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“E também te inspiramos com um Espírito, por
ordem nossa, antes do que não conhecias o que era o Livro, nem a fé; porém,
fizemos dele uma Luz, mediante a qual guiamos quem Nos apraz dentre os Nossos
servos. E tu certamente te orientas para uma senda reta.” (Alcorão 42:52)
O profeta Muhammad, que a misericórdia e
bênçãos de Deus estejam sobre ele, o mensageiro final de Deus, recebeu o
Alcorão em duas etapas. Essas palavras perfeitas de Deus foram enviadas para
tirar a humanidade das trevas e levá-la para a luz; são orientação e
misericórdia. O Alcorão - as palavras de Deus, são palavras perfeitas de um
Deus perfeito para Sua Criação. Na noite conhecida como a “Noite do Decreto”,
no mês islâmico de Ramadã, o Alcorão desceu da Tabuleta Preservada para
o paraíso mais baixo. Desceu dos céus para a terra em pequenas etapas.
A revelação foi transmitida ao profeta
Muhammad através do anjo Gabriel.
Quando o profeta Muhammad tinha em torno de quarenta anos,
começou a passar o tempo em profunda meditação. De acordo com sua amada esposa
Aisha, o
amor à seclusão foi conferido a ele através de sonhos bons e vívidos. Ia para
a caverna conhecida como Hira para adorar o Deus Único e contemplar a
vida, o universo e seu lugar no mundo.
Uma noite, durante o Ramadã, um anjo
veio até ele e pediu que lesse. O profeta, incapaz de ler ou escrever,
respondeu: “Não sei ler.” O anjo então o segurou e pressionou seu peito com
tanta força que ele mal conseguia suportar a pressão. O anjo então liberou
Muhammad e pediu mais uma vez que lesse. Novamente ele respondeu: “Mas não sei
ler.” O anjo o segurou com força três vezes e Muhammad respondeu a cada vez
que não sabia ler (ou perguntou o que deveria ler). O anjo então relatou a ele
as primeiras palavras do Alcorão.
“Lê, em nome do teu Senhor Que criou; Criou o
homem de algo que se agarra. Lê, que o teu Senhor é Generosíssimo, Que ensinou
através do cálamo, Ensinou ao homem o que este não sabia.” (Alcorão 96: 1-5)
Após essa primeira revelação, que
Muhammad considerou assustadora, ele não foi visitado pelo anjo Gabriel por um
período indeterminado de tempo. A próxima vez que o encontrou (o anjo), estava
caminhando sozinho. O profeta Muhammad ouviu uma voz dos céus. Quando olhou
para cima viu o anjo sentado em uma cadeira entre o céu e a terra. Muhammad
estava com medo e correu para casa, buscando conforto e pedindo para ser
envolto em cobertores. A segunda revelação ocorreu nesse momento.
“Ó tu, emantado! Levante-te
e admoesta!” (Alcorão 74: 1-2)
Durante os próximos 23 anos até pouco
antes da morte do profeta Muhammad, o Alcorão foi revelado em etapas. Várias razões foram sugeridas. Alguns dizem que foi revelado lentamente para
oferecer ao profeta Muhammad apoio e abordar questões à medida que surgiam.
Aisha, a esposa do profeta, narra que quando
lhe perguntaram como a inspiração divina era revelada, o profeta Muhammad
respondeu: “Às vezes é como o soar de um sino. Essa forma de inspiração é a
mais difícil de todas e então esse estado passa após eu ter captado o que foi
inspirado. Às vezes o anjo vem em forma
de um homem e fala comigo e capto o que ele diz.” Ibn Abbas descreveu o profeta Muhammad como suportando a revelação
“com grande dificuldade e movendo seus lábios rapidamente.” À medida que as palavras do Alcorão foram reveladas para o profeta
Muhammad ele começou a memorizá-las.
A memorização era considerada
importante e foi amplamente praticada mesmo nos primeiros anos do Islã. O
profeta Muhammad solicitou que seus companheiros memorizassem o Alcorão e
usassem várias medidas para se assegurarem que a revelação fosse preservada em
suas memórias. De acordo com Ibn Ishaq, compilador de uma das primeiras
biografias do profeta Muhammad, Abdullah Ibn Masud foi o primeiro homem, depois
de Muhammad, a recitar o Alcorão publicamente e nessa ocasião foi severamente
espancado. O companheiro mais próximo do profeta Muhammad, Abu Bakr, também
era conhecido por recitar o Alcorão fora de sua casa em Meca.
O Alcorão foi memorizado pelos
companheiros durante a vida do profeta Muhammad e essa tradição continuou
através das gerações seguintes. Até hoje, os muçulmanos incapazes de ler em
árabe memorizam as mesmas palavras que foram memorizadas pelos árabes do século
7 EC. A maioria dos árabes era iletrada, incluindo o profeta Muhammad, mas a
importância da palavra escrita era bem compreendida.
Preservar a revelação divina era
fundamental; portanto, pessoas confiáveis e instruídas memorizaram e
registraram as palavras do Alcorão. Entre elas se incluíam os quatro homens
destinados a seguir Muhammad como líderes da nação muçulmana e um homem chamado
Zaid Ibn Thabit, que seria determinante na preservação do Alcorão para as
gerações que se seguiriam.
Materiais para escrita eram difíceis de
conseguir e nesse período inicial partes do Alcorão foram registradas em peles
de animais, pedras de cor clara, ossos e até em cascas de árvore. Os
companheiros registravam as palavras da revelação e o profeta Muhammad ouvia os
homens recitarem a partir da palavra escrita para ter certeza de que não havia
erros. Pode-se dizer que o Alcorão foi registrado sob a supervisão direta do
profeta Muhammad. O Alcorão não foi revelado em ordem, mas o anjo Gabriel
instruiu o profeta Muhammad sobre como compilar o Alcorão na sequência
divinamente inspirada correta.
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