estrelas, o sol e a lua; vi-os prostrando-se ante mim." (Alcorão 12:4)

José era um dos 12 irmãos cujo pai era o profeta Jacó e cujo tataravô era o profeta Abraão.  Essa profecia falava sobre manter a mensagem de Abraão de adorar ao Verdadeiro e Único Deus vivo.  O neto do profeta Abraão, Jacó, interpretou o sonho como se José seria aquele que carregaria a "Luz da casa de Deus" [2] Entretanto, tão rapidamente quanto surgiu no rosto de Jacó, a alegria se foi e ele implorou ao filho que não contasse seu sonho aos irmãos.  Jacó disse:

"Ó filho meu, não relates teu sonho aos teus irmãos, para que não conspirem astutamente contra ti. Fica sabendo que Satanás é inimigo declarado do homem. E assim teu Senhor te elegerá e ensinar-te-á a interpretação das histórias e te agraciará com a Sua mercê, a ti e à família de Jacó, como agraciou anteriormente teus avós, Abraão e Isaque, porque teu Senhor é Sapiente, Prudentíssimo." (Alcorão 12:5-6)

Jacó sabia que seus filhos (irmãos de José) não aceitariam a interpretação desse sonho ou a ascensão de José em relação a eles.  Jacó estava tomado pelo temor.  Os dez irmãos mais velhos já tinham ciúmes do irmão mais novo.  Reconheciam a afeição particular do pai por ele.  Jacó era um profeta, um homem dedicado à submissão ao Verdadeiro e Único Deus e tratava sua família e sua comunidade com justiça, respeito e amor equitativo. Entretanto, seu coração era atraído para as qualidades gentis evidentes em seu filho José.  José também tinha um irmão mais novo chamado Benjamim, que, nessa etapa da história, era muito jovem para se envolver em qualquer trapaça e engodo.

Enquanto os profetas e homens virtuosos estão ansiosos para propagar a mensagem de submissão a Deus, Satanás espera para atiçar e incitar a humanidade.  Ama a trapaça e o engodo e agora semeava as sementes da discórdia entre Jacó e seus irmãos mais velhos.  A inveja que os irmãos sentiam de José cegou seus corações, desorientou seus pensamentos e fez pequenas coisas parecerem intransponíveis e coisas importantes parecerem insignificantes.  José ouviu o aviso de seu pai e não falou sobre seu sonho com os irmãos, mas mesmo assim eles ficaram obcecados e tomados pela inveja.  Sem saber sobre o sonho de José, desenvolveram um plano para matá-lo.

José e Benjamim eram os filhos da segunda esposa de Jacó.  Os mais velhos se consideravam homens.  Eram mais velhos, mais fortes e viam em si mesmos muitas qualidades boas.  Cegos pelos ciúmes, perceberam que José e Benjamim eram muito jovens e sem consequência na vida da família.  Recusaram-se a compreender por que o pai os havia dado dotes.  O pensamento distorcido dos mais velhos fez com que acusassem o pai de estar desorientado o que, na realidade, estava longe de ser verdade.  Satanás fez seus pensamentos lhes parecerem justos e sua profunda desorientação lhes foi mostrada claramente quando falarem sobre matar José e imediatamente se arrependeram perante Deus por esse ato desprezível.

"Eis que (os irmãos de José) disseram (entre si): José e seu irmão (Benjamim) são mais queridos por nosso pai do que nós, apesar de sermos muitos. Certamente, nosso pai está (mentalmente) divagante! Matai, pois, José ou, então, desterrai-o; assim, o carinho de vosso pai se concentrará em vós e, depois disso, sereis virtuosos." (Alcorão 12:8-9)

Um deles sentiu que era um erro e sugeriu que ao invés de matar José, o jogassem em um poço.  Quando fosse encontrado por algum passante seria vendido como escravo, fazendo com que estivesse como morto para a família.  Acreditaram, em sua cegueira, que a ausência de José o removeria dos pensamentos de seu pai.  Os irmãos continuaram a tramar seu plano maléfico.  Satanás brincava com eles, lançando dúvidas em suas mentes e sussurrando desorientação em seus ouvidos.  Os irmãos terminaram a discussão satisfeitos e acreditando que tinham traçado um plano inteligente.  Abordaram Jacó com um plano de levar José para o deserto com eles, com o pretexto de deixá-lo brincar e se divertir.  O medo tomou conta do coração de Jacó.



Notas de rodapé:

[1] Ibn Katheer.  As Histórias dos Profetas.

[2] Ibid.

 

 

A história de José (parte 2 de 7): Trapaça e engodo

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Descrição: Os irmãos de José o traíram e Jacó se volta para Deus com paciência e humildade.

  • Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
  • Publicado em 24 Aug 2015
  • Última modificação em 24 Aug 2015
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"Sabei que Deus possui total controle sobre os Seus assuntos; porém, a maioria dos humanos o ignora." (Alcorão 12:21)

A história de José confirma incondicionalmente que Deus tem controle total sobre todos os assuntos.  A trapaça e engodo dos irmãos de José só foram bem-sucedidos na preparação de José para a grande posição que alcançaria.  A história de José descreve a onipotência de Deus e dá um relato preciso de Seu poder e supremacia.  A história começa com engodo, mas termina com conforto e alegria.  Uma recompensa adequada para a paciência e submissão total à vontade de Deus que José exibe durante sua longa jornada, confrontando estratagemas e trapaças daqueles ao seu redor.

A paciência que José aprendeu a partir de sua provação o colocou entre os homens virtuosos.  Sua linhagem era impecável, seu tataravô, avô e pai também eram profetas.  Nas tradições cristã e judaica, esses homens eram conhecidos como Abraão, Isaque e Jacó.

Trapaça e engodo

Quando os filhos mais velhos de Jacó pediram permissão para levar José para o deserto brincar, o temor tomou conta do coração de Jacó.  Desde as primeiras palavras deles Jacó suspeitou de trapaça e expressou seu temor de que um lobo pegasse José.  Jacó disse:

"Respondeu-lhes: Sem dúvida que me condói que o leveis, porque temo que o devore um lobo, enquanto estiverdes descuidados." (Alcorão 12:13)

Satanás trabalha de maneiras sutis e enganadoras e com suas palavras Jacó sem querer supriu seus filhos com a razão perfeita para o desaparecimento de José.  Os irmãos souberam imediatamente que colocariam a culpa do desaparecimento de José sobre um lobo e isso se tornou parte de seu plano covarde.  Por fim Jacó concordou e José partiu com seus irmãos em uma viagem para o deserto.

Foram diretamente para o poço e, sem remorso, pegaram José e o jogaram dentro do poço.  José gritou de medo, mas seus corações cruéis não sentiram pena do irmão mais novo.  Os irmãos se sentiram seguros em seu plano de que um viajante encontraria José e o venderia como escravo.  Enquanto José gritava aterrorizado, os irmãos pegaram um pequeno cabrito ou ovelha de seu rebanho, abateram e jogaram o sangue nas roupas de José.  Totalmente consumidos pela inveja, os irmãos fizeram uma promessa de manter seu ato terrível em segredo e se afastaram satisfeitos consigo mesmos.  Aterrorizado José escalou até uma borda no poço e Deus lhe fez saber que um dia ele confrontaria seus irmãos.  Disse a José que chegaria o dia em que ele falaria com seus irmãos sobre esse evento terrível, mas os irmãos não saberiam que estavam falando com José.

"Algum dia hás de inteirá-los desta sua ação, mas eles não te conhecerão." (Alcorão 12:15)

Chorar não é evidência de verdade.

Os irmãos voltaram para o pai chorando.  Estava escuro e Jacó estava sentado em casa esperando ansiosamente pelo retorno de José.  O som dos dez homens chorando confirmou seu temor mais profundo.  A escuridão da noite só foi equiparada à escuridão de seus corações.  As mentiras saíram facilmente de suas línguas e o coração de Jacó se contraiu em temor.

"Disseram: Ó pai, estávamos apostando corrida e deixamos José junto à nossa bagagem, quando um lobo o devorou. Porém, tu não irás crer, ainda que estejamos falando a verdade! Então lhe mostraram sua túnica falsamente ensanguentada; porém, Jacó lhes disse: Qual! Vós mesmos tramastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-me-ei pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao que me anunciais." (Alcorão 12:17-18)

Em uma história dos homens virtuosos que vieram depois do profeta Muhammad, há o caso de um juiz muçulmano que estava decidindo a questão de uma mulher idosa.  Os detalhes do caso não são importantes, mas a idosa estava chorando muito.  Com base em evidências o juiz julgou contra ela.  Um amigo do juiz disse: "Ela estava chorando muito, é idosa, por que não acreditou nela?" O juiz disse: "Não aprendeu do Alcorão que chorar não é evidência da verdade? Os irmãos de José foram para o pai chorando." Estavam chorando, mas cometeram o crime.

Jacó e José estavam entre os homens mais nobres.  O profeta Muhammad descreveu José como o mais digno e generoso dos homens.  Ao ser perguntado quem era o homem mais temente a Deus, ele respondeu: "A pessoa mais honrada é José, profeta de Deus, o filho do profeta de Deus, o filho do servo amado de Deus (Abraão)" [1] Enquanto José sentava no poço, aterrorizado, mas seguro em sua submissão a Deus, Jacó, a muitos quilômetros de distância, sentia seu coração apertado pelo temor e pela dor, mas sabia que seus filhos estavam mentindo.  Como esperado de um profeta de Deus, com lágrimas rolando pelo seu rosto, Jacó disse:

"Qual! Vós mesmos tramastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-me-ei pacientemente, pois Deus me confortará, em relação ao que me anunciais." (Alcorão 12:18)

Era um dilema para Jacó. O que devia fazer?  Sabia que seus filhos estavam mentindo, mas quais eram suas opções?  Matar seus filhos?  Devido à sua submissão completa a Deus, Jacó sabia que esse assunto estava fora de suas mãos.  Não tinha opção a não ser confiar em Deus e se voltar para Ele com esperança e paciência.

No fundo do poço, José orava.  Pai e filho se voltaram para Deus na escuridão da noite.  Uma mistura de temor e esperança encheu seus corações e a noite abriu caminho para um novo dia.  Para Jacó o dia significava o começo de muitos anos a serem preenchidos com confiança em Deus e paciência.  Para José, os raios do sol da alvorada refletiram nas bordas do poço.  Se pudesse ver o horizonte, teria visto uma caravana se aproximando.  Minutos depois um homem jogou seu balde no poço esperando encontrar água fresca e limpa.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Al-Bukhari.

 

 

A história de José (parte 3 de 7): Vendido como escravo

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Descrição: José é resgatado do poço, vendido como escravo e é estabelecido em uma das maiores casas do Egito.

  • Por Aisha Stacey (© 2008 IslamReligion.com)
  • Publicado em 24 Aug 2015
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Desviados pelos sussurros de Satanás e cheios de inveja e orgulho, os irmãos enganaram o pai Jacó e traíram o irmão mais novo.  Jogado no poço por seus irmãos mais velhos, José, o filho amado do profeta Jacó, escalou durante a noite até uma borda e tentou por sua confiança em Deus.  O tempo passou devagar e o calor do sol da manhã atingiu fortemente a terra.  Mais tarde naquele dia uma caravana em viagem para o Egito se aproximou do poço.

Quando a caravana chegou os viajantes estavam ocupados cuidando dos camelos, dos cavalos, alguns desempacotando e outros preparando comida.  Um deles foi ao poço e jogou seu balde, feliz antecipadamente pela água fresca e limpa.  José ficou surpreso quando o balde foi na direção dele, mas antes que atingisse a água, ele o segurou e subiu pela corda.  Surpreso com o peso do balde, o homem olhou para dentro do poço.  Ficou chocado e excitado quando viu uma criança subindo pela corda.  O homem chamou seus companheiros para ajudá-lo a tirar a criança do poço e todos ficaram maravilhados com a visão dessa bela criança, que ainda não tinha chegado à adolescência, parada diante deles.

Olhando para o menino o homem não pode conter sua excitação e gritou: "Boas novas!" (Alcorão 12:19) O homem estava muito feliz e imediatamente decidiu vender José, sabendo que ele daria um bom dinheiro no mercado de escravos.  Como os irmãos tinham previsto, os homens da caravana levaram José para o Egito esperando vendê-lo por um bom preço.  Os mercados de escravos do Egito estavam cheios de gente, umas comprando, outras vendendo, outras apenas observando os procedimentos.  O belo menino encontrado no poço atraiu muitos espectadores e os lances por ele foram imediatos.  O preço continuou a subir além das expectativas e no fim José foi comprado por Aziz, o ministro chefe do Egito.

Entretanto, Deus nos diz no Alcorão que o venderam por um preço baixo.  (12:20) Isso não parece fazer sentido, uma vez que os homens da caravana estavam jubilantes com o preço que receberam.  Deus descreveu o preço como baixo porque José de fato valia mais do que jamais podiam imaginar.  Os homens não perceberam quem essa criança se tornaria ao crescer.  Acreditavam que embora belo, José fosse insignificante.  Nada podia estar mais distante da verdade e se o tivessem vendido pelo seu peso em ouro, teria sido barato pelo homem que José, o profeta de Deus, se tornaria.

Na casa de Aziz

O ministro chefe, Aziz, percebeu imediatamente que essa não era uma criança comum.  Levou-o para casa, uma das grandes mansões do Egito, e disse para sua esposa:

"Acolhe-o condignamente; pode ser que nos venha a ser útil, ou poderemos adotá-lo como filho. Assim estabilizamos José na terra, e ensinamos-lhes a interpretação das histórias." (Alcorão 12:21)

Deus colocou José na casa da segunda pessoa mais importante do Egito.  O ministro chefe Aziz era mais que apenas um primeiro-ministro, era também o tesoureiro do Egito.  Deus estabeleceu José na terra para ensinar-lhe sabedoria e compreensão.  O empenho e luta exigidos de José para superar a separação de seu pai e família, a dificuldade de ser traído por seus irmãos mais velhos que deveriam protegê-lo, a angústia no poço e a humilhação de ser vendido como escravo foram todos testes designados para moldar o caráter de José.  Foram os primeiros passos na escada para a grandeza.  Deus usou a trapaça dos irmãos de José para cumprir Seu plano de estabelecer José como profeta de Deus.

Os irmãos de José acreditavam que tinham tudo sob controle quando colocaram o irmão no poço, mas na realidade a situação estava fora de seu controle.  Deus é Quem está no controle de todos os assuntos.  Deus foi decisivo em Sua ação e Seu plano foi executado apesar da trapaça, inveja e orgulho de outros.  José se viu no centro de decisões do Egito com um homem que parecia gentil e de algum modo ciente das qualidades especiais de José.  Enquanto sentia falta de seu pai e do irmão Benjamim, José foi bem cuidado e morava em locais luxuosos.  José cresceu na casa de Aziz e Deus concedeu a ele bom julgamento e conhecimento.

"E quando alcançou a puberdade, agraciamo-lo com poder e sabedoria; assim recompensamos os benfeitores." (Alcorão 12:22)

Deus concedeu a José conhecimento e sabedoria.  Não apenas uma, mas ambas as qualidades.  Recebei a habilidade de compreender e de usar o bom julgamento ao aplicar seu conhecimento.  Esse não é sempre o caso.  Há muitas pessoas na história do mundo até o dia de hoje que têm conhecimento, mas não têm a habilidade ou julgamento para aplicar esse conhecimento de maneira eficiente.

Um dos grandes sábios do Islã, o Imam Abu Hanifa, mantinha círculos regulares de aprendizado nos quais apresentava um tópico para debate.  O tópico era discutido e opiniões eram apresentadas e então o Imam Abu Hanifa dava um veredito final.  Essa forma de ensinar era única naquela época.  Havia entre esse círculo de aprendizado um sábio das narrações do profeta Muhammad, que recitou uma que o Imam Hanifa nunca tinha ouvido antes.  Justo naquele momento uma mulher se aproximou do círculo e fez uma pergunta.  O sábio respondeu que não sabia a resposta, mas o Imam Abu Hanifa foi capaz de respondê-la.  Então ele se voltou para os membros do círculo de aprendizado e disse: "Sei a resposta para essa pergunta do hadith que nosso irmão acabou de mencionar." Assim, é possível ter o conhecimento, mas não saber como aplicá-lo.  O profeta José, como todos os profetas de Deus, recebeu o conhecimento e a sabedoria para compreendê-lo e aplicá-lo.

 

 

A história de José (parte 4 de 7): Beleza e um teste

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Descrição: José enfrenta um grande teste de sedução e busca refúgio em Deus.

  • Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
  • Publicado em 31 Aug 2015
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Embora traído e vendido como escravo, José, o filho do profeta Jacó, se estabeleceu em um das grandes casas do Egito.  Seu mestre, Al Aziz, o ministro-chefe do Egito prometeu tratar José com bondade e José, que era grato pela segurança relativa, respondeu que seria leal ao seu novo mestre.  Agradeceu a Deus por retificar sua situação e colocá-lo em um lugar livre de maus tratos e abusos.  José foi da posição de filho amado para as profundezas do poço, das correntes de ferro para uma posição de facilidade.  A vida de José virou do avesso, mas a casa de Al Aziz foi o lugar em que chegou à idade adulta.

Os sábios do Islã estimaram que José tivesse por volta de 14 anos quando foi traído por seus irmãos.  O Imam Ibn Katheer, um dos estudiosos do Alcorão mais respeitados, explicou em seu trabalho "As Histórias dos Profetas", que José era mais provavelmente o atendente pessoal da esposa de Al Aziz.  Ibn Katheer descreveu José como obediente, educado e excessivamente belo.  O profeta Muhammad também descreveu José e o chamou "a personificação de metade de toda a beleza" [1].  Enquanto José crescia Deus lhe deu sabedoria e bom julgamento e o ministro-chefe Al Aziz reconheceu essas qualidades em seu servo leal e, portanto, o colocou como encarregado das questões domésticas.  Todos que o conheciam, incluindo a esposa de Al Aziz, reconheciam a beleza, honestidade e nobreza de José.  Ela observou José crescer, se tornar um homem bonito e ficou cada vez mais atraída por ele a cada dia que passava.

O teste

"A mulher, em cuja casa se alojara, tentou seduzi-lo; fechou as portas e lhe disse: Agora vem!" (Alcorão 12:23)

A bela esposa de Al Aziz fechou as portas e tentou seduzir o escravo José, mas ele resistiu aos avanços dela e buscou refúgio com Deus.  Buscou ajuda de Deus.  José lhe disse que não trairia o marido dela.  José disse: "Ele tem sido bom para mim e me tratou com respeito." José sabia que aqueles que cometem maus atos nunca terão sucesso.  A esposa de Al Aziz tinha um desejo e tentou agir de acordo com ele. José, entretanto, resistiu à tentação e tentou escapar.  O profeta Muhammad nos diz que se tivermos a intenção de cometer um ato errado e de fato o executarmos, Deus o registrará contra nós como uma má ação.  Entretanto, se pensarmos em cometer uma má ação e não o fizermos, Deus a registrará como uma boa ação.[2]

José tirou de sua mente quaisquer pensamentos de dormir com a esposa de seu mestre, buscou refúgio com Deus e tentou sair da situação complicada.  Talvez José estivesse resistindo aos avanços dela por muitos anos.  Uma mulher rica e bonita dos mais altos escalões da sociedade egípcia não iria se rebaixar a esse comportamento imediatamente.  A beleza, status e riqueza dela significavam que a maioria dos homens ou meninos sucumbiria facilmente aos seus desejos.  José, entretanto, não era um homem comum e quando se voltou imediatamente para Deus em busca de ajuda, Deus o resgatou.

"Ela o desejou, e ele a teria desejado, se não se apercebesse da evidência do seu Senhor. Assim procedemos, para afastá-lo da traição e da obscenidade, porque era um dos Nossos sinceros servos." (Alcorão 12:24)

José é um dos líderes dos que serão protegidos por Deus no Dia do Juízo.  O profeta Muhammad explicou que o calor do Dia do Juízo seria terrível e as pessoas estarão agrupadas e com medo enquanto esperam para ser julgadas por Deus.  Entretanto, haverá certas categorias de pessoas protegidas desse calor brutal.  Uma delas é um homem que resistiu às tentações de uma mulher bonita e desejável ao buscar refúgio em Deus.[3]

A recusa de José só aumentou a paixão dela.  Ele tentou fugir e correram para a porta.  A esposa de Al Aziz alcançou a camisa de José e a rasgou nas costas.  Naquele momento a porta se abriu e o marido entrou.  Imediatamente, sem um segundo de hesitação, a esposa de Al Aziz tentou reverter a situação.  Gritou para o marido: "Qual é a punição para quem deseja sua esposa?" Era uma mentira clara e ainda assim ela a pronunciou facilmente e sugeriu que José fosse colocado na prisão.  José tentou se defender e disse: "Não, foi ela quem tentou me seduzir." (Alcorão 12:25 – 26) Um dos parentes apareceu e ofereceu uma forma de resolver o dilema.  Disse:

"Se a túnica dele estiver rasgada na frente, ela é quem diz a verdade e ele é dos mentirosos. E se a túnica estiver rasgada por detrás, ela é que mente e ele é dos verazes." (Alcorão 12:27 – 28)

Se a camisa estivesse rasgada por trás, e estava, significava que ele estava tentando escapar e ela correu atrás dele, rasgando a camisa.  A prova era inconfundível.  O ministro-chefe, embora claramente zangado, estava mais preocupado em encobrir esse assunto.  Não queria que seu bom nome e posição fossem abalados por um escândalo.  Pediu a José para ficar em silêncio sobre a situação e disse a esposa para pedir perdão a Deus.  Isso devia dar um fim à questão, mas como é comum em sociedades mais ricas, as pessoas têm muito tempo disponível.  Muitas horas são desperdiçadas com refeições e fofocas sobre assuntos dos amigos, vizinhos e parentes.

As mulheres

As mulheres da cidade começaram a falar sobre a esposa de Al Aziz e sua paixão pelo escravo José.  As notícias se espalharam e as mulheres se perguntavam como ela podia sentir desejo por um escravo e colocar sua reputação em risco.  A esposa de Al Aziz pensou que devia dar uma lição a essas mulheres e mostrar a eles o quanto José era bonito e desejável.  Ela as convidou para um almoço, colocou uma bela mesa diante delas e lhes deu facas para cortar a comida.  O ambiente estava provavelmente cheio de tensão e olhares silenciosos, já que as mulheres esperavam ver esse escravo, enquanto que ao mesmo tempo se consideravam melhores que a esposa de Al Aziz.  As mulheres começaram a comer e naquele momento José entrou no ambiente.  Levantaram o olhar, viram a beleza dele e esqueceram que tinham facas em suas mãos.  As mulheres ficaram tão seduzidas por sua aparência que cortaram a própria carne.  Descreveram José como um anjo nobre.  A esposa de Al Aziz, confiante e arrogante, disse às convidadas:

"Eis aquele por causa do qual me censuráveis e eis que tentei seduzi-lo e ele resistiu. Porém, se não fizer tudo quanto lhe ordenei, juro que será encarcerado e será um dos vilipendiados." (Alcorão 12:32)

O que aconteceria a José?  Mais uma vez, com total humildade, ele se voltou para Deus dizendo que preferia a prisão a sucumbir aos desejos das mulheres.  Assim, seu Senhor atendeu sua invocação.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Muslim

[2] Saheeh Al-Bukhari.

[3] Ibid.

 

 

A história de José (parte 5 de 7): Da prisão para o palácio

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Descrição: José é sentenciado à prisão, interpreta sonhos e é convocado ao palácio.

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A história de José é um exemplo de paciência em face de adversidade.  Até aquele momento José enfrentou testes e tribulações em sua vida com confiança completa em Deus.  Mais uma vez estava em uma situação extremamente difícil.  Mais uma vez foi forçado a rejeitar os avanços da esposa de Al Aziz, dessa vez na frente das amigas dela.  José clamou a Deus por ajuda.  Disse:

"Ó Senhor meu, é preferível o cárcere ao que me incitam; porém, se não afastares de mim as suas conspirações, cederei a elas e serei um dos néscios." (Alcorão 12:33)

José acreditava que viver na prisão era preferível a viver na casa de Al Aziz.  O ambiente estava cheio de luxúria e ambição e com beleza e sedução ilícitas, talvez semelhante a muitas sociedades hoje.  Acreditava que a prisão seria preferível a sucumbir a fitnah[1] ao seu redor.  Deus respondeu à súplica de José e o resgatou.

"E seu Senhor o atendeu e afastou dele as conspirações delas, porque Ele é o Oniouvinte, o Sapientíssimo. Mas apesar das provas, houveram por bem encarcerá-lo temporariamente." (Alcorão 12:34-35)

Embora convencido da inocência de José, Al Aziz, o ministro-chefe do Egito, colocou José na prisão.  Não conseguia ver outra forma de proteger a reputação de seu nome e posição.

José na prisão

Havia dois homens aprisionados com José que reconheceram sua piedade e retidão.  Ambos tinham sido afetados por sonhos vívidos e agora esperavam que José fosse capaz de interpretar os sonhos para eles.  Um homem viu um sonho no qual estava produzindo vinho e o outro viu um sonho no qual pássaros comiam pão em sua cabeça.  José disse: "Informarei a vocês do significado desses sonhos antes que a próxima refeição seja servida."

"Respondeu-lhes: Antes da chegada de qualquer alimento destinado a vós, informar-vos-ei sobre a interpretação. Isto é algo que me ensinou o meu Senhor, porque renunciei ao credo daqueles que não creem em Deus e negam a vida futura. E sigo o credo dos meus antepassados: Abraão, Isaque e Jacó, porque não admitimos parceiros junto a Deus. Tal é a graça de Deus para conosco, assim como para os humanos; porém, a maioria dos humanos não Lhe agradece." (Alcorão 12:37-38)

Notem a conduta de José.  Quando lhe perguntam sobre sonhos ele imediatamente lembra que é Deus quem provê seus sustentos e também o seu próprio conhecimento sobre interpretação de sonhos. José é muito cuidadoso em fazer distinção entre o que vem de Deus e o que vem de si mesmo.  Deixa claro sua religião.  Não acredita na religião praticada ao seu redor, mas acredita na verdadeira religião que inclui crença na Outra Vida.  José afirma que sua família, a família de Abraão, detém o conhecimento da Unicidade de Deus e que sua religião e a de sua família não atribui parceiros a Deus.  Embora o povo do Egito conhecesse Deus, eles escolheram adorar outras deidades como parceiros ou intercessores.

Depois de informar a seus companheiros que deuses falsos não têm substância e explicar a onipotência de Deus, José interpreta os sonhos.  Diz que um deles se tornará um associado próximo do rei e o outro será crucificado e os pássaros comerão de sua cabeça.

"Ó meus companheiros de prisão, um de vós servirá vinho ao seu rei e ao outro será crucificado, e os pássaros picar-lhe-ão a cabeça. Já está resolvida a questão sobre a qual me consultastes." (Alcorão 12:41)

José abordou o companheiro que estava destinado a ser próximo do rei e disse "por favor, lembre-se de mim para o seu rei".  Esperava que o rei pudesse analisar seu caso, ver sua opressão e o libertar.  Entretanto, os sussurros e subterfúgios de Satanás fizeram o companheiro esquecer-se de mencionar José e, consequentemente, ele continuou na prisão por mais alguns anos.  Os sábios do Islã têm duas opiniões diferentes sobre a natureza do esquecimento.  Ibn Katheer menciona que o companheiro esqueceu-se de mencionar José, enquanto que outros sábios focam na possibilidade de José ter se esquecido de buscar ajuda de Deus e, portanto, o companheiro esqueceu-se de mencioná-lo. Qualquer que seja o caso, José permaneceu na prisão e continuou a confiar em Deus com paciência e coragem.

O sonho do rei

O rei sonhou que estava de pé nas margens do Nilo observando sete vacas gordas emergirem do rio, seguidas de sete vacas magras. As sete vacas magras devoraram as gordas. Em seguida, o sonho mudou e ele observava sete espigas verdes crescendo nas margens do Nilo.  Elas desapareceram na lama e no mesmo lugar nasceram sete espigas secas. O rei acordou chocado e com medo e mandou buscar seus adivinhadores, sacerdotes e ministros.  Eles não conseguiram interpretar o sonho e chegaram à conclusão unânime de que era apenas um pesadelo. O companheiro de prisão de José ouviu falar do sonho e lembrou-se de José.  Com a permissão do rei, correu para a prisão e pediu a José para interpretar o sonho.

"Respondeu-lhe: Semeareis durante sete anos, segundo o costume e, do que colherdes, deixai ficar tudo em suas espigas, exceto o pouco que haveis de consumir. Então virão, depois disso, sete (anos) estéreis, que consumirão o que tiverdes colhido para isso, menos o pouco que tiverdes poupado (à parte). Depois disso virá um ano, no qual as pessoas serão favorecidas com chuvas, em que espremerão (os frutos)." (Alcorão 12:47-49)

O rei ficou atônito com essa interpretação e José não apenas interpretou o significado, mas também recomendou um curso de ação. O rei ordenou que José fosse trazido. Entretanto, José se recusou a deixar a prisão e insistiu que o mensageiro voltasse ao rei e perguntasse: "O que aconteceu com as mulheres que feriram as mãos?" (Alcorão 12:50) José não queria deixar a prisão até que sua inocência fosse estabelecida.



Notas de rodapé:

[1] Fitnah é uma palavra árabe que não se traduz facilmente.  Significa um período de teste ou tribulação.  Mais particularmente uma situação que impede a adoração a Deus de maneira correta ou provoca atos de desobediência ou descrença.

 

 

A história de José (parte 6 de 7): A importância dos sonhos

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Descrição: Recém-libertado da prisão, José assume uma alta posição no governo egípcio e então fica frente a frente com uma surpresa.

  • Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
  • Publicado em 07 Sep 2015
  • Última modificação em 07 Sep 2015
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O profeta Muhammad disse: "Todos os outros profetas foram enviados exclusivamente para suas nações, enquanto que eu fui enviado para toda a humanidade." [1] Deus enviou José, filho de Jacó, para o povo do Egito e o apoiou com habilidades observáveis e que faziam sentido para o povo o qual José havia sido enviado para guiar.  Na época de José, sonhos e suas interpretações eram muito importantes e isso fica claro ao longo da história de José.  O profeta Jacó (pai de José), os companheiros de prisão e o rei do Egito, todos têm sonhos.

Quando o rei ouviu a interpretação de José de seu sonho, ficou atônito e libertou José.  Entretanto, José se recusou a deixar a prisão sem limpar seu nome de qualquer transgressão.  Queria que seu mestre Al Aziz ficasse completamente certo de que ele (José) não havia traído sua confiança.  José respeitosamente exigiu que o rei investigasse o assunto das mulheres que cortaram as mãos.  O rei ficou curioso e chamou a esposa de Al Aziz e suas amigas.

"O rei perguntou (às mulheres): Que foi que se passou quando tentastes seduzir José? Disseram: Valha-nos Deus! Não cometeu delito algum que saibamos. A mulher do governador disse: Agora a verdade se evidenciou. Eu tentei seduzi-lo e ele é, certamente, um dos verazes." (Alcorão 12:51)

Quando sua inocência foi estabelecida, José compareceu perante o rei.  Depois de ouvir as palavras de José o rei ficou ainda mais impressionado e confiou a ele uma posição de alto escalão.  José disse: "Confia-me os armazéns do país que eu serei um bom guardião deles, pois hes conheço a importância." (Alcorão 12:55) Na religião do Islã não é permissível pedir uma posição de autoridade ou falar sobre si mesmo com presunção.  Entretanto, quando José pediu ao rei que o colocasse a cargo dos armazéns, ele fez essas duas coisas.

Os sábios do Islã explicam que quando você é a única pessoa que se adequa àquela posição, é permissível solicitá-la e se for novo na comunidade, é permissível se apresentar.  José sabia as tribulações que o Egito estava prestes a enfrentar e sabia que era capaz de evitar o perigo iminente em um período de fome.  Para José, não pedir essa posição seria irresponsável.  O menino traído e jogado no poço era agora o ministro de finanças do Egito.  Sua paciência e perseverança e, acima de tudo, sua submissão total à vontade de Deus, já tinham resultado em grande recompensa.  José sabia, entretanto, que a maior recompensa pela paciência e retidão estaria na outra vida.

José encontra seus irmãos.

O tempo passou.  Durante sete bons anos José se preparou para a época de fome que viria.  A seca e a fome profetizadas corretamente por José não só afetaram o Egito, mas também as terras ao redor, incluindo o local onde viviam Jacó e seus filhos.  José administrou tão bem as questões do Egito que havia grãos suficientes para alimentar o povo do Egito e os das áreas ao redor.  Como a vida se tornou difícil e o alimento escasso, as pessoas começaram a correr para o Egito para comprar os grãos que José vendia a preço justo.

Entre aqueles em busca de provisões estavam os dez irmãos mais velhos de José.  Quando os irmãos foram levados à presença de José, não o reconheceram. José olhou para os irmãos e seu coração sentiu saudade de seu pai e de seu irmão mais novo, Benjamim. Saudou-os respeitosamente, fez perguntas sobre a família e terra natal e explicou que as rações de grãos seriam distribuídas por cabeça. Portanto, se tivessem trazido o irmão mais novo teriam recebido mais rações.  José esperava encorajá-los a trazer Benjamim. Chegou ao ponto de dizer que sem o irmão mais novo não receberiam provisões. 

"Porém, se não mo trouxerdes, não tereis aqui mais provisões nem podereis acercar-vos de mim!" (Alcorão 12:60)

Quando retornaram ao pai, o profeta Jacó, explicaram a ele que não receberiam mais grãos a menos que viajassem com o irmão mais novo.  Benjamim tinha se tornado próximo de seu pai, especialmente depois do desaparecimento de José.  Lembrando-se de sua perda anterior, Jacó não queria se afastar de seu jovem filho.  Mais uma vez os irmãos prometeram proteger o irmão mais novo e, mais uma vez, Jacó sentiu seu coração apertado de medo.  Os irmãos então constataram que o dinheiro que tinham pago pelos grãos tinha sido devolvido a eles secretamente.

Jacó tinha confiança completa em Deus e deu permissão para levarem Benjamim, mas somente após jurarem protegê-lo, em nome de Deus.  Embora o profeta Jacó fosse particularmente próximo de seus filhos José e Benjamim, amava profundamente a todos os seus filhos.  Eram homens fortes, bonitos e capazes e Jacó temia que algum mal poderia lhes acontecer em outra viagem ao Egito.  Para minimizar os riscos, fez os filhos prometerem que entrariam na cidade por portões diferentes.  Jacó lhes disse:

"Ó filhos meus, não entreis (na cidade) por uma só porta; outrossim, entrai por portas distintas; porém, sabei que nada poderei fazer por vós contra os desígnios de Deus, porque o juízo é só d’Ele. A Ele me encomendo, e que a Ele se encomendem os que (n’Ele) confiam." (Alcorão 12:67)

Os irmãos retornaram ao Egito, entraram por portões diferentes e foram até José para as provisões prometidas.  Durante esse encontro José levou Benjamim para um canto e revelou que era seu irmão perdido há muito tempo.  Os dois se abraçaram e seus corações se encheram de alegria.  José, entretanto, pediu a Benjamim para manter o encontro em segredo por um tempo.  Depois de prover os irmãos com as rações de grãos, José fez com que uma tigela de ouro fosse colocada na bolsa de Benjamim e, de acordo com a combinação de José, alguém gritou: "Ó caravaneiros, sois uns ladrões!" (Alcorão 12:70)

Os irmãos ficaram atônitos porque não eram ladrões.  Perguntaram sobre o objeto roubado e ficaram espantados em ouvir que era uma tigela de ouro pertencente ao rei.  Quem a devolvesse seria recompensado com uma carga de camelo em grãos.  Os irmãos de José alegaram não ter conhecimento desse roubo.  Afirmaram que não eram ladrões e não tinham vindo ao Egito criar confusão.  Um dos homens de José perguntou: "Qual é sua punição para aquele que rouba?" Os irmãos responderam que sob a lei do profeta Jacó, aquele que rouba é tomado como escravo.  José não queria seu irmão punido sob as leis do Egito, mas queria a oportunidade de manter seu irmão com ele enquanto os outros retornavam ao pai Jacó.  As bolsas foram revistadas e a tigela de ouro encontrada entre os pertences de Benjamim.



Notas de rodapé:

[1] Saheeh Al-Bukhari.

 

 

A história de José (parte 7 de 7): Paciência recompensada

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Descrição: Uma criança roubada, José revelado e o cumprimento de um sonho.

  • Por Aisha Stacey (© 2015 IslamReligion.com)
  • Publicado em 07 Sep 2015
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A tigela de ouro foi encontrada nos pertences de Benjamim e seus irmãos ficaram atônitos. Rapidamente perceberam que o ministro-chefe (José) seguiria suas próprias leis e manteria Benjamim como escravo. Isso os perturbou muito. Temiam retornar ao pai sem seu amado filho mais novo. Um dos irmãos se ofereceu para receber a punição no lugar de Benjamim, mas a oferta foi recusada. Outro irmão, provavelmente o mais velho, escolheu ficar no Egito enquanto os outros retornavam à terra natal para encarar o pai Jacó. Quando os irmãos chegaram a casa foram imediatamente até o pai e disseram:

"Ó pai, teu filho roubou e não declaramos mais do que sabemos, e não podemos nos guardar dos juízes. E indaga na cidade em que estivemos e aos caravaneiros com quem viajamos e comprovarás que somos verazes." (Alcorão 12:81-82)

O profeta Jacó já tinha ouvido tudo isso antes. Quando os irmãos traíram José e o jogaram no poço, foram até o pai implorando e chorando e ainda assim suas palavras não passavam de mentiras. Dessa vez Jacó se recusou a acreditar neles. Voltou-se para eles dizendo: "Qual! Vós mesmos deliberastes cometer semelhante crime! Porém, resignar-me-ei a ser paciente, talvez Deus me devolva ambos, porque Ele é o Sapiente, o Prudentíssimo." (Alcorão 12:83) Jacó tinha passado anos sofrendo por José e confiando em Deus. Quando essa nova tristeza tomou conta dele, sua primeira reação foi ser paciente.  Sabia, sem nenhuma dúvida, que os assuntos de seus amados filhos mais novos eram controlados por Deus.

E apesar de confiar em Deus completamente, Jacó se comportou como qualquer pai nas mesmas circunstâncias.  Foi tomado pela dor e chorou de maneira incontrolável. Lembrou-se de José e chorou até ficar doente e perder a visão.  Os irmãos estavam preocupados com sua dor e tristeza e questionavam sua dor constante.  Perguntaram a ele: "Chorará até o dia de sua morte"? Jacó respondeu que só reclamava de sua dor e tristeza com Deus e que ele (Jacó) sabia de Deus coisas que eles não sabiam. (Alcorão 12:86)

Embora muitos anos tivessem se passado, Jacó não tinha se esquecido de seu filho José.  Jacó refletiu sobre o sonho de José e entendeu que o plano de Deus se concretizaria.  Jacó estava profundamente magoado pela perda de seus filhos, mas sua fé em Deus o sustentou e ordenou que seus filhos voltassem ao Egito em busca de José e Benjamim.

José revelado

Os irmãos mais uma vez partiram na longa jornada para o Egito.  A fome tinha cobrado seu preço nas áreas vizinhas e o povo estava pobre e fraco.  Quando os irmãos ficaram diante de José, também estavam entre os pobres.  Seu nível de fraqueza os forçou a pedir caridade.  Eles disseram:

"Ó excelência, a miséria caiu sobre nós e nossa família; trazemos pouca mercadoria; cumula-nos, pois, a medida, e faze-nos caridade, porque Deus retribui os caritativos." (Alcorão 12:88)

José não conseguiu suportar ver sua família nessa posição, embora aqueles fossem os homens que o tinham traído.  Olhou para sua família e, não conseguindo mais manter segredo, disse:

"Sabeis, acaso, o que nesciamente fizerdes a José e ao seu irmão com a vossa ignorância?" (Alcorão 12:89)

Os irmãos reconheceram José imediatamente, não por causa de sua aparência porque já o tinham visto antes muitas vezes, mas quem mais saberia da verdadeira história de José, senão o próprio José?

"Disseram-lhe: És tu, acaso, José? Respondeu-lhes: Sou José e este é meu irmão! Deus nos agraciou com a Sua mercê, porque quem teme e persevera sabe que Deus jamais frustra a recompensa dos benfeitores." (Alcorão 12:90)

Os irmãos ficaram com medo porque suas ações passadas eram pecados graves e agora estavam em uma posição de fraqueza. Estavam com medo diante do ministro-chefe do Egito que não era mais um menino pequeno e bonito chamado José.  Em seus testes e tribulações José, como seu pai, encontrou conforto na submissão ao Deus Único.  Compreendeu a paciência e as qualidades de misericórdia e piedade imbuídas na verdadeira paciência.  Olhou para os seus irmãos que tremiam de medo e disse: "Hoje não sereis recriminados! Eis que Deus vos perdoará, porque é o mais clemente dos misericordiosos." (Alcorão 12:91)

José imediatamente fez planos para reunir sua família.  Pediu aos irmãos que retornassem ao pai e colocassem uma camisa antiga (de José) sobre o rosto dele.  Isso, disse ele, faria com que tivesse uma visão límpida.  Imediatamente, embora o homem estivesse tão longe, voltou seu rosto para os céus e cheirou, acreditando que podia sentir o cheiro de José no ar.  Esse é um dos milagres, feito possivelmente por Deus, do profeta José.  Quando os irmãos chegaram colocaram a camisa sobre o rosto de Jacó e ele recobrou a visão.  Clamou: "Não vos disse que eu sei de Deus o que vós ignorais?" (Alcorão 12:96)

A família do profeta Jacó reuniu seus pertences e viajou para o Egito.  Jacó estava ansioso para se reunir com seus filhos. Foram direto para José e o encontraram sentado em um trono.  José falou com sua família dizendo: entrem no Egito, se Deus quiser, em segurança.

O início do capítulo 12 do Alcorão, José, começou com o menino José descrevendo seu sonho ao seu amado pai Jacó.  Disse: "Ó pai, vi, em sonho, onze estrelas, o sol e a lua; vi-os prostrando-se ante mim." (Alcorão 12:4) O Alcorão conclui a história de José da mesma forma que a começou, com a interpretação do sonho.  As onze estrelas eram seus irmãos, o sol seu pai e a lua, sua mãe.

"José honrou seus pais, sentando-os em seu sólio, e todos se prostraram perante eles; e José disse: Ó meu pai, esta é a interpretação de um sonho passado que meu Senhor realizou. Ele me beneficiou ao tirar-me do cárcere e ao trazer-vos do deserto, depois de Satanás ter semeado a discórdia entre meus irmãos e mim. Meu Senhor é Amabilíssimo com quem Lhe apraz, porque Ele é o Sapiente, o Prudentíssimo." (Alcorão 12:98-100)

A essência da história de José é paciência em face de adversidade e tristeza.  José enfrentou todas as tribulações com paciência e confiança completa em Deus.  Seu pai Jacó suportou sua dor e miséria com paciência e submissão.  Todos os capítulos do Alcorão foram revelados em épocas particulares, em resposta a situações particulares.  Esse capítulo foi revelado ao profeta Muhammad em um momento de grande tristeza.  De fato, o ano dessa revelação ficou conhecido como "o ano da tristeza".  O profeta Muhammad teve que suportar a morte de sua amada primeira esposa Khadija e de seu tio Abu Talib.  Ambos tinham lhe dado conforto e apoio.  Deus estava avisando ao profeta Muhammad que a estrada podia ser longa e difícil, mas que a vitória pertence aqueles que são pacientes e conscientes de Deus.  A história de José é uma lição para todos nós.  A paciência verdadeira, que os sábios do Islã chamam de paciência bela, é uma chave para o portão do paraíso.

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