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Melech Yacov, ex-judeu, EUA (parte 1 de 2)

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Descrição: Melech nos dá uma visão da vida e religião judaicas e seu afastamento lento do Judaísmo chassídico.

  • Por Melech Yacov
  • Publicado em 06 Jan 2014
  • Última modificação em 06 Jan 2014
  • Impresso: 35
  • Visualizado: 6263 (média diária: 2)
  • Classificação: sem comentários
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Quando nasci recebi o nome hebraico de Melech Yacov.  Hoje continuo morando na área em que nasci, em Nova Iorque.  Éramos uma família semirreligiosa; pertencíamos a uma congregação chassídica a qual íamos todos os sábados, mas não respeitávamos todas as observâncias estritas exigidas no Judaísmo chassídico.  Para aqueles que não sabem, o chassidismo é conhecido como Judaísmo “ultra ortodoxo”.  São chamados assim por causa de suas observâncias estritas da Halacha (lei judaica) e por seguirem o misticismo judaico (cabala).  São as pessoas estranhas que você vê andando na rua usando ternos e chapéus pretos e deixando suas barbas e costeletas bem longas.

Entretanto, não éramos assim.  Minha família cozinhava e usava eletricidade no Sabbath e eu não usava um yarmulke na minha cabeça.  Além disso, cresci em um ambiente secular, cercado por colegas de escolas e amigos não judeus.  Por muitos anos continuava a me sentir culpado por dirigir aos sábados e comer alimentos não-kosher.

Embora não observasse todas as normas tinha, entretanto, um forte senso de ser esse o caminho que Deus queria que vivesse e, assim, toda vez que omitia uma norma, estava cometendo pecado aos olhos de Deus.  Desde pequeno minha mãe lia para mim as histórias de grandes rabinos como Eliezar, o Baal Shem Tov e as lendas da Haggada (parte do Talmude além da Halacha) e o Torá.

Todas essas histórias tinham a mesma mensagem ética que me ajudou na identificação com a comunidade judaica e, posteriormente, com Israel.  As histórias mostravam como os judeus foram oprimidos ao longo da história, mas como Deus sempre ficou do lado de Seu povo até o fim.  As histórias com as quais nós judeus crescemos nos mostravam que milagres sempre salvaram os judeus, toda vez em que estiveram em seus maiores momentos de necessidade.  A sobrevivência dos judeus ao longo da história, apesar das probabilidades em contrário, é vista como um milagre por si só.

Se uma pessoa quiser uma visão objetiva de por que a maioria dos judeus tem uma posição sionista irracional em relação a Israel, deve entender a forma como foram doutrinados com essas histórias desde criança.  É por isso que os sionistas fazem de conta que não estão fazendo nada de errado.  Todos os góis (gentios) são vistos como inimigos esperando para atacar e, dessa forma, não são confiáveis.  O povo judeu tem um vínculo muito forte entre si e se vê como o “povo escolhido” de Deus.  Por muitos anos eu mesmo acreditei nisso.

Embora tivesse um forte sentido de identidade como judeu, não aguentava ir aos serviços religiosos (shul) aos sábados.  Ainda me lembro de, quando menino, ser forçado a ir ao shul com meu pai.  Lembro o quanto era terrivelmente entediante para mim e como todos pareciam estranhos em seus chapéus pretos e barbas orando em um idioma estrangeiro.  Era como ser jogado em um mundo diferente, longe de meus amigos e pessoas que conhecia.  Isso era o que eu achava de deveria ser, mas eu (e meus pais) nunca adotei a vida chassídica como o resto de minha família.

Quando fiz 13 anos, tive um bar mitzvah como todo menino judeu que se torna um homem.  Também comecei a usar tefilin (amuletos hebreus) todas as manhãs.  Disseram que era perigoso não colocá-los porque era como um agouro e coisas ruins podiam acontecer a você.  No primeiro dia que não usei o tefilin o carro de minha mãe foi roubado! Aquele evento me encorajou a usá-lo por muito tempo.

Pouco depois do meu bar mitzvah minha família parou de vez de ir à sinagoga.  Não conseguiam aguentar três horas e meia de oração e achavam que terem feito meu bar mitzvah era o mais importante.  Posteriormente meu pai se envolveu em uma discussão boba com alguns membros da congregação e paramos de ir aos serviços religiosos.  Então algo estranho aconteceu: meu pai foi convencido por um amigo a aceitar Jesus em seu coração.  Pela vontade de Deus minha mãe não se divorciou do meu pai por conta de sua conversão ao Cristianismo, mas manteve um ódio silencioso a isso desde então.

Também foi um período no início de minha adolescência em que procurei buscar algo com o que me identificar.  A conversão de meu pai me ajudou a questionar minhas próprias crenças.  Comecei a fazer perguntas como: O que é exatamente um judeu?  O Judaísmo é uma cultura, uma nação ou uma religião?  Se é uma nação, então como os judeus podem ser cidadãos de duas nações?  Se o Judaísmo é uma religião, por que as orações são recitadas em hebraico, orações para Eretz Israel e observância de rituais “orientais”?  Se o Judaísmo é apenas uma cultura, a pessoa não deixaria de ser judia se parasse de falar hebraico e praticar os costumes judaicos?

Se um judeu é aquele que observa os mandamentos do Torá, por que Abraão é chamado de o primeiro judeu se viveu antes do Torá descer para Moisés?  A propósito, o Torá não diz que ele era judeu; a palavra judeu vem do nome de um dos 12 filhos de Jacó, Judá.  Os judeus não eram chamados de judeus até o reino de Judá ser estabelecido, depois da época de Salomão.  A tradição diz que um judeu é aquele cuja mãe era judia.  Então, você pode continuar sendo um judeu se praticar o Cristianismo ou o ateísmo.  Cada vez mais comecei a me afastar do Judaísmo.  Havia muitas leis e mitzvahs (boas ações) para observar.  Qual o sentido de todos esses rituais diferentes, comecei a me questionar.  Para mim eram todos feitos pelo homem.

 

 

Melech Yacov, ex-judeu, EUA (parte 2 de 2)

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Descrição: Na faculdade, Melech estuda várias filosofias e se envolve com a esquerda política, seguindo em frente posteriormente, mas ainda dando apoio à causa palestina. Depois do 11 de setembro, sua mente aberta permite que desconsidere toda a propaganda e, depois de ler o Alcorão, finalmente encontra a verdade que buscava.

  • Por Melech Yacov
  • Publicado em 06 Jan 2014
  • Última modificação em 06 Jan 2014
  • Impresso: 33
  • Visualizado: 6165 (média diária: 2)
  • Classificação: sem comentários
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Estava fascinado com a cultura nativa americana e sua bravura diante dos colonos brancos que roubaram suas terras.  Os nativos americanos tiveram mais de 250 tratados quebrados e receberam as piores faixas de terra que ninguém queria.  A história dos nativos americanos é semelhante a dos palestinos.  Os primeiros palestinos estavam morando na Palestina por milhares de anos e, de repente, os judeus os substituíram e os nativos foram forçados a ficar em campos de refugiados, nos quais ainda vivem.  Perguntei aos meus pais em que os palestinos eram diferentes dos nativos americanos e a única resposta recebida foi “por que querem matar todos os judeus e jogá-los no mar.”  Meu entendimento do povo palestino me colocou acima de todos os judeus, seus líderes e rabinos que antes via como sábios.  Como um bom judeu podia negar que os palestinos eram mortos e expulsos de suas terras para abrir caminho para assentamentos judaicos?  O que justifica esse ato de limpeza étnica - o fato de que muitos judeus morreram no Holocausto! Ou é por que a Bíblia diz que é “nossa” terra?  Qualquer livro que justifica uma coisa dessas seria imoral e, portanto, não viria de Deus.

Quando entrei no segundo grau me interessei por filosofia e li muitos dos grandes pensadores do passado.  Passei tempo com bons amigos que liam filosofia e que caminharam comigo os caminhos acidentados para a Verdade.  Um dos filósofos que teve impacto sobre mim foi o nascido judeu Spinoza.  Spinoza era um estudante do Talmude do século 17 que questionou tudo que lhe foi ensinado como a crença na vida após a morte, uma crença que não existe em nenhum lugar no Torá.  De fato, muitos dos judeus primitivos não tinham essa crença.  Spinoza foi expulso da comunidade judaica por causa de suas opiniões.  Gostei de ler suas opiniões sobre a Bíblia, que segundo ele não podia ser entendida literalmente sem uma enorme quantidade de contradições e problemas.

Então li dois livros significativos que eliminaram completamente qualquer simpatia que ainda restasse pelo Judaísmo.  O primeiro livro se chamava “On the Jewish Question” (Sobre a questão judaica, em tradução livre) de Abram Leon.  Leon era um organizador comunista clandestino na Bélgica durante a Segunda Guerra e posteriormente foi capturado e morto em Auschwitz.  Seu livro respondeu a antiga questão: Por que os judeus sobreviveram por tanto tempo?  Ele deu um relato histórico soberbo dos judeus da época da Antiguidade até os dias modernos e mostra como sua sobrevivência não foi um milagre.  Nas palavras de Karl Marx “Não foi apesar da história que os judeus sobreviveram, mas por causa dela.” Primeiro, ele mostra quanto da comunidade judaica deixou Israel por vontade própria antes da destruição de Jerusalém.  Então explica que os judeus eram valiosos para os reis e nobres da idade média por causa de sua condição como intermediários.  Depois mostra como durante o processo de acumulação capitalista o status dos judeus finalmente tomou um rumo descendente, sendo subsequentemente perseguidos por sua usura.

O segundo livro que me afetou muito se chamava “Who Wrote the Bible?” (Quem escreveu a Bíblia, em tradução livre) de Elliot Freedman.  Assume a tarefa histórica de Spinoza.  O livro prova que o Torá foi de fato escrito por 4 pessoas diferentes.  Freedman nos explica que havia 2 relatos tradicionais diferentes do reino de Israel e Judá e que um redator entrelaçou-os para chegar à Bíblia que temos hoje.

Além de ler filosofia com meus amigos, também assumimos muitas causas políticas diferentes em nossa juventude.  Experimentamos de tudo, de Republicanismo a Comunismo.  Li todos os trabalhos de Marx, Lenin, Stalin, Mao e Trotsky.  Encontrei no Marxismo o que sentia que estava faltando em minha vida.  Acreditava que tinha encontrado todas as respostas para tudo e, assim, sentia-me intelectualmente superior a todos.  Os bandidos da filosofia (como eu gostava de nos chamar) se reuniam e formaram seu próprio clubinho socialista.  Íamos a eventos ativistas diferentes, como protestos e greves trabalhistas.

Depois de encontrar todos os diferentes grupos cult que cercavam a esquerda política na América, todos ficamos desgostosos com a forma como agiam e negavam a realidade.  Não seria feita nenhuma revolução em um país com esse tipo de pessoas.  A luta por mudança social não pode ser ganha com métodos do passado.

Embora tivesse desistido de lutar por revolução, tornei-me um organizador ativo a favor dos palestinos.  Essa era a causa principal pela qual era muito apaixonado.  Éramos muito pequenos e atacados pela maioria, o que me orgulhava.  Queria que o mundo soubesse que nem todos os judeus são pessoas ruins.  Fico envergonhado em ver pessoas que uma vez admirei apoiar o regime agressivo de Israel.  As mentiras que vêm de Israel não são nada além de negação de um holocausto.

Embora tivesse desistido do Judaísmo e olhasse para esse mundo como o objetivo supremo do homem, nunca fui de fato um ateu.  Entretanto, tinha um forte ódio de todas as religiões e acreditava que era uma ferramenta das pessoas encarregada de manter todos sob controle.  Quando você vê a forma como os cristãos fundamentalistas agem na América, fazendo coisas como negar a ciência e se apegar aos valores dos antigos brancos, pode entender por que eu era cético com todas as religiões.  A forma como os judeus agiam em relação à Palestina também não ajudava.  Entretanto, continuava acreditando em Deus no fundo da minha mente.  Mas sem a religião, ficou um grande vazio em mim.  Às vezes até desejava ser uma pessoa religiosa, porque sentia que tinham vidas mais felizes.

Honestamente não me lembro do que despertou meu interesse no Islã, especialmente depois de muitos anos de forte sentimento antirreligioso.  Quando criança, lembro-me de ouvir minha mãe falando sobre o Islã e como Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, adorava o mesmo Deus que nós e também como os judeus eram relacionados aos árabes através de Abraão.  Então, de certa forma aceitei o Islã como apenas outra religião que adora Deus.  Tenho uma vaga memória de meu primo (um chassida) que me disse que se um judeu abrisse mão de sua vida como judeu e vivesse como um muçulmano, não estaria cometendo pecado algum! Olhando para trás, fico abismado de ter ouvido tal coisa.

Quando aconteceu o 11 de setembro, houve um aumento na propaganda anti-islâmica nos noticiários.  Desde o início sabia que era tudo mentira, porque já tinha desenvolvido a perspectiva de que tudo na mídia protege os interesses dos que a controlam.  Quando vi que os mais militantes no ataque ao Islã eram cristãos fundamentalistas, o Islã começou a me parecer mais atraente.  Agradeço a Deus pelo que aprendi em meus dias de ativista, porque sem o conhecimento da sociedade e da mídia, teria acreditado em todo o lixo que ouvia sobre o Islã na televisão.

Um dia, lembro-me de ouvir alguém falando sobre fatos científicos na Bíblia e me perguntei se o Alcorão continha fatos científicos.  Fiz uma busca na internet e descobri muitas coisas surpreendentes.  Subsequentemente passei muito tempo consumindo artigos sobre vários aspectos do Islã.  Fiquei surpreso com o quanto o Alcorão era consistente logicamente.  Enquanto lia o Alcorão, comparava sua mensagem moral com a que aprendi da Bíblia e entendi o quanto melhor ela era.  Além disso, o Alcorão não era entediante como a leitura da Bíblia.  É divertido de ler.  Depois de 5 meses de estudo intenso disse minha shahada e me tornei oficialmente muçulmano.

Ao contrário de minha antiga religião, tudo no Islã faz sentido.  Todas as práticas como a oração e o Ramadã eu já compreendia.  Embora imaginasse que o Islã era como o Judaísmo, no qual se segue uma série de regras diferentes de forma dogmática, estava enganado.  Minha compreensão do mundo também era compatível com o que o Islã me ensinava - que todas as religiões são basicamente a mesma, mas foram corrompidas pelo homem ao passar do tempo.  Deus não fez um nome chamado Judaísmo e Cristianismo.  Deus ensinou às pessoas apenas o Islã; que é submissão somente a Ele.  É claro e simples.

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