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Preservação da Sunnah por Deus (parte 3 de 7): A Importância e História do Isnad

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Descrição: A série de artigos a seguir discute os meios usados através da história para assegurar que a Sunnah, ou ensinamentos do Profeta Muhammad, permanecessem autenticamente preservados e livres de alterações e interpolações.  Parte 3: A importância e história do Isnad desde os primeiros anos.

  • Por Jamaal al-Din Zarabozo (© 2011 IslamReligion.com)
  • Publicado em 04 Apr 2011
  • Última modificação em 04 Apr 2011
  • Impresso: 185
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Outra ferramenta importante usada na preservação dos hadiths foi o sistema de Isnad que foi desenvolvido exclusivamente pela nação muçulmana.  O sistema de Isnad é onde se afirma as fontes de informação, rastreando aquela narrativa até o Profeta, que a misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele e que Deus o abençoe.

A importância do Isnad foi eloquentemente afirmada por Abdullah ibn al-Mubaarak que disse: “O Isnad é parte da religião. Se não fosse pelo Isnad qualquer um poderia dizer o que quisesse.”[1]  De fato, o Isnad tem sido essencial na separação do hadith autêntico do fraco e na identificação de hadiths fabricados.  Mesmo hoje, ninguém ousa narrar um hadith sem que possivelmente lhe peçam que forneça a fonte daquele hadith.  Ibn al-Mubaarak continuou e disse: “Se perguntar a uma pessoa onde conseguiu o hadith ele será forçado a ficar em silêncio.” O Isnad atuou e atua como um tipo de garantia ou salvaguarda para a autenticidade do hadith.  Os primeiros estudiosos de hadith nem consideravam um hadith se não tivesse um Isnad conhecido.

Com relação à importância do Isnad, Sufyaan al-Thauri (d. 161) disse: “O Isnad é a espada do crente. Sem sua espada, com o que lutará?” Pelo uso do Isnad os estudiosos muçulmanos foram capazes de erradicar (ou “combater”) as inovações que algumas pessoas tentaram introduzir no Islã.  Foi relatado que Muhammad ibn Seereen (d. 110), Anas ibn Seereen, Al-Dhahaak e Uqba ibn Naafi disseram: “Esse conhecimento [do hadith] é a religião. Consequentemente, veja de quem está recebendo sua religião.” [2] Uma vez que a Sunnah forma uma parte essencial do Islã, aceitar hadith de certa pessoa é semelhante a aceitar a religião dela.  Assim, deve-se ter cuidado em somente aceitar a religião de pessoas que são confiáveis e que podem traçar o que foi dito até o Profeta e isso só pode ser feito através do uso do Isnad.

Esse sistema foi uma salvaguarda mais importante que o sistema atual de publicação e direitos autorais.  Hamidullah escreveu:

“Estudiosos modernos citam, em palavras eruditas, as fontes de declarações importantes referentes a fatos. Mas mesmo nos trabalhos mais cuidadosamente documentados, existem dois obstáculos:

(a)  No caso de trabalhos publicados, existe pouca ou nenhuma possibilidade de verificar se existem quaisquer erros de impressão ou outras imprecisões – isso não aconteceria se alguém dependesse de um trabalho somente após ouvi-lo do próprio autor, ou obter uma cópia certificada pelo autor ou ainda - no caso de trabalhos antigos – por aqueles que tiveram a oportunidade de ouvi-lo do autor ou seu transmissor autorizado.

(b)  Hoje em dia é suficiente a fonte imediata, sem muita preocupação em traçar as fontes anteriores daquela fonte e reuni-las em série até a testemunha ocular do evento.  Nos trabalhos de hadith o caso foi diferente...”[3]

Em resumo, pode-se afirmar que o Isnad é um componente essencial de cada hadith, já que sem ele não há meios de verificar a autenticidade da narração.  Abdullah ibn al-Mubaarak certamente falou a verdade quando disse que sem o Isnad qualquer um é livre para dizer o que quiser e alegar que é parte da religião do Islã.[4]  A importância do Isnad é, de fato, muito óbvia e poucos questionaram essa importância.  Mais importante, portanto, é uma discussão de quando o Isnad começou a ser usado porque se fosse um longo tempo após a morte do Profeta seria, de fato, inútil.

Em sua dissertação de PhD, Umar Fullaatah discutiu a história do Isnad detalhadamente.  Devido às limitações de espaço, não é possível apresentar sua discussão em detalhes.  Entretanto, ele chegou às seguintes importantes conclusões:

Com referência a quando o Isnad foi usado pela primeira vez com respeito à transmissão de hadith, ele afirma que, por padrão, os companheiros costumavam usar Isnads, mas como usualmente não havia intermediários entre eles e o Mensageiro de Deus não era óbvio que estavam relatando através do Isnad.  Os companheiros narravam o hadith de uma maneira que deixava claro se o ouviram ou não diretamente do Profeta.  Fullaatah afirma que a vasta maioria dos hadiths dos companheiros foi ouvida diretamente do Mensageiro de Deus.  Sendo assim, o Isnad foi usado pela primeira vez durante a época dos companheiros, embora, possa-se dizer que dificilmente isso fosse notado.



Footnotes:

[1] Citado por Imam Muslim na introdução a seu Sahih no capítulo intitulado “Expounding on the point that the Isnad is part of the religion” (Exposição sobre o ponto que o Isnad é parte da religião)

[2] Citado em Umar ibn Hasan Uthmaan al-Fullaatah, al-Widha fi al-Hadeeth (Damasco: Maktabah al-Ghazzaali, 1981), vol. 2, p. 10.

[3] Muhammad Hamidullah,  Sahifah Hammam ibn Munabbih (Paris: Centre Culturel Islamique, 1979), p. 83.

[4] Somos lembrados do caso de Paulo e das origens de muitas das crenças cristãs. Paulo, claro, nunca encontrou Jesus (que a paz esteja sobre ele).  Ele não podia rastrear seus ensinamentos até Jesus (que a paz esteja sobre ele) e, de fato, ele encontrou oposição de muitos dos próprios companheiros de Jesus que sabiam o que Jesus tinha dito. Infelizmente, a autenticidade histórica e rastreamento de afirmações até seu mestre original, Jesus, é algo que não se desenvolveu verdadeiramente no pensamento cristão. Assim, sua religião se tornou muito distorcida e distante dos verdadeiros ensinamentos de Jesus (que a paz esteja sobre ele).

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