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Moisés não pode acreditar no que via,
apesar de Deus tê-lo avisado de que uma punição severa estava prestes a recair
sobre seu povo por adorarem o bezerro de ouro. O coração de Moisés ficou cheio
de vergonha e raiva. Seu próprio povo tinha testemunhado o poder e majestade
de Deus e, ainda assim, agia beligerantemente e sem medo da punição de Deus.
“Disse-lhe (Deus): Em verdade, em tua
ausência, quisemos tentar o teu povo, e o samaritano logrou desviá-los. Moisés,
encolerizado e penalizado, retornou ao seu povo, dizendo: Ó povo meu, acaso
vosso Senhor não vos fez uma digna promessa? Porventura o tempo vos pareceu demasiado
longo? Ou quisestes que vos açoitasse a abominação do vosso Senhor, e por isso
quebrastes a promessa que me fizestes?” (Alcorão 20:85-86)
Moisés se voltou para seu irmão Aarão;
estava zangado e o agarrou pela barba, ao mesmo tempo puxou Aarão em sua
direção pela cabeça. Gritou com seu irmão exigindo que explicasse por que desobedeceram
as instruções que lhe tinha dado e como tinha permitido As Samiri enganar os
filhos de Israel. Aarão explicou que o povo não o ouviu e estavam prestes a
matá-lo. Apelou a Moisés para não deixar os idólatras separá-los. Aarão não
era tão forte e vigoroso quanto seu irmão e temeu não ser capaz de controlar os
filhos de Israel e, então, esperou o retorno de seu irmão Moisés.
A promessa de Deus é verdadeira e Sua
punição foi rápida. Moisés confrontou As Samiri e o enviou para o exílio.
“Vai-te, pois! Estás condenado a dizer (isso)
por toda vida: Não me toqueis! E terás um destino do qual nunca poderás fugir.
Olha para o teu deus, ao qual estás entregue; prontamente o incineraremos e
então lançaremos as suas cinzas ao mar.” (Alcorão 20:97)
A punição imposta aos idólatras foi
severa.
“E de quando Moisés disse ao seu povo: Ó povo
meu, por certo que vos condenastes, ao adorardes o bezerro. Voltai, portanto,
contritos, penitenciando-vos para o vosso Criador, e imolai-vos mutuamente.
Isso será preferível, aos olhos do vosso Criador. Ele vos absolverá, porque é o
Remissório, o Misericordioso.” (Alcorão
2:54)
Deus é misericordioso e perdoador. Depois
de os filhos de Israel terem se purificado e matado os idólatras entre eles,
Deus aceitou seu arrependimento. Mesmo após sua beligerância e teimosia
contínua, os filhos de Israel mais uma vez sentiram o favor de Deus sobre eles.
Moisés então escolheu 70 homens dentre
os anciões mais devotos dos filhos de Israel. Voltou com eles ao Monte Tur. Era
uma delegação que pretendia se desculpar a Deus por seu comportamento. Ficaram
para trás enquanto Moisés entrou em uma nuvem baixa para falar com Deus. Quando
retornou a eles, ao invés de estarem arrependidos os anciões informaram a
Moisés que não o seguiriam até que vissem Deus com seus próprios olhos.
“Ó Moisés, não creremos em ti até que vejamos
Deus claramente!” (Alcorão 2:55)
O solo tremeu e os setenta homens foram
atingidos por um raio. Caíram ao chão mortos. Moisés ficou atônito. Imediatamente
pensou o que diria aos filhos de Israel. Aqueles setenta homens eram os
melhores do povo; Moisés sentiu que agora os filhos de Israel não tinham
esperança. Voltou-se para Deus.
“Ó Senhor meu, quisesses Tu, tê-los-ias
exterminado antes, juntamente comigo! Porventura nos exterminarias pelo que
cometeram os néscios dentre nós? Isto não é mais do que uma prova Tua, com a
qual desvias quem faz isso, e encaminhas quem Te apraz; Tu és nosso Protetor.
Perdoa-nos e apieda-Te de nós, porque Tu és o mais equânime dos indulgentes!
Concede-nos uma graça, tanto neste mundo como no outro, porque a Ti nos
voltamos contritos. Disse: Com Meu castigo açoito quem quero e Minha clemência
abrange tudo, e a concederei aos tementes (a Deus) que pagam o zakat, e crêem
nos Nossos versículos.” (Alcorão
7: 155-157)
Deus de fato é misericordioso e Sua
misericórdia abrange todas as coisas. Quando Moisés suplicou a Deus, Ele
ressuscitou os setenta anciões mortos. Por muitos anos os filhos de Israel
vagaram no deserto e terras estéreis. O profeta Moisés sofreu muito em suas
mãos. Suportou motim, beligerância, ignorância e idolatria e até lhe
infligiram dano pessoal. Sofreram puramente para agradar a Deus. Depois de
muitos anos o profeta Aarão morreu e Moisés ficou sem seu grande apoiador. Permaneceu
imperturbável; ainda assim continuou no deserto sem nunca alcançar a terra
prometida. Moisés morreu, ainda cercado pelos beligerantes filhos de Israel. Cercado
pelo povo que se recusou a ver os milagres perante seus olhos e, ainda assim,
Deus em Sua misericórdia continuou a dar-lhes chances.
Das tradições do profeta Muhammad, que
Deus o louve, vem o relato da morte do profeta Moisés.
“O anjo da morte foi enviado a Moisés. Quando
chegou, Moisés perfurou-o no olho. O anjo retornou
ao seu Senhor e disse: ‘Tu me enviaste a um servo que não quer morrer.’ Deus
disse: ‘Retorne a ele e diga para colocar a mão no lombo de um boi e para cada
pelo que sair, lhe será concedido um ano de vida.’ Moisés disse: ‘Ó Senhor! O
que acontecerá depois disso?’ Deus respondeu: ‘Depois, a morte.’ Moisés disse:
‘Deixe que venha agora!’ Moisés então pediu a Deus que lhe deixasse morrer
perto da terra prometida, para que ficasse à distância do lance de uma pedra.”
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