Agnosticismo (parte 1 de 4): O Conceito de Agnosticismo
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Descrição:
Uma breve análise do conceito de agnosticismo.
Por Laurence B. Brown, MD
Publicado em 17 May 2010 - Última modificação em 06 Feb 2011
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Categoria: Artigos
> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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“Não podemos
balançar uma corda que está presa ao nosso cinto.”
--William Ernest Hocking
A questão do Agnosticismo é de fundamental
importância a qualquer discussão teológica, porque o agnosticismo coexiste de
forma complacente com o amplo espectro de religiões, ao invés de assumir uma
posição teológica separada ou de oposição. Thomas Henry Huxley, o originador
do termo no ano de 1869 EC,
afirmou de maneira clara:
“O Agnosticismo não
é um credo, mas um método, cuja essência reside na aplicação vigorosa de um
único princípio... De forma positiva o princípio pode ser expresso com em
questões do intelecto, seguir sua razão até onde ela puder levá-lo sem outras
considerações. E negativamente, em questões do intelecto, não finja que
conclusões que não são demonstradas ou demonstráveis são incontestáveis.”
A palavra em si, como Huxley parece
tê-la pretendido, não define um conjunto de crenças religiosas, mas ao invés
disso exige uma abordagem racional a todo conhecimento, inclusive aquele vindo
da religião. A palavra “Agnosticismo”, entretanto, se tornou um dos termos
mais mal aplicados em metafísica, tendo desfrutado de uma diversidade de
aplicações.
Em diferentes épocas esse termo foi
aplicado a uma variedade de indivíduos ou subgrupos, diferindo profundamente em
níveis de piedade e sinceridade de propósitos religiosos. Em um extremo
existem os que buscam sinceramente e que ainda não encontraram verdade
substanciada nas religiões com as quais tiveram contato. Mais frequentemente,
entretanto, o desmotivado em relação à religião utiliza o termo para justificar
desinteresse pessoal, tentando dessa forma legitimar o escapismo em relação à responsabilidade
da investigação séria de evidências religiosas.
A definição moderna de “agnóstico”,
como encontrada no Oxford Dictionary of Current English (Dicionário
Oxford de Inglês Atual), não é fiel à explanação de Huxley do termo;
entretanto, não representa o entendimento comum mais moderno e usual da
palavra, que é a de que um agnóstico é uma “pessoa que acredita que a
existência de Deus não é comprovável.” Por essa definição, a visão agnóstica de Deus pode ser aplicada de
forma variada a entidades hipotéticas como gravidade, entropia, zero absoluto,
buracos negros, telepatia mental, dores de cabeça, fome, impulso sexual e a
alma humana - entidades que não podem ser vistas com os olhos ou seguras com as
mãos, mas parecem ser reais e evidentes. Claramente, não ser capaz de ver ou
segurar alguma coisa específica não necessariamente nega sua existência. O
religioso argumenta que a existência de Deus é esse tipo de realidade, enquanto
que o agnóstico defende o direito de tal crença, desde que não sejam exigidos
provas.
Como um aparte, a filosofia de que nada
pode ser provado de forma absoluta parece ter sua origem em Pirro de Élis, um
filósofo da corte grega para Alexandre o Grande, comumente reconhecido como o
“pai do ceticismo”. Embora seja saudável certo nível de ceticismo, até mesmo
uma proteção, a posição extrema adotada por Pirro de Élis é um tanto
problemática. Por quê? Porque o pirronista inveterado
logicamente estimula o cético de ceticismo (ou seja, a pessoa que pensa
normalmente) a fazer a pergunta: “Você alega que nada pode ser conhecido com
certeza... então, como pode estar tão certo?” Os
inimigos da lógica podem criar uma grande confusão pela compilação de paradoxos
e compostos filosóficos. Outro grande perigo é levar
ao abandono da lógica, em favor da decisão pelo desejo. Outro perigo é permitir que a imersão em contorcionismo intelectual
suprima o bom senso.
A humanidade deve reconhecer que se o
bom senso prevalece, detratores teimosos começam a parecer atordoados quando a
maçã cai sobre suas cabeças muitas vezes. Depois de um ponto, aqueles de bom
senso para aceitar intervalos de confiança mínimos (ou valores “P”, como são
conhecidos no campo de análise estatística) começam a esperar por maçãs
maiores, mais altas e mais duras para convencer os pirronistas desafiadores
academicamente ou simplesmente removê-los da equação.
Então, pelo bom senso (e experiência),
a maioria das pessoas aceita quaisquer teorias que pareçam mais razoáveis,
provadas ou não em sentido absoluto. Dessa forma a maioria das pessoas aceita
as teorias da gravidade, entropia, zero absoluto, buracos negros, fome, uma dor
de cabeça do autor e uma fadiga ocular do leitor – e bem fazem. Essas coisas
fazem sentido. Na opinião dos que têm religião, toda a humanidade deve aceitar
também a existência de Deus e do espírito humano, porque a evidência esmagadora
testemunhada nos muitos milagres da criação apóia a realidade do Criador ao
ponto em que o nível de confiança se aproxima do infinito e o valor “P” diminui
para algo menor e mais indefinível que o último dígito de Pi.
Com relação à invenção de T.H. Huxley
do termo “agnóstico”, há uma citação dele explicando-o:
“Toda variedade de
opinião filosófica e teológica estava representada lá (a Sociedade Metafísica)
e se expressava abertamente; a maioria dos meus colegas eram –istas de
um tipo ou de outro; e, por mais gentis e amigáveis que fossem, eu, um homem
sem um rótulo para se revestir, não podia incorrer nos mesmos sentimentos
desconfortáveis que devem ter acometido a raposa histórica quando, após deixar
a armadilha na qual seu rabo permaneceu, se apresentou às suas companheiras
normalmente de rabo longo. Então eu pensei e inventei o que concebi ser o
título apropriado de “agnóstico””.
De acordo com o exposto acima, indivíduos
que se identificam com o rótulo de “agnósticos” devem reconhecer que o termo é
uma invenção moderna que surgiu da crise de identidade de um indivíduo em um
círculo de metafísicos. Aquele que cunhou esse termo se identifica como um
homem sem um rótulo, semelhante a uma raposa sem rabo - ambos implicando a
percepção de certo nível de inadequação pessoal. Qual parte do orgulho desse
homem ele deixou para trás nas mandíbulas de um enigma religioso indecifrável?
Obviamente, Huxley, como muitos metafísicos e teólogos proeminentes ao longo da
história, foi incapaz de encontrar uma categoria doutrinária que se adequasse
ao seu conceito de Deus.
Independentemente das considerações
acima, mesmo se uma pessoa argumentar que Huxley não fez mais do que colocar um
rótulo a uma teologia antiga que antes não tinha nome, a pergunta “E daí?” salta
a sinapse da consciência mais uma vez. Rotular uma teologia não implica
validação ou, mais importante, valor. Se houvesse valor no conceito, uma
pessoa suspeitaria que tivesse sido mencionado antes – como 1.800 anos antes e
nos ensinamentos de um profeta como Jesus. Ainda assim os profetas, Jesus
Cristo incluído, pareciam ter uma mensagem muito diferente, cujo ápice era a
recompensa de fé na ausência de prova absoluta, apesar da
incapacidade de ver a realidade de Deus com os próprios olhos.
Copyright
© 2007 Laurence B. Brown; usado com permissão.
O
excerto acima foi tirado do próximo livro do Dr. Brown, MisGod’ed, que
deve ser publicado junto com a sua continuação, God’ed. Ambos
podem ser vistos no site do Dr. Brown, www.Leveltruth.com O
Dr. Brown pode ser contatado em BrownL38@yahoo.com
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Agnosticismo (parte 2 de 4): Discussão sobre a Afirmação de Huxley
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Descrição:
Este artigo discute a afirmação de Huxley sobre agnosticismo.
Por Laurence B. Brown, MD
Publicado em 24 May 2010 - Última modificação em 24 May 2010
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> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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“De acordo com
Huxley, a palavra foi elaborada como uma antítese ao “gnóstico” da história da
igreja primitiva, e pretendia se opor não apenas ao teísmo e ao Cristianismo,
mas também ao ateísmo e panteísmo. Ele pretendeu uma palavra que cobrisse com
um manto de respeitabilidade não a ignorância sobre Deus, mas a forte convicção
de que o problema de Sua existência é insolúvel. ”
A raposa sem rabo em busca de um “manto
de respeitabilidade?” Assim parece, mas quem o culparia? Era uma época difícil
e confusa – em função do ambiente, muitos intelectuais devem ter ficado muito
frustrados e se imaginado não apenas sem um rabo, mas sem toda a parte
traseira. Em uma época e lugar em que, como Huxley descreve, a escolha, em
termos práticos, era o Cristianismo ou nada, qualquer um que ponderasse sobre
as dificuldades teológicas seria forçado a reconsiderar o voto de filiação a
qualquer clube cristão exclusivo. A invenção do rótulo de “Agnosticismo”
nasceu sem dúvida da frustração de ter que lidar com aqueles cujas doutrinas
podiam ser facilmente desacreditadas por homens e mulheres de intelecto, mas em
um vazio teológico em que a alternativa aceitável ainda não estava presente
para o mundo de língua inglesa. O que podia fazer uma pessoa que acreditava em
Deus, mas não acreditava nas religiões as quais foi exposta? A fuga era a
única alternativa e, ao que parece, foi exatamente isso que Huxley fez. Huxley
cunhou um termo englobando um conceito antigo que deu a todos que lhe prestaram
aliança uma rota de fuga do ambiente acalorado e apinhado da discussão
religiosa em direção ao recanto privado das convicções pessoais.
Ainda assim, embora o termo permitisse
uma válvula de escape popular para aqueles que fugiam da pressão da discussão
religiosa séria na época de Huxley, surge a questão: “O termo tem valor nos
dias atuais?” A verdade do conceito permanece, mas a questão não é se existe
verdade no conceito, mas se existe valor na verdade. Uma pedra tem verdade,
mas qual é seu valor? Muito pouco, sob circunstâncias normais.
Então, por um lado o fator “E daí?”
permanece. Resumir o conceito antigo da questão sobre a falta de provas acerca
de Deus soa muito claro e prático, mas o conceito da impossibilidade de provas
muda a crença de alguém em Deus? Uma pessoa pode abraçar qualquer dos
incontáveis sistemas de crença/descrença ao mesmo tempo em que admite que a
verdade de Deus não pode ser provada. Ainda assim essa admissão não muda a
profundidade da convicção que cada pessoa tem em seu coração e mente.
E a maioria das pessoas sabe disso.
Poucos devotos acreditam que podem dar
suporte à sua religião ou à existência de Deus com provas absolutas e
irrefutáveis. Desafios crescentes por laicos cada vez mais inteligentes e bem
informados têm colocado um fardo impossível da prova sobre o clero das crenças
judaica e cristã, em especial. Perguntas e desafios, que em épocas passadas acarretariam
acusações de heresia como medida prática para suprimir a sedição são agora
lugar comum e merecem respostas. O fato de que as respostas da Igreja a tais
questionamentos desafiam a lógica e a experiência humana resulta no clero não
ter escolha a não ser reverter o desafio para o questionador, na forma da
assertiva: “É um mistério de Deus. Você apenas tem que ter fé.” O questionador
pode responder: “Mas eu tenho fé - tenho fé que Deus pode revelar uma religião
que responderá a todas as minhas perguntas”, para receber o conselho: “Bem,
nesse caso, você tem que ter mais fé.” Em outras palavras, uma pessoa tem que parar de fazer perguntas e se
satisfazer com o discurso do grupo. Mesmo quando não
faz sentido, e mesmo que as escrituras fundamentais ensinem o contrário.
Assim, nos últimos séculos a hierarquia
de muitas seitas judaico-cristãs substituiu a lógica dada por Deus por uma ideologia
gnóstica, que no início (ou seja, o período daqueles que tinham mais
conhecimento) da história do Cristianismo era considerada como seita herética.
O cenário é bizarro; é como dizer: “Aquele forno era um modelo do ano passado. Os
protótipos não funcionaram. De fato explodiram e todos que o usaram foram
queimados até a morte, mas o estamos trazendo de volta porque precisamos do
dinheiro. Mas prometemos que, se você acreditar – quero dizer realmente
acreditar – prometemos que você ficará bem. E se ele de fato
explodir na sua cara, não nos culpe. Você não acreditou o suficiente.” O triste
é que muitas pessoas não estão apenas comprando para si, mas estão separando um
para cada filho.
O esquema geral das coisas é tal que o
clero considerava a fé cristã fundada em conhecimento até que leigos instruídos
passaram a ter mais conhecimento. Por muitos séculos os leigos não tinham
permissão para possuírem Bíblias, tendo a morte como punição. Somente com a
supressão dessa lei, a fabricação do papel na Europa (no século 14), a invenção
da imprensa (meados do século 15), e a tradução do Novo Testamento para o
inglês e alemão (século 16) as Bíblias ficaram disponíveis e acessíveis à
leitura do homem comum. Assim, pela primeira vez, os leigos foram capazes de
ler a Bíblia (nos locais onde estava disponível – a publicação e distribuição
continuaram limitadas por muitas décadas) e de apresentarem desafios racionais
para estabelecer doutrinas baseadas na análise pessoal das escrituras
fundamentais. Quando esses desafios derrotaram os argumentos dos apologistas
da Igreja, a maioria das seitas cristãs fez uma coisa surpreendente - rejeitaram
uma alegação de quase 2.000 anos de que a doutrina devia ser baseada em
conhecimento e instituíram ao invés disso o conceito de salvação através de
orientação espiritual e justificação pela fé. Ênfase particular foi colocada
na suposta virtude de comprometimento cego e irrefletido (e, portanto,
incondicional).
As defesas “espirituais” modernas que
jorram da orientação da nova igreja imitam a “exclusividade mística” herética
dos antigos gnósticos, todas ecoando sentimentos familiares como “Você não entende,
não tem o Espírito Santo dentro de você como eu tenho”, ou “Você só tem que
seguir a sua luz-guia – a minha é firme, direta como laser e brilhante como Xenon,
mas a sua é trêmula e embaçada” ou “Jesus não habita em você como habita em mim.” Sem dúvida essas afirmações apelam ao ego de quem fala ao estilo “Viu como sou
especial?”, mas se alguém insiste na crença com base em caminhos
espiritualmente exclusivos, então sem dúvida outros insistirão em uma discussão
sobre a diferença entre ilusão e realidade. T.H. Huxley, sem dúvida, ficaria
feliz em presidir o debate.
O problema é que alegar exclusividade
mística como a chave para orientação e/ou salvação é alegar que Deus abandonou
de forma arbitrária a criação “não salva” – dificilmente um cenário divino. Não
faz muito mais sentido Deus ter dado a toda a humanidade chance igual de
reconhecer a verdade de Seus ensinamentos? Então aqueles que se submetem às
Suas evidências mereceriam recompensa, enquanto que aqueles que as negam seriam
responsabilizados por não atribuírem reconhecimento, crédito e adoração quando
devido.
Mas infelizmente, a natureza da ilusão
é que os iludidos raramente são capazes de reconhecer os erros de seus
equívocos; a natureza dos gnósticos é semelhante no sentido em que eles tipicamente
estão muito enamorados de sua filosofia, que lhes satisfaz e serve, para
perceber a falsidade de suas bases. E, de fato, é difícil acreditar que o
garçom cuspiu na sopa quando o restaurante é cinco estrelas, o serviço é
refinado e a apresentação é impecável. Aparência e paladar podem ser tão bons
a ponto de desafiar a realidade. Mas é o freguês que considera o portador da
verdade como um estraga-prazeres inconveniente, ao invés de considerá-lo um
benfeitor sincero, que sofrerá com o enjôo provocado pela refeição.
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Agnosticismo (parte 3 de 4): Um Fruto de Religiões Falsas
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Descrição:
Como o conceito de agnosticismo foi formado devido à falta de defesa lógica do Judaísmo e do Cristianismo dos dias atuais.
Por Laurence B. Brown, MD
Publicado em 31 May 2010 - Última modificação em 31 May 2010
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> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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Por que o retorno contemporâneo à
heresia/gnosticismo, com a sanção oficial de tantas instituições religiosas? Bem,
é compreensível. Uma vez que nenhuma defesa lógica do Judaísmo ou Cristianismo
dos dias atuais resiste à pressão da análise das escrituras dos dias de hoje,
essa “exclusividade mística” é a última trincheira de um status quo doutrinal
em rápida desintegração. Já houve atrito significativo em várias seitas
judaico-cristãs. Os fiéis remanescentes são forçados a um “agnosticismo
crente”, mantendo a fé pessoal na existência de Deus e uma doutrina específica
de como abordá-Lo, ao mesmo tempo em que reconhece que essas crenças não podem
ser provadas de forma objetiva.
A Crítica da Razão Pura de Emanuel
Kant, Filosofia do Não Condicionado (1829) de Sir William Hamilton e Princípios
(1862) de Herbert Spencer estabeleceram as bases do conceito e T.H. Huxley o
embalou e popularizou.
Então, o conceito de agnosticismo tem
valor? Voltando à pedra, que só tem valor para aqueles que precisam de uma, o
agnosticismo é prático para aqueles que precisam de um sistema de defesa
teológico. Os que estão satisfeitos com essas discussões religiosas com fins
teológicos se desviam da ameaça do argumento racional com o escudo das defesas
agnósticas. Para todos os outros, é apenas uma pedra. Não muda nada, não faz
nada. Apenas fica lá como a massa impotente e autoevidente que é, ocupando
espaço metafísico.
A análise da religião islâmica encoraja
um pensamento interessante a esse respeito. Os ensinamentos do Islã não
estavam disponíveis na língua inglesa até a tradução francesa de Andre du Ryer
dos significados do Alcorão Sagrado ser traduzida para o inglês por Alexander
Ross em 1649 EC. Essa primeira tradução para a língua inglesa apesar da
intenção obviamente hostil e de estar cheia de imprecisões, convidava a análise
objetiva da religião islâmica. Como o tradutor afirmou na abordagem ao “leitor
cristão”:
“Com tantas seitas
e heresias unidas contra a verdade (o autor se refere ao Cristianismo), pensei
em apresentar as deficiências de Mahomet de modo que ao verem seus
inimigos em sua plenitude, possam estar mais bem preparados para encontrá-los
e, espero, superá-los... O considerarão tão rude e de composição incongruente,
tão cheio de contradições, blasfêmias, discursos obscenos e fábulas
ridículas... Apresento-o tal como é, tomando o cuidado de apenas traduzi-lo do
francês, e embora tenha sido um veneno que infectou uma parte muito grande, mas
enferma, do universo, pode se provar um antídoto, para confirmar a saúde do
Cristianismo.”
Com o preconceito do tradutor claramente
evidente, não é surpresa constatar que a tradução está repleta de erros e
inclinada a exercer pouco impacto positivo na consciência ocidental. George
Sale, sem se impressionar, tentou uma nova tradução dos significados,
criticando Ross como se segue:
“A versão inglesa
não é mais que uma tradução da de Du Ryer, que é muito ruim; quanto a Alexander
Ross, que a fez, por desconhecer profundamente o árabe e não ser um grande
mestre do francês, acrescentou vários erros àqueles de Du Ryer; sem mencionar a
falta de sentido de sua linguagem, que tornaria ridículo um livro melhor.”
Só com a tradução para o inglês de
George Sale em 1734 o mundo ocidental começou a receber os ensinamentos do
Alcorão Sagrado em uma exposição precisa, embora igualmente mal-intencionada.
A perspectiva de George Sale é evidente nas primeiras
páginas de seu discurso ao leitor, com afirmações como:
“Deve ter uma péssima opinião da
religião cristã, ou ser mal informado, quem consegue identificar qualquer
perigo vindo de uma fraude tão manifesta... Mas qualquer que
seja o uso que uma versão imparcial do Alcorão possa ter em outros aspectos, é
absolutamente necessário abrir os olhos daqueles que, a partir das traduções
ignorantes ou injustas que apareceram, tenham desenvolvido uma opinião muito
favorável do original e também nos capacitar para expor de maneira efetiva o
embuste...”
e,
“Os protestantes
sozinhos são capazes de atacar o Alcorão com sucesso e para eles, eu confio, a
Providência reservou a glória de sua derrota.”
A tradução do reverendo J.M. Rodwell,
publicada pela primeira vez em 1861, coincidiu com o surgimento no século
dezenove de estudos orientais no significado científico do termo. E foi
durante esse período de surgimento da consciência islâmica na Europa ocidental
que Huxley apresentou sua proposta de agnosticismo.
Muitos muçulmanos podem ser perguntar
se Huxley tivesse vivido na época atual da “informação” de viagens fáceis,
ampla exposição cosmopolita a pessoas, culturas e religiões, junto com
informação precisa e objetiva da religião islâmica, se sua escolha teria sido
diferente. É um pensamento interessante. O que teria feito um homem que, como
citado anteriormente, afirmou: “Afirmo que se algum grande Poder concordasse em
me fazer pensar sempre o que é verdade e fazer o que é certo, sob a condição de
ser transformado em um tipo de relógio e ser içado toda manhã antes de sair da
cama, eu imediatamente aceitaria a oferta.”
Para esse homem, o cânone abrangente do Islã poderia ter sido
não apenas atraente, mas bem vindo.
Essa seção começou com a assertiva de
que o agnosticismo coexiste com a maioria das religiões de doutrina
estabelecida. Adeptos doutrinários podem ser divididos em subcategorias
funcionais com base nisso. Por exemplo, os cristãos teístas (ortodoxos) que
concebem que a realidade de Deus pode ser provada, os cristãos gnósticos que
concebem o conhecimento da verdade de Deus como reservado à elite espiritual, e
os cristãos agnósticos, que mantém a fé ao mesmo tempo em que admitem a
incapacidade de provar a realidade de Deus. A diferença distinguível entre
esses vários subgrupos não reside na presença na fé, mas nas tentativas de
justificá-la.
Da mesma forma, a maioria das religiões
podem ser subdivididas pela forma em que adeptos individuais tentam justificar
a fé dentro dos limites da doutrina. No final das contas, entretanto, essas
divisões são somente de interesse acadêmico, porque o como ou o por que da
crença não altera a presença da crença, da mesma forma que o como ou o por que
de Deus não altera Sua existência.
Copyright
© 2007 Laurence B. Brown; usado com permissão.
O
excerto acima foi tirado do próximo livro do Dr. Brown, MisGod’ed, que
deve ser publicado junto com a sua continuação, God’ed. Ambos
podem ser vistos no site do Dr. Brown, www.Leveltruth.com O
Dr. Brown pode ser contatado em BrownL38@yahoo.com
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Agnosticismo (parte 4 de 4): Deixando por Menos
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Descrição:
Como a falta de religiões não contaminadas tem levado pessoas a se satisfazerem com meias verdades ou meias mentiras.
Por Laurence B. Brown, MD
Publicado em 07 Jun 2010 - Última modificação em 13 Jun 2010
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Categoria: Artigos
> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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Voltando a Francis Bacon, ele opinou uma vez: “São
péssimos descobridores aqueles que pensam que não há terra, quando não podem
ver nada exceto o mar.” Os crentes diriam aos ateus e agnósticos que Deus existe, sendo
visto ou não, desejado ou não, com provas ou não. Argumentar o contrário seria
apenas uma distração de uma realidade que se apresentará como verdade
incontestável em um dia futuro de alegria para alguns e profundo arrependimento
e horror para outros.
Muitas pessoas não precisam esperar o
Dia do Juízo para chegar a essa conclusão, porque todas as pessoas que enfrentam
tribulações insuperáveis se encontram levadas para a crença porque quando em
circunstâncias desesperadas, para Quem mais as pessoas instintivamente se
voltam a não ser Deus? Embora uns poucos cumpram as promessas de fidelidade
feitas nesses momentos de apelo desesperado, a evidência do juramento permanece
muito depois das promessas feitas a Deus serem deixadas de lado nos recantos da
memória.
Alguém pode ajudar aquele que não é
sincero? Provavelmente não. O conceito de reconhecer Deus e viver em satisfação
a Seus mandamentos somente quando se adequam aos propósitos de alguém, e pelo
tempo que durarem esses propósitos, demonstra uma falta de disposição de se
submeter aos termos de Deus. Veja, por exemplo, a oração patética de Santo
Agostinho: “Da mihi castitatem et continentiam, sed noli modo. (Dá-me
castidade e continência – mas não ainda!)”
Essa é a oração de um “santo”? que por um lado ora a
Deus e por outro não está pronto para deixar as casas de prostituição para o
comprometimento de sua incontinência sexual. Compare isso com as vidas
exemplares dos discípulos de Jesus, que se relata que abriram mão de objetivos
infinitamente mais honrados quando chamados a seguir Jesus Cristo. Esses
homens deixaram suas prioridades mundanas, como seu sustento na pesca e sua
obrigação de enterrar os mortos, quando a verdade chegou até eles, sem adiarem
para um momento de maior conveniência pessoal. Os religiosos podem se inclinar
a dizer: “Esses são os meus tipos de caras!” O entendimento mais importante,
entretanto, é que aqueles parecem ser “os tipos de caras” de Deus.
Claro, isso foi naquela época. Naquela
época os profetas caminhavam sobre a água, curavam os leprosos e convidavam a
humanidade a seguir apenas na imaginação daqueles com uma vista para a
história. Da mesma forma muitas pessoas continuam em busca da verdade de Deus
e, uma vez que a reconheçam, a seguirão imediatamente independente do
sacrifício exigido. Mas primeiro eles precisam conhecer a verdade com
convicção.
Então, qual é o problema? Simplesmente
esse: a informação nunca esteve tão disponível e, ainda assim (pelo menos na
superfície), nunca esteve tão confusa e obstrutiva religiosamente. A maioria
das pessoas foi educada com as ferramentas intelectuais para erradicar e
identificar as inconsistências e falácias das religiões predominantes as quais
estão expostas. Pessoas sinceras em busca da verdade registram certo grau de
experiência em desacreditar várias crenças, algumas das quais são realmente cultos
estranhos, mas a maioria são seitas que alegam serem baseadas em alguma versão
do Velho ou Novo Testamento, mas que divergem de fato dos ensinamentos
fundamentais encontrados neles. Depois de um tempo uma seita começa a se
parecer muito com as outras, muitas vezes tendo apenas diferenças doutrinárias
insignificantes e quase sempre com a mesma base questionável. A maioria dessas
seitas evoluiu para um conglomerado moderno de verdades, meias verdades (ou em
outras palavras, meias mentiras) e sólida ilusão inalterada. O problema é que
misturar a verdade com falsidade é com misturar a beleza com a feiúra – não
funciona. Qualquer religião ou é inteiramente verdadeira ou é impura em algum
nível. E uma vez que Deus não erra – nem ao menos uma vez – se as pessoas não
podem confiar em um elemento daquilo que é apresentado como revelação, como
podem saber em quais ensinamentos confiar? Além disso, muitas das religiões
têm dificuldade em conceber que Deus deixe a humanidade basear a vida futura em
um entendimento impuro Dele.
O problema é que não se pode misturar
verdade com falsidade e continuar a considerar a mistura como tendo se
originado de Deus, tanto quanto uma pessoa não pode misturar encanto e feiúra e
continuar a ganhar concursos de beleza. Coloque uma única verruga
multilobulada e cheia de cabelos (não uma marca de beleza, mas uma verdadeira
marca de feiúra) no meio de qualquer foto de perfeição facial e o que você
consegue? Uma beleza “angelical” pura e inalterada? Ao contrário, o resultado
final é a realidade bem humana de beleza desfigurada.
Coloque a menor das falsidades em uma
religião, que se relata vir de um Deus perfeito e sem falhas e qual é o
resultado? Muitas pessoas sinceras a abandonam. Mas para aqueles que desejam
se apegar ao cânone de um sistema de crenças imperfeito, os apologistas assumem
o papel de cirurgiões plásticos religiosos. Esses apologistas podem ter
sucesso em polir a superfície desigual da escritura através de dermoabrasão
doutrinária, mas qualquer um com percepção reconhece que a genética fundamental
continua imperfeita. Consequentemente, enquanto alguns vêem através das
tentativas fracassadas de justificar o absurdo, alguns seguem de qualquer
jeito.
Entre aqueles que escolhem abraçar a
fé, muitos chegam às suas escolhas através de frustração ao escolherem qualquer
religião que se ajuste melhor ou, no mínimo, ofenda menos. Alguns fazem uma
comunicação telepática com Deus com a finalidade de fazerem o melhor que
puderem, outros repousam confortavelmente em conclusões inseguras. Muitos se
tornam agnósticos com relação às crenças doutrinárias, buscando uma fé pessoal
e interna por falta de exposição a uma crença doutrinária que é pura e
consistentemente divina.
A recusa em comprometer a fé em um Deus perfeito e infalível por uma religião “de comodismo” que possui bases instáveis e
fraqueza doutrinária demonstrável é compreensível – até respeitável. Depois de
gerações de afastamento de tradições familiares, séculos de má orientação
cultural desconcertante e uma vida de propaganda preconceituosa, muitos
ocidentais se tornaram espiritualmente imobilizados. De um lado o conceito
de uma religião pura e imaculada livre de adulterações, corrupções e, em
resumo, da mão suja e falível do engenheiro religioso é muito buscado, mas
difícil de compreender para a consciência ocidental. Por outro lado, muitos
vêem muito claramente as inconsistências de qualquer religião atual baseada no
que o Ocidente é mais familiarizado – as Bíblias judaica e cristã. Alguns
podem permanecer presos nos limites estreitos definidos por esse dilema. Outros
analisam as escrituras bíblicas e reconhecem que assim como o Velho Testamento
predisse a vinda de João Batista, Jesus Cristo e um profeta remanescente, da
mesma forma Jesus Cristo predisse um profeta que o seguiria – um que traria a
mensagem de verdade para esclarecer todas as coisas.
Os adventistas do sétimo dia, os
mórmons e muitas outras seitas cristãs alegam cumprir essa profecia com o
fundador de sua crença. Muitos outros são céticos e continuam buscando. Foi
para esses últimos que esse livro foi escrito.
Copyright
© 2007 Laurence B. Brown; usado com permissão.
O
excerto acima foi tirado do próximo livro do Dr. Brown, MisGod’ed, que
deve ser publicado junto com a sua continuação, God’ed. Ambos
podem ser vistos no site do Dr. Brown, www.Leveltruth.com O
Dr. Brown pode ser contatado em BrownL38@yahoo.com
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