A História de Abraão (parte 1 de 7): Introdução
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Descrição:
Uma introdução à pessoa de Abraão e à posição elevada que detém no Judaísmo, Cristianismo e Islã.
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Publicado em 09 Nov 2009 - Última modificação em 24 Oct 2010
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> Crenças do Islã
> Histórias dos Profetas
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Um dos profetas que recebe mais atenção
no Alcorão é o profeta Abraão. O Alcorão fala dele e de sua inabalável crença
em Deus, que primeiro o levou a rejeitar seu povo e sua idolatria e que mais
tarde se provou verdadeira através dos vários testes que Deus colocou diante
dele.
No Islã Abraão é visto como um
monoteísta estrito que chama seu povo para a adoração de Deus somente. Por
essa crença ele suporta grandes dificuldades, inclusive se dissociando de sua
família e povo através da migração para várias terras. Ele cumpriu vários
mandamentos de Deus com os quais foi testado.
Devido a essa força de fé o Alcorão
nomeia a única religião verdadeira como o “Caminho de Abraão”, apesar dos
profetas antes dele, como Noé, chamarem para a mesma fé. Por causa de seu
incansável ato de obediência a Deus, Ele lhe deu um título especial de
“Khalil”, ou servo amado, que não foi dado a nenhum outro profeta antes. Devido
a excelência de Abraão, Deus fez profetas de sua descendência, dentre eles
Ismael, Isaque, Jacó (Israel) e Moisés, que guiaram seu povo para a verdade.
O status elevado de Abraão é
compartilhado pelo Judaísmo, Cristianismo e Islã. Os judeus o vêem como o
epítome da virtude uma vez que cumpriu os mandamentos antes de serem revelados,
e foi o primeiro a se dar conta do Único e Verdadeiro Deus. É visto como o pai
da raça escolhida, o pai dos profetas através dos quais Deus começou Sua série
de revelações. No Cristianismo é visto como o pai de todos os crentes (Romanos
4:11) e sua confiança em Deus e sacrifício são tomados como um modelo para os
santos posteriores (Hebreus 11).
Uma vez que Abraão tem tamanha
importância, vale à pena estudar sua vida e investigar aqueles aspectos que o
elevaram ao nível que Deus lhe deu.
Embora o Alcorão e a Sunnah não dêem os
detalhes de toda a vida de Abraão, eles mencionam certos fatos dignos de nota.
Como acontece com outras figuras corânicas e bíblicas, o Alcorão e a Sunnah
detalham aspectos de suas vidas como esclarecimento de algumas crenças
desencaminhadas de religiões previamente reveladas, ou aqueles aspectos que
contém certos lemas e morais dignos de nota e ênfase.
Seu Nome
No Alcorão, o único nome dado a Abraão
é “Ibrahim” e “Ibraham”, todos compartilhando a raiz original b-r-h-m. Embora
na Bíblia Abraão seja conhecido a princípio como Abrão e seja dito que Deus
mudou seu nome para Abraão, o Alcorão mantém silêncio sobre esse assunto, sem
afirmá-lo ou negá-lo. Estudiosos judaico-cristãos modernos duvidam,
entretanto, da história da mudança de seu nome e seus respectivos significados,
chamando-a de “anedota popular”. Assiriólogos sugerem que a letra hebraica Hê
(h), no dialeto mineano, é escrita no lugar do ‘a’ longo (ā) e que a
diferença entre Abraão e Abrão é meramente dialética.
O mesmo pode ser dito dos nomes Sarai e Sara, uma vez que seus
significados também são idênticos.
Sua Terra Natal
Estima-se que Abraão nasceu 2.166 anos
antes de Jesus na cidade mesopotâmia
de Ur ou nos seus arredores, 322 km a sudeste da atual Bagdá.
Seu pai era ‘Aazar’, ‘Terá’ ou ‘Terakh’ na Bíblia, um idólatra, que descendia
de Sem, o filho de Noé. Alguns estudiosos de exegese sugerem que ele pode ter
recebido o nome de Azar por causa de um ídolo do qual era devoto.
É provável que tenha sido um acadiano, um povo semita da
Península Árabe que se estabeleceu na Mesopotâmia em algum momento do terceiro
milênio AEC.
Parece que Azar migrou junto com alguns
de seus parentes para a cidade de Haran durante a infância de Abraão antes do
confronto com seu povo, embora algumas tradições
judaico-cristãs digam que isso ocorreu em um período posterior em sua vida,
depois de ele ser rejeitado em sua cidade natal. Na Bíblia é dito que Haran,
um dos irmãos de Abraão, morreu em Ur, “na terra de sua natividade” (Gênesis
11:28), mas ele era muito mais velho que Abraão, uma vez que seu outro irmão
Nahor toma a filha de Haran como sua esposa (Gênesis 11:29). A Bíblia também
não menciona a migração de Abraão para Haran e o primeiro comando para migrar é
para sair de Haran, como se tivessem se estabelecido lá antes (Gênesis 12:1-5).
Se tomarmos o primeiro mandamento como sendo a emigração de Ur para Canaã,
parece não haver razão para que Abraão morasse com sua família em Haran,
deixando seu pai lá e prosseguindo para Canaã depois, sem mencionar a
improbabilidade geográfica [Ver mapa].
O Alcorão menciona a migração de
Abraão, mas o faz depois de Abraão se dissociar de seu pai e tribo devido a sua
descrença. Se ele estivesse em Ur naquela época, parece improvável que seu pai
fosse com ele para Haran depois de descrer nele e torturá-lo com seu povo. Com
relação ao motivo pelo qual escolher migrar, evidência arqueológica sugere que
Ur era uma grande cidade que viu seu apogeu e declínio durante o tempo de vida
de Abraão,
e pode ser que tenham sido forçados a partir devido a dificuldades ambientais.
Podem ter escolhido Haran devido ao fato de compartilharem a mesma religião que
em Ur.
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A Religião da Mesopotâmia
Descobertas arqueológicas da época de
Abraão traçam um retrato vívido da vida religiosa da Mesopotâmia. Seus
habitantes eram politeístas que acreditavam em um panteão, no qual cada deus tinha
uma esfera de influência. O grande templo dedicado ao deus lua acadiano, Sin, era o centro principal
de Ur. Haran também tinha a lua como figura divina central. Acreditava-se que
esse templo era o lar físico de Deus. O deus principal do templo era um ídolo
de madeira com ídolos adicionais, ou ‘deuses’, para servi-lo.
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O Grande Zigurat de Ur, o templo do deus
lua Nanna, também conhecido como Sin. Tirada em 2004, a fotografia é cortesia de Lasse Jensen.
Conhecimento de Deus
Embora os estudiosos judaico-cristãos
difiram em relação a quando Abraão veio a conhecer Deus, se na idade de três,
dez ou quarenta e oito,
o Alcorão não menciona a idade exata na qual Abraão recebeu sua primeira
revelação. Parece, entretanto, que foi quando ele era jovem, já que o Alcorão
o chama de rapaz quando seu povo tenta executá-lo por rejeitar seus ídolos e o
próprio Abraão disse ter conhecimento não disponível para seu pai quando o
chamou para adorar somente a Deus antes de seu chamado para se separar de seu
povo (19:43). O Alcorão é claro, entretanto, em dizer que ele era um dos
profetas para quem a escritura foi revelada:
“Em verdade, isto se acha nos Livros
primitivos, Nos Livros de Abraão e de Moisés.” (Alcorão 87:18-19)
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A História de Abraão (parte 2 de 7): Chamado para Seu Povo
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Descrição:
Abraão convida seu pai Azar (Terá ou Terakh na Bíblia) e nação à Verdade revelada a ele por seu Senhor.
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Publicado em 16 Nov 2009 - Última modificação em 16 Nov 2009
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> Histórias dos Profetas
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Abraão e Seu Pai
Como aqueles ao seu redor, o pai de
Abraão, Azar (Terá ou Terakh na Bíblia), era um idólatra. A tradição bíblica fala dele como sendo um
escultor de ídolos
e por essa razão o primeiro chamado de Abraão foi direcionado para ele. Dirigiu-se
a ele com lógica clara e bom senso, do ponto de vista de um homem jovem e
sábio.
“E menciona, no Livro, (a história de)
Abraão; ele foi um homem de verdade, e um profeta. Ele disse ao seu pai: Ó meu
pai, por que adoras quem não ouve, nem vê, ou que em nada pode valer-te? Ó meu
pai, tenho recebido algo da ciência, que tu não recebeste. Segue-me, pois, que
eu te conduzirei pela senda reta!” (Alcorão 19:41-43)
A resposta de seu pai foi rejeição, uma
resposta óbvia vinda de qualquer pessoa desafiada por outra muito mais jovem
que ela, um desafio contra anos de tradição e normas.
“Disse-lhe (o pai): Ó Abraão, porventura
detestas as minhas divindades? Se não desistires, apedrejar-te-ei. Afasta-te de
mim!” (Alcorão 19:46)
Abraão e Seu Povo
Depois de incessantes tentativas de
chamar seu pai para deixar de adorar falsos ídolos, Abraão se voltou para seu
povo buscando adverti-lo, dirigindo-se a eles com a mesma lógica simples.
“E recita-lhes (ó Mensageiro) a história de
Abraão. Quando perguntou ao seu pai e ao seu povo: O que adorais? Responderam-lhe:
Adoramos os ídolos, aos quais estamos consagrados. Tornou a perguntar: Acaso
vos ouvem quando os invocais? Ou, por outra, podem beneficiar-vos ou
prejudicar-vos? Responderam-lhe: Não; porém, assim encontramos a fazer os
nossos pais. Disse-lhes: Porém, reparais, acaso, no que adorais, vós e vossos
antepassados? São inimigos para
mim, coisa que não acontece com o Senhor do Universo, Que me criou e me
ilumina. Que me dá de comer e beber. Que, se eu adoecer, me curará. Que me dará a morte e então me ressuscitará.” (Alcorão 26:69-81)
Ao prosseguir com seu chamado de que a
única divindade merecedora de adoração era Deus, o Todo-Poderoso, apresentou
outro exemplo para que seu povo ponderasse. A tradição judaico-cristã conta
uma história semelhante, mas a retrata no contexto do próprio Abraão se dando
conta da existência de Deus através da adoração desses seres, e não de usá-la como exemplo
para seu povo. No Alcorão não é dito que nenhum dos profetas associou outros a
Deus, mesmo quando não estavam informados do caminho correto antes de iniciarem
sua missão profética. O Alcorão fala de Abraão:
“E quando viu despontar o sol, exclamou: Eis
aqui meu Senhor! Este é maior! Porém, quando este se pôs, disse: Ó povo meu,
não faço parte da vossa idolatria!” (Alcorão 6:76)
Abraão apresentou-lhes o exemplo das estrelas,
uma criação incompreensível para os humanos da época, vista como algo maior que
a humanidade, e as quais muitas vezes se atribuíam poderes. Mas quando as
estrelas se puseram Abraão viu sua inabilidade de aparecerem quando desejassem,
e só poderem ser vistas à noite.
Então apresentou o exemplo de algo maior,
um corpo celeste mais belo, de maiores dimensões e que podia aparecer durante o
dia também!
“Quando viu desapontar a lua, disse: Eis aqui
meu Senhor! Porém, quando esta desapareceu, disse: Se meu Senhor não me
iluminar, contar-me-ei entre os extraviados.” (Alcorão 6:77)
Então, como exemplo culminante, apresentou
um exemplo de algo ainda maior, uma das criações mais poderosas, sem a qual a
própria vida seria uma impossibilidade.
“E quando viu despontar o sol, exclamou: Eis
aqui meu Senhor! Este é maior! Porém, quando este se pôs, disse: Ó povo meu,
não faço parte da vossa idolatria!” (Alcorão 6:78)
Abraão lhes provou que o Senhor dos
mundos não seria encontrado nas criações que seus ídolos representavam, mas que
Ele era a entidade que os havia criado e a tudo que pudessem ver e perceber;
que o Senhor não necessariamente precisava ser visto para ser adorado. Ele é
um Senhor que não está restrito às limitações que as criações encontradas nesse
mundo estão. Sua mensagem era simples:
“E recorda-te de Abraão, quando disse ao seu
povo: Adorai a Deus e temei-O! isso será melhor para vós, se o compreendeis! Qual,
somente adorais ídolos, em vez de Deus, e inventai calúnias! Em verdade, os que
adorais, em vez de Deus, não podem proporcionar-vos sustento. Procurai, pois, o
sustento junto a Deus, adorai-O e agradecei-Lhe, porque a Ele retornareis.” (Alcorão 29:16-17)
Ele questionou abertamente sua
aderência a meras tradições de seus antepassados:
“Ele disse: Verdadeiramente, vós e vossos
antepassados estão em erro evidente.”
O caminho de Abraão seria cheio de dor,
dificuldades, testes, oposições e dores de cabeça. Seu pai e seu povo
rejeitaram sua mensagem. Seu chamado não os afetou; não queriam argumentar. Ao
invés disso, ele foi desafiado e ironizado:
“Disseram: Traga-nos a verdade, ou és um
gracejador?”
Nesse estágio de sua vida, Abraão, um
homem jovem com um futuro promissor, se opôs à sua própria família e nação para
propagar uma mensagem de verdadeiro monoteísmo, crença no Único e Verdadeiro
Deus, e rejeição a todas as falsas deidades, fossem estrelas ou outras criações
celestiais ou terrenas, ou retratações de deuses na forma de ídolos. Foi
rejeitado, banido e punido por sua crença, mas se manteve firme contra todo o
mal, pronto para enfrentar ainda mais no futuro.
“E quando o seu Senhor pôs à prova Abraão,
com certos mandamentos,...” (Alcorão 2:124)
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A História de Abraão (parte 3 de 7): O Iconoclasta
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Descrição:
Abraão destrói os ídolos de seu povo para provar-lhes a futilidade de sua adoração.
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Publicado em 23 Nov 2009 - Última modificação em 23 Nov 2009
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Veio o momento no qual a pregação tinha
que estar acompanhada de ação física. Abraão planejou um ataque corajoso e
decisivo na idolatria. O relato corânico é ligeiramente diferente do
mencionado nas tradições judaico-cristãs, porque dizem que Abraão destruiu os
ídolos pessoais de seu pai. O Alcorão nos diz que ele destruiu os ídolos de seu povo, mantidos
em um altar religioso. Abraão idealizou um plano envolvendo os ídolos:
“Por Deus que tenho um plano para os vossos
ídolos, logo que tiverdes partido.” (Alcorão 21:57)
Era a época de um festival religioso,
talvez dedicado a Sin, razão pela qual tinham deixado a cidade. Abraão foi
convidado para participar das festividades, mas apresentou uma desculpa:
“Ele olhou para as estrelas. E disse:
Sinto-me doente.”
Então, quando partiram sem ele, veio
sua oportunidade. Como o templo estava deserto, Abraão foi até lá e se
aproximou dos ídolos de madeira revestidos em ouro, que tinham à sua frente
refeições elaboradas deixadas pelos sacerdotes. Abraão ironizou-os em
descrença:
“Então se voltou para seus deuses e disse:
Não comerão? O que os incomoda que não falam?”
O que teria iludido um homem para que adorasse deuses
que ele mesmo esculpiu?
“Então os atacou, batendo-lhes com sua mão direita.”
O Alcorão nos diz:
“Ele os reduziu a fragmentos, todos exceto o
mais importante deles.”
Quando os sacerdotes do templo retornaram
ficaram chocados ao ver o sacrilégio, a destruição do templo. Estavam se
perguntando quem teria feito aquilo com seus ídolos quando alguém mencionou o
nome de Abraão, explicando que ele costumava falar mal deles. Quando o
chamaram à sua presença, coube a Abraão mostrar-lhes sua tolice:
“Ele disse: Adorais o que vós mesmo esculpis
quando Deus vos criou e ao que fazeis?”
Cada vez mais irados e sem disposição
para ouvir sermões, foram direto ao ponto:
“Foste tu que fizeste isso com nossos deuses,
Abraão?”
Mas Abraão havia deixado o maior dos
ídolos intocado por uma razão:
“Ele disse: Mas esse, seu chefe, fez isso. Questione-os,
se puderem falar!”
Quando Abraão os desafiou, ficaram
confusos. Culparam-se mutuamente por não terem protegido os ídolos e, sem
encará-lo, disseram:
“De fato, sabeis que eles não falam!”
Então Abraão argumentou.
“Ele (Abraão) disse: Porventura, adorareis,
em vez de Deus, quem não pode beneficiar-vos ou prejudicar-vos em nada? Que
vergonha para vós e para os que adorais, em vez de Deus! Não raciocinais?”
Os acusadores se transformarem em acusados. Foram acusados de inconsistência lógica, e não tiveram resposta para Abraão. Como
o raciocínio de Abraão era incontestável, sua resposta foi ódio e fúria, e
condenaram Abraão a ser queimado vivo:
“Preparai para ele uma fogueira e arrojai-o
no fogo!”
Todas as pessoas da cidade ajudaram a
juntar a madeira para o fogo, até que se transformou no maior fogo que tinham
visto. O jovem Abraão se submeteu ao destino o Senhor dos Mundos escolheu para
ele. Não perdeu sua fé. Ao contrário, o teste o fez
mais forte. Abraão não vacilou em face de uma morte
terrível apesar de sua pouca idade; ao contrário, suas últimas palavras antes
de entrar no fogo foram:
“Deus é suficiente para mim e Ele
é o melhor para cuidar de todos os assuntos.” (Saheeh Al-Bukhari)
Mais uma vez um exemplo de Abraão
diante dos testes que enfrentou. Sua crença no Verdadeiro Deus foi testada
aqui, e ele provou que estava preparado para entregar sua existência ao chamado
de Deus. Sua crença foi evidenciada por sua ação.
Deus não queria que esse fosse o
destino de Abraão, porque ele tinha uma grande missão à sua frente. Ele seria
o pai de alguns dos maiores profetas conhecidos da humanidade. Deus salvou
Abraão como um sinal para ele e também para seu povo.
“Nós (Deus) dissemos: Ó fogo, sê frescor e
poupa Abraão! Intentaram conspirar contra ele, porém, fizemo-los perdedores.”
Assim, Abraão escapou do fogo ileso. Tentaram
buscar revanche para seus deuses, mas eles e seus ídolos foram humilhados no
final.
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A História de Abraão (parte 4 de 7): Sua Migração para Canaã
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Descrição:
A disputa de Abraão com um rei e o comando de Deus para migrar para Canaã.
Por IslamReligion.com
Publicado em 30 Nov 2009 - Última modificação em 30 Nov 2009
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Descobertas arqueológicas modernas
sugerem que a alta sacerdotisa era a filha do imperador. Naturalmente ela deve
ter considerado fundamental fazer um exemplo do homem que profanou seu templo.
Logo Abraão, ainda um homem jovem,
se viu em teste, se defrontando sozinho com um rei, provavelmente o rei Nimrod.
Até seu pai não estava do seu lado. Mas Deus estava como Ele sempre esteve.
Disputa com um Rei
Enquanto os tradicionalistas
judaico-cristãos afirmam claramente que Abraão foi sentenciado ao fogo pelo
reio, Nimrod, o Alcorão não elucida esse assunto. Menciona, entretanto, a
disputa que um rei teve com Abraão, e alguns estudiosos muçulmanos sugerem que
foi esse mesmo Nimrod, mas somente depois de uma tentativa de matar Abraão ser feita pelas massas. Depois
de Deus ter salvado Abraão do fogo, seu caso foi apresentado ao rei, que do
alto de sua pompa, disputou com o próprio Deus por causa de seu reino. Ele
debateu com o jovem homem, como Deus nos conta:
“Não reparaste naquele que disputava com
Abraão acerca de seu Senhor, por lhe haver Deus concedido o poder?” (Alcorão
2:258)
A lógica de Abraão era inegável:
“Meu Senhor é Quem dá a vida e a morte! Retrucou:
Eu também dou a vida e a morte.” (Alcorão 2:258)
O rei trouxe dois homens sentenciados à
morte. Libertou um e condenou outro. Essa resposta do rei foi fora de
contexto e extremamente estúpida e assim Abraão apresentou outra, que
certamente o silenciou.
“Abraão disse: Deus faz sair o sol do
Oriente, faze-o tu sair do Ocidente. Então o incrédulo ficou confundido, porque
Deus não ilumina os iníquos.” (Alcorão
2:258)
Abraão em Migração
Depois de anos de chamado incessante,
enfrentando a rejeição de seu povo, Deus ordenou a Abraão que se desassociasse
de sua família e povo.
“Tivestes um excelente exemplo em Abraão e
naqueles que o seguiram, quando disseram ao seu povo: Em verdade, não somos
responsáveis por vossos atos e por tudo quando adorais, em lugar de Deus,
Renegamos-vos e iniciar-se-á inimizade e um ódio duradouro entre nós e vós, a
menos que creiais unicamente em Deus!” (Alcorão 60:4)
Ao menos duas pessoas em sua família
aceitaram sua exortação – Lot, seu sobrinho, e Sara, sua esposa. Assim Abraão
migrou com os outros crentes.
“Lot acreditou nele. Ele disse: Em verdade,
emigrarei para onde me ordene o meu Senhor, porque Ele é o Poderoso, o
Prudentíssimo.” (Alcorão 29:26)
Migraram juntos para uma terra
abençoada, a terra de Canaã, ou Grande Síria onde, de acordo com as tradições
judaico-cristãs, Abraão e Lot dividiram seu povo a ocidente e oriente da terra
para a qual haviam migrado.
“E o salvamos, juntamente com Lot,
conduzindo-os à terra que abençoamos para a humanidade.” (Alcorão 21:71)
Foi lá, nessa terra abençoada, que Deus
escolheu abençoar Abraão com descendência.
“E o agraciamos com Isaac e Jacó, como um dom
adicional, e a todos fizemos virtuosos.” (Alcorão 21:72)
“Tal foi o Nosso argumento, que
proporcionamos a Abraão (para usarmos) contra seu povo, porque Nós elevamos a
dignidade de quem Nos apraz. Teu Senhor (ó Muhammad) é Prudente, Sapientíssimo. Agraciamo-los com Isaac e Jacó, que
iluminamos, como havíamos iluminado anteriormente Noé e sua descendência, Davi
e Salomão, Jó e José, Moisés e Aarão. Assim, recompensamos os benfeitores. E Zacarias, Yáhia (João), Jesus e Elias,
pois todos se contavam entre os virtuosos. E Ismael, Eliseu, Jonas e Lot, cada um dos quais preferimos sobre os
seus contemporâneos. E a alguns
de seus pais, progenitores e irmãos, elegemo-los e os encaminhamos pela senda
reta. Tal é a orientação de
Deus, pela qual orienta quem Lhe apraz, dentre os Seus servos. Porém, se
tivessem atribuído parceiros a Ele, tornar-se-ia sem efeito tudo o que tivessem
feito. São aqueles a quem
concedemos o Livro, a sabedoria e a profecia.” (Alcorão 6:83-87)
Profetas, escolhidos para a orientação
de sua nação:
“E os designamos imames, para que guiassem os
demais, segundo os Nossos desígnios, e lhes inspiramos a prática do bem, a
observância da oração, o pagamento do zakat, e foram Nossos adoradores.” (Alcorão
21:73)
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A História de Abraão (parte 5 de 7): A Doação de Agar e Seu Sofrimento
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Descrição:
Alguns relatos da jornada de Abraão ao Egito, o nascimento de Ismael e a aventura de Agar em Paran.
Por IslamReligion.com
Publicado em 07 Dec 2009 - Última modificação em 07 Dec 2009
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Abraão em Canaã e Egito
Abraão ficou em Canaã por vários anos indo de cidade em
cidade pregando e convidando as pessoas para Deus até que a fome fez com que
ele e Sara migrassem para o Egito. No Egito estava um faraó despótico que
tinha um desejo passional de tomar posse de mulheres casadas.
Esse relato islâmico é surpreendentemente diferente das tradições
judaico-cristãs, que dizem que Abraão alegou que Sara era sua irmã para se
salvar do Faraó.
O Faraó levou Sara para seu harém e honrou Abraão por isso,
mas quando sua casa foi atingida por várias pragas ele soube que Sara era
esposa de Abraão e o castigou por ele não ter lhe dito isso, banindo-o do
Egito.
Abraão sabia que Sara atrairia sua
atenção, então disse a ela que se o Faraó perguntasse, ela dissesse que era
irmã de Abraão. Quando entraram
em seu reino, como esperado, o Faraó perguntou sobre seu relacionamento com
Sara e Abraão respondeu que ela era sua irmã. Embora a
resposta tenha aliviado um pouco de sua paixão, ainda assim ele a fez cativa.
Mas a proteção do Todo-Poderoso a salvou de sua trama. Quando o Faraó convocou Sara para agir de
acordo com suas paixões doentias, Sara se voltou para Deus em oração. No momento em que o Faraó se aproximou de Sara, a parte
superior de seu corpo se enrijeceu. Ele chorou para
Sara em desespero, prometendo libertá-la se ela orasse por sua cura! Ela orou pela cura dele. Mas apenas depois de uma terceira tentativa fracassada ele
finalmente desistiu. Ao
perceber suas naturezas especiais, ele a deixou partir e a retornou a seu
suposto irmão.
Sara retornou enquanto Abraão ainda
orava, acompanhada de presentes do Faraó, uma vez que ele tinha se dado conta
de suas naturezas especiais, junto com sua própria filha Agar, de acordo com as
tradições judaico-cristãs, como criada. Ela havia transmitido uma mensagem
poderosa para o Faraó e os egípcios pagãos.
Depois de retornarem para a Palestina,
Sara e Abraão continuaram sem filhos, apesar das promessas divinas de que ele
teria um filho. O costume da
esposa estéril presentear o marido com uma criada para gerar descendência parece
ser uma prática comum daquela época,
e Sara sugeriu a Abraão que ele tomasse Agar como sua concubina. Alguns estudiosos cristãos dizem que de fato
ele a tomou como esposa.
Qualquer que seja o caso, na tradição judaica e babilônica
qualquer descendência nascida de uma concubina seria reivindicada pelo ex-ama
da concubina e seria tratada exatamente como uma criança nascida dela, inclusive em questões de
herança. Enquanto estava na Palestina, Agar deu a ele
um filho, Ismael.
Abraão em Meca
Quando Ismael estava sendo amamentado
Deus escolheu testar a fé de seu amado Abraão e ordenou-o levar Agar e Ismael
para um vale deserto de Beca a 1.300 km ao sul de Hebron. Tempos mais tarde se chamaria Meca. De fato
era um grande teste, porque ele e sua família tinham esperado por muito tempo
por uma descendência e quando seus olhos estavam cheios de alegria por causa de
um herdeiro, veio a ordem para levá-lo para uma terra distante, conhecida por
sua aridez e dificuldade.
Embora o Alcorão afirme que esse era
outro teste para Abraão enquanto Ismael ainda era um bebê, a Bíblia e as
tradições judaico-cristãs afirmam que foi o resultado da ira de Sara, que pediu
a Abraão para banir Agar e o filho dela quando viu Ismael “debochando” de Isaque depois de ser desmamado. Uma vez que a idade típica para o desmame,
pelo menos na tradição judaica, era de 3 anos,
isso sugere que Ismael estava com aproximadamente 17 anos quando esse evento ocorreu. Parece logicamente impossível que Agar fosse
capaz de carregar um rapaz em seus ombros e levá-lo por centenas de quilômetros
até que ela alcançasse Paran, só então colocando-o no chão, como diz a Bíblia,
sob um arbusto. Nesses versos Ismael é tratado por uma palavra
diferente da usada descrevendo seu banimento. Essa
palavra indica que era um menino muito novo, possivelmente um bebê, ao invés de
um rapaz.
Então Abraão, após ter ficado um tempo
com Agar e Ismael, deixou-os lá com um cantil de água e uma bolsa de couro
cheia de tâmaras. Quando Abraão começou a caminhar
deixando-os para trás, Agar ficou ansiosa com o que aconteceria. Abraão não olhou para trás. Agar o seguiu: “Ó Abraão, onde estás indo,
deixando-nos nesse vale onde não existe nenhuma pessoa cuja companhia possamos
desfrutar, nem qualquer outra coisa?”
Abraão apressou o passo. Finalmente Agar perguntou: “Foi Deus Que pediu que o fizesse?”
Repentinamente Abraão parou, se voltou
e disse: “Sim!”
Sentindo um pouco de conforto nessa
resposta, Agar perguntou: “Ó Abraão, com quem está nos deixando?”
“Eu os deixo aos cuidados de Deus”, respondeu Abraão.
Agar se submeteu a seu Senhor:
“Estou satisfeita em estar com Deus!”
Enquanto voltava para o pequeno Ismael,
Abraão prosseguiu até que alcançou uma passagem estreita na montanha onde eles
não podiam vê-lo. Ele parou lá e invocou Deus em
oração:
“Ó Senhor nosso, estabeleci parte da minha
descendência em um vale inculto perto da Tua Sagrada Casa para que, ó Senhor
nosso, observem a oração; faze com que os corações de alguns humanos os
apreciem, e agracia-os com os frutos, a fim de que Te agradeçam.” (Alcorão 14:37)
Logo a água e as tâmaras acabaram e o
desespero de Agar aumentou. Incapaz
de saciar sua sede ou amamentar seu pequeno bebê, Agar começou a procurar por
água. Deixou Ismael sob uma
árvore e começou a escalar o declive rochoso de uma colina próxima. “Talvez exista uma caravana de passagem”, pensou consigo mesma. Ela correu entre as duas colinas de Safa e
Marwa sete vezes procurando sinais de água ou ajuda, personificado depois por
todos os muçulmanos no Hajj. Exausta
e perturbada, ela ouviu uma voz, mas não pode localizar sua origem. Então, olhando para o vale ela viu um anjo,
que é identificado como Gabriel nas fontes islâmicas, de pé ao lado de Ismael. O anjo cavou o chão com seu calcanhar próximo
ao bebê e a água jorrou. Foi um
milagre! Agar tentou fazer um
reservatório ao seu redor para mantê-lo fluindo e encheu seu cantil.
“Não tema ser negligenciada”, disse
o anjo, “porque esta é a Casa de Deus que será construída por esse menino e
seu pai, e Deus nunca negligencia seu povo.”
Esse poço, chamado Zamzam, continua a jorrar até hoje na
cidade de Meca na Península Arábica.
Não muito tempo depois a tribo de
Jurham, deslocando-se do sul da Arábia, parou no vale de Meca depois de ver um
sinal incomum de um pássaro voando em sua direção, que só podia significar a
presença de água. Finalmente se estabeleceram em Meca
e Ismael cresceu entre eles.
Um relato semelhante desse poço é dado
na Bíblia em Gênesis 21. Nesse relato, a razão para se
afastar do bebê era evitar vê-lo morrendo ao invés de buscar ajuda. Então, após o bebê começar a chorar de sede, ela pediu a Deus para
não permitir que ela o visse morrer. É dito que o
surgimento do poço foi uma resposta ao choro de Ismael, e não à súplica dela, e
não é relatado nenhum esforço de Agar para encontrar ajuda. A Bíblia também diz que o poço era no deserto de Paran, onde moraram
depois disso. Os estudiosos judaico-cristãos com
frequência mencionam Paran como em algum lugar ao norte da Península do Sinai,
devido à menção ao Monte Sinai em Deuteronômio 33:2. Arqueólogos
bíblicos modernos, entretanto, dizem que o Monte Sinai é de fato na atual
Arábia Saudita, o que requer que Paran seja lá também.
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A História de Abraão (parte 6 de 7): O Maior dos Sacrifícios
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Descrição:
No teste de sua vida, Abraão vê em um sonho que deve sacrificar seu “único filho”, mas era Isaque ou Ismael?
Por IslamReligion.com
Publicado em 14 Dec 2009 - Última modificação em 14 Dec 2009
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> Crenças do Islã
> Histórias dos Profetas
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Abraão Sacrifica Seu Filho
Havia quase dez anos que Abraão tinha
deixado sua esposa e bebê em Meca aos cuidados de Deus. Depois de uma jornada
de dois meses ele ficou surpreso em encontrar Meca muito diferente do que era quando partiu. A alegria da reunião logo foi interrompida por uma visão que
seria o teste supremo de sua fé. Deus comandou através de um sonho que Abraão
sacrificasse seu filho, o filho que ele tinha tido depois de anos de orações e
tinha acabado de encontrar depois de uma década de separação.
Sabemos do Alcorão que a criança a ser
sacrificada era Ismael, já que Deus, ao dar as boas novas do nascimento de
Isaque a Abraão e Sara, também deu as boas novas de um neto, Jacó (Israel):
“...alvissaramo-la com o nascimento de Isaac
e, depois deste, com o de Jacó.” (Alcorão 11:71)
Da mesma forma, no verso bíblico Gênesis
17:19, foi prometido a Abraão:
“Sara, tua mulher, te dará à luz
um filho, e lhe chamarás Isaque; com ele estabelecerei o meu pacto como pacto
perpétuo para a sua descendência depois dele.”
Como Deus prometeu dar a Sara um filho
de Abraão e netos daquela criança, não era lógica e praticamente possível para
Deus ordenar que Abraão sacrificasse Isaque, uma vez que Deus não quebra Sua
promessa e nem é o “autor de confusão.”
Embora o nome de Isaque seja
explicitamente mencionado como aquele que seria sacrificado em Gênesis 22:2,
aprendemos de outros contextos bíblicos que essa é uma interpolação clara, e
aquele que seria sacrificado era Ismael.
“Teu Único Filho”
Nos versos de Gênesis 22, Deus ordena
Abraão sacrificar seu único filho. Todos os estudiosos do Islã, Judaísmo e
Cristianismo concordam que Ismael nasceu antes de Isaque. Não faria sentido
chamar Isaque de único filho de Abraão.
É verdade que os estudiosos
judaico-cristãos argumentam com frequência que como Ismael nasceu de uma
concubina, não era filho legítimo. Entretanto, já mencionamos antes que de
acordo com o próprio Judaísmo era uma ocorrência comum, válida e aceitável
esposas estéreis darem concubinas a seus maridos para gerarem descendência, e a
criança produzida pela concubina era reivindicada pela esposa do pai, desfrutando todos os direitos
como se fosse filho da própria esposa, incluindo herança. Além disso, recebiam
o dobro da parte das outras crianças, mesmo que fossem “odiadas”
Em acréscimo a tudo isso, é inferido na
Bíblia que a própria Sara considerava um filho nascido de Agar como seu
herdeiro de direito. Sabendo que havia sido prometido a Abraão que sua semente
encheria a terra entre o Nilo e o Eufrates (Gênesis 15:18) de seu próprio corpo
(Gênesis 15:4), ela ofereceu Agar a Abraão para que ela fosse o meio do
cumprimento dessa profecia. Ela disse:
“Eis que o Senhor me tem impedido
de ter filhos; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos por meio
dela.” (Gênesis 16:2)
Também é semelhante à Léa e Raquel, as
esposas de Jacó, filho de Isaque, darem suas servas a Jacó para gerarem
descendência (Gênesis 30:3, 6-7, 9-13). Seus filhos foram Dan, Neftali, Gad e
Asher, que eram dos doze filhos de Jacó, os pais das doze tribos dos israelitas
e, consequentemente, herdeiros
válidos.
Disso entendemos que Sara acreditava
que uma criança nascida de Agar seria um cumprimento da profecia dada a Abraão,
e seria como se tivesse nascido dela própria. Assim, de acordo apenas com esse
fato, Ismael não é ilegítimo, mas um herdeiro de direito.
O próprio Deus considera Ismael um
herdeiro válido porque, em várias passagens, a Bíblia menciona que Ismael é uma
“semente” de Abraão. Por exemplo, em Gênesis 21:13:
“Mas também do filho desta serva
farei uma nação, porquanto ele é da tua linhagem.”
Existem muitas outras razões que provam
que Ismael e não Isaque deveria ser sacrificado e, se Deus quiser, um artigo
separado será dedicado a esse assunto.
Para continuar com o relato, Abraão
consultou seu filho para ver se ele compreendia o que lhe foi ordenado por
Deus:
“E lhe anunciamos o nascimento de uma criança
(que seria) dócil. E quando chegou à adolescência, seu pai lhe disse: Ó filho
meu, sonhei que te oferecia em sacrifício; que opinas? Respondeu-lhe: Ó meu
pai, faze o que te foi ordenado! Encontrar-me-ás, se Deus quiser, entre os
perseverantes!” (Alcorão
37:101-102)
De fato, se o pai diz a uma pessoa que
ela deverá ser morta por causa de um sonho, isso não será recebido da melhor
maneira. Pode-se duvidar do sonho e também da sanidade da pessoa, mas Ismael
conhecia a posição de seu pai. O filho virtuoso de um pai virtuoso estava
determinado a se submeter a Deus. Abraão levou seu filho ao lugar onde deveria
ser sacrificado e o deitou com o rosto para baixo. Por essa razão, Deus os
descreveu com as mais belas palavras, pintando uma imagem da essência da
submissão; uma que leva lágrimas aos olhos:
“E quando ambos aceitaram o desígnio (de
Deus) e (Abraão) preparava (seu filho) para o sacrifício.” (Alcorão 37:103)
Quando a faca de Abraão estava descendo,
uma voz o interrompeu:
“Então o chamamos: Ó Abraão, Já realizaste a
visão! Em verdade, assim recompensamos os benfeitores. Certamente que esta foi a verdadeira prova.” (Alcorão 37:104-106)
De fato, foi o maior de todos os
testes, sacrificar seu único filho, nascido depois de ter alcançado uma idade
avançada e anos de espera por descendência. Aqui Abraão mostrou sua disposição
de sacrificar tudo que tinha por Deus, e por essa razão, foi designado um líder
de toda a humanidade, aquele a quem Deus abençoou com uma descendência de
profetas.
“E quando o seu Senhor pôs à prova Abraão,
com certos mandamentos, que ele observou, disse-lhe: Designar-te-ei Imam dos
homens. (Abraão) perguntou: E
também o serão os meus descendentes?” (Alcorão 2:124)
Ismael foi resgatado com um carneiro:
“...E o resgatamos com outro sacrifício
importante.” (Alcorão 37:107)
É esse epítome de submissão e confiança
em Deus que centenas de milhões de muçulmanos reencenam todo ano durante os
dias do Hajj, um dia chamado Yawm-un-Nahr – O Dia do Sacrifício, ou Eid-ul-Adhaa
– ou a Celebração do Sacrifício.
Abraão retornou à Palestina e ao
fazê-lo, foi visitado pelos anjos que deram a ele e à Sara as boas novas de um
filho, Isaque:
“...viemos alvissarar-te com a vinda de um
filho, que será sábio.” (Alcorão
15:53)
Nesse momento também lhe é dito sobre a
destruição do povo de Lot.
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A História de Abraão (parte 7 de 7): A Construção de um Santuário
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Descrição:
Abraão visita novamente seu filho Ismael, mas dessa vez para cumprir uma tarefa momentosa, a construção de uma Casa de Adoração, um santuário para toda a humanidade.
Por IslamReligion.com
Publicado em 21 Dec 2009 - Última modificação em 21 Dec 2009
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> Crenças do Islã
> Histórias dos Profetas
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Abraão e Ismael Constroem a Caaba
Depois de uma separação de vários anos,
mais uma vez pai e filho se encontram. Foi nessa jornada que os dois construíram
a Caaba por ordem de Deus como um santuário permanente; um local estabelecido
para a adoração de Deus. Foi aqui, no mesmo deserto árido onde Abraão deixou
Agar e Ismael anteriormente, que ele suplicou a Deus para fazer dele um lugar
onde pudessem estabelecer a oração, livre de idolatria.
“E recorda-te de quando Abraão disse: Ó
Senhor meu, pacifica esta Metrópole e preserva a mim e aos meus filhos da
adoração dos ídolos! Ó Senhor meu, já se desviaram muitos humanos. Porém, quem
me seguir será dos meus, e quem me desobedecer... Certamente Tu és Indulgente,
Misericordiosíssimo! Ó Senhor
nosso, estabeleci parte da minha descendência em um vale inculto perto da Tua
Sagrada Casa para que, ó Senhor nosso, observem a oração; faze com que os
corações de alguns humanos os apreciem, e agracia-os com os frutos, a fim de
que Te agradeçam. Ó Senhor nosso, Tu sabes tudo quanto ocultamos e tudo quanto
manifestamos, porque nada se oculta a Deus, tanto na terra como no céu. Louvado
seja Deus que, na minha velhice, me agraciou com Ismael e Isaac! Como o meu
Senhor é Exorável! Ó Senhor
meu, faze-me observante da oração, assim como à minha prole! Ó Senhor nosso,
escuta a minha súplica! Ó
Senhor nosso, perdoa-me a mim, aos meus pais e aos fiéis, no Dia da prestação
de contas!” (Alcorão 14:35-41)
Agora, anos depois, Abraão mais uma vez
reunido com seu filho Ismael, estabelecia a honrada Casa de Deus, o centro de
adoração, para cuja direção as pessoas deveriam voltar seus rostos oferecendo
orações, tornando-se um local de peregrinação. Existem muitos belos versículos
no Alcorão que descrevem a santidade da Caaba e o propósito de sua construção.
“E (recorda-te) de quando indicamos a Abraão
o local da Casa, dizendo: Não Me atribuas parceiros, mas consagra a Minha Casa
para os circungirantes, para os que permanecem em pé e para os genuflexos e
prostrados. E proclama a peregrinação às pessoas; elas virão a ti a pé, e
montando toda espécie de camelos, de todo longínquo lugar.” (Alcorão 22:26-27)
“Lembrai-vos que estabelecemos a Casa, para o
congresso e local de segurança para a humanidade: Adotai a Estância de Abraão
por oratório. E estipulamos a Abraão e a Ismael, dizendo-lhes: Purificai Minha
Casa, para os circundantes (da Caaba), os retraídos, os que genuflectem e se
prostram.” (Alcorão 2:125)
A Caaba é o primeiro lugar de adoração
apontado para toda a humanidade com o propósito de orientação e bênção:
“A primeira Casa (Sagrada), erigida para o
G6enero humano, é a de Bakka, onde reside a bênção servindo de orientação à
humanidade. Encerra sinais evidentes; lá está a Estância de Abraão, e quem quer
que nela se refugie estará em segurança. A peregrinação à Casa é um dever para com Deus, por parte de todos os seres humanos, que estão em condições de
empreendê-la;” (Alcorão 3:96-97)
O Profeta Muhammad, que a misericórdia
e bênçãos de Deus estejam sobre ele, disse:
“De fato esse local foi feito sagrado
por Deus no dia em que Ele criou os céus e a terra, e permanecerá assim até o
Dia do Juízo.” (Saheeh Al-Bukhari, Saheeh Muslim)
As Orações de Abraão
A construção de um santuário a ser
preservado para todas as gerações posteriores era uma das melhores formas de
adoração que homens de Deus podiam fazer. Eles invocaram Deus durante seu
feito:
“E quando Abraão e Ismael levantaram os
alicerces da Casa, exclamaram: Ó Senhor nosso, aceita-a de nós pois Tu és
Oniouvinte, Sapientíssimo. Ó Senhor nosso, permite que nos submetamos a Ti e
que surja, da nossa descendência, uma nação submissa à Tua vontade. Ensina-nos
os nossos ritos e absolve-nos, pois Tu és o Remissório, o Misericordiosíssimo.” (Alcorão 2:127-128)
“E quando Abraão implorou: Ó senhor meu, faze
com que esta cidade seja de paz, e agracia com frutos os seus habitantes que
crêem em Deus e no Dia do Juízo Final!” (Alcorão 2:126)
Abraão também orou que um profeta
surgisse da descendência de Ismael, que seriam os habitantes dessa terra, como
a descendência de Isaque habitaria as terras de Canaã.
“Ó Senhor nosso, faze surgir, dentre eles, um
Mensageiro, que lhes transmita as Tuas leis e lhes ensine o Livro, e a
sabedoria, e os purifique, pois Tu és o Poderoso, o Prudentíssimo.” (Alcorão
2:129)
_-_The_Building_of_a_Sanctuary_PT_002.jpg)
A Caaba construída por Abraão e Ismael e a
Estação de Abraão, que abriga a pegada do Profeta Abraão.
A oração de Abraão por um Mensageiro
foi respondida vários milhares de anos depois quando Deus fez surgir o Profeta
Muhammad entre os árabes, e como Meca foi escolhida para ser um santuário e
Casa de Adoração para toda a humanidade, o Profeta de Meca também foi enviado
para toda a humanidade.
Foi esse apogeu da vida de Abraão que
foi a conclusão de seu propósito: a construção de um local de adoração para
toda a humanidade, não para qualquer raça ou cor escolhida, para a adoração do
Único e Verdadeiro Deus. O estabelecimento dessa casa foi a garantia de que
Deus, o Deus a Quem ele chamava e para Quem fez intermináveis sacrifícios,
seria adorado para sempre, sem a associação com qualquer outro deus. Foi de
fato um dos maiores favores concedidos a qualquer humano.
Abraão & e a Peregrinação do Hajj
Anualmente os muçulmanos de todo o
mundo se reúnem para responder à oração de Abraão e o chamado para a
Peregrinação. O ritual é chamado Hajj, e comemora muitos eventos do amado
servo de Deus Abraão e sua família. Depois de circular em torno da Caaba os
muçulmanos oram atrás da Estação de Abraão, a pedra na qual Abraão ficou de pé
para construir a Caaba. Depois das orações um muçulmano bebe do mesmo poço,
chamado Zamzam, que fluiu em resposta à oração de Abraão e Agar, provendo
sustento para Ismael e Agar, e foi a causa para a habitação da terra. O ritual
de andar entre Safa e Marwah comemora a busca desesperada de Agar por água
quando ela e seu bebê estavam sozinhos em Meca. O sacrifício de um animal em Mina durante o Hajj e por muçulmanos em todo o mundo em suas próprias terras,
segue o exemplo da disposição de Abraão de sacrificar seu filho em nome de
Deus. E por fim, o apedrejamento dos pilares de pedra em Mina exemplifica a
rejeição de Abraão das tentações satânicas que o impediam de sacrificar Ismael.
O “servo amado de Deus” sobre quem Deus
disse “Designar-te-ei um imam dos homens”, retornou à Palestina e lá
morreu.
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