Físicos Contemporâneos e a Existência de Deus (parte 1 de 3): A Eternidade da Matéria
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Descrição:
Uma Avaliação Islâmica Crítica das Idéias de Alguns Físicos Contemporâneos. Parte Um: A eternidade do universo e a decadência da matéria, e as implicações do Big Bang.
Por Dr. Jaafar Sheikh Idris
Publicado em 09 Mar 2009 - Última modificação em 18 Mar 2009
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> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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Deus existir ou não não é tema de
qualquer ciência empírica, natural ou social. Mas os fatos ou o que é às vezes
suposto como fatos das ciências naturais, especialmente física e biologia, são
frequentemente interpretados para apoiar uma visão ou outra. Esse não é,
portanto, um trabalho sobre física, mas sobre a relação entre física e a
questão da existência de Deus. De forma mais específica, é principalmente um
comentário crítico racional islâmico das formas com as quais os ateus modernos
tentam enfrentar o desafio apresentado pela teoria do Big Bang. Não lida com
provas positivas para a existência do Criador, apenas prova a nulidade dos
argumentos usados para apoiar o ateísmo.
Um dos principais argumentos evocados
em suporte de alguma forma ou outra de ateísmo tem sido a alegação de que o
mundo, ou parte dele, é eterno e, como tal, não precisa de criador. Sendo
assim, alguns pensadores gregos acreditavam que os corpos celestes,
especialmente o sul, eram eternos. O principal argumento de um deles, Galeno,
era, de acordo com Al-Ghazali, que o sol tinha tido o mesmo tamanho por várias
eras, um fato que mostra que ele não perece, porque se perecesse, apresentaria
sinais de deterioração, o que não acontece. Al-Ghazali diz que esse não é um
bom argumento por que:
Primeiro... não concedemos que uma coisa não possa perecer exceto
pela deterioração; a deterioração é apenas uma forma de perecimento; mas não é
improvável que algo pereça repentinamente estando em sua forma completa. Segundo,
mesmo que concedamos que não existe perecimento sem deterioração, como ele sabe
que o sol não sofre nenhuma deterioração? Sua referência a postos de
observação não é aceitável, porque suas quantidades [as quantidades conhecidas
por eles] são conhecidas apenas aproximadamente. Então, se o sol, que se diz
ter cento e setenta vezes ou mais o tamanho da terra diminuísse em tamanhos
equivalentes a montanhas, não seria aparente para os sentidos. Então, ele pode
estar se deteriorando, e pode ter diminuído o equivalente ao tamanho de
montanhas ou mais, mas os sentidos não podem perceber...” (Al-Ghazali, 126)
A suposição de Al-Ghazali de que o
tamanho do sol podia estar diminuindo foi, como podemos ver agora, uma
pré-ciência rara do que a ciência provaria. Os cientistas agora nos dizem que
o sol de fato se deteriora, mas muito mais do que ele pensava, e que irá
finalmente perecer.
A quantidade de energia liberada pelo sol é tamanha que a massa do
sol está diminuindo a uma taxa de 4,34 bilhões de quilos por segundo. Ainda
assim é uma fração tão pequena da massa do sol que a mudança é difícil de
notar...
Acredita-se que o nosso sol tenha em torno de 4,5 bilhões de anos e
provavelmente continuará sua atividade presente por outros 4,5 bilhões de anos.
(Wheeler, 596)
Se os corpos celestes não são eternos,
o que é eterno então? As substâncias das quais esses corpos são feitos? Mas os físicos descobriram que eles são
feitos de moléculas. Então são as moléculas que são
eternas? Não, porque são feitas de átomos. E os átomos? Acreditava-se que
eram indivisíveis e, como tal, a matéria imutável da qual todos os tipos de
formas transitórias de coisas materiais são feitas. Isso parecia, pelo menos,
ser a fundação sólida para erguer o ateísmo moderno.
Entretanto, a ciência continuou a
avançar e se satisfez em seu avanço em embaraçar os ateus. Foi logo descoberto
que os átomos não eram os constituintes sólidos imutáveis, definitivos e
eternos da matéria que se acreditou por um tempo. Como tudo o mais, eles
também são divisíveis; são constituídos de partículas subatômicas, que por sua
vez são divisíveis em constituintes ainda menores. Existe um fim a essa
divisibilidade? Ninguém sabe; mas mesmo que exista, não será de nenhuma ajuda
para os ateus, porque a ciência não apenas mostrou que os átomos e seus
constituintes são divisíveis, mas também eliminou a divisão entre matéria e
energia. Sendo assim, qualquer pedaço de matéria, por menor que seja, se
transforma em energia não apenas na teoria mas também na prática, e vice-versa.
O resultado final é que não existe mais qualquer coisa existe que se possa
apontar e dizer com segurança: isso sempre foi como é agora, e continuará a ser
para sempre.
Essa descoberta por si mesma deve ser
suficiente para destruir qualquer esperança de ancorar o ateísmo na eternidade
da matéria. Se não fez isso, a teoria do Big Bang certamente fez. Foi essa
teoria que deu o sopro da morte final para a eternidade de qualquer parte do
universo. Por quê?
Os cosmólogos acreditam que o big bang representa não apenas o
aparecimento de energia e matéria em um vazio preexistente, mas a criação do
espaço e tempo também. O universo não foi criado em espaço e tempo; o espaço e
tempo são parte do universo criado. (Davies, 123)
O maior
mal-entendido sobre o big bang é que ele começou como uma massa de matéria em
algum lugar no vazio do espaço. Não foi apenas matéria que foi criada durante
o big bang. Espaço e tempo foram criados. Então, no sentido
de que o tempo tem um começo, o espaço também tem um começo.” (Boslouh, 46.)
No começo não havia nada, nem tempo nem espaço, nem estrelas ou
planetas, nem rochas ou plantas, nem animais ou seres humanos. Tudo saiu do
vazio. (Fritzch, 3)
A questão da existência ou
não-existência de Deus não é, como dissemos, a preocupação de qualquer ciência
empírica. Mas os cientistas são seres humanos. Não podem deixar de pensar
sobre as implicações não-científicas, mas vitais, de suas ciências. Não podem
evitar terem sentimentos em relação a essas implicações.
Jasrow diz sobre Einstein:
Ele ficou perturbado pela idéia de um universo que explode, porque
isso implicava que o mundo teve um começo. Em uma carta para De Sitter,
Einstein escreveu: “Essa circunstância de um universo em expansão me irrita.” ...
Essa é uma linguagem curiosamente emocional para discussão de algumas fórmulas
matemáticas. Suponho que a idéia de começo no tempo incomodava Einstein por
causa de suas implicações teológicas. (Jasrow, 29.)
Gastro cita reações semelhantes de
outros cientistas, como Eddington, que diz que “a noção de um começo lhe é
repugnante” (122), atribui essa reação emocional ao fato de que não “conseguem
suportar a idéia de um fenômeno natural que não pode ser explicado”
... uma demonstração interessante da resposta da mente científica –
supostamente uma mente muito objetiva – quando evidência descoberta pela
própria ciência leva a conflito com os artigos de fé em nossa profissão. No
final o cientista se comporta como o resto de nós quando nossas crenças estão
em conflito com a evidência. Ficamos irritados, fingimos que o conflito não
existe, ou o ocultamos com frases sem sentido. (Jasrow, 15-16.)
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Físicos Contemporâneos e a Existência de Deus (parte 2 de 3): Uma Série de Causas
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Descrição:
Uma Avaliação Islâmica Crítica das Idéias de Alguns Físicos Contemporâneos. Parte dois: Várias hipóteses do que poderia ser a causa de seres ou eventos.
Por Dr. Jaafar Sheikh Idris
Publicado em 09 Mar 2009 - Última modificação em 18 Mar 2009
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> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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Se a matéria, tempo e espaço tiveram
todos um começo, a pergunta que naturalmente nos vem à mente é: Como vieram a
existir? O Alcorão nos diz que se uma pessoa não acredita em Deus, então ela
não pode explicar a existência de nada exceto através de uma das três
explicações insustentáveis:
a. Ela diz que foi criado por
nada, ou seja, que simplesmente apareceu do nada.
b. que criou a si próprio,
c. Que foi criado por algo que
também é criado.
Se dirigindo aos ateus, o Alcorão diz:
“Porventura, não foram eles criados do nada,
ou são eles os criadores? Ou criaram, acaso, os céus e a terra? Qual! Não se
persuadirão!” (Alcorão 52:35-36)
O Alcorão não está dizendo que os
árabes aos quais se dirigiu de fato acreditavam que as coisas foram criadas do
nada, ou que se auto-criaram. Eles certamente não alegaram serem os criadores
dos céus e da terra; nenhuma pessoa sã faria isso. O Alcorão está apenas
deixando claro para os ateus o absurdo de sua posição.
Depois de um cuidadoso estudo de alguns
dos argumentos de muitos filósofos e cientistas ocidentais ateus, descobri que
eles de fato recaem nessas três categorias insustentáveis? Por que
insustentáveis?
Foi criado do nada?
Suponha que você diga a alguém que não
havia nada, nada mesmo em certa região e então, uau!, um pato apareceu lépido e
fagueiro. Por que esse alguém não acreditaria em você por mais que lhe
assegurasse que esse era de fato o caso? Não apenas ele sabe que patos não
passam a existir dessa forma, como alguns podem supor, mas porque acreditar
nisso viola um princípio essencial de sua racionalidade. Assim, sua atitude
seria a mesma ainda que a coisa que lhe foi dita que veio do nada fosse algo
que ele nunca tivesse ouvido falar. É porque acreditamos que nada vem do nada
que continuamos buscando por causas para explicar a ocorrência de eventos no
mundo natural, social ou psicológico. É por causa desse princípio racional que
a ciência foi possível. Sem ele, não apenas nossa ciência, mas nossa própria
racionalidade estaria em perigo. Além disso, o princípio da causalidade é essencial até para a própria identidade das coisas, como foi observado pelo
filósofo muçulmano Ibn Rushd (Averroes):
É auto-evidente que coisas têm identidades, e têm qualidades devido
ao fato de que cada existente tem suas ações, e devido ao fato de que coisas
têm diferentes identidades, nomes e definições. Se não fosse o caso de que
cada coisa individual tem uma ação peculiar, ela não teria uma natureza que é
peculiar a ela; e se não tivesse uma natureza especial, não teria um nome ou
definição especial. (Tahafut Attahafut, 782-3)
Criou a si próprio?
O absurdo da idéia de algo se auto-criar
é ainda mais claro. Para algo criar, já deve existir; mas para ser criado,
deve ser não-existente. A idéia de algo que se auto-cria se contradiz.
Foi criado por algo que também é criado?
Pode a causa de uma coisa temporal ser
ela própria temporal? Sim, se estamos falando sobre causas imediatas e
incompletas como comer e nutrir, água e germinação, fogo e queimadura, etc. Mas
essas causas são causas incompletas. Primeiro, porque nenhuma delas é por si
suficiente para produzir o efeito que lhe atribuímos; toda causa temporal do
tipo depende de um hóspede de outras condições positivas e negativas para sua
eficácia. Segundo, por serem temporais precisam ser causadas, e não podem ser
as causas supremas da existência de nada. Suponha o seguinte como uma série de
efeitos e causas temporais: C1, C2, C3, C4… Cn, tal que C1 é causado por C2, C2
por C3, e assim por diante. Essas causas temporais são causas reais, e úteis,
especialmente para propósitos práticos e para explicações incompletas; mas se
buscarmos pela causa suprema da existência de, digamos, C1, então C2 certamente
não é a causa, uma vez que ele próprio foi causado por C3. O mesmo pode ser
dito sobre C3, e assim por diante. Então mesmo que tenhamos uma série infinita
dessas causas temporais, ainda assim isso não nos dará a explicação definitiva
da existência de C1. Colocando em outras palavras: quando C1 passa a existir? Somente
depois de C2 ter passado a existir. Quando C2 passa a existir? Somente depois
de C3 ter passado a existir e assim por diante até Cn. Consequentemente, C1
não passará a existir até que Cn tenha passado a existir. O mesmo problema
persistirá mesmo se formos além de Cn, mesmo se formos até o infinito. Isso
significa que se C1 dependesse para sua existência dessas causas temporais, ele
nunca existiria. Não haveria uma séria de causas reais, mas apenas uma série
de não-existentes, como explicou Ibn Taymiyyah.
O fato, entretanto, é que há existente ao nosso redor; portanto, sua causa
suprema deve ser algo diferente de causas temporais; deve ser uma causa eterna
e, portanto, não-causada.
Quando alguém, seja um cientista ou
não-cientista, insiste em suas crenças errôneas em face de todas as evidências,
não pode haver maneira de ele apoiar essas crenças exceto recorrendo a
argumentos dúbios, porque nenhuma falsidade pode ser apoiada por um argumento
válido. Isso pode ser visto com todos os cientistas e filósofos ateus que
acreditam na teoria do Big Bang.
Alguns alegaram de forma impassível que
a matéria original do universo saiu do nada. Dessa forma Fred Hoyle, que
defendia a teoria do estado permanente, que foi por algum tempo considerada uma
rival crível para a teoria do big bang, mas que, como sua rival, necessita da
existência de matéria nova – costumava dizer:
A questão mais óbvia a ser feito sobre a criação contínua é essa: de
onde vem a matéria criada? Não vem de lugar nenhum. O material simplesmente
aparece – é criado. Em um momento os vários átomos que compõem o material não
existem, e em um momento posterior existem. Pode parecer uma idéia muito
estranha e concordo que é, mas em ciência não importa o quão estranha uma idéia
pode parecer desde que funcione – ou seja, desde que uma idéia possa ser
expressa em uma forma precisa e desde que suas consequências estejam de acordo
com observação. (Hoyle, 112)
Quando Hoyle disse isso, houve um
rebuliço contra ele. Foi acusado de violar um princípio fundamental da
ciência, nominalmente o de que nada sai do nada, e que estava ‘abrindo as
comportas da religião’ como um filósofo de ciência colocou. Mario Bunge disse
a esse respeito:
Essa teoria envolve a hipótese da criação contínua da matéria
ex-nihilo (do nada). E isso não é o que geralmente se quer dizer por respeitar
o determinismo científico mesmo no seu sentido mais amplo, porque o conceito de
emergência do nada é caracteristicamente teológico ou mágico mesmo se vestido
em uma forma matemática. (Bunge)
Que a hipótese de criação ex-nihilo não
é científica é verdade, mas a alegação de que é caracteristicamente teológica
passou dos limites. Religiões teístas não dizem que as coisas saíram do nada
absoluto porque contradiz a reivindicação religiosa básica de que são criadas
por Deus. Tudo que muitas pessoas religiosas dizem é que Deus criou as coisas
do nada, e existe uma grande diferença entre as duas noções.
Se a criação do nada era anteriormente
considerada pelos ateus como um princípio teológico e não-científico, agora é
reivindicada por alguns como tendo uma condição científica e é usada para
desacreditar a religião.
Pela primeira vez uma descrição unificada de toda a criação pode
estar dentro de nossa compreensão. Nenhum problema científico é mais
fundamental ou mais intimidador do que o quebra-cabeças de como o universo
passou a existir. Isso pode ter acontecido sem qualquer interferência
sobrenatural? A mecânica quântica parece prover uma saída na antiga suposição
de que ‘você não pode obter algo do nada’. Os físicos agora falam sobre ‘o
universo auto-criado’: um cosmos que surge para a existência espontaneamente,
da mesma forma que uma partícula subnuclear surge de lugar nenhum em certos
processos de alta energia. A questão sobre se os detalhes dessa teoria estão
certos ou errados não é importante. O que importa é que agora é possível
conceber uma explicação científica de toda a criação. (Jastrow, viii)
Que tipo de explicação é essa? Você
realmente começa a explicar algo dizendo que surgiu de lugar nenhum? Os
cientistas realmente acreditam que a partícula subnuclear a que se referem
surge de lugar nenhum, no sentido de que realmente vem do nada, e não tem
relação alguma com qualquer coisa que a preceda? Comentando sobre o que Davies
alegou, um cientista disse: “Isso, em qualquer caso, é um evento que ocorre em
espaço e tempo, dentro de um domínio banhado em matéria e radiação. ‘Nada’ de
modo algum pode ser visto nessa situação...”
A mesma idéia falaciosa é repetida em
um livro posterior por outro cientista ateu, Taylor:
Como tal, existe uma probabilidade não-zero de, digamos, uma
partícula como um elétron aparecer do vácuo. De fato um vácuo é cheio de
possibilidade, uma das quais é o aparecimento do próprio Universo. Foi criado
do nada. (Taylor, 22)
De que tipo de vácuo Taylor está
falando? Se ele estiver usando a palavra em seu sentido científico técnico,
então ele pode de fato falar em ser cheio de possibilidades, ou de um elétron
aparecer dele, porque esse vácuo é de fato uma região não-vazia. Mas isso,
certamente, não é o nada ao qual se refere à teoria do big bang. Não existe,
portanto, nem uma analogia entre o aparecimento de uma partícula em um vácuo e
o aparecimento de um Universo do nada absoluto.
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Físicos Contemporâneos e a Existência de Deus (parte 3 de 3): Espaço para Deus
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Descrição:
Uma Avaliação Islâmica Crítica das Idéias de Alguns Físicos Contemporâneos: Parte três: A única conclusão para as séries de causas é que existe uma causa suprema e externa que leva a todas as outras.
Por Dr. Jaafar Sheikh Idris
Publicado em 09 Mar 2009 - Última modificação em 18 Mar 2009
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> Evidência de que o Islã é a Verdade
> A Existência de Deus
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A idéia de que algo não é criado por
qualquer coisa, que vem do nada, é muito diferente da idéia de que cria a si
próprio. É estranho, portanto, encontrar alguns cientistas que falam como se
fossem a mesma coisa. Não foi apenas Davies que confundiu essas duas noções
como podemos ver na citação apresentada, mas outros também. Taylor nos diz que
elétrons podem criar a si próprios do nada da mesma forma que o Barão de
Munchausen se salvou de afundar em um pântano puxando-se pelo cadarço de suas
botas.
É como se essas partículas especiais fossem capazes de se puxarem
com seus cadarços (que em seu caso seria as forças entre elas) para se criarem
do nada como o Barão de Munchausen se salvou sem esforços visíveis de apoio... Isso
foi proposto como um cenário cientificamente respeitável para criar um Universo
altamente especializado do nada. (Taylor, 46)
É ciência ou ficção científica que
estão nos dizendo? Taylor sabe e diz que a história de Munchausen é apenas uma
história; que o que ele alegou ter feito é de fato algo que é fisicamente
impossível fazer. Apesar disso, Taylor quer explicar através de sua idéia algo
que não apenas é real, mas é de suma importância, e assim termina dizendo algo
que é mais absurdo que a história fictícia de Munchausen de salvar-se puxando o
cadarço de suas botas. Pelo menos Munchausen estava falando sobre coisas que
já existiam. Mas as partículas especiais de Taylor agem até antes de serem
criadas! Elas “se puxam pelos cadarços de suas botas... para se criarem do
nada.”!
Falsos Deuses
A terceira alternativa à atribuição da
criação de coisas ao verdadeiro Deus é atribuí-la a falsos deuses. Assim,
muitos ateus tentam atribuir a criação de coisas temporais a outras coisas que
são elas próprias temporais (como dissemos antes). Davies diz:
A idéia de um sistema físico contendo uma explicação de si próprio
pode parecer paradoxal para o leigo, mas é uma idéia que tem alguma precedência
em física. Embora se possa conceder, (ignorando os efeitos quânticos) que
todo evento é contingente, e depende para sua explicação de algum outro evento,
não é necessário que essa série continue indefinidamente ou termine em Deus. Pode ser fechado em um loop. Por exemplo, quatro eventos, ou objetos, ou sistemas,
E1, E2, E3, E4, pode ter a seguinte dependência um do outro: (Davies, 47)
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Mas é um exemplo claro de um círculo
muito vicioso. Tome qualquer um desses eventos ou objetos ou sistemas
supostos. Que seja E1, e pergunte como surgiu. A resposta é: foi causado por
E4, que o precedeu; mas qual é a causa de E4? É E3; e a causa de E3 é E2, e a
de E2 é E1. Então a causa de E4 é E1 porque é a causa de suas causas. Sendo
assim E4 é a causa de E1 e E1 é a causa de E4 o que significa que cada um deles
precede e é precedido pelo outro. Isso faz algum sentido? Se esses eventos,
etc., são existentes reais, então sua existência não pode ter sido causada por
eles na forma que Davies supõe. Sua causa suprema deve
residir fora desse círculo vicioso.
E o filósofo Passmore nos avisa para
Comparar o seguinte:
(1) todo evento tem uma causa;
(2) para saber que um evento
aconteceu deve-se saber como ele surgiu.
O primeiro simplesmente nos diz que se estamos interessados na causa
de um evento, existirá sempre uma causa para descobrirmos. Mas isso nos deixa
livre para começar e parar em qualquer ponto que escolhermos na busca por
causas; podemos, se quisermos, buscar pela causa da causa e assim por diante,
ad infinitum, mas não precisamos fazê-lo; se tivéssemos encontrado uma causa,
teríamos encontrado uma causa, qualquer que fosse sua causa. A segunda
asserção, entretanto, nunca nos permitiria afirmar que sabemos que um evento
aconteceu... Por que se não pudermos saber que um evento ocorreu a menos que
saibamos o evento que o causou, da mesma forma não podemos saber que a
causa-evento ocorreu a menos que saibamos sua causa, e assim por diante ad
infinitum. Em resumo, se a teoria cumprir sua promessa, as séries devem parar
em algum lugar, e ainda assim a teoria é a de que as séries não podem parar em
qualquer lugar - a menos que uma reivindicação de privilégio seja sustentada
para certo tipo de evento, por exemplo, a criação do Universo. (Pasture, 29)
Se você pensar sobre isso, não existe
diferença real entre essas duas teorias como Ibn Taymiyyah claramente explicou
muito tempo atrás (Ibn Taymiyyah, 436-83). Pode-se colocar a primeira série
assim: para um evento acontecer, sua causa deve acontecer. Se a causa em si é
causada, então o evento não acontecerá a menos que sua causa-evento aconteça, e
assim por diante, ad infinitum. Não teremos, portanto, uma série de eventos
que realmente aconteceu, mas uma série de não-eventos. E porque sabemos que
existem eventos, concluímos que sua causa real suprema não pode ter sido qualquer
coisa temporal ou série de coisas temporais finitas ou infinitas. A causa
suprema deve ser de uma natureza que é diferente daquela das coisas temporais;
deve ser eterna. Por que digo ‘suprema’? Porque, como dito anteriormente, os
eventos podem ser vistos como causas reais de outros eventos, desde que
reconheçamos como incompletos e causas dependentes, e como tal não as causas
que explicam a existência de algo no sentido absoluto, o que significa dizer
que não podem assumir o lugar de Deus.
Qual a relevância dessa conversa sobre
correntes afinal de contas? Deve haver algum pretexto para isso antes do
advento do Big Bang, mas deve ficar claro para Davies em particular que não
existe lugar para ela na visão de mundo de uma pessoa que acredita que o universo
teve um começo absoluto.
O fato de que toda coisa ao nosso redor
é temporal e que não pode ter sido criada exceto por um Criador eterno tem sido
conhecido pelos seres humanos desde a alvorada de sua criação, e continua a
crença da maioria esmagadora das pessoas em todo o mundo.
Seria, portanto, um erro ficar com a impressão de que esse
trabalho atrela a existência de Deus à verdade da teoria do Big Bang. Essa
certamente não é a minha crença, nem foi o propósito desse trabalho. O
objetivo principal do trabalho foi de que se um ateu acredita na teoria do big
bang, então não pode evitar admitir que o Universo foi criado por Deus. Isso,
em fato, é o que alguns cientistas admitem francamente, e o que outros fazem
intimamente com hesitação.
Não existe base para supor que matéria e energia existiam antes e
foram repentinamente galvanizadas em ação. O que distinguiria aquele momento de todos os outros momentos na eternidade? ... É mais simples postular criação ex-nihilo,
a vontade divina constituindo a natureza do nada. (Jastro,122)
Quanto à primeira causa do universo no contexto de expansão,
deixamos que o leitor a insira, mas nosso quadro é incompleto sem Ele. (Jasrow,122)
Isso significa que o estado inicial do universo deve ter sido
escolhido muito cuidadosamente de fato, se o modelo do big bang estava correto
desde o começo dos tempos. Seria muito difícil explicar porque o universo
começou justo dessa forma, exceto como o ato de um deus que pretendeu criar
seres como nós. (Hawking,127)
Referências
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Bunge, Mario, Causality: The Place of the Causal
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Harper Collins, 1993.
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Fritzsch, Harald, The Creation of Matter: The
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(1968.)
Ibn Taymiya, Abu al Abbas Taqiyuddin Ahmad Ibn Abd al
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Muhammad Ibn Saud Islamic University, Riyad, AH 1406 (1986)
Jastrow, Robert, God And The Astronomers, Warner
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Hawking, Stephen, A Brief History of Time,
Hoyle, Fred, The Nature of the Universe, Mentor Books, New York, 1955.
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Newton, Sir Isaac, Optics, Dover Publications
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Pasture, J. A, Philosophical Reasoning, New York, 1961.
Taylor, John, When the Clock Struck Zero: Science's
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