A Criação de uma Consciência Ambiental (parte 1 de 4): A Natureza da Natureza
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Descrição:
Antes de podermos verdadeiramente apreciar a relação entre homem e seu ambiente, deve-se primeiro apreciar a relação entre homem e Deus. A essência da criação e a religião primordial do homem.
Por AbdurRahman Mahdi (© 2011 IslamReligion.com)
Publicado em 15 Aug 2011 - Última modificação em 15 Aug 2011
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> O Meio Ambiente
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“A Deus pertence o reino dos céus e
da terra; logo, a Ele retornareis.” (Alcorão 39:44)
O Islã ensina que tudo no universo,
todos os sistemas ecológicos e formas de vida que suportam, são criados e
dependentes de seu Senhor-Deus, o Único e Verdadeiro Deus, Deus. Dessa forma,
seres humanos têm de fato mais em comum com o peixe no mar, os pássaros no céu
e as bestas que rastejam sobre a terra do que com o próprio Deus.
“Não existem seres alguns que andem
sobre a terra, nem aves que voem, que não constituam nações semelhantes a vós. Nada
omitimos no Livro; então, serão congregados ante seu Senhor.” (Alcorão 6:38)
Embora o homem possa estar no
topo da cadeia alimentar, ainda é parte de uma cadeia alimentar, enquanto que
seu Criador não é afetado pela necessidade de se alimentar, buscar abrigo ou se
reproduzir. Aqueles que não vêem essa realidade e que tomam seus pares seres
humanos como objeto de adoração, fariam bem em considerar o seguinte versículo:
“O Messias, filho de Maria, não é
mais do que um mensageiro, do nível dos mensageiro que o precederam; e sua mãe
(Maria) era sinceríssima. Ambos se sustentavam de alimentos terrenos, como todos. Observa como lhes elucidamos os versículos e observa como se
desviam.” (Alcorão 5:75)
Está implícito nesse versículo
o ponto de que se alguém precisa de alimento, ele ou ela também precisa defecar
e urinar para se aliviar de seus resíduos de alimento. Deus está longe de ter
tais necessidades fisiológicas.
“Antes de ti (Ó Muhammad) jamais
enviamos mensageiros que não comessem os mesmo alimentos e caminhassem pelas
ruas...” (Alcorão 25:20)
Em outras palavras, embora os
profetas, seus seguidores e os membros crentes de suas famílias fossem de fato
os melhores e mais virtuosos das criaturas de Deus que caminharam sobre a face
da terra, eles continuavam a ser Suas criaturas, enviadas e totalmente
dependentes Dele para vida, sustento e salvação. Sendo assim, antes de
podermos verdadeiramente apreciar a relação entre homem e seu ambiente, deve-se
primeiro apreciar a relação entre homem e Deus.
Ubudiyya - Servitude ao Deus Único
Os muçulmanos crêem que toda a
criação é criada em um estado natural de submissão ao seu Criador. Ou seja,
como todas as coisas se submetem inerentemente ao Deus Único, o estado natural
de todas as coisas é Islã - por assim dizer. A chita que caça a gazela e a
gazela que foge da chita estão se comportando não apenas como Deus decretou,
mas como Ele ordenou.
“A Ele pertence tudo que está nos
céus e na terra. Tudo Lhe deve
obediência.” (Alcorão 30:26)
Apenas porque a criação segue
precisamente o curso que Deus determinou para ela é que temos equilíbrio e
harmonia no universo, o que é mais comumente conhecido como “as leis da
natureza” ou “a ordem natural do universo”. Essa obediência ao Divino do mundo
ao nosso redor através de ação que está de acordo com a sua natureza imbuída é,
por si só, um estado de servitude e adoração perpétuas.
Várias passagens do Alcorão apontam para essa realidade.
“Não reparas, acaso, em que tudo
quanto há nos céus e na terra glorifica a Deus, inclusive os pássaros, ao
estenderem as suas asas? Cada um está ciente do seu (modo de) orar e louvar. E
Deus é Sabedor de tudo quanto fazem.” (Alcorão 24:41)
“Os setes céus, a terra, e tudo
quanto neles existe glorificam-No. Nada existe que não glorifique os Seus
louvores! Porém, não compreendeis as suas glorificações. Sabei que Ele é
Tolerante, Indulgentíssimo.” (Alcorão
17:44)
“Todo ser que está nos céus e na
terra chegará ao Misericordioso como um servo obediente.” (Alcorão 19:93)
Fitra - A Natureza Primordial do Homem
Os humanos também são criados
com uma disposição islâmica natural, conhecida como fitra. Se
deixados para seguirem sua fitra ou “natureza”, todos os seres humanos seriam
crentes no Tawhid (monoteísmo islâmico), reconhecendo instintivamente seu
Criador e inclinados a adorá-Lo e a realizar boas ações em geral. Deus diz no Alcorão:
“Volta o teu rosto para a religião
monoteísta. É a obra de Deus, sob cuja qualidade inata (fitra) Deus
criou a humanidade. A criação feita por Deus é imutável. Esta é a verdadeira
religião; porém, a maioria dos humanos o ignora.” (Alcorão 30:30)
Portanto, pode ser
justificavelmente argumentado que o Islã e, por extensão, tudo que é considerado
bom, inclusive consciência ambiental, não é algo que necessariamente precise de
doutrinação, mas precisa simplesmente ser despertado do interior da consciência
do homem. Somente então a humanidade estará em sintonia com o resto do
universo. Afinal, toda alma humana que já viveu e que ainda viverá já jurou
pelo menos uma vez ter reconhecido seu Criador.
“E de quando o teu Senhor extraiu das
entranhas dos filhos de Adão os seus descendentes e os fez testemunhar contra
si próprios, dizendo: Não é verdade que sou o vosso Senhor? Disseram: Sim!
Testemunhamo-lo! Fizemos isto com o fim de que no Dia da Ressurreição não
dissésseis: Não estávamos cientes.” (Alcorão 7:172)
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A Criação de uma Consciência Ambiental (parte 2 de 4): Homem - Gerente de Deus sobre a Terra
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Descrição:
O homem, carregando o fardo da responsabilidade moral, é responsável pela utilização dos recursos da terra com a devida consideração - recursos que Deus sujeitou a todas as suas necessidades.
Por AbdurRahman Mahdi (© 2011 IslamReligion.com)
Publicado em 22 Aug 2011 - Última modificação em 22 Aug 2011
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“(Recorda-te ó Profeta) de quando
teu Senhor disse aos anjos: Vou instituir um legatário (califa) na
terra! Perguntaram-Lhe: Estabelecerás nela quem ali fará corrupção, derramando
sangue, enquanto nós celebramos Teus louvores, glorificando-Te? Disse (o
Senhor): Eu sei o que vós ignorais.” (Alcorão 2:30)
A humanidade, através do pai, Adão, foi
enviada a terra como seu califa - um termo que simultaneamente
significa: sucessor, gerente, curador, vice-rei e guardião. Ou seja, o homem
foi tornado responsável pela utilização dos recursos da terá com a devida
consideração, recursos que Deus sujeitou a todas as suas necessidades.
“Deus foi Quem criou os céus e a
terra e é Quem envia a água do céu, com a qual produz os frutos para o vosso
sustento! Submeteu, para vós, os navios que, com a Sua anuência, singram os
mares, e submeteu, para vós, os rios. Submeteu, para vós, o sol e a luz, que seguem os seus cursos;
submeteu para vós, a noite e o dia.” (Alcorão 14:32-33)
“Porventura, não reparais em que Deus vos submeteu tudo quanto há nos céus e na terra, e vos cumulou com as Suas mercês,
cognoscíveis e incognoscíveis? Sem dúvida, entre os humanos, há os que disputam
nesciamente acerca de Deus, sem orientação ou Livro lúcido algum.” (Alcorão 31:20)
Portanto, a terra foi criada
com causa e efeito definidos: facilitar os humanos no cumprimento do propósito
com o qual eles próprios foram criados, adorar e servir seu Criador.
“Não criei os gênios e os humanos,
senão para Me adorarem.” (Alcorão 51:56)
Embora a criação dos céus e da terra seja de
fato maior que a criação da humanidade aos olhos de Deus [ver
Alcorão 40:57], os humanos têm a responsabilidade que os céus e a terra não
têm. De fato, Deus ofereceu confiar aos céus e a terra responsabilidade moral.
Entretanto, eles entenderam o peso do que lhes estava sendo pedido e
respeitosamente declinaram. Adão, entretanto, aceitou carregar a
responsabilidade moral em nome da humanidade. Qual! Ao contrário de seu pai, muitos dos descendentes de Adão foram e são
irresponsáveis, incompetentes e não estão dispostos a permanecerem fiéis às
suas obrigações.
“Por certo que apresentamos a
custódia aos céus , à terra e às montanhas, que se negaram e temeram recebê-la;
porém, o homem se encarregou disso, mas provou ser injusto e insipiente.” (Alcorão
33:72)
Quando o homem desempenha sua
obrigação de forma responsável através da obediência e adoração a Deus de
acordo com sua natureza primordial, obtém a satisfação e recompensa de Deus;
quando não o faz, precisa de Seu perdão. Consequentemente, a única razão para
uma pessoa sucumbir aos desejos falsos e opressivos é porque aquela pessoa se
permitiu ser desencaminhada de sua natureza, se desviando do caminho reto para
uma estrada tortuosa tomada pelo inimigo de Deus e do homem: Satanás.
“Ele (Satanás) disse: E continuou:
Atenta para este, que preferiste a mim! Juro que se me tolerares até o Dia da
Ressurreição, salvo uns poucos, apossar-me-ei da sua descendência!” (Alcorão
17:62)
“Que Deus amaldiçoou. Ele (Satanás)
disse: Juro que me apoderarei de uma parte determinada dos Teus servos, a qual
desviarei, fazendo-lhes falsas promessas. Ordenar-lhes-ei cercear as orelhas do
gado e os incitarei a desfigurar a criação de Deus! Porém, quem tomar Satanás
por protetor, em vez de Deus, Ter-se-á perdido manifestamente, Porquanto (ele)
lhes promete e os ilude; entretanto, as promessas de Satanás só causam
decepções.” (Alcorão 4:118-120)
Assim, após aprender a
realidade mais importante sobre o ambiente natural e nosso lugar nele, que além
da humanidade (e os gênios), toda a criação, animada e inanimada, é
inerentemente obediente a Deus está em harmonia consigo mesma, também
aprendemos como o homem pode recuperar seu estado natural inocente: servindo e
obedecendo a Deus. E dos muitos atos grandes e louváveis de obediência é nos
comportarmos de forma responsável com o mundo ao nosso redor. Um mundo que,
para o propósito desse discurso, pode ser dividido em dois domínios de
princípios ou recursos: os súditos do reino animal e seus habitats naturais.
“Deus foi Quem vos submeteu o mar
para que, com o Seu beneplácito, o singrassem os navios e para que procurásseis
algo de Sua bondade, a fim de que Lhe agradecêsseis. E vos submeteu tudo quanto
existe nos céus e na terra, pois tudo d’Ele emana. Em verdade, nisto há sinais
para os que meditam.” (Alcorão
45:12-13)
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A Criação de uma Consciência Ambiental (parte 3 de 4): Direitos e Injustiças contra os Animais
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Descrição:
O tratamento ético de animais no Islã, do Alcorão e narrações autênticas do profeta Muhammad.
Por AbdurRahman Mahdi (© 2011 IslamReligion.com)
Publicado em 05 Sep 2011 - Última modificação em 05 Sep 2011
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“E Deus criou da água todos os animais;
e entre eles há os répteis, os bípedes e os quadrúpedes. Deus cria o que Lhe
apraz, porque Deus é Onipotente.” (Alcorão 24:45)
Através dos textos revelados do
Islã encontramos que Deus fez os animais desempenharem papéis significativos no
destino de nações. Afinal, no versículo acima somos informados de nossa origem
comum: água.
Na história do povo de Tamud,
por exemplo, nos é dado uma indicação da imposição do Islã em relação ao
tratamento ético de animais ou, mais precisamente, as graves consequências de
maltratá-los. Porque foi somente depois de Tamud abater a camela
milagrosamente enviada a eles por Deus como um sinal, depois de já terem
oprimido a besta ao negá-la água para beber, que Deus destruiu a nação com um
único e poderoso sopro.
“A tribo de Tamud, por suas
transgressões, desmentiu o seu mensageiro e o mais perverso deles se incumbiu
(de matar a camela). Porém, o mensageiro de Deus lhes disse: É a camela de
Deus! Não a priveis da sua bebida! Porém, desmentiram-no e a esquartejaram, pelo que o seu Senhor os
exterminou, pelos seus pecados, a todos por igual.” (Alcorão 91:11-14).
Para melhor apreciar o quão
seriamente o Islã advoga o que em tempos modernos é chamado popularmente de
“direitos dos animais” e o quão seriamente o Islã criminaliza qualquer maltrato
feito aos animais, não é necessário ir além das narrações autênticas (hadiths)
do profeta Muhammad. Nenhum comentário detalhado será necessário já que as
palavras do profeta, geralmente muito carregadas de emoção e empatia de
pássaros e bestas, falam por si mesmas, uma vez que ilustram vividamente a
consideração “humanista” sem precedentes pelas criaturas companheiras do homem.
Dentre os muitos ditos do profeta Muhammad estão:
“Enquanto um homem
caminhava na estrada, foi tomada por uma grande sede. Encontrou um poço,
desceu, bebeu e saiu. Então viu um cão ofegando muito e comendo a terra úmida. Ele
disse: “Esse cão foi tomado pela sede como eu fui.” Então ele desceu (de novo)
no poço e encheu suas meias de couro com água. Segurando suas meias na boca,
saiu do poço e saciou a sede do cão. Consequentemente, Deus agradeceu ao homem
e perdoou seus pecados.” Os Companheiros perguntaram: “Ó mensageiro de Deus!
Seremos realmente recompensados por sermos gentis com os animais?” O Profeta respondeu: “Existe recompensa
pela gentileza com toda criatura viva.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim,
Abu Dawood)
“Uma mulher foi punida por
causa de um gato. Ela o aprisionou até que ele morreu e ela entrou no inferno. Não
o alimentou nem saciou sua sede enquanto o manteve cativo, nem deixou que ele
comesse dos insetos da terra.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim, Ibn Majah)
“Quem matar até mesmo um
pardal sem boa razão, Deus questionará no Dia da Ressurreição.” (Ahmed)
“Não usem criaturas vivas
como alvo.” (Saheeh Muslim)
“Um profeta anterior de
Deus foi picado por uma formiga e, com raiva, ordenou que todo o formigueiro
fosse queimado. Nesse momento Deus censurou esse profeta com as palavras: “Por
que uma formiga o picou, queimaste uma comunidade inteira que Me glorificava.””
(Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)
“Aquele cujo cavalo é uma
fonte de recompensa é quem o mantém no caminho de Deus e o amarra com uma corda
longa em um pasto ou jardim. Essa pessoa receberá uma recompensa igual ao que a
longa corda permite que ele coma no pasto ou jardim. E se o cavalo romper sua
corda e cruzar um ou dois montes, todas as marcas de seus cascos e seu esterco
serão contados como boas ações para seu dono. E se ele passar por um rio e
beber dele, também será considerado como uma boa ação da parte de seu dono.” (Saheeh
Al-Bukhari)
“Não corte o topete de um
cavalo, porque a decência está atrelada ao seu topete; nem sua crina, porque
ela o protege; nem sua cauda, porque é seu mata-moscas.” (Abu Dawud)
“Enquanto um homem
cavalgava em uma vaca, ela se voltou para ele e disse: “Não fui criada com esse
propósito”. Fui criada para o arado.” (Saheeh Al-Bukhari)
Abdullah bin Abbas narrou:
“O mensageiro de Deus
proibiu incitar animais para lutarem entre si.” (Saheeh Al-Bukhari,
Saheeh Muslim, at-Tirmidhi)
Abdur-Rahman bin Abdullah bin Mas‘ud narrou:
“Estávamos em viagem com o
mensageiro de Deus e ele nos deixou por um tempo. Durante sua ausência vimos um
pássaro chamado Hummara com seus dois filhotes e os pegamos. A mãe ficou circulando
sobre nós no ar, batendo angustiada suas asas, quando o profeta voltou e disse:
“Quem magoou esse pássaro pegando seus filhotes”? Devolva-os para ela!” (Saheeh
Muslim)
Jabir bin Abdullah narrou que o
profeta, ao ver um jumento que tinha sido marcado com ferro na face passar por
ele, ficou tão irritado que exclamou:
“Que Deus amaldiçoe quem o
marcou.” (Saheeh Muslim)
A esposa do profeta, Aisha,
narrou: “Estava cavalgando um camelo teimoso e o virei de forma brusca. O
Profeta então me disse:
“Cabe a você tratar os
animais de maneira gentil.” (Saheeh Muslim)
Yahya bin Said narrou:
“O profeta foi visto
limpando a face de seu cavalo com sua túnica. Quando lhe perguntaram por que
estava fazendo isso, ele respondeu: “Noite passada fui repreendido por Deus por
ter negligenciado meu cavalo.” (Muwatta)
Abdullah bin Ja’far mencionou
que quando o profeta passou por algumas crianças que estavam flechando um
carneiro, os recriminou dizendo:
“Não mutilem a pobre
besta.” (an-Nasai)
Até uma leitura superficial das
palavras do profeta acima terão revelado o quanto prejudicar, abusar ou
desfigurar animais carrega uma séria censura nesse mundo e punição severa na
Outra Vida, enquanto que proteger animais e mostrar misericórdia e gentileza
com eles é recompensado por Deus, sendo um caminho para o perdão e expiação de
pecados. Está claro também que o Islã reconhece a dor e o sofrimento sentido e
experimentado pelos animais - físico e psicológico - e como eles
instintivamente reconhecem quando lhes é feita alguma injustiça. De forma
muito notável, o Islã também reconhece os animais como possuidores de
consciência, dignidade natural e até identidades individuais únicas (um pássaro
chamado “Hummara”, um jumento chamado “Uqair” e assim por diante).
“Aplainou a terra para as (Suas)
criaturas.” Na qual há toda a
espécie de frutos, e tamareiras com cachos, E as graníferas, com a sua palha, e
as odoríferas. Assim, pois, quais das mercês de vosso
Senhor desagradeceis?” (Alcorão 55:10-13)
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A Criação de uma Consciência Ambiental (parte 4 de 4): Terra Verde de Deus
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Descrição:
O muçulmano crente como um defensor de consciência ecológica e ambiental.
Por AbdurRahman Mahdi (© 2011 IslamReligion.com)
Publicado em 12 Sep 2011 - Última modificação em 12 Sep 2011
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“Ele possui as chaves do
incognoscível, coisa que ninguém, além d’Ele, possui; Ele sabe o eu há na terra
e no mar; e não cai uma folha (da árvore) sem que Ele disso tenha ciência; não
há um só grão, no seio da terra, ou nada verde, ou seco, que não esteja
registrado no Livro lúcido.” (Alcorão 6:59)
O profeta Muhammad, que a
misericórdia e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse:
“O mundo é verde e belo e
Deus os nomeou guardiões dele.” (Saheeh Muslim)
Manter a terra verde, produtiva
e benéfica para o homem e animais é uma preocupação muito nobre de acordo com o
Islã. Aprendemos do profeta que:
“Aquele entre os crentes
que plantar uma árvore ou semear uma semente e então um pássaro, uma pessoa ou
animal se alimentar deles será considerado uma caridade (pela qual pode esperar
a satisfação e recompensa de Deus).” (Saheeh Al-Bukhari)
Plantar vegetação é uma tarefa
virtuosa aos Olhos de Deus e é encorajada mesmo que seja o ato final de uma
pessoa na Terra. O Profeta disse:
“Mesmo que o Dia do Juízo
chegue, se algum de vocês tiver um broto de tamareira na mão, deve plantá-lo.” (Ahmad)
Quanto à questão de quem tem
direitos sobre pastagem e os outros recursos que são vitais para a
sobrevivência e bem estar da humanidade, o profeta explicitamente declarou:
“As pessoas são parceiras
em três coisas: água, pastagem e (combustível para) fogo.” (ibn Maajah)
É disposto no Islã que se os
recursos vitais da terra não forem compartilhados equitativamente as sociedades
serão polarizadas entre os que têm e os que não têm. Portanto, aqueles
muçulmanos que se encontram em controle de provisões além de suas necessidades
são encorajados a serem caridosos e misericordiosos em relação aos menos
favorecidos por um lado e censurados por entesouramento e desperdício por
outro. Em qualquer caso, a instituição islâmica obrigatória do zakat
(caridade aos pobres), a proibição de riba (usura em todas as suas
formas perversas) e o sistema econômico ético do Islã em geral, todos asseguram
que a lacuna entre ricos e pobres não permaneça insuperável ou, em qualquer
caso, seja altamente porosa.
“Ele foi Quem vos criou pomares, com
plantas trepadeiras ou não, assim como as tamareiras, as sementeiras, com
frutos vários sabores, as oliveiras e as romãzeiras, semelhantes (em espécie) e
diferentes (em variedade). Comei de seus frutos, quando frutificarem, e pagai
seu tributo, no dia da colheita, e não vos excedais, porque Deus não ama os
perdulários.” (Alcorão 6:141)
A causa do desenvolvimento
sustentável - a habilidade das gerações atuais se desenvolverem sem comprometer
as necessidades de gerações futuras - está em completa harmonia com os
ensinamentos do Islã. Hoje, menos de 25 por cento da população do mundo
consome mais de 75 por cento dos recursos do mundo. É uma apropriação
indevida, mau uso, abuso e uso excessivo dos recursos mundiais que causa
consumo insustentável de recursos. Quanto aos culpados desse abuso, para eles
haverá uma severa e merecida reprimenda na Outra Vida, como foi aludido pelo
profeta quando disse:
“(Entre os)... três tipos
de pessoas com quem Deus, no Dia da Ressurreição, não trocará palavras nem
olhará... está aquele que possui água em excesso e a recusa a outros. Deus lhe
dirá: “Hoje recusarei a você Minha graça como recusou a outros o excesso do que
não tinhas criado.” (Saheeh Al-Bukhari)
“Ele foi Quem vos designou legatários
na terra e vos elevou uns sobre outros, em hierarquia, para testar-vos com tudo
quanto vos agraciou. Teu Senhor é Destro no castigo, conquanto seja Indulgente,
Misericordiosíssimo.” (Alcorão
6:165)
Em realidade, a perda acelerada
da biodiversidade, a destruição de habitats naturais, a poluição e dano de
ecossistemas e o dano, degradação e a erosão ambiental geral, sem falar na
opressão em larga escala sofrida por muitos dos habitantes do mundo, são todos
sinais manifestos de corrupção e vilania na terra.
“Se ao menos houvesse, entre as
gerações que vos precederam, alguns sensatos que proibissem a corrupção na
terra, como o fizeram uns poucos do que havíamos salvado! Mas os iníquos se
entregaram às suas concupiscências e foram pecadores.” (Alcorão 11:116)
Se o homem falha em seu dever e
responsabilidade em relação a Deus, que é maior que ele, como se pode esperar
que seja zeloso e responsável com o que considera inferior a ele próprio? Se
existe ingratidão com o Criador, como o homem pode mostrar gratidão em relação
ao seu semelhante - quanto mais aos animais da terra? Se um homem pouco se
importa com a balança dos seus bons atos perante Seu Senhor, por que esperar
que se importe com a balança do mundo ao seu redor?
“E por ter acreditado que jamais compareceria (ante
Nós)! Pois sim! Em verdade, seu Senhor o via.” (Alcorão 84:14-15)
Assim, deixe que toda a
humanidade preste atenção! Porque com certeza é verdade que colhemos o que
plantamos. Tudo que fazemos na vida nos revisitará depois de nossa morte; nós,
os seres humanos que tivemos toda a terra e suas criaturas subjugadas para uma
causa justa. Apenas esse fato deve nos fazer responsáveis em nossa preparação
para aquele dia fatídico, o Dia do Juízo.
“Quando a terra executar o seu tremor
predestinado e descarregar os seus fardos, O homem dirá: Que ocorre com ela? - Nesse
dia, ela declarará as suas notícias.” (Alcorão 99:1-4)
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