Proteção Ambiental no Islã (parte 1 de 7): Uma Introdução Geral
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Descrição:
Uma introdução geral à atitude do Islã em relação ao universo, recursos naturais e a relação entre homem e natureza.
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 25 Apr 2011 - Última modificação em 19 Feb 2012
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Categoria: Artigos
> Sistemas no Islã
> O Meio Ambiente
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Deus criou tudo nesse universo na devida
proporção e medida, tanto quantitativa quanto qualitativamente. Deus declarou
no Alcorão:
“Em verdade, criamos todas as coisas
predestinadamente.” (Alcorão 54:49)
“...com Ele tudo tem sua medida apropriada.” (Alcorão
13:8)
“E elevou o firmamento e estabeleceu a
balança da justiça.” (Alcorão 55:7)
No universo existe uma enorme
diversidade e variedade de formas e funções. O universo e seus vários
elementos atendem ao bem-estar humano e são evidência da grandeza do Criador;
Ele é Quem determina e ordena todas as coisas e não existe nada que Ele criou
que não celebre e declare Seus louvores.
“Não reparas, acaso, em que tudo quanto há
nos céus e na terra glorifica a Deus, inclusive os pássaros, ao estenderem as
suas asas? Cada um está ciente do seu (modo de) orar e louvar. E Deus é Sabedor
de tudo quanto fazem.” (Alcorão
24:41)
Cada coisa que Deus criou é um sinal
extraordinário, cheio de significado; apontando além de si para a glória e grandeza
de seu Criador, Sua sabedoria e Seus propósitos.
“Foi Ele Quem vos destinou a terra por leito,
traçou-vos caminhos por ela, e envia água do céu, com a qual faz germinar
distintos pares de plantas. Comei e apascentai o vosso gado! Em verdade, nisto há sinais para os sensatos.” (Alcorão 20:53-54)
Deus não criou nada nesse universo em
vão, sem sabedoria, valor e propósito. Deus diz:
“E não criamos os céus e a terra e tudo
quanto existe entre ambos para Nos distrairmos. Não os criamos senão com
prudência.” (Alcorão 44:38-39)
Sendo assim, a visão islâmica revelada
no Alcorão é de um universo imbuído de valor. Todas as coisas no universo são
criadas para servir ao Único Senhor Que sustenta todas elas através umas das
outras e Que controla os ciclos milagrosos da vida e da morte:
“Deus é o Germinador das plantas graníferas e
das nucleadas! Ele faz surgir o vivo do morto e extrai o morto do vivo. Isto é
Deus! Como, pois, vos desviais?” (Alcorão 6:95)
Vida e morte são criadas por Deus para
que Ele possa ser servido através de boas ações.
“Bendito seja Aquele em Cujas mãos está a
Soberania, e que é Onipotente; Que criou a vida e a morte, para testar quem de
vós melhor se comporta - porque é o Poderoso, o Indulgentíssimo.” (Alcorão
67:1-2)
Todos os seres criados são
criados para servir ao Senhor de todos os seres e na execução de seus papéis
determinados em uma sociedade projetada de forma coesiva, eles se beneficiam
mais mutuamente nesse mundo e no outro. Isso leva a uma simbiose cósmica (takaful).
O bem comum universal é um princípio que permeia o universo e uma implicação
importante da Unicidade de Deus, porque se pode servir ao Senhor de todas as
coisas trabalhando pelo bem comum.
O homem é parte desse universo, de fato
elementos que se complementam mutuamente em um todo integrado. O homem é uma
parte distinta do universo e tem uma posição especial entre suas outras partes. A relação entre homem e universo, como
definida e explicada no Glorioso Alcorão e nos ensinamentos proféticos, é a
seguinte:
·
Uma relação de meditação, consideração e
contemplação do universo e o que ele contém.
·
Uma relação de utilização e desenvolvimento
sustentável e emprego para benefício do homem e atendimento de seus interesses.
·
Uma relação de cuidado e proteção porque as boas
ações do homem não estão limitadas ao benefício da espécie humana, mas se
estendem ao benefício de todos os seres criados e “existe uma recompensa por
fazer o bem a todas as coisas vivas.” (Saheeh Al-Bukhari)
A sabedoria de Deus determinou a
administração (khilafa) da terra aos seres humanos. Sendo assim, além
de ser parte da terra e do universo, o homem também é o executor das injunções
e mandamentos de Deus. Ele é somente um gerente da terra e não um
proprietário; um beneficiário e não um dirigente ou mandante. O céu e a terra
e tudo que contêm pertencem somente a Deus. Ao homem foi concedida a
administração para gerenciar a terra de acordo com os propósitos pretendidos
por seu Criador; para usá-la para seu próprio benefício e em benefício de
outros seres criados e para o cumprimento de seus interesses e dos outros. Está
assim encarregado de sua manutenção e cuidado e deve usá-la como um curador,
dentro dos limites ditados por sua custódia. O Profeta declarou:
“O mundo é belo e verdejante e,
verdadeiramente, Deus, seja Ele exaltado, os fez Seus gerentes nele e Ele vê
como se comportam.” (Saheeh Muslim)
Todos os recursos dos quais a vida
depende foram criados por Deus como uma custódia sob nosso cuidado. Ele
ordenou o sustento para todas as pessoas e para todas as coisas vivas.
“E sobre ela (a terra) fixou
firmes montanhas, e abençoou-a e distribuiu, proporcionalmente, o sustento aos
necessitados, em quatro dias.” (Alcorão 41:10)
Assim, no Islã a utilização desses
recursos é o direito e privilégio de todas as pessoas e todas as espécies. Portanto,
o homem deve tomar todas as precauções para assegurar os interesses e direitos
de todos os outros, uma vez que são parceiros iguais na terra. Da mesma forma,
ele não deve considerar isso como restrito a uma geração em detrimento de todas
as outras gerações. É, ao contrário, uma responsabilidade conjunta na qual
cada geração usa e faz o melhor uso da natureza, de acordo com sua necessidade,
sem interromper ou afetar de forma adversa os interesses de gerações futuras. Consequentemente,
o homem não deve abusar, utilizar mal ou distorcer os recursos naturais uma vez
que cada geração tem direito a se beneficiar deles, mas não tem o direito de se
“apropriar” deles no sentido absoluto.
O direito de utilizar e se beneficiar
de recursos naturais, que Deus concedeu ao homem, necessariamente envolve uma
obrigação da parte do homem de conservá-los tanto quantitativa quanto
qualitativamente. Deus criou todas as fontes de vida para o homem e todos os
recursos da natureza que ele precisa, para que possa perceber objetivos como
contemplação e adoração, habitação e construção, utilização sustentável e
desfrute e apreciação de beleza. Como consequência, o homem não tem direito de
provocar a degradação do ambiente e distorcer sua adequação intrínseca para a
vida e assentamento humanos. Nem tem ele o direito de explorar ou usar os
recursos naturais imprudentemente de maneira a prejudicar as bases alimentares
e outras fontes de subsistência para os seres vivos ou expô-los à destruição e
poluição.
Embora a atitude do Islã com o meio
ambiente, fontes de vida e recursos naturais seja baseada em parte na proibição
do abuso, também é baseada na construção e desenvolvimento sustentáveis. Essa
integração do desenvolvimento e conservação de recursos naturais é clara na
idéia de levar vida a terra fazendo-a florescer através da agricultura, cultivo
e construção. Deus diz:
“...Ele foi Quem vos criou a terra e nela vos
enraizou.” (Alcorão 11:61)
O Profeta declarou:
“Se qualquer muçulmano planta uma
árvore ou semeia um campo, e um humano, pássaro ou animal se alimenta disso,
será contado como caridade para ele.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)
“Se alguém planta uma árvore,
nenhum ser humano ou qualquer das criaturas de Deus comerão dela sem que seja
contado como caridade para esse alguém.”
“Se o dia da ressurreição chegar
para algum de vocês com uma muda na não, que a plante.”
A abordagem do Islã em relação ao uso e
desenvolvimento dos recursos da terra foi apresentado por Ali ibn Abi-Talib, o
quarto califa, a um homem que tinha desenvolvido e reivindicado uma terra
abandonada:
“Partilhe dela com alegria,
enquanto for um benfeitor e não um espoliador; um cultivador e não um
destruidor.”
Essa atitude positiva envolve adotar
medidas para melhorar todos os aspectos da vida: saúde, nutrição e as dimensões
psicológicas e espirituais, para o benefício do homem e manutenção de seu
bem-estar, assim como o aprimoramento da vida para todas as gerações futuras. Como
é mostrado nas declarações proféticas acima, o objetivo da conservação e
desenvolvimento do meio ambiente no islã é para o bem universal de todos os
seres criados.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 2 de 7): Conservação de Recursos Naturais Básicos
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Descrição:
Os papéis religioso e social de cada criatura no universo criam uma balança e equilíbrio que demandam sua preservação.
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 02 May 2011 - Última modificação em 02 May 2011
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> O Meio Ambiente
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Em todo o universo o cuidado divino por
todas as coisas e a sabedoria que permeia os elementos da criação podem ser
percebidos, atestando o Sábio Criador. O glorioso Alcorão deixou claro que
cada coisa e toda criatura no universo, conhecida ou não pelo homem, desempenha
duas funções principais: uma função religiosa na medida em que evidencia a
presença, infinita sabedoria, poder e graça do Criador e uma função social, a
serviço do homem e outros seres criados.
A sabedoria de Deus determinou que Suas
criaturas se servissem mutuamente. A medida e distribuição divinamente
designadas de todos os elementos e criaturas, cada qual desempenhando seu papel
predestinado e valioso, compõem o equilíbrio dinâmico através do qual a criação
é mantida. Exploração exagerada, abuso, mau uso, destruição e poluição de
recursos naturais são transgressões contra o esquema divino. Como interesses
pessoais de visão limitada tendem sempre a tentar os homens a interromper o
equilíbrio dinâmico estabelecido por Deus, a proteção de todos os recursos
naturais de abuso é um dever mandatório.
No esquema divino em que todas as
criaturas são feitas para se servirem mutuamente, a sabedoria de Deus fez todas
as coisas a serviço da humanidade. Mas em lugar nenhum Deus indicou que foram
criadas apenas para servirem os seres humanos. Ao contrário, os estudiosos
legais muçulmanos mantêm que o serviço do homem não é o único propósito para o
qual foram criadas. Com relação ao que Deus disse:
“Deus foi Quem criou os céus e a terra e é
Quem envia a água do céu, com a qual produz os frutos para o vosso sustento! Submeteu,
para vós, os navios que, com a Sua anuência, singram os mares, e submeteu, para
vós, os rios. Submeteu, para
vós, o sol e a luz, que seguem os seus cursos; submeteu para vós, a noite e o
dia. E vos agraciou com tudo
quanto Lhe pedistes. E se contardes as mercês de Deus, não podereis
enumerá-las. Sabei que o homem é iníquo e ingrato por excelência.” (Alcorão 14:32-34)
... e versículos semelhantes nos quais
Deus declara que criou Suas criações para os filhos de Adão; é bem sabido que
Deus em Sua grande sabedoria exaltou seus propósitos além do serviço ao homem e
propósitos maiores que o serviço ao homem. Entretanto, deixa claro para os
filhos de Adão quais benefícios existem nessas criaturas e que graças concedeu
à humanidade.”
Mesmo as funções societais de todas as
coisas são de importância vital, sendo que a função primária de todos os seres
criados como sinais de seu Criador constitui a base legal mais sólida para a
conservação do meio ambiente. Não é possível basear a proteção de nosso meio
ambiente somente em nossas necessidades por seus serviços, uma vez que esses
serviços têm apenas valor e motivo de apoio.
Como não podemos estar cientes de todas
as funções benéficas de todas as coisas, basear nossos esforços de conservação
somente nos benefícios ambientais para o homem levaria inevitavelmente à
distorção do equilíbrio dinâmico estabelecido por Deus e ao mau uso de Sua criação,
prejudicando assim esses mesmos benefícios ambientais. Entretanto, quando
baseamos a conservação e proteção do meio ambiente em seu valor como sinal de
seu Criador, não podemos omitir nada. Cada elemento e espécie têm seu papel
único e individual a desempenhar na glorificação de Deus e em fazer o homem
conhecer e compreender seu Criador mostrando-lhe, através de sua existência e
usos o poder, sabedoria e misericórdia infinitos de Deus. É impossível tolerar
a ruína e perda intencionais de quaisquer dos elementos e espécies básicos da
criação ou pensar que a existência continuada do restante é suficiente para nos
levar a contemplar a glória, sabedoria e poder de Deus em todos os aspectos
pretendidos. De fato, as espécies diferem em suas qualidades especiais e cada
uma evidencia a glória de Deus de maneiras que lhes são únicas.
Além disso, todos os seres humanos e
também o gado e a vida selvagem, têm o direito de compartilhar nos recursos da
terra. O abuso do homem de qualquer recurso, como água, ar, terra e solo e
também de outras criaturas vivas como plantas e animais é proibido e é
prescrito o melhor uso de todos os recursos, vivos ou não.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 3 de 7): A Conservação de Elementos Naturais Básicos - Água
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Descrição:
O papel da água no meio ambiente e a injunção islâmica para conservação desse elemento vital e fundamental à preservação e continuação da vida.
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 02 May 2011 - Última modificação em 02 May 2011
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> O Meio Ambiente
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Deus fez da água a base e origem da
vida. Deus diz:
“...criamos todos os seres vivos da água...” (Alcorão
21:30)
Plantas, animais e o homem dependem
todos da água para sua existência e para a continuação de suas vidas. Deus
disse:
“...na água que Deus envia do céu, com a qual
vivifica a terra...” (Alcorão 2:164)
“É Ele Quem envia a água do céu. Com ela,
fizemos germinar todas as classes de plantas…” (Alcorão 6:99)
“E observai que a terra é árida; não
obstante, quando (Nós) fazemos descer a água sobre ela, move-se e se impregna
de fertilidade, fazendo brotar todas as classes de pares de viçosos (frutos).” (Alcorão
22:5)
“Enviamos do céu água pura, para com ela
reviver uma terra árida, e com ela saciar tudo quanto temos criado: animais e
humanos.” (Alcorão 25:48-49)
Deus conclamou o homem a apreciar o
valor dessa fonte tão essencial de vida:
“Haveis reparado, acaso, na água que bebeis? Sois vós, ou somente somos Nós Quem a faz descer das nuvens? Se quiséssemos, fá-la-íamos salobra. Por
que, pois, não agradeceis?” (Alcorão
56:68-70)
“Dize: Que vos parece? Se a vossa água, ao
amanhecer, tivesse sido toda absorvida (pela terra), quem faria manar água
potável para vós?” (Alcorão 67:30)
Além dessa função vital, a água tem
outra função sociorreligiosa a realizar, que é a purificação do corpo e roupas
de toda a sujeira e impurezas para que o homem possa encontrar Deus limpo e
puro. Deus disse no glorioso Alcorão:
“...enviou-vos água do céu para, com ela, vos
purificardes...” (Alcorão 8:11)
Deus também nos mostrou outras funções
da água dos lagos, mares e oceanos. Fez dela o habitat de muitos seres criados
que desempenham papéis vitais na perpetuação da vida e desenvolvimento desse
mundo. Deus disse:
“E foi Ele Quem submeteu, para vós, o mar
para que dele comêsseis carne fresca e retirásseis certos ornamentos com que
vos enfeitais. Vedes nele os navios sulcando as águas, à procura de algo de Sua
graça; quiçá sejais agradecidos.” (Alcorão 16:14)
“Está-vos permitida a caça aquática; e seu
produto pode servir de visão, tanto para vós como para os viajantes.” (Alcorão
5:96)
Não há dúvida que a conservação desse
elemento vital é fundamental à preservação e continuação da vida em suas várias
formas, vegetal, animal e humana. Também é obrigatório, na lei islâmica, que o
que quer que seja indispensável para atender a obrigação imperativa de
preservar a vida seja, em si, obrigatório. Qualquer ação que obstrua ou impeça
as funções biológica e social desse elemento, seja pela sua destruição ou
poluição com qualquer substância que a torne um ambiente inadequado para as
coisas vivas ou impeça de alguma forma sua função como base da vida; esse tipo
de ação necessariamente leva ao impedimento ou ruína da vida em si e o
princípio jurídico é: “o que quer que leve ao proibido é em si proibido.”
Devido à importância da água como base
da vida, Deus fez seu uso o direito comum de todos os seres vivos e todos os
seres humanos. Todos têm direito a usá-la sem monopólio, usurpação,
espoliação, desperdício ou abuso. Deus ordenou com relação ao povo de Tamude e
seus camelos:
“E anuncia-lhes que a água deverá ser
compartilhada entre eles...” (Alcorão 54:28)
e o Profeta disse:
“Os muçulmanos devem compartilhar
essas três coisas: água, pasto e fogo.”
A extravagância no uso dá água é
proibida; isso se aplica ao uso particular e também público e se a água é
escassa ou abundante. É relatado que o Profeta passou por seu companheiro Sa’d,
que estava se lavando para a oração, e disse:
“Que desperdício é esse, ó Sa’d?”
“Há desperdício na lavagem para
oração?” perguntou Sa’d e
ele disse: “Sim, mesmo que você
esteja em um rio de água corrente!”
A longa experiência de juristas
muçulmanos na alocação de direitos sobre a água em terras áridas suscitou um
exemplo notável de uso sustentável de uma fonte escassa; um exemplo que é de
relevância crescente em um mundo em que recursos que antes eram abundantes
estão se tornando progressivamente mais escassos.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 4 de 7): Ar, Terra e Solo
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Descrição:
A visão islâmica do papel do ar, terra e solo no meio ambiente e como a conservação desses elementos vitais é fundamental à preservação e continuação da vida.
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 09 May 2011 - Última modificação em 09 May 2011
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2. Ar
Esse elemento não é menos importante que
a água para a perpetuação e preservação da vida. Quase todas as criaturas
terrestres são profundamente dependentes do ar que respiram. O ar também tem
outras funções que podem ser menos aparentes ao homem, mas que Deus criou com
propósitos definidos como nos conscientizou o glorioso Alcorão – como o papel
vitalmente importante dos ventos na polinização. Deus disse:
“E enviamos os ventos fecundantes…” (Alcorão
15:22)
Os ventos são também evidência clara da
onipotência e graça de Deus e a perfeição do projeto de Sua criação. Ele
também disse:
“Na criação dos céus e da terra; na alteração
do dia e da noite ... na mudança dos ventos; nas nuvens submetidas entre os
céus e a terra, (nisso tudo) há sinais para os sensatos.” (Alcorão 2:164)
“Ele é Quem envia os ventos alvissareiros,
por Sua misericórdia, portadores de densas nuvens, que impulsiona até uma
comarca árida e delas faz descer a água, mediante a qual produzimos toda a
classe de frutos.” (Alcorão 7:57)
Uma vez que a atmosfera realiza todas
essas funções biológicas e sociais, sua conservação, pura e não poluída, é um
aspecto essencial da conservação da vida em sai que é um dos objetivos fundamentais
da lei islâmica. O que quer que seja indispensável para atender essa obrigação
imperativa é em si obrigatório. Consequentemente, qualquer atividade que o
polua ou impeça sua função é uma tentativa de frustrar e obstruir a sabedoria
de Deus em relação à Sua criação. Da mesma forma, isso deve ser considerado
uma obstrução de alguns aspectos do papel humano no desenvolvimento desse
mundo.
3. A Terra e Solo
Como o ar e a água, a terra e o solo
são essenciais para a perpetuação de nossas vidas e das vidas de outras
criaturas. Deus declarou no Alcorão:
“Aplainou a terra para as (Suas) criaturas.” (Alcorão
55:10)
Dos minerais da terra são feitos os
constituintes sólidos de nossos corpos e também os de todos os animais vivos e
plantas. Deus disse no Alcorão:
“Entre os Seus sinais está o de haver-vos
criado do pó ; logo, sois seres que se espalham (pelo globo).” (Alcorão 30:20)
Ele também fez da terra nosso lar e o
lar de todos os seres terrestres.
“E Deus vos produziu da terra,
paulatinamente. Então, vos fará retornar a ela, e vos fará surgir novamente.” (Alcorão 71:17-18)
E como nosso lar, a terra tem valor
como espaço aberto:
“Deus vos fez a terra como um tapete, para
que a percorrêsseis por amplos caminhos.” (Alcorão 71:19-20)
Deus fez a terra como uma fonte de
sustento e subsistência para nós e outras criaturas vivas. Fez o solo fértil
produzir vegetação da qual nós e toda vida animal dependemos. Fez as montanhas para capturar e armazenar a chuva e desempenhar um
papel na estabilização da crosta terrestre, como Ele nos mostrou no glorioso
Alcorão:
“Porventura, não destinamos a terra por
abrigo, dos vivos e dos mortos? Onde fixamos firmes e elevadas montanhas, e vos
demos para beber água potável?” (Alcorão 77:25-27)
“E depois disso dilatou a terra, da qual fez
brotar a água e os pastos; E fixou, firmemente, as montanhas, para o proveito
vosso e do vosso gado.” (Alcorão 79:30-33)
“E dilatamos a terra, em que fixamos firmes
montanhas, fazendo germinar tudo, comedidamente. E nela vos proporcionamos
meios de subsistência, tanto para vós como para aqueles por cujo sustento sois
responsáveis.” (Alcorão 15:19-20)
“Um sinal, para eles, é a terra árida;
reavivamo-la e produzimos nela o grão com que se alimentam. Nela produzimos,
pomares de tamareiras e videiras…” (Alcorão 36:33-35)
Se fossemos realmente gratos ao
Criador, deveríamos manter a produtividade do solo e não expô-lo à erosão pelo
vento e enchente; na construção, plantio, pastoreação, silvicultura e mineração
devemos seguir práticas que não contribuam para sua degradação, mas que
preservem e melhorem sua fertilidade. Porque causar a degradação dessa dádiva
de Deus, da qual tantas formas de vida dependem, é negar Seus enormes favores.
E como qualquer ato que leva à sua destruição ou degradação leva necessariamente
à destruição e degradação da vida na terra, tais atos são categoricamente
proibidos.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 5 de 7): A Conservação de Elementos Naturais Básicos – Plantas e Animais (1)
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Descrição:
A visão islâmica do papel de plantas e animais no meio ambiente e conservação desse elemento vital é fundamental à preservação e continuação da vida (parte 1).
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 09 May 2011 - Última modificação em 09 May 2011
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> O Meio Ambiente
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4. Plantas e Animais
Não há como negar a importância de
plantas e animais como recursos vivos de benefícios enormes, sem os quais nem o
homem nem outras espécies poderiam sobreviver. Deus não fez nenhuma de Suas
criaturas sem valor: cada forma de vida é o produto de um desenvolvimento
especial e intrincado por Deus e cada uma requer respeito especial. Como um
recurso genético vivo, cada espécie e variedade é única e insubstituível. Uma
vez perdido, está perdido para sempre.
Em virtude de sua função única de
produção de alimento a partir da energia solar, as plantas constituem a fonte
básica de sustento para animal e vida humana sobre a terra. Deus disse:
“Que o homem repare, pois, em seu alimento. Em
verdade, derramamos a água em abundância, depois, abrimos a terra em fendas e
fazemos nascer o grão, a videira e as plantas (nutritivas), a oliveira e a
tamareira e jardins frondosos e o fruto e a forragem, para o vosso uso e do
vosso gado.” (Alcorão 80:24-32)
Além de sua importância como alimento,
as plantas enriquecem o solo e o protegem de erosão pelo vento e água. Conservam
a água detendo seu escoamento; moderam o clima e produzem o oxigênio que
respiramos. Também são de valor imenso como medicamentos, óleos, perfumes,
ceras, fibras, madeira e combustível. Deus disse no glorioso Alcorão:
“Haveis reparado, acaso, no fogo que ateais? Fostes vós que criastes a árvore, ou fomos Nós o Criador? Nós fizemos disso um portento e conforto
para os nômades.” (Alcorão 56:71-73)
Os animais por sua vez fornecem
sustento para plantas, uns aos outros e para o homem. Seu estrume e seus
corpos enriquecem o solo e os mares. Contribuem para a atmosfera através da
respiração e através de seus movimentos e migrações contribuem para a
distribuição de plantas. Fornecem alimento uns aos outros e provêem a
humanidade com couro, pelo e lã, medicamentos, perfumes, meios de transporte e
também carne, leite e mel. E por seus sentidos e percepções altamente
desenvolvidos e interrelações sociais, os animais recebem consideração especial
no Islã. Porque Deus os considera sociedades vivas exatamente como a
humanidade. Deus declarou no glorioso Alcorão:
“Não existem seres alguns que andem sobre a
terra, nem aves que voem, que não constituam nações semelhantes a vós.” (Alcorão
6:38)
O glorioso Alcorão menciona as funções
estéticas dessas criaturas como objetos de beleza além de suas outras funções.
Uma vez que paz de espírito é uma exigência religiosa que precisa ser
plenamente satisfeita, as coisas que a promovem devem ser amplamente providas e
conservadas. Deus fez plantas e animais que causam admiração e alegria na alma
do homem para satisfazer sua paz de espírito, um fator que é essencial para que
o homem funcione adequadamente e com pleno desempenho.
O glorioso Alcorão também menciona
outras funções que essas criaturas desempenham em que o homem pode não
perceber, as funções de adoração a Deus, declarando Seus louvores e se prostrando
para Ele como são impelidos a fazer por sua natureza. Deus disse:
“Não reparas, acaso, em que tudo quanto há
nos céus e tudo quanto há na terra se prostra ante Deus? O sol, a lua, as
estrelas, as montanhas, as árvores, os animais e muitos humanos?” (Alcorão
22:18)
“Os setes céus, a terra, e tudo quanto neles
existe glorificam-No. Nada existe que não glorifique os Seus louvores! Porém,
não compreendeis as suas glorificações.” (Alcorão 17:44)
“A Deus se prostram aqueles que estão nos céus
e na terra, de bom ou mau grado...” (Alcorão 13:15)
O Islã enfatiza todas as medidas para a sobrevivência e
perpetuação dessas criaturas para que possam realizar plenamente as funções
atribuídas a elas. A destruição absoluta de quaisquer espécies de animais ou
plantas pelo homem não pode ser justificada e nem devem ser colhidas em um
ritmo que ultrapasse sua regeneração natural. Isso se aplica à caça e pesca,
áreas florestais e cortes de madeira para construção e combustível, pastoreação
e todas as outras utilizações de recursos. É imperativo que a diversidade
genética dos seres vivos seja preservada – tanto para seu próprio bem quanto
para o bem da humanidade e todas as outras criaturas.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 6 de 7): A Conservação de Elementos Naturais Básicos – Plantas e Animais (2)
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Descrição:
A visão islâmica do papel de plantas e animais no meio ambiente e conservação desse elemento vital é fundamental à preservação e continuação da vida (parte 2).
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 16 May 2011 - Última modificação em 16 May 2011
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> Sistemas no Islã
> O Meio Ambiente
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O Profeta Muhammad foi enviado por Deus como:
“... uma misericórdia para todos os seres.” (Alcorão 21:107)
Ele nos mostrou através de seus
comandos e ensinamentos, como zelar e cuidar dessas criaturas. Ele disse:
“Os misericordiosos recebem
misericórdia do Todo-Misericordioso. Tenha misericórdia com aqueles na terra e Aquele Que está nos céus
terá misericórdia contigo.” (Abu
Dawud, Al-Tirmidhi)
Ele ordenou que a humanidade cuidasse
das necessidades de qualquer animal sob seu cuidado e alertou que uma pessoa
que faz com que um animal morra de fome ou sede é punida por Deus no fogo do
inferno.
Além disso, orientou os seres humanos a
cuidarem dos animais necessitados em geral, contando sobre uma pessoa cujos
pecados Deus perdoou pelo ato de dar água a um cão que morria de sede. Então, quando as pessoas perguntaram:
“Ó Mensageiro de Deus, existe recompensa em fazer o
bem a esses animais?”
Ele
disse: “Existe uma recompensa em fazer o bem a toda
coisa viva.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)
Caçar e pescar pelo alimento é
permitido no Islã; entretanto, o Profeta amaldiçoou quem usa uma criatura viva como alvo, tirando a vida por mero esporte. Da mesma forma proibiu que se prolongasse o abate de um animal. Ele declarou:
“Deus prescreveu fazer o bem para
todas as coisas: então, quando matarem, matem com bondade e quando abaterem,
abatam com bondade. Que cada uma amole sua lâmina e dê conforto ao animal que
está abatendo.”
O Profeta Muhammad proibiu acender um
fogo sobre um formigueiro e relatou que uma formiga uma vez ferroou um dos
profetas, que então ordenou que toda a colônia de formigas fosse queimada. Deus
revelou a ele em repreensão:
“Porque uma formiga te ferroou, destruístes
uma nação inteira que celebra a glória de Deus.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh
Muslim)
Uma vez ordenou a um homem que tinha
tirado os filhotes de um pássaro de seu ninho que os retornasse à sua mãe, que
estava tentando protegê-los.
Proibiu que se cortasse qualquer árvore
que fornece abrigo valioso aos humanos ou animais no deserto sem necessidade e
razão. O objetivo dessa proibição pode ser entendido como prevenção da
destruição de habitats valiosos para as criaturas de Deus.
Com base nas ordens e proibições
proféticas, os estudiosos legais muçulmanos determinaram que as criaturas de
Deus possuem inviolabilidade (hurmah) mesmo na guerra. O Profeta de Deus
proibiu a matança de abelhas e de qualquer gado capturado, porque mata-los é
uma forma de corrupção incluída no que Deus proibiu em Seu dito:
“E quando se retira, eis que a sua intenção é
percorrer a terra para causar a corrupção, devastar as semeaduras e o gado,
mesmo sabendo que a Deus desgosta a corrupção.” (Alcorão 2:205)
“E eles são animais que possuem
inviolabilidade assim como as mulheres e as crianças.”
É uma característica inconfundível da
lei islâmica que todos os animais têm certos direitos legais, executáveis pelos
tribunais e pelo escritório da hisbah. Os juristas muçulmanos
escreveram:
“Os direitos do gado e animais com
relação a seu tratamento pelo homem: São que o homem despenda com a provisão
que sua espécie requer, mesmo se estiverem velhos ou doentes sem gerar
benefícios; que não sejam sobrecarregados além do que podem suportar; que não
sejam colocados junto com qualquer coisa que possa feri-los, de sua própria
espécie ou de outra espécie, seja quebrando seus ossos, chifrando-os ou
ferindo-os; que os abata com gentileza se for abatê-los e não tosquiem suas
peles nem quebrem seus ossos até que seus corpos esfriem e suas vidas tenham
acabado; que não abata seus filhotes na sua frente; que os separem
individualmente; que deixem confortável seus locais de descanso; que coloquem
os machos e fêmeas juntos durante o período de acasalamento; que não descarte
os que pegou na caçada; nem atire neles com algo que quebre seus ossos nem os
destrua de uma forma que torne sua carne ilícita para consumo.”
O Islã cuida desses seres criados,
tanto animais quanto plantas, de duas formas:
1. Como seres vivos que
glorificam a Deus e atestam Seu poder e sabedoria;
2. Como criaturas submetidas ao
serviço do homem e de outros seres criados, cumprindo papéis vitais no
desenvolvimento desse mundo.
Por isso a obrigação vinculante de
conservá-los e desenvolvê-los pelo seu próprio bem e por seu valor como
recursos vivos únicos e insubstituíveis para benefício uns dos outros e da
humanidade.
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Proteção Ambiental no Islã (parte 7 de 7): Proteção do Homem e do Meio Ambiente em Relação a Danos
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Descrição:
O Islã não é vigoroso somente em sua proteção dos elementos básicos do meio ambiente para o benefício das gerações presentes e futuras. É igualmente comprometido com a proteção de seres humanos e do meio ambiente do impacto prejudicial de fatores externos como produtos e resíduos químicos.
Por Dr. A. Bagader, Dr. A. El-Sabbagh, Dr. M. Al-Glayand e Dr. M. Samarrai (editado por IslamReligion. c
Publicado em 16 May 2011 - Última modificação em 16 May 2011
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> Sistemas no Islã
> O Meio Ambiente
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No Islã todas as formas e tipos de danos
são proibidos. Um dos princípios fundamentais da lei islâmica é a declaração
profética:
“Que não se prejudique e nem seja
prejudicado.” (Al-Hakim)
A prevenção de dano e corrupção antes
que ocorra é melhor que o tratamento posterior. Outra norma jurídica
importante na lei islâmica declara: “Prevenir o dano tem precedência sobre a
aquisição de benefícios.” Portanto, todas as atividades que têm como objetivo
realizar o bem e assegurar benefícios para satisfazer as necessidades humanas
provendo serviços e desenvolvendo a agricultura, indústria e meios de
comunicação devem ser executados sem causar dano, injúria ou corrupção
significativos. É, consequentemente, imperativo que sejam adotadas precauções
no processo de consideração, planejamento e implementação dessas atividades de
modo que, tanto quanto possível, não venham acompanhadas ou resultem em
qualquer forma de dano ou corrupção.
1. Resíduos, Despejos, Materiais de
Limpeza e Outras Substâncias Tóxicas e Prejudiciais
Resíduos e despejos resultantes de
atividades humanas comuns ou industriais e dos usos da tecnologia moderna e
avançada, devem ser descartados ou eliminados cuidadosamente para proteger o
meio ambiente de corrupção e distorção. Também é vital proteger o homem dos
efeitos de seu impacto prejudicial no meio ambiente, em sua beleza e
vitalidade, e assegurar a proteção de outros parâmetros ambientais. O acúmulo
de resíduo é basicamente resultado de nosso desperdício. A proibição do Islã
em relação a desperdício, entretanto, exige o reuso de bens e a reciclagem de
materiais e refugos na medida do possível, ao invés de serem descartados como
lixo.
O Profeta proibiu que uma pessoa
fizesse suas necessidades físicas em uma fonte de água, um caminho, em um local
de sombra ou na toca de uma criatura viva.
Os valores por trás dessas proibições devem ser entendidos
como aplicáveis à poluição de recursos críticos e habitats em geral. Refugos, despejos e poluentes semelhantes devem ser tratados em suas fontes com
os melhores meios exequíveis de tratamento, com cuidado em seu descarte para
evitar efeitos colaterais adversos que levem a dano ou injúria semelhante ou
maior. O princípio jurídico nessa conexão é: “O dano não deve ser eliminado
através de meios que causem dano semelhante ou maior.”
Isso também é verdadeiro em relação aos
efeitos prejudiciais de agentes de limpeza e outros materiais tóxicos ou
nocivos usados em residências, fábricas, fazendas e outros ambientes públicos
ou privados. É absolutamente necessário adotar todas as medidas possíveis para
evitar e prevenir seus efeitos prejudiciais antes que ocorram e para eliminar
ou remover esses efeitos se ocorrerem, para proteger o homem e seu ambiente
natural e social. De fato, se os danos resultantes desses materiais se provarem
maiores que seus benefícios, eles devem ser proibidos. Nesse caso devemos
procurar por alternativas efetivas e inofensivas ou, no mínimo, menos
prejudiciais.
2. Pesticidas
Esses mesmos princípios se aplicam
igualmente a todos os pesticidas, inclusive inseticidas e herbicidas. O uso
desses materiais não deve levar a qualquer prejuízo ou dano aos seres humanos
ou ao meio ambiente no presente ou no futuro. Consequentemente, é exigido o
controle e a proibição do que quer que leve a dano ou prejuízo às pessoas ou
ecossistemas, mesmo que esse controle ou proibição possa afetar interesses
pessoais de alguns indivíduos. Isso está em conformidade com o princípio: “Uma
injúria privada é aceita para evitar uma injúria geral ao público.” Todos os
meios lícitos e legítimos devem ser usados para evitar e prevenir dano ou
prejuízo, desde que esses meios não levem ou causem dano semelhante ou maior. A
norma jurídica nessa conexão é: “Deve ser escolhido o menor de dois males.” Se
o uso desses pesticidas for inevitável, então: “A necessidade premente torna
permissível as coisas proibidas.” Entretanto, “toda necessidade deve ser
avaliada de acordo com seu valor” e “o que é permitido por conta de uma
justificativa deixa de ser permissível com a cessação daquela justificativa.”
São exigidos os meios mais seletivos e
menos destrutivos de controle de pragas por conta desses valores e princípios
do Islã. Medidas preventivas, controles biológicos, repelentes não tóxicos,
substâncias biodegradáveis e pesticidas de espectro de ação estreito devem ser
favorecidos sempre que possível em relação a alternativas mais destrutivas. Além
disso, sua aplicação deve ser cuidadosamente calculada para proteger a vida
humana, colheitas e gado com eficiência e eficácia máximas e com atenção para o
mínimo impacto geral sobre a criação de Deus.
3. Substâncias Radioativas
Os princípios mencionados acima se
aplicam a substâncias radioativas que não são extremamente tóxicos, mas também
se mantém dessa forma por períodos extremamente longos de tempo. Devemos
prevenir e evitar efeitos prejudiciais de seu uso sobre pessoas e ecossistemas.
Também é imperativo que descartemos de forma satisfatória os resíduos
radioativos. São exigidas precauções especiais para prevenir o descarte de
refugos nucleares, seja devido à negligência ou mau funcionamento, e evitar
todos os efeitos prejudiciais de testes de explosivos nucleares.
4. Ruído
Uma vez que indústrias e a comunicação
e transporte de massa tendem a ser acompanhados e associados com ruído, é necessário
procurar todos as formas e meios possíveis de evitar e minimizar esse ruído. O
ruído tem um impacto prejudicial sobre o homem e os elementos vivos do meio
ambiente – daí a necessidade de reduzir e prevenir esse prejuízo tanto quanto
possível e através de todos os meios, de acordo com as normas e injunções da
lei islâmica.
5. Intoxicantes e Outras Drogas
Também é claro que intoxicantes e
narcóticos têm um efeito prejudicial sobre a saúde física e mental de seres
humanos e, como consequência, sobre sua vida e razão, descendência, trabalho,
propriedades, honra e virtude. Foi provado, sem dúvida, que intoxicantes e
outras drogas causam desordens físicas, sociais e psicológicas consideráveis. Consequentemente,
todos os tipos de intoxicantes e drogas que afetam a mente foram proibidas no
Islã. Sua produção e comercialização são proibidas e também de qualquer coisa
que esteja associada a elas ou ajude na sua produção. Isso mostra a
preocupação da legislação islâmica por quatorze séculos com a proteção da vida
humana e a conservação do ambiente social e físico contra todas as formas de
corrupção, prejuízo, dano e poluição.
6. Catástrofes Naturais
Todas as precauções necessárias devem
ser adotadas para minimizar os efeitos de catástrofes que atingem o homem e o
meio ambiente, como enchentes, terremotos, erupções vulcânicas, tempestades,
conflagrações naturais, desertificação, infestações e epidemias. Deve-se
reconhecer que desastres naturais algumas vezes são causados, pelo menos em
parte, por atos do homem e que as consequências de sua ocorrência pela perda de
vidas e propriedades são, em muitos casos, agravadas por assentamento,
construção e práticas de uso da terra inapropriados. Portanto, seu impacto
pode ser amplamente mitigado pelo planejamento preventivo, baseado no
entendimento de processos naturais. Práticas de uso da terra e atividades
inadequadas não devem ser permitidas em áreas inerentemente, ou potencialmente,
perigosas para a vida e saúde humanas ou em áreas vulneráveis a rompimento de
processos naturais.
A proteção da vida, propriedade e
interesses humanos é essencial e necessária e “o que quer que seja
indispensável para cumprir uma obrigação imperativa é, em si, obrigatório.” A
lei islâmica mantém que “o dano deve ser eliminado” e “o dano deve ser removido
na medida do possível.” Entretanto, as medidas de proteção adotadas não devem
levar a outros efeitos adversos em conformidade com o princípio: “O dano não
deve ser eliminado através de dano semelhante.”
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