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O Espírito de Adoração no Islã (parte 1 de 3): Adoração e Oração
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Descrição:
O significado de adoração e o espírito e propósito da oração no Islã.
Por Abul A`la Mawdudi (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 16 Nov 2009 - Última modificação em 14 Feb 2010
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Categoria: Artigos
> Adoração e Prática
> Moral e Práticas Islâmicas
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Ibadah
(adoração) é uma palavra árabe derivada de abd (um servo) e significa
submissão. Significa que Deus é Seu Mestre e você Seu servo, e o que quer que
um servo faça em obediência e satisfação de seu Mestre é Ibadah. O
conceito islâmico de Ibadah é muito amplo. Se você livrar sua fala de
sujeira, falsidade, malícia e abuso, falando a verdade e coisas boas somente
porque Deus determinou constitui-se Ibadah, por mais que possam parecer atos
seculares. Se obedecer a lei de Deus na letra e espírito em seus assuntos
comerciais e econômicos e aceitá-los no lidar com seus pais, parentes, amigos e
todos aqueles que entrarem em contato com você, todas essas atividades suas são
Ibadah. Se ajudar os pobres e destituídos, der comida aos famintos,
servir às pessoas doentes e aflitas, fazendo tudo isso não por qualquer ganho
pessoal, mas somente buscando agradar a Deus, tudo é Ibadah. Mesmo suas
atividades econômicas, as atividades que empreende para ganhar seu sustento e
alimentar seus dependentes, são Ibadah se permanecer honesto e confiável
e observar a lei de Deus. Em resumo, todas as suas atividades e sua vida
inteira são Ibadah se estiverem de acordo com a lei de Deus, seu coração
estiver cheio de Sua reverência e seu objetivo supremo em empreender todas
essas atividades for buscar a satisfação de Deus.
Sendo assim, toda vez que fizer
o bem ou evitar o mal por temor a Deus, em qualquer esfera da vida e campo de
atividade, você está desempenhando suas obrigações islâmicas. Esse é o
verdadeiro significado de Ibadah, nominalmente a submissão total à satisfação
de Allah; moldando a sua vida inteira de acordo com os padrões do Islã, não
deixando de fora nem a parte mais insignificante. Para ajudar a alcançar esse
objetivo, um conjunto formal de ibadat (atos de adoração) foi constituído, que
serve como um curso de treinamento. Esses ibadat são os pilares nos quais o
edifício do Islã se apóia.
Salah (Oração) é a mais básica e importante dessas obrigações. E o que é salah? São as orações diárias prescritas que
consistem em repetir e renovar, cinco vezes ao dia, a crença no qual sua fé se
apóia. Você levanta cedo de manhã, se limpa e apresenta diante de seu Senhor
para orar. As várias posições que você assume durante suas orações são a
personificação do espírito de submissão; as várias recitações lembram você de
seus compromissos com seu Deus. Você busca Sua orientação e pede a Ele de novo
e de novo que lhe permita evitar Sua ira e seguir o caminho que Ele escolheu. Lê
do Livro do Senhor e testemunha a verdade do Profeta, que a misericórdia e
bênçãos de Deus estejam sobre ele, e também renova sua crença no Dia do Juízo e
aviva em sua memória o fato de que comparecerá perante seu Senhor e prestará
contas de sua vida inteira. É assim que seu dia começa.
Então, após umas poucas horas o
muezzin (chamador para oração) o chama para orar e, de novo, você se
submete ao seu Senhor e renova sua aliança com Ele. Você se desassocia de seus
envolvimentos mundanos por alguns momentos e busca audiência com Deus. Mais
uma vez vem à sua mente seu papel verdadeiro na vida. Depois dessa rededicação
você se volta para suas ocupações e de novo se apresenta ao Senhor após umas
poucas horas. Isso novamente age como um lembrete para você e mais uma vez sua
atenção é focada nas estipulações de sua fé. Quando o sol se põe e a escuridão
da noite começa a envolvê-lo, mais uma vez você se submete a Deus em oração
para que não esqueça seus deveres e obrigações no meio das sombras da noite que
se aproxima. E então, após umas poucas horas, mais uma vez você se apresenta
perante seu Senhor, e essa é sua última oração do dia. Assim, antes de ir para
cama mais uma vez você renova sua fé e se prostra perante seu Deus. É assim
que você completa seu dia. A frequência e horários das orações não permitem
que o objeto e missão de vida sejam perdidos de vista na confusão das
atividades mundanas.
É fácil compreender como as
orações diárias fortalecem as bases de sua fé, preparam para a observância de
uma vida de virtude e obediência a Deus, e renovam aquela crença de onde jorram
coragem, sinceridade, determinação, pureza de coração, progresso da alma e
enriquecimento da moral.
Veja agora como isso é
alcançado: realiza-se a ablução na forma prescrita pelo Profeta. Pode-se
também dizer as orações de acordo com as instruções do Profeta. Por quê? Simplesmente
porque os muçulmanos acreditam na missão profética de Muhammad e consideram seu
dever segui-lo de bom grado. Por que não recitam o Alcorão errado de forma
intencional? Não é porque consideram o Livro como a Palavra de Deus e julgam
um pecado se desviar de sua letra? Nas orações recitam muitas coisas em
silêncio e se não as recitam ou fazem quaisquer desvios, não existe ninguém
para checá-los. Mas nunca o fazem intencionalmente. Por quê? Porque
acreditam que Deus é Onisciente e ouve tudo que recitam, e está ciente das
coisas feitas abertamente e daquelas que estão ocultas.
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O Espírito de Adoração no Islã (parte 2 de 3): Oração e Jejum
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Descrição:
Mais sobre o espírito e propósito da oração no Islã e também sobre o espírito do jejum.
Por Abul A`la Mawdudi (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 23 Nov 2009 - Última modificação em 10 Jan 2010
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Categoria: Artigos
> Adoração e Prática
> Moral e Práticas Islâmicas
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O que faz um muçulmano orar em lugares
nos quais não existe ninguém para questioná-lo ou nem mesmo vê-lo fazendo as
orações? Não é porque sua crença em Deus é de que Ele está sempre o
observando? O que os faz deixar seus negócios importantes e outras ocupações e
correrem para a mesquita para fazer as orações? O que faz com que terminem seu
sono tranquilo nas primeiras horas da manhã, se dirijam à mesquita no calor do
meio-dia, e deixem suas distrações noturnas por causa das orações? Nada além
de senso de dever – a percepção de que devem cumprir sua responsabilidade com
Deus. E por que temem algum erro na oração? Porque seus corações estão
cheios de temor a Deus e sabem que terão que comparecer perante Ele no Dia do
Juízo para prestar contas de sua vida inteira.
Pode haver um curso melhor de
treinamento moral e espiritual do que a oração? É esse treinamento que faz de
um homem um muçulmano perfeito. É relembrado de sua aliança com Deus, renova
sua fé Nele e mantém viva e sempre presente a crença no Dia do Juízo. Faz com
que siga o Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, e o
treina na observância de seus deveres.
É de fato um treinamento
estrito para adequar a prática aos ideais. Obviamente se a consciência de um
homem sobre seus deveres em relação ao Criador é tão aguçada que ele a coloca
acima de todos os ganhos terrenos e continua a renová-la através de orações,
certamente ele não atrairá a insatisfação de Deus que tanto se empenha em evitar. Obedecerá a lei de Deus em todas as esferas da vida da mesma forma que segue as
cinco orações todos os dias. Esse homem é confiável em outros campos de
atividade, porque se as sombras do pecado ou engodo se aproximarem dele, ele
tentará evitá-las pelo temor a Deus que está sempre presente em seu coração. E
se mesmo depois desse treinamento vital um homem se comporta mal em outros
campos da vida e desobedece à lei de Deus, só pode ser por causa de alguma
corrupção intrínseca de seu eu.
Um muçulmano deve fazer suas
orações em congregação, especialmente a oração de sexta-feira. Isso cria entre
os muçulmanos um laço de amor e entendimento mútuo. Desperta neles o senso de
sua unidade coletiva e nutre a fraternidade nacional. Todos fazem suas orações
em uma congregação, o que lhes inculca um profundo senso de irmandade. As
orações também são um símbolo de igualdade, para o pobre e o rico, o baixo e o
alto, governantes e governados, instruídos e iletrados, brancos e negros, todos
se alinham e prostram perante seu Senhor. As orações também inculcam nos
muçulmanos um forte senso de disciplina e obediência em relação ao líder
eleito. Em resumo, as orações os treinam em todas aquelas virtudes que tornam
possível o desenvolvimento de uma vida rica, individual e coletivamente.
Esses são uns poucos dos
incontáveis benefícios que os muçulmanos obtêm das orações diárias. Se nos
recusarmos a usufruir deles nós, e somente nós, sairemos perdendo. Se você vir
que alguns muçulmanos se esquivam das orações, isso só pode significar uma das
duas coisas: não reconhecem as orações como nosso dever ou as reconhecem. No
primeiro caso, sua reivindicação à fé é uma mentira desavergonhada, porque se
recusam receber ordens de Allah, não reconhecem mais Sua autoridade. No
segundo caso, se reconhecem a autoridade de Allah e continuam a desconsiderar
Seus mandamentos, são as criaturas mais irresponsáveis que andaram na terra. Porque
se fazem isso com a maior autoridade no universo, o que garante que não farão o
mesmo ao lidar com outros seres humanos? E se a sociedade é dominada pelo
fingimento, em que inferno e discórdia se transformará!
Jejum
O que as orações buscam fazer
cinco vezes ao dia, o jejum no mês de Ramadã (nono mês do calendário lunar) faz
uma vez por ano. Durante esse período da alvorada ao pôr do sol, os muçulmanos
não comem um grão de comida nem bebem uma gota de água, não importando o quão
delicioso seja o prato ou o quão famintos ou sedentos estejam. O que os faz
passarem voluntariamente por esses rigores? Nada além da fé em Deus e o temor
a Ele e ao Dia do Juízo. Em cada momento durante o jejum os muçulmanos
suprimem suas paixões e desejos, e proclamam ao fazê-lo a supremacia da Lei de
Deus. Essa consciência de dever e o espírito de paciência que o jejum
incessante por um mês inteiro inculca nos muçulmanos os ajuda a fortalecer sua
fé. O rigor e disciplina durante esse mês nos coloca frente a frente com as
realidades da vida, e ajuda a fazer da vida durante o resto do ano uma vida de
verdadeira subserviência à Sua vontade.
De outro ponto de vista, o
jejum tem um impacto imenso na sociedade, porque todos os muçulmanos,
independentemente de seu status, devem observar o jejum durante o mesmo mês. Coloca
em destaque a igualdade essencial dos homens e dá uma grande contribuição para
criar nos muçulmanos os sentimentos de amor e irmandade. Durante o Ramadã o
mal se oculta enquanto que o bem toma a dianteira, e toda a atmosfera é
preenchida com piedade e pureza. Essa disciplina foi imposta aos muçulmanos
para sua própria vantagem. Aqueles que não a cumprem não são confiáveis no
desempenho de seus deveres. Mas os piores são aqueles que, durante esse mês
sagrado, não hesitam em comer ou beber em público. São as pessoas que pela sua conduta mostram que não se importam com os comandos de
Allah, em Quem professam sua crença como seu Criador e Sustentador. Além
disso, também mostram que não são membros leais da comunidade muçulmana; ao
contrário, não têm nada a ver com ela. É evidente que, no que se refere à
obediência à lei e consideração por uma confiança que lhes foi depositada,
somente o pior pode ser esperado desses hipócritas.
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O Espírito de Adoração no Islã (parte 3 de 3): Zakat e Hajj
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Descrição:
O espírito do Zakat (caridade obrigatória) e um vislumbre do Hajj.
Por Abul A`la Mawdudi (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 30 Nov 2009 - Última modificação em 30 Nov 2009
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Categoria: Artigos
> Adoração e Prática
> Moral e Práticas Islâmicas
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Zakat
A terceira obrigação é o zakat.
Todo muçulmano cuja condição financeira esteja acima de um mínimo especificado
deve pagar anualmente 2,5% de seu saldo de caixa para alguém que mereça. É o
mínimo. Quanto mais se paga, maior a recompensa que Deus concederá.
O dinheiro que pagamos como zakat
não é algo que Deus precise ou receba. Ele está acima de qualquer desejo e
necessidade. Ele, em Sua misericórdia, nos promete recompensas multiplicadas
se ajudarmos nossos irmãos. Mas existe uma condição básica para ser
recompensado. E é: que quando pagamos em nome de Deus não esperemos nem
exijamos ganhos mundanos dos beneficiários, nem tenhamos como objetivo fazer
nossos nomes como filantropos.
O Zakat é tão básico
para o Islã quanto outras formas de adoração: salah (orações) e sawm
(jejum). A importância do zakat reside no fato de que cultiva em nós as
qualidades de sacrifício e nos livra do egoísmo e da plutolatria. O Islã
aceita somente aqueles que estão prontos para doar no caminho de Deus,
espontaneamente e sem qualquer ganho temporal ou pessoal, o que ganharam com
sacrifício. Não tem nada a ver com mesquinhos. Um verdadeiro muçulmano,
quando o chamado vier, sacrificará todos os seus pertences no caminho de Deus,
porque o zakat já o treinou para esse sacrifício.
Existem ganhos imensos para a
sociedade na instituição do zakat. É um dever de todo muçulmano
abastado ajudar seu irmão pobre. Sua fortuna não é para ser gasta somente em
seu próprio conforto e luxo, uma vez que existem reivindicadores legítimos
sobre sua riqueza, e eles são as viúvas e órfãos da nação; os pobres e os inválidos;
e aqueles que têm habilidade, mas carecem dos meios para buscarem emprego;
aqueles que têm as faculdades e brilhantismo, mas não o dinheiro com o qual
poderiam adquirir conhecimento e se tornarem membros úteis da comunidade. Aquele
que não reconhece o direito desses membros de sua própria comunidade sobre sua
riqueza é, de fato, cruel. Porque não pode haver crueldade maior do que encher
seus próprios cofres enquanto milhares morrem de fome ou sofrem as agonias do
desemprego. O Islã é um inimigo declarado desse egoísmo, ganância e cobiça. Pessoas
que não têm essas morais enraizadas, destituídas de sentimentos de amor
universal, só sabem preservar riqueza e aumentá-la emprestando a juros. Os
ensinamentos do Islã são a antítese dessa atitude. Aqui se compartilha da
riqueza com outros, ajudando-os a andarem com suas próprias pernas e a se
tornarem membros produtivos da sociedade.
Hajj
O Hajj, ou a peregrinação à
Meca, é o quarto ato básico de adoração. É obrigatório uma vez na vida somente
para aqueles que dispõem de recursos. Quando os muçulmanos empreendem a
peregrinação, é exigido que suprimam suas paixões, se refreiem de derramamento
de sangue e estejam puros em palavras e atos. Deus promete recompensas pela
sinceridade e submissão.
O Hajj é, de certa forma, o
maior de todos os atos de adoração. Porque a menos que a pessoa realmente ame
Deus, jamais empreenderia essa longa viagem, deixando pessoas próximas e
queridas para trás. Parece fácil agora com o surgimento de aviões e veículos,
mas imagine no passado, quando os muçulmanos tinham que fazer uma jornada longa
e árdua, enfrentando fadiga, fome e morte, muitas vezes levando mais de um ano!
Essa peregrinação não é como
qualquer outra jornada. Aqui os pensamentos dos peregrinos estão concentrados
em Deus, seus seres vibram com o espírito de intensa devoção. Quando chegam aos
lugares sagrados, encontram a atmosfera carregada de piedade e religiosidade;
visitam lugares que testemunham a glória do Islã e tudo isso deixa uma
impressão indelével em suas mentes, que carregam até seu último suspiro.
Além disso, existem no Hajj, como em qualquer outro ato de adoração, muitos benefícios obtidos pelos muçulmanos. Meca
é o centro para o qual os muçulmanos devem convergir uma vez por ano e discutir
tópicos de interesse comum. O Hajj revigora a fé de que todos os muçulmanos
são iguais e merecem o amor e simpatia independentemente de sua origem
geográfica ou cultural. Sendo assim, o Hajj une os muçulmanos do mundo todo em
uma irmandade internacional.
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