Uma Breve História do Islã (parte 1 de 5): O Profeta do Islã
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Descrição:
A vida pregressa do Profeta antes de sua missão profética e um vislumbre de sua missão em Meca.
Por Ismail Nawwab, Peter Speers, e Paul Hoye (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 23 Mar 2009 - Última modificação em 19 Apr 2009
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> Resumo
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Em torno do ano 570 a criança que seria chamada de Muhammad e que se tornaria o Profeta de uma das maiores religiões
mundiais, o Islã, nasceu de uma família que pertencia ao clã dos Coraixitas,
uma tribo governante de Meca, uma cidade na região do Hijaz no noroeste da Arábia.
Originalmente o local da Caaba, um templo de origens antigas, Meca tinha, com o
declínio do sul da Arábia, se tornado um centro importante de negócios do
século seis com poderes como os sassânidas, os bizantinos e os etíopes. Como
resultado a cidade foi dominada por famílias de comerciantes poderosos, entre
os quais os homens dos Coraixitas se sobressaíam.
O pai de Muhammad, “Abd Allah ibn” Abd
al-Muttalib, morreu antes de o menino nascer; sua mãe, Aminah, morreu quando
ele tinha seis anos. O órfão foi então colocado aos cuidados de seu avô, o
chefe do clã dos Hashimitas. Após a morte de seu avô, Muhammad foi criado por
seu tio, Abu Talib. Como era de costume, o menino Muhammad foi enviado para
viver por um ano ou dois com uma família beduína. Esse costume, seguido até
recentemente por famílias nobres de Meca, Medina, Taif e outras cidades do
Hijaz, teve implicações importantes para Muhammad. Além de suportar as
dificuldades da vida no deserto, ele adquiriu um gosto pela linguagem rica tão
amada pelos árabes, sendo o discurso a arte da qual mais se orgulhavam, e
também aprendeu a paciência e indulgência dos pastores, cuja vida de solidão
inicialmente compartilhou, e então passou a compreender e apreciar.
Por volta do ano 590, Muhammad, então
na casa dos vinte anos, passou a prestar serviços a uma comerciante viúva
chamada Khadija como seu agente comercial, envolvido ativamente com caravanas
de comércio para o norte. Algum tempo depois ele se casou com ela e teve dois
filhos, dos quais nenhum sobreviveu, e quatro filhas.
Quando estava na casa dos quarenta anos
ele começou a se afastar para meditar em uma caverna no Monte Hira, fora de
Meca, onde os primeiros grandes eventos do Islã ocorreram. Um dia, enquanto
estava sentado na caverna, ouviu uma voz, posteriormente identificada como a do
anjo Gabriel, que lhe ordenou:
“Recite: Em nome do teu Senhor que te criou,
criou o homem de um coágulo de sangue.” (Alcorão 96:1-2)
Por três vezes Muhammad alegou sua
incapacidade para fazê-lo, mas cada vez a ordem se repetiu. Finalmente
Muhammad recitou as palavras que são agora os primeiros cinco versículos do
capítulo 96 do Alcorão – palavras que proclamam Deus como o Criador do homem e
Fonte de todo o conhecimento.
Inicialmente Muhammad divulgou sua
experiência apenas para sua esposa e seu círculo imediato. Mas, à medida que
mais revelações o exortavam a proclamar a unicidade de Deus universalmente,
seus seguidores cresceram, primeiro entre os pobres e os escravos, mas depois,
também entre os homens mais proeminentes de Meca. As revelações que recebeu na
época e aquelas que recebeu depois estão todas incorporadas no Alcorão, a
Escritura do Islã.
Nem todos aceitaram a mensagem de Deus
transmitida através de Muhammad. Até em seu próprio clã havia aqueles que
rejeitavam seus ensinamentos e muitos comerciantes se opuseram ativamente à
mensagem. A oposição, entretanto, serviu meramente para aguçar o sentido de
missão de Muhammad, e seu entendimento de como exatamente o Islã diferia do
paganismo. A crença na Unicidade de Deus era suprema no Islã; a partir disso
tudo o mais deriva. Os versículos do Alcorão enfatizam a unicidade de Deus,
alertam àqueles que a negam da punição iminente, e proclamam Sua compaixão
irrestrita com aqueles que se submetem à Sua vontade. Afirmam que o Último
Julgamento, quando Deus, o Juiz, colocará na balança a fé e as obras de cada
homem, recompensando o crente e punindo o transgressor. Como o Alcorão
rejeitava o politeísmo e enfatizava a responsabilidade moral do homem, em
imagens poderosas, ele apresentava um grave desafio para os habitantes mundanos
de Meca.
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Uma Breve História do Islã (parte 2 de 5): A Hégira
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Descrição:
A Hégira, ou migração, dos muçulmanos para Medina, e destaques dos desafios dos primeiros dias da residência do Profeta lá.
Por Ismail Nawwab, Peter Speers, e Paul Hoye (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 23 Mar 2009 - Última modificação em 23 Mar 2009
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> Resumo
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Depois de Muhammad ter pregado
publicamente por mais de uma década, a oposição a ele alcançou um nível tão
alto que, temeroso pela segurança de seus adeptos, enviou-os para a Etiópia. Lá,
o governante cristão lhes ofereceu proteção, memória que tem sido apreciada
pelos muçulmanos desde então. Mas em Meca a perseguição piorou. Os seguidores
de Muhammad eram assediados, abusados e até torturados. Por fim, setenta dos
seguidores de Muhammad partiram, obedecendo a suas ordens, para a cidade de
Yathrib, ao norte, na esperança de estabelecerem uma nova etapa do movimento
islâmico. A cidade foi posteriormente chamada de Medina (“A Cidade”). Mais
tarde, no início do outono de 622, ele, com seu amigo mais próximo, Abu Bakr
al-Siddiq, partiu para se unir aos emigrantes. Esse evento coincidiu com o
plano dos líderes de Meca para matá-lo.
Em Meca os conspiradores chegaram à
casa de Muhammad e descobriram que seu primo, Ali, havia tomado seu lugar na
cama. Enraivecidos, os mecanos colocaram um preço na cabeça de Muhammad e
partiram em sua perseguição. Muhammad e Abu Bakr, entretanto, tinham se
refugiado em uma caverna, onde se esconderam de seus perseguidores. Pela
proteção de Deus, os mecanos passaram pela caverna sem notá-la e Muhammad e Abu
Bakr seguiram para Medina. Lá foram recebidos com alegria por uma multidão de
medinenses, e também de mecanos que tinham ido na frente para preparar o
caminho.
Essa foi a Hijrah – em português,
Hégira – que é geralmente traduzida, de forma equivocada, como “Revoada” – a
partir da qual a era muçulmana é datada. De fato a Hijrah não foi uma revoada,
mas uma migração cuidadosamente planejada que marca não somente uma interrupção
na história – começo da era islâmica, mas também para Muhammad e os muçulmanos,
um novo estilo de vida. Daqui em diante o princípio organizacional da
comunidade não era o de mero laço de sangue, mas a irmandade maior de todos os
muçulmanos. Os homens que acompanharam Muhammad na Hijrah foram chamados de Muhajirun
– “aqueles que fizeram a Hijrah” ou os “Emigrantes” – enquanto que aqueles em
Medina que se tornaram muçulmanos foram chamados de Ansar, ou
“Ajudantes.”
Muhammad estava bem informado sobre a
situação em Medina. Antes da Hijrah vários de seus habitantes vieram a Meca
para oferecer a peregrinação anual, e como o Profeta costumava aproveitar essa
oportunidade para chamar para o Islã os peregrinos visitantes, o grupo que veio
de Medina ouviu seu chamado e aceitou o Islã. Também convidaram Muhammad a se
estabelecer em Medina. Depois da Hijrah as qualidades excepcionais de Muhammad
impressionaram tanto os habitantes de Medina que as tribos rivais e seus
aliados se uniram quando, em 15 de março de 624, Muhammad e seus apoiadores se
movimentaram contra os pagãos de Meca.
A primeira batalha, que ocorreu próximo
de Badr, agora uma pequena cidade ao sul de Medina, teve vários efeitos
importantes. Em primeiro lugar, as forças muçulmanas, excedidas em número em
três vezes, expulsaram os mecanos. Segundo, a disciplina exibida pelos
muçulmanos colocou os mecanos a par, talvez pela primeira vez, das habilidades
do homem que tinham expulsado de sua cidade. Terceiro, uma das tribos aliadas
que tinha prometido apoio aos muçulmanos na Batalha de Badr, mas que então se
mostrou indiferente quando a batalha começou, foi expulsa de Medina um mês após
a batalha. Aqueles que alegaram ser aliados dos muçulmanos, mas tacitamente se
opunham a eles, foram então advertidos: fazer parte da comunidade impunha a
obrigação de apoio total.
Um ano depois os mecanos revidaram. Reuniram
um exército de três mil homens e encontraram os muçulmanos em Uhud, um monte
fora de Medina. Depois dos sucessos iniciais, os muçulmanos foram repelidos e
o próprio Profeta foi ferido. Como os muçulmanos não tinham sido completamente
derrotados, os mecanos, com um exército de dez mil homens, atacaram Medina
novamente dois anos depois, mas com resultados muito diferentes. Na Batalha
das Trincheiras, também conhecida como a Batalha dos Confederados, os
muçulmanos conquistaram uma vitória importante ao introduzirem uma nova forma
de defesa. No lado de Medina a partir do qual o ataque era esperado, cavaram
uma trincheira muito profunda para a cavalaria mecana transpor sem se expor aos
arqueiros postados atrás das fortificações. Depois de um cerco inconclusivo os
mecanos foram forçados a se retirarem. A partir daí Medina ficou inteiramente
nas mãos dos muçulmanos.
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Uma Breve História do Islã (parte 3 de 5): A Conquista de Meca
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Descrição:
A última parte da residência do Profeta em Medina, do Tratado de Hudaybiyyah, a Conquista de Meca, até sua morte.
Por Ismail Nawwab, Peter Speers, e Paul Hoye (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 30 Mar 2009 - Última modificação em 30 Mar 2009
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> Resumo
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A Constituição de Medina – sob a qual
os clãs que aceitaram Muhammad como o Profeta de Deus formaram uma aliança, ou
federação – data desse período. Mostrou que a consciência política da
comunidade muçulmana tinha alcançado um ponto importante; seus membros se definiram
como uma comunidade separada de todas as outras. A Constituição também definiu
o papel de não-muçulmanos na comunidade. Os judeus, por exemplo, eram parte da
comunidade; eram dhimmis, povo protegido, enquanto obedecessem a suas
leis. Isso estabeleceu um precedente para o tratamento de povos dominados
durante as conquistas posteriores. Cristãos e judeus, a partir do pagamento de
uma taxa nominal, tinham direito à liberdade religiosa e, embora mantendo sua
condição de não-muçulmanos, eram membros associados do estado muçulmano. Essa
posição não se aplicava aos politeístas, que não podiam ser tolerados dentro de
uma comunidade que adorava o Deus Único.
Ibn Ishaq, um dos primeiros biógrafos
do Profeta, diz que foi por volta desse período que Muhammad enviou cartas aos
governantes da terra – o rei da Pérsia, o Imperador de Bizâncio, o Négus da
Abissínia, e o governador do Egito entre outros – convidando-os a se submeterem
ao Islã. Nada ilustra melhor a confiança da pequena comunidade, apesar de seu
poder militar, a despeito da batalha da Trincheira, continuar insignificante. Mas
sua confiança não inapropriada. Muhammad construiu de forma tão efetiva uma
série de alianças entre as tribos que, em 628, ele e quinze mil seguidores
foram capazes de exigir acesso à Caaba. Isso foi um marco na história dos
muçulmanos. Apenas pouco tempo antes Muhammad tinha deixado a cidade de seu
nascimento para estabelecer um estado islâmico em Medina. Agora estava sendo tratado por seus antigos inimigos como um líder em pleno direito.
Um ano depois, em 629, ele reentrou e, de fato, conquistou Meca, sem
derramamento de sangue e em um espírito de tolerância, que estabeleceu um ideal
para conquistas futuras. Ele também destruiu os ídolos na Caaba, para por um
fim às práticas pagãs. Na mesma época, Amr ibn al-’As, o futuro conquistador
do Egito, e Khalid ibn al-Walid, a futura “Espada de Deus,” aceitaram o Islã e
prestaram aliança a Muhammad. Suas conversões foram especialmente notáveis
porque esses homens estavam entre os maiores oponentes de Muhammad pouquíssimo
tempo antes.
Em um sentido o retorno de Muhammad à
Meca foi o clímax de sua missão. Em 632, apenas três anos depois,
repentinamente ficou doente e em 8 de junho daquele ano, na presença de sua
terceira esposa Aisha, o Mensageiro de Deus “morreu com o calor da lua.”
A morte de Muhammad foi uma perda
profunda. Para seus seguidores esse homem simples de Meca era muito mais do
que um amigo querido, muito mais do que um administrador talentoso, muito mais
do que um líder reverenciado que havia forjado um novo estado a partir de
bandos de tribos rivais. Muhammad também era o exemplo dos ensinamentos que
tinha trazido de Deus: os ensinamentos do Alcorão, que, por séculos, guiaram o
pensamento e ação, a fé e conduta, de inumeráveis homens e mulheres, e que introduziram
uma era inconfundível na história da humanidade. Sua morte, entretanto, teve
pouco efeito na sociedade dinâmica que criou na Arábia, e nenhum efeito em sua
missão central: transmitir o Alcorão para o mundo. Como disse Abu Bakr: “A
quem adorava Muhammad, deixe-o saber que Muhammad está morto, mas a quem
adorava a Deus, deixe-o saber que Deus vive e não morre.”
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Uma Breve História do Islã (parte 4 de 5): O Califado de Abu Bakr e Umar
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Descrição:
O Califado, ou sucessão, de Abu Bakr e Umar, dois dos mais proeminentes dos companheiros do Profeta, a propagação do Islã e a política externa islâmica em relação aos habitantes das terras conquistadas.
Por Ismail Nawwab, Peter Speers, e Paul Hoye (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 06 Apr 2009 - Última modificação em 06 Apr 2009
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> Resumo
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Com a morte de Muhammad, a comunidade
muçulmana se viu diante do problema da sucessão. Quem seria seu líder? Havia
quatro pessoas obviamente marcantes para a liderança: Abu Bakr al-Siddiq, que
não apenas tinha acompanhado Muhammad à Medina dez anos antes, mas também sido
apontado para tomar o lugar do Profeta como líder das orações públicas durante
a última doença de Muhammad; Umar ibn al-Khattab, um companheiro confiável e
capaz do Profeta; Uthman ibn ‘Affan, um respeitado convertido do início do
Islã, e Ali ibn Abi Talib, primo e genro de Muhammad. Sua virtude e habilidade
para governar as questões da nação islâmica eram uniformemente excelentes. Em
um encontro ocorrido para decidir a nova liderança, Umar pegou a mão de Abu
Bakr e deu sua aliança a ele, o sinal tradicional de reconhecimento de um novo
líder. Até o anoitecer todos concordaram e Abu Bakr foi reconhecido como o
califa de Muhammad. Califa é uma palavra que significa “sucessor”, mas também
sugere qual seria seu papel histórico: governar de acordo com o Alcorão e a
prática do Profeta.
O califado de Abu Bakr foi curto, mas
importante. Um líder exemplar viveu de maneira simples, cumprindo assiduamente
suas obrigações religiosas, e era acessível e solidário com seu povo. Mas
também se manteve firme quando algumas tribos, que tinham aceitado o Islã
apenas nominalmente, renunciaram a ele após a morte do Profeta. No que foi uma
realização de maior significância, Abu Bakr os disciplinou rapidamente. Posteriormente
consolidou o apoio das tribos dentro da Península Arábica e subsequentemente
canalizou suas energias contra os poderosos impérios do Oriente: os sassânidas
na Pérsia e os bizantinos na Síria, Palestina e Egito. Em resumo, demonstrou a
viabilidade do estado muçulmano.
O segundo califa, Umar – nomeado por
Abu Bakr – continuou a demonstrar essa viabilidade. Adotando o título de Amir
al-Muminin, ou Comandante dos Crentes, Umar estendeu o governo temporal do Islã
até a Síria, Egito, Iraque e Pérsia no que, do ponto de vista puramente
militar, foram vitórias surpreendentes. Dentro de quatro anos após a morte do
Profeta o estado muçulmano tinha se estendido sobre toda a Síria e, em uma
famosa batalha durante uma tempestade de areia próxima ao rio Yarmuk,
enfraqueceu o poder dos bizantinos – cujo governante, Heráclito, havia recusado
pouco tempo antes o chamado para aceitar o Islã.
Ainda mais surpreendente, o estado
muçulmano administrou os territórios conquistados com uma tolerância quase
desconhecida naquela época. Em Damasco, por exemplo, o líder muçulmano, Khalid
ibn al-Walid, assinou um tratado que diz o seguinte:
Isso é o que Khalid ibn al-Walid concede aos habitantes de Damasco
se adentrar a cidade: promete dar-lhes a segurança de suas vidas, propriedades
e igrejas. Sua cidade não será demolida, nem qualquer muçulmano se aquartelará
em suas casas. Damos a eles o pacto de Deus e a proteção de Seu Profeta, dos
califas e dos crentes. Enquanto pagarem o tributo, nada exceto o bem recairá
sobre eles.
Essa tolerância era típica do Islã. Um
ano depois de Yarmuk, Umar, no campo militar de al-Jabiyah nas Colinas de Golã,
recebeu a palavra de que os bizantinos estavam prontos a entregar Jerusalém. Consequentemente,
ele cavalgou até lá para aceitar a rendição em pessoa. De acordo com um relato, ele entrou na cidade sozinho e vestido em um manto simples,
surpreendendo a massa acostumada às vestimentas suntuosas e cerimoniais da
corte dos bizantinos e persas. Surpreendeu-os ainda mais quando acalmou seus
temores ao negociar um tratado generoso no qual lhes disse: “Em nome de Deus...
vocês têm total segurança para suas igrejas, que não devem ser ocupadas ou
destruídas pelos muçulmanos.”
Essa política se provou bem sucedida em
todos os lugares. Na Síria, por exemplo, muitos cristãos que tinham se
envolvido em ásperas disputas teológicas com as autoridades bizantinas - e
perseguidos por elas - deram as boas vindas à chegada do Islã como um fim à
tirania. E no Egito, que Amr ibn al-As tomou dos bizantinos após uma ousada
marcha através da Península do Sinai, os cristãos coptas não somente deram as
boas vindas aos árabes, mas os ajudaram de forma entusiástica.
Esse padrão foi repetido em todo o
Império Bizantino. O conflito entre gregos ortodoxos, monofisitas sírios,
coptas e cristãos nestorianos contribuíram para o fracasso dos bizantinos –
sempre considerados como intrusos – em desenvolverem apoio popular, enquanto
que a tolerância que os muçulmanos demonstraram em relação aos cristãos e
judeus removeu a causa primária para opô-los.
Umar também adotou essa atitude em
questões administrativas. Embora tenha nomeado governadores muçulmanos para as
novas províncias, as administrações bizantinas e persas existentes foram
mantidas sempre que possível. Por cinquenta anos, de fato, o grego permaneceu
o idioma de chancelaria da Síria, Egito e Palestina, enquanto que o Pahlavi, o
idioma de chancelaria dos sassânidas, continuou a ser usado na Mesopotâmia e
Pérsia.
Umar, que serviu como califa por dez
anos, terminou seu governo com uma vitória significativa sobre o Império Persa.
A luta com o reino sassânida começou em 686 em al-Qadisiyah, próximo de
Ctesifonte no Iraque, onde a cavalaria muçulmana tinha lidado de forma bem
sucedida com os elefantes usados pelos persas como um tipo de tanques
primitivos. Agora com a Batalha de Nihavand, chamada de a “Conquista das
Conquistas”, Umar selou o destino da Pérsia; dali em diante se tornou uma das
províncias mais importantes no Império Islâmico.
Seu califado foi um ponto alto no
início da história islâmica. Foi famoso por sua justiça, ideais sociais,
administração e arte de governar. Suas inovações deixaram uma marca permanente
sobre o bem-estar social, tributos, e a estrutura financeira e administrativa
do império em desenvolvimento.
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Uma Breve História do Islã (parte 5 de 5): O Califado de Uthman ibn Affan
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Descrição:
A eleição, governo e caráter do terceiro califa do Islã.
Por Amatullah Abdullah (editado por IslamReligion.com)
Publicado em 13 Apr 2009 - Última modificação em 13 Apr 2009
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Eleição de Uthman
Umar ibn Al-Khattab, o segundo califa do
Islã, foi esfaqueado por um servo persa, Abu Lu’lu’ah, um mágico persa,
enquanto liderava a oração de Fajr. Enquanto Umar estava deitado em seu leito
de morto, as pessoas à sua volta pediram que apontasse seu sucessor. Umar
nomeou um comitê de seis pessoas para escolherem o próximo califa entre eles.
Esse comitê consistia de Ali ibn Abi
Talib, Uthman ibn Affan, Abdur-Rahman ibn Awf, Sad ibn Abi Waqqas, Az-Zubayr
ibn Al-Awam, e Talhah ibn Ubayd Allah, que estavam entre os eminentes
Companheiros do Profeta, que Deus envie Seus louvores sobre ele, e tinham
recebido durante suas vidas as boas novas do Paraíso.
As instruções de Umar eram que o Comitê
de Eleição escolhesse o sucessor dentro de três dias, e que ele assumisse o
posto no quarto dia. Como dois dias se passaram sem uma decisão, os membros
ficaram ansiosos já que o tempo estava passando rápido e não havia uma solução
à vista para o problema. Abdur-Rahman ibn Awf ofereceu abrir mão de sua
reivindicação se os outros concordassem em aceitar sua decisão. Todos concordaram
em deixar que Abdur-Rahman escolhesse o novo califa. Ele entrevistou cada
nomeado e saiu por Medina perguntando às pessoas sua escolha. Finalmente
selecionou Uthman como o novo califa, já que a maioria das pessoas o escolheu.
Sua Vida como um Califa
Uthman viveu uma vida simples mesmo
após se tornar um líder do estado islâmico. Teria sido mais fácil para um
homem de negócios bem sucedido como ele levar uma vida luxuosa, mas ele nunca
teve esse objetivo nesse mundo. Seu único objetivo era provar o prazer da vida
futura, já que sabia que este mundo é um teste e temporário. A generosidade de
Uthman continuou após se tornar califa.
Os califas eram pagos por seus serviços
do tesouro, mas Uthman nunca recebeu qualquer salário por seu serviço ao Islã.
Não apenas isso, mas também desenvolveu um costume de libertar escravos toda
sexta-feira, cuidar de viúvas e órfãos, e fazer caridade ilimitada. Sua
paciência e tolerância estavam entre as características que fizeram dele um
líder bem-sucedido.
Uthman teve muitas realizações durante
seu reinado. Levou adiante a pacificação da Pérsia, continuou a defender o
estado muçulmano contra os bizantinos, acrescentando o que hoje é a Líbia ao
império, e conquistou a maior parte da Armênia. Uthman também, através de seu
primo Mu'awiyah ibn Abi Sufyan, o governador da Síria, estabeleceu uma marinha
árabe que lutou uma série de importantes confrontos com os bizantinos.
Da maior importância para o Islã,
entretanto, foi a compilação de Uthman do texto do Alcorão como revelado ao
Profeta. Ao perceber que a mensagem original de Deus poderia ser
inadvertidamente distorcida por variantes textuais, ele nomeou um comitê para
coletar os versículos canônicos e destruir as edições variantes. O resultado
foi o texto que é aceito até o dia de hoje em todo o mundo muçulmano.
Oposição e o Fim
Durante seu califado Uthman enfrentou
muita hostilidade de muçulmanos novos e nominais nas novas terras islâmicas,
que começaram a acusá-lo de não seguir o exemplo do Profeta e dos califas que o
precederam em questões relacionadas ao governo. Entretanto, os Companheiros do
Profeta sempre o defenderam. Essas acusações nunca o modificaram. Permaneceu
decidido a ser um governante misericordioso. Mesmo durante a época em que seus
inimigos o atacaram, ele não usou os fundos do tesouro para proteger sua casa
ou a si próprio. Como imaginado pelo Profeta Muhammad, os inimigos de Uthman
dificultaram seu governo ao se oporem a ele e fazerem acusações de forma
constante e incansável. Seus oponentes finalmente conspiraram contra ele,
cercaram sua casa e encorajaram as pessoas a matá-lo.
Muitos de seus conselheiros pediram a
ele para parar o ataque, mas ele não o fez, até que foi morto enquanto recitava
o Alcorão exatamente como o Profeta havia predito. Uthman morreu como um
mártir.
Anas ibn Malik narrou o seguinte:
“O Profeta uma vez escalou a
montanha de Uhud com Abu Bakr, Umar e Uthman. A montanha estremeceu com eles. O
Profeta disse (à montanha): ‘Fique firme, Ó Uhud! Porque sobre você existe um
Profeta, alguém confiável que me apoiou desde o início e dois mártires.’” (Saheeh
al-Bukhari)
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