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No Islã, considerar o bem-estar do
“outro” ao invés de apenas o “eu” é uma virtude tão enraizada na religião que é
evidente até mesmo para aqueles fora dela. O advogado britânico humanitário e
defensor de direitos civis, Clive Stafford-Smith, um não-muçulmano, declarou: “O
que eu gosto sobre o Islã é o foco sobre o grupo, que é oposto ao foco do
Ocidente sobre a individualidade.”
Os indivíduos que formam qualquer
sociedade são unidos através de vínculos relacionados a um grupo. O mais forte
de todos os vínculos sociais é o da família. E embora seja justificavelmente
argumentado que a unidade familiar básica seja a fundação de qualquer sociedade
humana, isso é particularmente verdade para os muçulmanos. De fato, o grande
status que o Islã concede ao sistema familiar é exatamente o que com freqüência
atrai muitos novos convertidos ao Islã, particularmente mulheres.
“Com leis para quase todos os aspectos
da vida, o Islã representa uma ordem com base na fé que as mulheres vêem como
crucial para criarem famílias e comunidades saudáveis, e corrigir o dano feito
pelo humanismo secular popular dos últimos 30 anos, dizem vários especialistas.
Além disso, as mulheres de lares desfeitos podem ser especialmente atraídas
para a religião por causa do valor que ele coloca na família, disse Marcia
Hermansen, uma professora de estudos islâmicos na Loyola University em Chicago
e uma americana que também se converteu ao Islã.”
Essa tendência de prezar os valores
familiares tradicionais entre os que se convertem ao Islã é mais predominante entre
latinos da América do Norte ou na comunidade hispânica. Como um dos muçulmanos
da Flórida observou: “Eu tenho visto uma taxa crescente de hispânicos se
convertendo ao Islã. Eu acho que a cultura hispânica em si é muito rica em
termos de valores familiares, e isso é algo que é muito proeminente na religião
do Islã.”
Então, quais são os valores
particulares ou características da vida familiar islâmica que tantos têm achado
atraente?
Em um evento na Universidade Islâmica
de Columbia, Hernan Guadalupe, uma equatoriano-americana: “falou de semelhanças
culturais e valores familiares inerentes aos hispânicos e muçulmanos. Tipicamente,
os lares hispânicos são unidos e devotos, e as crianças são educadas em um
ambiente estrito – características que se assemelham aos lares islâmicos.”
E em um outro relato jornalístico
recente, também foi observado como isso acontece: “Os valores familiares desempenham um papel fundamental na formação
de uma comunidade muçulmana. Por causa desses valores familiares, existem
muitas outras normas que são consistentes dentro da comunidade hispânica e o
Islã; por exemplo, o respeito pelos mais velhos, o casamento e a educação das
crianças, são algumas das tradições que os hispânicos têm em comum com o Islã.”
Alguns convertidos americanos também
têm tido algo a dizer sobre essa experiência, e alguns desses relatos estão
reunidos em um livro escrito pela mãe de uma convertida; Daughters of
Another Path de Carol L. Anway. Uma mulher, citada no livro, falou sobre sua mudança de
atitude em relação ao casamento e a vida familiar após se converter ao Islã. “Eu
fiquei mais limpa e calma a medida que me aprofundei na religião. Eu me tornei
altamente disciplinada. Eu não pretendia casar antes de ser muçulmana, e ainda
assim rapidamente eu me tornei esposa e então mãe. O Islã forneceu uma estrutura
que me permitiu expressar crenças, como modéstia, gentileza e amor, que eu já
tinha. Também me levou à felicidade através do casamento e do nascimento de
dois filhos. Antes do Islã eu não tinha tido vontade de ter minha própria
família, uma vez que eu odiava (a idéia de ter) filhos.”
Uma outra mulher fala de sua aceitação
dentro da família estendida no mesmo livro. “Nós nos encontramos no aeroporto
com uma grande parte da família dele, e foi um momento muito comovente, que eu
nunca esquecerei. Mama (sua sogra) é como um anjo... eu tenho chorado muito,
por causa do que eu vejo aqui. O sistema familiar é muito singular com uma
proximidade que vai além das palavras.”
No Apêndice C do livro, uma americana
convertida de 35 anos, há 14 anos uma muçulmana, escreveu sobre a família de
seu marido e os valores deles em relação aos seus próprios valores americanos. “Eu
encontrei todos os membros da família imediata do meu marido e alguns membros
de sua imensa família estendida...eu aprendi muito com eles. Eles têm um jeito
maravilhoso de se relacionar com suas crianças, uma forma que engendra respeito
pelos outros e muita alta estima. É interessante ver como operam uma criança e
uma cultura orientadas pela religião. Os familiares do meu marido, em contraste
com a cultura americana, têm demonstrado grande apreciação por certos elementos
de minha identidade cultural americana...eu vi que o Islã está certo em dizer
que a moderação é o caminho correto.”
Dessas citações, uma de um intelectual
não-muçulmano, outras de convertidos e jornalistas, e algumas de mulheres
americanas comuns que abraçaram o Islã, podemos ver que os valores familiares
no Islã são um de seus maiores atrativos. Esses valores vêm de Deus e Sua
orientação, através do Alcorão e do exemplo e ensinamentos de Seu Mensageiro,
Muhammad, que Deus o exalte, que indica a unidade familiar como o sustentáculo
da religião e do modo de vida islâmico. A importância de formar uma família é
enfatizada por um dito do próprio Profeta, que disse:
“Quando um homem se casa, ele
cumpre metade de sua religião, então deixem-no temer a Deus em relação à metade
restante.”
(al-Baihaqi)
Os dois artigos que se seguem
discutirão a família no Islã à luz do Alcorão e dos ensinamentos proféticos. Através
de uma breve exploração da abordagem do Islã sobre casamento, respeito pelos
pais e idosos, e a educação das crianças, podemos começar a apreciar os
benefícios da família no Islã.
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