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Sufismo (parte 2 de 2)

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Descrição: Alguns princípios do Sufismo, o papel do “sheik”, A Aliança, “Dhikr” e a posição do Sufismo sobre a interpretação do Alcorão; tudo contradizendo fortemente os ensinamentos do Islã.

  • Por Abdurrahman Murad (© 2010 IslamReligion.com)
  • Publicado em 18 Oct 2010
  • Última modificação em 18 Oct 2010
  • Impresso: 383
  • Visualizado: 9982 (média diária: 3)
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Princípios do Sufismo

“Submissão total e voluntária ao sheik” é provavelmente o lema do Sufismo.  Em um relance, é claro que um laço especial e completo é formado entre o líder da ordem sufi (o “sheik”) e o murid (seguidor); o entendimento dos princípios do Sufismo reside no entendimento de sua estrutura básica.  Sobre o que ele é?

Basicamente o seguidor faz um voto de aliança no qual se compromete a obedecer ao sheik e, por sua vez, o sheik promete livrar o seguidor de todo problema ou calamidade que recair sobre ele.  O sheik também oferece ao seguidor sincero benefícios adicionais lucrativos.  Uma vez que o seguidor concorde, ele é abençoado e lhe é designado um conjunto de Dhikr (cânticos).  O seguidor também deve viver sua vida de uma maneira especificada pela ordem sufi.  Se surgir um conflito entre seus deveres com a ordem e seus deveres externos, o seguidor deve agir de acordo com as instruções do sheik.  Dessa forma, o controle do sheik sobre o seguidor se torna absoluto.

De todas as maneiras o seguidor é separado do mundo exterior e é explorado de várias formas.  Como muçulmanos acreditamos que nenhum humano tem um poder ou habilidade especial para nos livrar das calamidades do túmulo ou da Vida Eterna.  Cada um de nós se apresentará perante Deus e será julgado individualmente.

Deus nos diz:

“Nenhuma alma receberá outra recompensa que não for a merecida, e nenhuma pecador arcará cm culpas alheias.” (Alcorão 6:164)

Também acreditamos que como muçulmanos não devemos nos submeter ou entregar a ninguém além de Deus, Todo-Poderoso.  Além do Criador, tudo o mais está sujeito a cometer erros.  O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, afirmou:

“Todo filho de Adão comete erros e o melhor deles é aquele que se arrepende.” (Tirmidthi)

O Sheik

Ele é a “autoridade suprema”, o líder de distribuição de “tarefas” dentro da ordem e dá a cada um dos seguidores seu Dhikhr necessário.  É a esse indivíduo que o seguidor promete obediência total e plena; consequentemente, as duas leis universais do elo sheik-seguidor entrarão em efeito:

a.     O seguidor não deve nunca argumentar com o sheik, nem pedir a ele uma prova em relação aos atos que ele faz.

b.    Quem quer que se oponha ao sheik terá quebrado a “aliança” e fica assim privado de todos os benefícios adicionais oferecidos pelo sheik, mesmo se for um amigo próximo dele.

Como muçulmanos acreditamos que todos os atos de adoração são “Tawqeefiyah”, ou seja, não é sujeito a opinião; então devem ser substanciados com evidências textuais que são autênticas e decisivas.  Deus, Todo-Poderoso, nos diz:

“Mostrai vossa prova se estiverdes certos.” (Alcorão 2:111)

Acreditamos que não existe intermediário entre Deus e Seus servos.  Dirigimos-nos a Ele diretamente.  Deus nos diz:

E o vosso Senhor disse: Invocai-Me, que vos atenderei! Em verdade, aqueles que se ensoberbecerem, ao Me invocarem, entrarão, humilhados, no inferno.” (Alcorão 40:60)

No Sufismo considera-se o sheik como “o homem inspirado para cujos olhos os mistérios do oculto foram desvelados, porque os sheiks vêem com a luz de Deus e sabem quais pensamentos e confusões estão nos corações dos homens. Nada lhes pode ser ocultado.” [1] Ibn Arabi alegou que costumava receber revelação direta de Deus, semelhante à forma como o Profeta fazia, e suas palavras foram citadas: “Alguns trabalhos que escrevi no comando de Deus me foram enviados durante o sono ou através de revelações místicas.” M. Ibn Arabi, “The Bezels of Wisdom,” pp.3

Acreditamos que o conhecimento do oculto é restrito somente a Deus.  Quem quer que reivindique o conhecimento do oculto, mente.  Deus nos diz:

“Haverá alguém mais iníquo do que quem forja mentiras acerca de Deus, ou do que quem diz: Sou inspirado!, quando nada lhe foi inspirado?” (Alcorão 6:93)

O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, afirmou:

“Não forjem mentiras contra mim, porque aquele que o faz entra no Inferno.” (Saheeh Muslim)

A Aliança

Essa é uma cerimônia interessante que, de longe, é o princípio mais importante do Sufismo já que é comum entre todas as ordens sufis.  Aqui o sheik e o seguidor dão as mãos e fecham seus olhos em meditação solene.  O seguidor espontaneamente e de todo coração promete respeitar o sheik como seu líder e guia para o caminho de Deus.  Ele também promete aderir aos rituais da ordem ao longo de sua vida e nunca se afastar dela. Junto com isso o seguidor promete fidelidade completa e incondicional, obediência e lealdade ao sheik. Depois disso o sheik recita:

“Em verdade, aqueles que te juram fidelidade, juram fidelidade a Deus.” (Alcorão 48:10)

Então é dado ao seguidor seu Dhikr específico.  O sheik pergunta ao seguidor: “Aceitou-me como seu sheik e guia espiritual perante Deus, Todo Poderoso?” Em resposta, o seguidor deve dizer “aceitei” e o sheik responde dizendo “nós aceitamos.” Ambos recitam o Testemunho de Fé e a cerimônia termina com o seguidor beijando a mão do sheik.

A cerimônia inteira era desconhecida durante a vida do Profeta e as três melhores gerações que o sucederam.  O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, afirmou:

“Quem quer que viva depois de mim verá muitas diferenças (ou seja, inovações religiosas); então se apeguem a minha Sunnah e à Sunnah dos meus Califas Bem Guiados.” (Abu Dawood)

O Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, também afirmou:

“Em verdade, o melhor dos discursos é o Livro de Deus e a melhor das orientações é a orientação do Profeta Muhammad e o mal de todos os assuntos religiosos são as inovações. Toda inovação (em religião) é uma bidah e cada bidah é desorientação, e toda desorientação levará ao Inferno.” (Saheeh Muslim)

O imame Malik, que Allah lhe conceda Sua Misericórdia, disse: “Aquele que introduz uma inovação na religião do Islã e a considera uma coisa boa de fato alega que Muhammad traiu (a confiança de transmitir) a Mensagem Divina.”

O Dhikr

Também é conhecido como o “Wird” e no Sufismo é a prática de repetir o nome de Deus e a repetição de um número estabelecido de invocações.  Essas invocações podem incluir suplicar aos mortos ou buscar a ajuda de outros além de Deus para necessidades que somente Deus Todo-Poderoso pode conceder.

Ahmad at-Tijani, um ancião sufi, alegou que o wird era realizado pelo Profeta Muhammad, mas que ele não o ensinou a nenhum de seus Companheiros.  At-Tijani alegou que o Profeta sabia que chegaria uma época em que o wird seria tornado público, mas a pessoa que faria isso ainda não existia.  Como consequência, os sufis acreditam que existe uma cadeia de transmissão em andamento entre o Profeta Muhammad e seu sheik atual.

O Dhikr é categorizado pelos anciões sufis em três categorias:

A.    Dhikr do homem comum, em que repetem ‘La ilaaha ill-Allah Muhammad-ur-Rasoolullah’ (ou seja, não existe outra divindade merecedora de adoração exceto Allah e Muhammad é o servo de Deus.)

B.    Dhikr da alta classe, que é repetir o nome de Deus, “Allah”.

C.    Dhikr da elite, que é repetir o pronome divino “Hu” (ou seja, Ele).

Às vezes o Dhikr é cantado em hinos melódicos com os olhos fechados, música rica pode ser tocada (para alguns isso é essencial); além disso alguns dançam perante o sheik enquanto recitam o Dhikr.  Muitas vezes o Dhikr inclui politeísmo notório (o maior pecado no Islã).  Deus nos diz:

“Já te foi revelado, assim como aos teus antepassados: Se idolatrares, certamente tornar-se-á sem efeito a tua obra, e te contarás entre os desventurados.” (Alcorão 39:65)

Interpretação do Alcorão

No Sufismo estudar a exegese do Alcorão ou ponderar sobre os significados de seus versículos é desencorajado e, às vezes, até proibido.  Os sufis alegam que todo versículo do Alcorão tem um significado manifesto e um significado interior.  O significado interior é conhecido somente pelos anciões sufis.  Com base nisso os sufis introduziram conceitos e palavras que são totalmente estranhos aos ensinamentos do Islã.

No Alcorão, Deus Todo-Poderoso nos encoraja a entender corretamente Suas palavras.  Deus nos diz:

“(Eis) um Livro Bendito, que te revelamos, para que os sensatos recordem os seus versículos e neles meditem.” (Alcorão 38:29)

A exegese do Alcorão é realizada pelo estudo do Alcorão junto com a Sunnah; essas duas fontes da lei islâmica devem ser consideradas uma unidade integral.  Compreendemos e interpretamos o Alcorão e a Sunnah da forma que foram compreendidos pelas primeiras gerações.

Conclusão

Como pode ser visto do que foi mencionado acima, o Sufismo difere de forma muito drástica do verdadeiro espírito do Islã.  O Sufismo inculca no seguidor a vontade de parar de usar as faculdades básicas dadas a ele por Deus, o Criador do mundo, e a se submeter a uma forma de escravidão.

O Islã, por outro lado, é muito simples; não há necessidade de intermediários ou quaisquer santos entre o homem e Deus e só se deve submeter e entregar a Deus, Todo-Poderoso.

 

 

 

                                                                                                                        



Footnotes:

[1] Saif an-Nasr, Seera of Hamidiyyeh, 1956

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