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O Islã é criticado por permitir a
poligamia porque a cultura popular no Ocidente vê a poligamia como uma prática
relativamente atrasada e empobrecedora. Para muitos cristãos, é uma licença
para promiscuidade e feministas a consideram uma violação dos direitos das
mulheres e humilhante para as mulheres. Um ponto crucial que precisa ser
entendido é que para os muçulmanos os padrões de moralidade não são estabelecidos
pelo pensamento ocidental predominante, mas por revelação divina. Deve-se ter
em mente alguns fatos simples antes de falar de poligamia no Islã.
O Islã Não Iniciou a Poligamia
O Islã não introduziu a poligamia. Entre
todas as nações orientais da antiguidade a poligamia era uma instituição
reconhecida. Entre os hindus a poligamia prevaleceu desde os tempos antigos. Não
havia, como entre os antigos babilônios, assírios e persas, restrição em
relação ao número de esposas que um homem podia ter. Embora Grécia e Roma não
fossem sociedades poligâmicas, a concubinagem era a norma. O Islã regulou a poligamia ao
limitar o número de esposas e trazer responsabilidade à sua prática. De fato,
de acordo com David Murray, um antropólogo, historicamente a poligamia é mais
comum que a monogamia.
A Poligamia Praticada pelos Profetas de Deus
Os grandes patriarcas hebreus
igualmente reverenciados pelo Judaísmo, Cristianismo e Islã – Abraão, Moisés,
Jacó, Davi e Salomão, para mencionar uns poucos –foram polígamos. De acordo
com a Bíblia:
Abraão teve três esposas (Gênesis 16:1,
16:3, 25:1)
Moisés teve duas esposas ((Êxodo 2:21,
18:1-6; Números 12:1)
Jacó teve quatro esposas (Gênesis
29:23, 29:28, 30:4, 30:9)
Davi teve pelo menos 18 esposas (1
Samuel 18:27, 25:39-44; 2 Samuel 3:3, 3:4-5, 5:13, 12:7-8, 12:24, 16:21-23)
Salomão teve 700 esposas (1 Reis 11:3).
O exemplo de Jesus, que ignorou a
poligamia, é irrelevante uma vez que ele não se casou durante seu ministério
terreno.
Casamento no Islã
O casamento é um arranjo legal no Islã,
não um sacramento como no Cristianismo, e é garantido com um contrato. O
casamento islâmico estipula direitos e responsabilidades correspondentes para
cada cônjuge. Crianças nascidas no matrimônio têm legitimidade e compartilham
a herança de seus pais.
O propósito básico do casamento no Islã
é regular a sexualidade dentro do casamento e criar uma atmosfera para a
continuidade e expansão da família. Isso contrasta profundamente com as
tendências crescentes em relação ao casamento no Ocidente. Nas décadas
recentes passaram a existir muito mais alternativas ao casamento. A coabitação
– viver juntos fora do casamento – tem aumentado muito entre adultos jovens e
que nunca se casaram e também entre divorciados. Mais mulheres americanas
estão tendo filhos fora do casamento, ignorando a seqüência tradicionalmente
sancionada de casamento seguido pela procriação.
A escritura muçulmana, o Alcorão, é a
única escritura conhecida no mundo a explicitamente limitar a poligamia e colocar
restrições estritas em sua prática:
“... podereis desposar duas, três ou quatro das que vos
aprouver, entre as mulheres. Mas, se temerdes não poder ser
equitativos para com elas, casai, então, com uma só.” (Alcorão 4:3)
O Alcorão limitou em quatro o número
máximo de esposas. No início do Islã aqueles que tinham mais de quatro esposas
na época de abraçar a religião tiveram que divorciar as esposas extras. O Islã
também reformou a instituição da poligamia ao exigir tratamento igual para
todas as esposas. Não é permitido ao muçulmano diferenciar entre suas esposas
em relação ao sustento e despesas, tempo dedicado e outras obrigações dos
maridos. O Islã não permite que um homem se case com outra mulher se não for
justo em seu tratamento. O Profeta Muhammad proibiu a discriminação entre as
esposas ou entre os filhos tidos com elas.
Além disso, o casamento e a poligamia
no Islã são uma questão de consentimento mútuo. Ninguém pode forçar uma mulher
a casar com um homem casado. O Islã simplesmente permite a poligamia, não a
força e nem a exige. Uma mulher também pode estipular que o seu marido não se
case com outra mulher em seu contrato prenupcial. O ponto que é frequentemente
mal-compreendido no Ocidente é que as mulheres em outras culturas - especialmente
a africana e a islâmica - não necessariamente vêem a poligamia como um sinal de
degradação das mulheres. Consequentemente, igualar a poligamia com a
degradação das mulheres é um julgamento etnocêntrico de outras sociedades.
Embora vejamos a clara permissibilidade
da poligamia no Islã, sua prática real é muito rara nas sociedades muçulmanas.
Alguns pesquisadores estimam que não mais de 2% dos homens casados praticam a
poligamia. A maioria dos homens muçulmanos sentem que não podem arcar com as
despesas de manter mais de uma família. Mesmo os que são financeiramente
capazes de cuidar de famílias adicionais geralmente relutam devido ao peso
psicológico de lidar com mais de uma esposa. Pode-se dizer com segurança que o
número de casamentos poligâmicos no mundo muçulmano é muito menor que o número
de casos extraconjugais no Ocidente.
Em outras palavras, contradizendo a noção predominante, os homens no mundo
muçulmano hoje são mais estritamente monogâmicos que os homens no mundo
ocidental.
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