Elevação da Condição das Mulheres (parte 1 de 5): Visões do Mundo
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Descrição:
Tirado de uma palestra na McGill University no Canadá sobre como o Islã elevou a condição das mulheres. Parte 1: Explicação da diferença fundamental nas visões do mundo entre o Ocidente e o Islã em relação à mulher e um vislumbre das visões grega e cristã primitiva sobre as mulheres.
Por Ali Al-Timimi
Publicado em 12 Dec 2011 - Última modificação em 12 Dec 2011
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O Islã elevou a condição das mulheres. Muitos,
ao ouvirem isso, podem supor que é um oxímoro porque a idéia prevalente - pelo
menos no ocidente - é que o Islã não eleva a condição das mulheres e sim que o
Islã oprime e reprime as mulheres. Em relação a isso, deve ser dito que hoje
existem basicamente duas visões de mundo. Essas duas visões estão com
frequência em conflito - não somente a nível pessoal em que os seres humanos
fazem escolhas, mas também a nível internacional em termos do debate sobre a
autenticidade e correção dessas duas visões de mundo.
A primeira visão de mundo é a visão
liberal ocidental. Uma visão que alega extrair suas raízes da tradição
judaico-cristã que provavelmente, sob investigação, é mais enraizada nas idéias
que apareceram após a Reforma; idéias que estão enraizadas em secularismo e na
visão de mundo que apareceu depois disso durante a “era do iluminismo”.
A segunda visão é a dos muçulmanos - a
visão islâmica de mundo e essa visão diz que suas raízes e idéias repousam na
revelação dada por Deus (ou Allah, em árabe) ao profeta Muhammad, que a
misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele. Aqueles que proclamam essa visão
dizem que pode ser usada pela humanidade durante todas as eras e tempos e que
sua relevância e benefício não estão restritos a certo período de tempo, área
geográfica ou certa raça de seres humanos. Da mesma forma, os aderentes da
primeira visão, do secularismo ocidental e tradição liberal, acreditam que sua
visão de mundo, idéias, cultura e civilização são o melhor para a humanidade. Um
autor americano de ascendência japonesa (Francis Fukuyama) escreveu um livro
intitulado “O Fim dos Tempos”. Nesse livro ele basicamente apresenta a teoria
de que o desenvolvimento humano em termos de suas idéias concluiu seu período
final de pensamento secular liberal e nada mais virá para a humanidade. Entretanto,
em seu livro ele acrescenta que a única parte do mundo que não adotou essa
visão humana secular foi o mundo islâmico e propõe que existirá um conflito em
termos dessa ideologia no mundo islâmico.
Com essa breve introdução, um dos
tópicos de contenção entre essas duas visões de mundo, a visão liberal secular
no Ocidente e a tradição islâmica, se refere às mulheres. Qual é a posição e
condição das mulheres? Como as mulheres são vistas? As mulheres são elevadas
em uma cultura e oprimidas em outra?
A visão ocidental é que as mulheres são
elevadas somente no Ocidente e que estão conseguindo cada vez mais direitos com
o passar do tempo, enquanto suas irmãs - dizem - no mundo islâmico continuam a
ser reprimidas. Os muçulmanos que encontram dizem que de fato é o sistema
islâmico que fornece liberdade verdadeira para homens e mulheres, e as mulheres
no Ocidente, assim como os homens, são enganados por uma idéia de liberdade que
realmente não existe.
Como as mulheres são vistas no Islã não
pode ser adequadamente compreendido - e isso é mais significativo, sinto - a
menos que se entenda exatamente o que podemos chamar de base filosófica ou
entendimento ideológico - uma vez que isso é de fato um conceito teológico.
Primeiro, vamos rever como exatamente
as mulheres eram vistas e entendidas na tradição ocidental, para comparar e
contrastar perspectivas. Sabemos que a tradição ocidental se vê como herdeiros
intelectuais da tradição grega que existiu antes do profeta Jesus Cristo, que a
paz esteja sobre ele, e que consequentemente muitas das tradições intelectuais
do Ocidente são encontradas em algum nível nos escritos dos primeiros filósofos
gregos como Aristóteles, Platão, etc.
Como eles viam as mulheres? Quais eram
as idéias de Aristóteles e Platão em relação às mulheres? Quando se analisa os
trabalhos desses primeiros filósofos gregos, encontra-se que tinham visões
muito disparatadas das mulheres. Aristóteles em seus escritos argumentava que
as mulheres não eram seres humanos plenos e que a natureza da mulher não era a
de uma pessoa completa. Como resultado, as mulheres eram deficientes por
natureza, não confiáveis e deviam ser menosprezadas. De fato, escritos
descrevem que as mulheres livres em muitos aspectos da sociedade grega - exceto
por pouquíssimas mulheres da elite - tinham posições que não eram melhores que
as de animais e escravos.
Essa visão aristotélica das mulheres
foi posteriormente transferida para a tradição cristã primitiva da igreja
católica. São Tomás de Aquino em seus escritos propôs que as mulheres eram a
armadilha de Satanás. A questão de Adão e Eva acrescentou uma dimensão às
primeiras idéias gregas de Aristóteles; as mulheres forma a causa da queda do
homem e, portanto, eram armadilha de Satanás e deviam ser vistas com cautela e
enfado por terem causado a primeira queda da humanidade e todo o mal vem das
mulheres. Esse tipo de pensamento foi persistente dentro dos escritos dos
patriarcas da Igreja ao longo da Idade Média. Em seus escritos encontramos
esse tema proposto em um aspecto ou outro. Entretanto, após a reforma
protestante a Europa decidiu se livrar dos grilhões da Igreja Católica. Idéias
que tinham sido intituladas como Era do Iluminismo ou pensadas como tal,
fizeram com que sentissem que precisavam se libertar de muitas dessas idéias. Algumas
dessas idéias eram de natureza científica, como a de que a terra gira em torno
do sol, em vez de o sol girar em torno da terra; natureza teológica, como os
escritos de Martim Lutero; e também de natureza social, como a posição das
mulheres na sociedade. Entretanto, os escritores do Iluminismo continuavam
tratando desse tema básico sem muitas mudanças - as mulheres não eram seres
humanos plenos. Escritores franceses durante a revolução, como Rousseau,
Voltaire e outros, viam as mulheres como um fardo dos quais se precisava
cuidar. Devido a isso, Rousseau em seu livro “Emile” propôs uma forma
diferente de educação para as mulheres, com base no fato de que as mulheres
eram incapazes de compreender as mesmas coisas que os homens.
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Elevação da Condição das Mulheres (parte 2 de 5): Entre Dois Extremos
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Descrição:
Uma palestra na universidade sobre como o Islã elevou a condição das mulheres. Parte 2: A posição adotada pelo Ocidente hoje como reação à visão anterior e a visão islâmica de mundo referente às mulheres.
Por Ali Al-Timimi
Publicado em 12 Dec 2011 - Última modificação em 12 Dec 2011
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Essa é a tradição que o ocidente herdou
e que encontramos nos primeiros escritos de 1800 em que apareciam mulheres e
alguns homens conclamando para a mudança dessas idéias. E com isso temos a
origem dos primeiros movimentos feministas. Um dos primeiros livros escritos
foi “Vindicação dos Direitos da Mulher” de Mary Walsencraft, que apareceu nos
anos 1800. Depois disso a tradição das mulheres receberem certos direitos
surgiu. Os primeiros deles eram basicamente direitos legais porque até os anos
1800 as mulheres não eram capazes de ter propriedades e de dispor de suas
fortunas como os homens. É bem sabido que as primeiras leis permitindo que as
mulheres tivessem propriedades nos Estados Unidos ou na Europa apareceram somente
nas duas últimas décadas dos anos 1800.
A Revolução Industrial provocou outro
ímpeto, outra busca, para esse movimento feminista. As mulheres na Revolução
Industrial, especialmente na Inglaterra, eram forçadas ao trabalho por muitas
horas nas minas de carvão e não recebiam pagamento se comparado com os homens.
Assim, o primeiro chamado do movimento foi que as pessoas que trabalham a mesma
quantidade de horas merecem a mesma quantia de dinheiro ou pagamento.
Finalmente ocorreu um rompimento nesse
século de basicamente tudo que é entendido da tradição ocidental. Vindo do
movimento feminista mais recente que apareceu após a II Guerra Mundial, um novo
movimento conclamava a emancipação das mulheres não somente em termos de
direitos legais, mas também questionava algumas das morais da sociedade e
clamava por maior liberdade sexual para homens e mulheres. Argumentava que
muitos problemas eram causados pela instituição do casamento e as idéias de
família e assim por diante. As pessoas escreviam em relação à necessidade de
se distanciar deles.
Finalmente nos anos 1990 o argumento
prevalente no ocidente passou a ser que devemos discutir gêneros, não sexos. Essa
idéia foi expressa recentemente em um livro que saiu um ano atrás chamado “A
Era dos Extremos”. O autor discute a idéia de que não existe diferença entre
homem ou mulher e que o gênero é consequência do ambiente. Assim, podemos
mudar o ambiente para que homens assumam os papéis das mulheres e as mulheres
assumam os papéis dos homens, mudando a educação e o clima. É aqui que
chegaram agora. Constatamos que nesses 2.500 anos de tradição ocidental viemos
do primeiro extremo, expresso pelos gregos, em que as mulheres tinham negada a
sua humanidade essencial, até esse extremo expresso hoje em que não existem
diferenças entre os sexos e que é uma questão de gênero, clima e ambiente. Claro,
esse é um resumo muito breve da primeira visão de mundo. Não fiz justiça
àqueles 2.500 anos em apenas poucos minutos, mas nos dá uma idéia.
A outra visão sobre a qual gostaria de
falar em mais detalhes é a visão islâmica. Como o Islã vê a questão das
mulheres? Bem, acima de tudo, devemos entender que os muçulmanos ao contrário
de, por exemplo, os filósofos gregos ou escritores franceses após a revolução
francesa, não sentem que seus conceitos, idéias e crenças têm origem na raça
humana. Acreditam que o que lhes foi ensinado, crêem, praticam e tudo que está
vinculado a isso, é parte de uma revelação divina dada a eles por Deus. E
assim, é verdade e veracidade não é questionável por ser revelação de Deus. O
argumento é que Deus conhece melhor o que criou. Ele criou os seres humanos, é
um Deus de sabedoria, um Deus de todo o conhecimento e, assim, sabe o que é
melhor. E Ele decreta o que é melhor para a humanidade, Suas criaturas. Portanto,
os muçulmanos tentam viver através de um código de leis que é uma expressão
dessa crença.
Não quero discutir os vários detalhes
do código de leis porque isso, sinto, não nos beneficiaria nessa palestra, embora
talvez algo possa surgir na sessão de perguntas e respostas, na qual terei
prazer de responder as perguntas que possam ter. Mas o que gostaria de
discutir é como o Islã vê as mulheres, ou seja, o que é ser mulher no Islã? Os
muçulmanos acreditavam como os primeiros escritores gregos ou os primeiros
patriarcas da igreja que as mulheres não são seres humanos plenos? Sentiam que
as mulheres eram armadilhas de Satanás e, portanto, deviam ser evitadas e
vistas como algo mal e perigoso? Como viam as mulheres? Em uma investigação
das tradições do Islã que são, como eu disse, baseadas na revelação conhecida
como Alcorão, descobrimos que está muito claro que os muçulmanos são ensinados
que homens e mulheres compartilham uma única humanidade - que são iguais em sua
humanidade e não existe diferença na quantidade de natureza humana neles. Podemos
ter isso como certo agora, mas como expliquei, a civilização ocidental inicial
era baseada no fato de que as mulheres não eram seres humanos plenos.
Sendo algo que foi ensinado há 1.400
anos era uma idéia revolucionária, no sentido de que somente nos últimos 100
anos mais ou menos a questão das mulheres serem seres humanos plenos passou a
ser aceita nos círculos intelectuais ocidentais. Inicialmente as mulheres não
eram consideradas seres humanos plenos.
O Alcorão ao descrever as origens dos
seres humanos, cuja tradução seria algo como abaixo, conta:
“Ó humanos! Em verdade, Nós vos criamos de
macho e fêmea e vos dividimos em povos e tribos, para reconhecerdes uns aos
outros. Sabei que o mais honrado, dentre vós, ante Deus, é o mais temente.
Sabei que Deus é Sapientíssimo e está bem inteirado.” (Alcorão 49:13)
Esse versículo no Alcorão ensina que os
humanos vêm de um único homem e uma única mulher. A indicação aqui é que o
homem e mulher em termos de sua natureza humana estão no mesmo nível. Da mesma
forma, outro versículo, de um capítulo que é conhecido no Alcorão como Mulheres
- porque a maioria das questões discutidas lá são leis que lidam com as
mulheres - começa com um versículo que pode ser traduzido como:
“Ó humanos! Temei a vosso Senhor, que vos
criou de um só ser, do qual criou a sua companheira...”
... isso é uma referência a Adão e
Eva,
“...e, de ambos, fez descender inumeráveis
homens e mulheres.” (Alcorão 4:1)
Aqui novamente é a questão de homens e
mulheres e todos os seres humanos vindo de uma única fonte, uma única família,
dos mesmos pais. Isso mostra que mulheres compartilham plenamente a humanidade
com os homens.
Da mesma forma nas tradições do profeta Muhammad, que a
misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, - que é a segunda fonte da
religião islâmica - encontramos que o profeta Muhammad disse em um hadith que
as mulheres são as caras metade dos homens. A palavra árabe shaqaa’iq,
que é traduzida como cara metade, significa pegar algo e dividir ao meio. O
entendimento é que existe uma única humanidade, uma essência única que é
compartilhada, e existem metades disso - uma é o homem e a outra é a mulher. Isso
é repetido com frequência no Alcorão. As palavras do profeta Muhammad também
enfatizam isso. Como eu disse, é um conceito muito importante para entender
quando se reflete como a civilização ocidental tradicional via as mulheres, sem
serem parceiras plenas e não compartilhando em humanidade. Embora agora isso não seja muita surpresa porque, talvez, seja dado como certo
que homens e mulheres são seres humanos plenos. Mas isso é
algo que ocorreu tardiamente nas tradições ocidentais.
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Elevação da Condição das Mulheres (parte 3 de 5): Uma Diferença Central
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Descrição:
Uma palestra na universidade sobre como o Islã elevou a condição das mulheres. Parte 3: A diferença entre as visões de mundo islâmica e ocidental e um relance de alguns dos direitos concedidos às mulheres há 1.400 anos pelo Islã.
Por Ali Al-Timimi
Publicado em 19 Dec 2011 - Última modificação em 19 Dec 2011
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Vamos levar isso para outra etapa: qual
é o objetivo da humanidade? Qual é o propósito pelo qual seres humanos existem
na terra? Com qual objetivo se empenham? O que lhes acontecerá caso se empenhem
para aqueles objetivos e o que ocorrerá caso não se empenhem para aqueles
objetivos?
Uma vez que o Islã é uma religião que
se vê como revelação de Deus e a verdade, os muçulmanos sentem que os seres
humanos têm um propósito estabelecido na terra e que em tudo na criação de Deus
existe sabedoria. Não existe nada na criação de Deus que não tenha qualquer
sabedoria. Nada é por esporte ou diversão e, portanto, os seres humanos têm um
propósito e esse propósito lhes foi elucidado nos ensinamentos do Islã. Foram
criados para adorar Deus. Em um versículo do Alcorão Deus diz que não criou os
seres humanos exceto para adorá-Lo. Portanto, a essência da humanidade é a
mesma entre homem e mulher e eles também compartilham o mesmo objetivo que é
adorar Deus. E essa é a questão mais importante na cultura e civilização
islâmicas.
A cultura e civilização islâmicas estão
enraizadas na crença religiosa. A civilização
americana está enraizada em que? Nos escritos dos fundadores dos Estados Unidos da América. Está enraizada na Declaração de Independência, os ideais que foram
colocados nela. Está enraizada na Constituição dos Estados Unidos. Em alguns
dos argumentos entre monarquia ou democracia que foram escritos por alguns dos
primeiros escritores ou fundadores. Assim, está enraizada em pensamento
político. Sim, pode ter algumas tradições que podem remontar e se estender a
certas idéias como em partes do Cristianismo e assim por diante, mas em sua
essência é um pensamento político, ao contrário do Islã que é uma religião em
sua essência.
A civilização do Islã - uma civilização
que tem 1.400 anos de idade - está enraizada em religião. Para um muçulmano o maior objetivo é servir a Deus, adorar a Deus somente e isso é
o que significa a palavra muçulmano.
Muçulmano não é uma descrição racial,
não é uma categoria étnica, muçulmano significa aquele que se submete. Islã
significa se submeter à vontade de Deus - a submissão voluntária a Deus - e
assim o Islã é uma religião de submissão. Portanto, no aspecto mais importante
da religião islâmica encontramos que homens e mulheres compartilham no mesmo
objetivo e é esperado que tenham as mesmas responsabilidades, uma vez que se
exige ou obriga que tanto homens quanto mulheres testemunhem que ninguém é
merecedor de adoração exceto somente Allah - somente Deus - e que Muhammad é
Seu mensageiro. Homens e mulheres são ambos obrigados a orar cinco vezes ao
dia, que é o segundo pilar do Islã. São obrigados a jejuar no mês de Ramadã. São
obrigados a fazer a peregrinação à Meca. A dar caridade. A ter as mesmas
crenças. São obrigados a terem o mesmo tipo de moralidade e o mesmo tipo de
código de conduta e comportamento.
Homens e mulheres compartilham esses
ingredientes essenciais do comportamento islâmico, que distingue um muçulmano
de um não-muçulmano. E isso é de extrema importância porque rompe com a
tradição das religiões. Por exemplo, cinquenta anos antes do nascimento do
profeta Muhammad, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, que
nasceu por volta de 560 E.C, encontramos que houve uma reunião de bispos na
França para discutir se as mulheres possuíam ou não alma e, se possuíssem alma,
qual seria seu propósito na terra? Era adorar Deus? E se adorassem Deus,
iriam para o paraíso? No fim foi decidido que sim, as mulheres possuíam alma -
o que era um rompimento com a tradição anterior - mas que seu propósito não era
apenas adorar Deus, mas também servir aos homens.
No Islã, entretanto, a base da
submissão não é que mulheres estão se submetendo aos homens, mas que homens e
mulheres juntos se submetem a Deus. Portanto, quando se lê as passagens do
Alcorão fica muito claro que o obediente entre os crentes e as crentes recebem
o paraíso, que é o maior objetivo na vida de um muçulmano e a base dessa
civilização. Da mesma forma, aqueles que são desobedientes e renegados e não
querem adorar Deus também recebem a mesma punição, sejam homens ou mulheres. É
por isso que em todo o Alcorão se encontra que as palavras são dirigidas tanto
aos homens quanto às mulheres. A língua árabe, como a francesa, tem dois tipos
de verbos, um que representa o feminino e outro o masculino. Assim, o Alcorão
se dirige a ambas as categorias de raça humana, a ambos os sexos. Isso é
encontrado repetidamente. Não é necessário recitar agora todas essas
passagens, mas elas estão lá se alguém quiser conhecê-las.
Em resumo, encontramos três fundamentos:
que compartilham a mesma humanidade, que têm o mesmo objetivo nessa terra e,
também, que esperam a mesma recompensa, que é o objetivo pelo qual estão
trabalhando coletivamente como seres humanos. E esse é um rompimento, como eu
disse antes, com as tradições religiosas anteriores e também com o entendimento
político e social prevalente entre os filósofos antes do Islã. E como
resultado disso, encontramos que o Islã conferiu às mulheres direitos que
talvez tenhamos como certos agora, mas que foram conferidos por Deus a homens e
mulheres 1.400 anos atrás. Esses direitos, como o direito de ter propriedades,
de dispor delas de acordo com seus próprios desejos, desde que sigam as leis da
religião do Islã, e se aplicam igualmente para homens ou mulheres. E também o
direito de assegurar o que agora chamamos de direitos políticos, como o direito
de entrar em um tratado com combatentes, são coisas muito recentes,
relativamente falando, no ocidente.
Um dos direitos concedidos pelo Islã na
época do profeta Muhammad foi que se uma mulher fizer um trato com um
combatente de uma força de ataque não-muçulmana o trato dela será considerado
como foi o caso da companheira do profeta Muhammad. Na igreja cristã esses
companheiros eram chamados de discípulos, mas os discípulos do profeta Muhammad
são chamados de companheiros. Eram em centenas e milhares, não apenas doze
como com Jesus Cristo, e havia homens e mulheres entre eles. Quando o profeta
Muhammad veio para Meca, uma das companheiras chamada Umm Hani, que era
habitante de Meca e crente no profeta Muhammad, colocou certos parentes sob sua
proteção para que não fossem feridos. O irmão dela, que era um dos principais
companheiros do profeta Muhammad e casado com sua filha, Ali b. Abi Talib,
queria executar dois desses homens que eram conhecidos por prejudicar os
muçulmanos e combatê-los. Então Umm Hani foi até o profeta Muhammad e reclamou
que ela tinha lhes garantido proteção e o profeta reconheceu a proteção dela a
esses dois indivíduos.
Isso é o que podemos chamar, na
classificação e terminologia que usamos agora, um direito político. Garantir
proteção para outra pessoa durante o estado de guerra é algo relativamente novo
no ocidente, mas era uma tradição conhecida no mundo islâmico há 1.400 anos. Da
mesma forma, em termos do que podemos chamar de participação pública, existem
certos atos de adoração que são atos públicos de adoração no Islã e existem certos
atos de adoração que são privados. Um dos atos públicos é a peregrinação, um
dos pilares do Islã, realizado por homens e mulheres. Outro ato público de
adoração são as duas orações de Eid que acontecem duas vezes ao ano, uma após a
peregrinação e outra após o término do Ramadã. Homens e mulheres participam
publicamente. Temos um versículo que mostra que o contrato social entre homens
e mulheres é o mesmo no Islã. Esse versículo pode ser traduzido da seguinte
maneira:
“E os crentes e as crentes são,”
o que podemos traduzir como
“awliyaa”
- a palavra em árabe para amigos,
aliados ou apoiadores mútuos,
“eles”
- significando homens e mulheres -
“recomendam o bem”
ou seja, recomendam o que é correto,
“proíbem o ilícito”
Esse é um processo corretivo em
sociedade, removendo o mal e recomendando o que é bom. E então
“praticam a oração”
ambos, homens e mulheres,
“pagam o zakat”
ou a caridade para os pobres,
“e obedecem a Deus e ao Seu Mensageiro.” (Alcorão
9:71)
E então Deus lhes mostra a recompensa,
que são aqueles com quem Deus terá misericórdia e que Deus é Todo-Poderoso e
Sábio.
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Elevação da Condição das Mulheres (parte 4 de 5): Igual, porém Diferente
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Descrição:
Uma palestra na universidade sobre como o Islã elevou a condição das mulheres. Parte 4: Embora homens e mulheres sejam iguais em sua humanidade e espiritualidade, o Islã ensina que são diferentes em seus papéis na vida.
Por Ali Al-Timimi
Publicado em 19 Dec 2011 - Última modificação em 19 Dec 2011
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Assim, nesse versículo vemos que o
contrato social entre homens e mulheres, como indivíduos na sociedade, é o
mesmo. Ou seja, que ambos busquem o objetivo mais elevado de ordenar ou
comandar o que é correto e proibir o que é mal e que compartilham nos dois
maiores atos de adoração, a oração e fazer caridade. Compartilham
nas crenças e obediência a Deus e obediência ao profeta Muhammad, que a
misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, e da mesma forma,
compartilham na recompensa de obter a misericórdia de Deus. Esse é um conceito muito importante, que está em contradição com o
que a tradição ocidental se baseia hoje e que é, como eu disse, um resultado do
extremo inicial dos filósofos gregos que as mulheres não compartilhavam na
humanidade. Como resultado daquele extremo outro
extremo ocorreu - pelo menos os muçulmanos o consideram extremo - de que não
existe diferença entre homens e mulheres.
Assim, a idéia de ter gêneros - esse é
um termo que não é usado no sentido biológico, como podemos usar a palavra sexo
em sentido biológico para macho e fêmea, mas o entendimento hoje é que as
características que definem masculinidade ou feminilidade, as características
sociais e assim por diante são determinadas pela educação, cultura e ambiente e
que não existe diferença inerente na forma como homens e mulheres pensam ou
agem ou qual é sua constituição e assim por diante. E por isso usam o termo
gênero.
Esse extremo resultou do extremo
inicial que ocorreu 2.000 anos atrás, quando os gregos pensavam que as mulheres
não possuíam humanidade. Como resultado desses processos de 2.000 anos, agora
chegamos a outro extremo - pelo menos é o que os muçulmanos diriam - esse
extremo agora é que homens e mulheres são os mesmos, não existe nenhuma
diferença.
O Islã, embora confirme que homens e
mulheres compartilham a mesma essência de humanidade, também confirma que
homens e mulheres são diferentes. Mas essa diferença significa que homens são
inerentemente bons ou mulheres são inerentemente más? Não. E é por isso que
quando se olha para os versículos no Alcorão que lançam luz sobre esse aspecto,
Deus diz, relatando Sua criação, que Ele é Aquele Que criou a noite, que
envelopa, quando chega - se olhar no horizonte a noite vem como um lençol
envelopando o horizonte - e Ele é Aquele Que criou o dia quando chega
eclodindo, brilhante - que é como o sol nasce e Ele é Aquele Que criou o homem
e a mulher. E então o versículo seguinte diz, verdadeiramente, aquilo pelo
qual se empenham - seres humanos tem finalidades diferentes, fins diversos -
alguns se empenham pela satisfação de Deus, alguns pela desobediência a Deus,
outros para fazer o bem aos humanos, outros ainda para prejudicar, fins
diferentes. Mas qual é o exemplo aqui? Deus menciona noite e dia e então
menciona homem e mulher. O entendimento é, sim, a noite tem um propósito e no
Alcorão sempre se encontra versículo após versículo, descrevendo que existe uma
sabedoria por trás da noite. E também diz à humanidade que se houvesse somente
a noite e nenhum dia, os seres humanos não poderiam viver na terra. E isso é
mostrado agora cientificamente que se apenas houvesse noite e nenhuma luz
solar, certos hormônios do corpo não seriam capazes de se reproduzir e os seres
humanos morreriam. A vida como a conhecemos na terra não existiria. E, da
mesma forma, existe sabedoria por trás do dia. Mas podemos argumentar e dizer
que a noite é boa e o dia é mal? Não e nenhum muçulmano acreditaria nisso. E
podemos argumentar e dizer que o dia é bom e a noite é má? Não. Da mesma forma, homem e mulher também têm seus papéis a desempenhar.
Mas pode-se dizer que o papel dos homens é inerentemente bom e
o papel das mulheres inerentemente mal? Não. E pode-se dizer o oposto disso -
que o papel das mulheres é inerentemente bom e o dos homens inerentemente mal? Não.
Mas ambos têm um papel.
Essa é a principal disputa agora entre
o pensamento ocidental e a crença islâmica. O pensamento ocidental tem
aceitado basicamente, exceto por talvez alguns poucos locais no Vaticano, que
homens e mulheres compartilham em sua humanidade e são iguais. Os muçulmanos
têm acreditado nisso por 1.400 anos. Mas a diferença é que no pensamento
ocidental, como uma reação ao pensamento inicial de que as mulheres não
compartilhavam humanidade plenamente, o argumento é que os papéis de homens e
mulheres na sociedade são definidos somente pela cultura, ambiente e educação
e, consequentemente, não existe nenhum papel real para homens ou para mulheres
e podemos trocá-los, se simplesmente ensinarmos a sociedade de forma correta. Mas
no Islã existe um papel definido para homens e mulheres. Quem define esse
papel para homens e mulheres? É seu criador. Essa é a principal, se quisermos
usar o termo filosófico, mesmo que seja impreciso nesse sentido, mas podemos
usá-lo por falta de termo melhor, diferença filosófica, ideológica ou teológica
entre os dois argumentos opostos. Agora com isso dito,
é importante entender que quando o Islã deu esses papéis aos homens e mulheres,
colocou responsabilidades iguais às obrigações de ambos. Darei um exemplo disso: o Islã sente que as mulheres têm a natureza
de mãe não por tradição cultural ou sistema sociológico, mas inerentemente são
melhores em prover e cuidar dos filhos, que existe um vínculo que vai além de
tradição. Um vínculo psicológico, físico, algo que é
mais que apenas tradições de seres humanos. Como
resultado disso, colocou maiores responsabilidades sobre as mulheres em relação
a seus filhos do que sobre os homens.
Ao mesmo tempo, as obrigações que as
crianças têm em relação às suas mães no Islã são maiores que as que têm em
relação a seus pais e é por isso que quando um homem perguntou ao profeta
Muhammad quem seriam seus companheiros:
“De quem devo ser amigo nesse mundo?”
O
profeta Muhammad respondeu: “Sua mãe.”
E então
o homem perguntou uma segunda vez, o profeta respondeu sua mãe e uma terceira
vez e novamente ele respondeu sua mãe e então, na quarta vez, ele disse: “Seu pai.”
Da mesma forma, no Alcorão é dito aos seres
humanos que a sua mãe os manteve com privações, falando sobre o parto e as
dificuldades da gravidez e infância e então os alimentou por dois anos,
amamentou e nos diz para sermos gentis com nossos pais e nos lembra de nossa
mãe antes de nosso pai.
O ponto é que embora tenha definido um
papel para as mulheres com as crianças que é diferente do papel do pai, ao
mesmo tempo dá às mulheres honra e respeito de suas crianças maior que o
recebido pelos pais. Os pais recebem respeito e honra, não são simplesmente
excluídos, mas é dado a eles de acordo com seu nível de responsabilidade. E da
mesma forma, porque a mãe inerentemente, não apenas por causa de tradição
cultural, tem algo inerente que faz aquele vínculo maior entre ela e sua
criança do que com o pai. Ela recebe honra e respeito maiores de seu filho e,
ao mesmo tempo, é exigido dela maior obrigação.
Dei apenas esse como exemplo para
mostrar que enquanto o Islã reconhece as diferenças entre os sexos, não aceita
o conceito de que gênero é apenas uma questão de educação ou tradições
culturais, porque existem diferenças inerentes nos homens e mulheres e como
resultado disso as obrigações e responsabilidades de cada sexo estão unidas. A
partir disso vem outra questão de que mesmo que homens e mulheres sejam
diferentes, não estão em oposição, o que é a base de muito do pensamento
ocidental e especialmente de tradições feministas. Que existe uma luta entre
homens e mulheres, “existe uma batalha de sexos”, como é dito às vezes na
designação popular. Isso não existe no Islã. Homens e mulheres trabalham
juntos, como o dia e a noite se alternam e se vive durante o dia e durante a
noite. Não se pode viver somente à noite e não se pode viver somente de dia. Da
mesma forma, homens e mulheres não estão uns contra os outros, não estão em
briga um com o outro, mas compartilham o mesmo objetivo, o mesmo propósito de
ser, a mesma humanidade. Têm papéis diferentes, mas
esses papéis se complementam e são necessários para o sucesso da humanidade,
não nesse mundo, mas também - uma vez que os muçulmanos acreditam na outra vida
- na outra vida, que é o objetivo supremo para os muçulmanos.
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Elevação da Condição das Mulheres (parte 5 de 5): Conclusão
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Descrição:
Uma palestra na universidade sobre como o Islã elevou a condição das mulheres. Parte 4: Como o Islã salvou a condição das mulheres.
Por Ali Al-Timimi
Publicado em 26 Dec 2011 - Última modificação em 26 Dec 2011
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Categoria: Artigos
> Atualidades
> Mulheres
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Agora, gostaria de fazer um comentário
final e então abrirei para respostas. Olhemos para as aplicabilidades de ambos
os programas. Discutimos muitas idéias, pensamentos, crenças e conceitos
históricos, mas quando são de fato aplicados, qual dos dois pontos de vista é
mais bem-sucedido? Qual traz mais bênção para a humanidade? O ponto de vista
secular ou o islâmico? Tenho um exemplo concreto que gostaria de compartilhar
com vocês. Quando estava em Pequim esse verão passado para a quarta conferência
mundial da ONU sobre as mulheres, havia uma plataforma de ação que estava sendo
discutida por diferentes nações e organizações. O objetivo da plataforma de
ação era erguer, enaltecer e melhorar a condição das mulheres em todo o mundo,
o que, claro, são objetivos nobres e corretos; não há disputa em relação a isso.
A plataforma de ação foi dividida em áreas diferentes de concentração, como
pobreza, saúde, finanças, conflitos e violência e assim por diante, e uma delas
era a menina. O décimo segundo item das 12 áreas da plataforma de ação se
referia à menina e a condição de meninas - futuras mulheres - no mundo hoje. O
país que hospedava a conferência, a China, é conhecido por praticar o
assassinato de meninas. A razão é por causa de sua grande população. Casais
chineses só podem ter um filho e o povo chinês por tradição vê os homens como
em menor quantidade que as mulheres e, como resultado, usualmente matará a
menina na esperança da mulher dar à luz a um menino.
Essa é uma questão que existe e devido
ao fato do anfitrião ser a China, as Nações Unidas não queriam de fato entrar
nesse assunto, nem queria falar muito sobre isso porque não era politicamente
correto abordar essa questão na China. Além do mais, embora tenham passado
certas regulamentações, plataformas de ação e certos compromissos a serem
exigidos dos cidadãos do mundo, muito provavelmente no fim de, talvez, vinte
cinco a cinquenta anos, a condição das crianças no mundo não terá melhorado de
forma significativa.
Uma das principais razões da criação
das Nações Unidas após a II Guerra Mundial foi o massacre de tantos seres
humanos, incluindo seis milhões de judeus na Europa e, ainda assim, cinquenta
anos depois, no ano da quinquagésima celebração da ONU, ocorreu um genocídio na
Bósnia, Europa. Todos os atos de direitos humanos, todas as declarações nos
últimos cinquenta anos e ainda assim o massacre ocorreu. Agora quando o
profeta Muhammad - que Deus eleve seu nome - foi enviado para os árabes, os
árabes tinham a mesma prática de matar suas filhas pequenas. Os árabes
cometiam esse ato por várias razões, na maioria das vezes devido à pobreza. Por
serem um povo do deserto sem indústria e com poucos meios de comércio, a vida
era muito difícil. Como resultado, por medo da pobreza matavam suas filhas
pequenas e as enterravam vivas. Isso é um fato mencionado no Alcorão e bem
conhecido durante a época do profeta Muhammad, que Deus eleve seu nome. No
Alcorão, Deus condena a matança de meninas, enterrá-las vivas e também as
atitudes dos árabes em relação às meninas. Um versículo no Alcorão diz:
“Quando
a algum deles é anunciado o nascimento de uma filha, o seu semblante se
entristece e fica angustiado. Oculta-se do seu povo, pela má notícia que lhe
foi anunciada: deixá-la-á viver, envergonhado, ou a enterrará viva?...” (Alcorão 16:58-59)
Essa é uma condenação dessa prática. Da
mesma forma, muitos dos companheiros do profeta Muhammad - que Deus eleve seu
nome - antes de aceitarem o Islã, mataram suas filhas. Um homem veio até o
profeta Muhammad - que Deus eleve seu nome - e disse: “Matei dez das minhas
filhas durante minha vida. Receberei o paraíso? Deus aceitará meu arrependimento por esse pecado, agora que deixei
essa religião pagã de antes, adorando ídolos e matando filhas?” Dentro de uma geração, dentro de 23 anos (a
duração da pregação do profeta entre os árabes), a prática de matar as filhas
terminou e não existe mais na Arábia. Da mesma forma,
não parou ali, mas aconteceu uma mudança na atitude em relação às mulheres em
todos os aspectos.
Na Vida Futura as pessoas não recebem
outra recompensa que não o paraíso. Esse é o maior objetivo para os muçulmanos
e sua motivação e razão de ser. Então o Islã não apenas tentou remover o
aspecto negativo das pessoas assassinarem suas próprias filhas, mas também
incluiu o aspecto positivo de educar meninas e educá-las em sociedade; o que me
traz para o meu ponto final. É claro que devemos olhar para os direitos
humanos nas declarações de direitos humanos anteriores, independente se são
verdadeiros ou falsos mas não foram capazes de alcançar os objetivos que afirmaram,
como o exemplo de direitos humanos e assassinatos em massa de civis na Bósnia
mostra.
Em resumo, a civilização islâmica, ao
contrário de qualquer outra civilização, é baseada na revelação, mas é em sua
essência apoiada e fundada por mulheres. A primeira pessoa a acreditar no
profeta Muhammad - que Deus eleve seu nome - foi sua esposa Khadija e foi
através do dinheiro dela, de seu apoio e encorajamento que o profeta foi capaz
de propagar a mensagem do Islã em seu primeiro ano de missão profética. Os
pagãos não tinham as idéias de liberdade de religião, de que se pode ter suas
próprias crenças. Isso não era praticado pelos pagãos da Arábia - viam isso
como uma insurreição, viam como uma mudança de seus modos, e procuraram impedir
através de tortura, matança e outros meios que tivessem. E da mesma forma
tentaram parar a revelação islâmica, essa tradição, quando o profeta Muhammad -
que Deus eleve seu nome - pregou pela primeira vez às pessoas da Arábia. Ainda
assim, como resultado da mensagem de Muhammad, existem mais de um bilhão de
muçulmanos no mundo hoje. Estão em cada continente do mundo, mesmo em Pequim
onde a ONU se reunindo. Havia uma mesquita lá que tem mais de mil anos. Isso
mostra como o crescimento do Islã e o espírito do Islã não é apenas um fenômeno
do Oriente Médio ou árabe, mas se estende a todos os povos e raças em todo o
mundo.
De onde vem esse ensinamento? Claro
que quando o profeta Muhammad - que Deus eleve seu nome - morreu após vinte e
três anos de pregação do Islã, o Islã se propagou somente na Arábia. O Islã
foi propagado principalmente por quatro ou cinco indivíduos que eram próximos
ao profeta. Um deles foi a esposa do profeta, Aisha. Ela está entre os que
mais narraram suas declarações e está entre os três, quatro ou cinco que mais
fizeram pronunciamentos religiosos, deram vereditos religiosos e explicaram
versículos do Alcorão, assim como ditos do profeta.
Se procurarmos em qualquer outra
civilização na história da humanidade, raramente encontraremos mulheres desempenhando
um papel em seu estabelecimento e que seus esforços possam ser atribuídos a
esse estabelecimento. Os famosos gregos - como os filósofos Platão,
Aristóteles e outros - eram todos homens. Os escritos dos primeiros patriarcas
da igreja foram feitos por homens e até hoje a idéia de erudição das mulheres é
limitada em algumas áreas da igreja. Os escritores franceses na revolução
francesa e Voltaire e os russos eram homens. Os fundadores dos Estados Unidos
eram homens. O Islã é a única civilização que é conhecida pela humanidade onde
dados importantes em termos de sua transmissão e estabelecimento foram baseados
nos esforços de mulheres. Essa é uma questão histórica que não está aberta a
interpretação, é um fato. Essas são as pessoas que transmitiram os ensinamentos
do profeta, são as pessoas que os apoiaram depois. Esses
são apenas alguns pensamentos e impressões relacionados a como o Islã elevou as
mulheres.
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