Atributos de Deus
Se o Criador é Eterno e Perene, então
Seus atributos também devem ser eternos e perenes. Se for assim, então Seus
atributos são absolutos. Pode haver mais de um Criador com tais atributos
absolutos? Pode haver, por exemplo, dois Criadores absolutamente poderosos? Uma
rápida reflexão mostra que isso não é viável.
O Alcorão resume esse argumento nos
seguintes versículos:
“Deus não tomou para Si nenhum filho, nem
existe com Ele qualquer deus: porque cada deus teria tomado o que criara e
alguns deles teriam sido arrogantes em relação aos outros.” (Alcorão 23:91)
Também,
“E porque, se existissem deuses na terra e no
céu além de Deus, eles [céu e terra] certamente se arruinariam.” (Alcorão
21:22)
A Unicidade de Deus
O Alcorão nos relembra da falsidade de
todos os alegados deuses. Aos adoradores de objetos feitos pelo homem ele
pergunta:
“Adorais o que esculpis?” (Alcorão 37:95)
Também,
“Ou tomais, além Dele, protetores que não
trazem, para si mesmos, benefício nem prejuízo?” (Alcorão 13:16)
Aos adoradores de corpos celestiais ele
cita a estória de Abraão:
“Quando a noite o envolveu, ele viu uma
estrela e disse, ‘Esse é o meu Senhor.’ Mas quando ele se pôs, ele disse, ‘Eu
não amo os que se põem.’ Quando ele viu a lua surgindo, ele disse, ‘Esse é meu
Senhor.’ Mas quando ela se pôs, ele disse, ‘Se meu Senhor não me orienta, em
verdade, estarei entre o povo desencaminhado.’ Quando ele viu o sol surgindo,
ele disse, ‘Esse é meu Senhor; esse é maior.’ Mas quando ele se pôs, ele
disse, ‘Ó meu povo, certamente eu rompi com o que idolatrais, eu volto a minha
face Àquele que originou os céus e a terra; um homem de pura fé, eu não sou um
dos idólatras.'" (Alcorão 6:76-79)
A Atitude do Crente
De modo a ser um muçulmano, isto é, se
submeter a Deus, é necessário acreditar na unicidade de Deus, no sentido de Ele
ser o único Criador, Preservador, Provedor, etc. Mas essa crença não é
suficiente. Muitos dos idólatras sabiam e acreditavam que somente o Deus
Supremo podia fazer tudo isso. Mas isso não era suficiente para torná-los
muçulmanos. Além dessa crença, deve-se reconhecer o fato de que apenas Deus
merece ser adorado e, portanto, abster-se da adoração de qualquer outra coisa
ou ser.
Ao ter alcançado esse conhecimento do
único verdadeiro Deus, o homem deve constantemente ter fé Nele, e não deve
permitir que nada o induza a negar a verdade.
Isso significa que se alguém se submete
conscientemente a Deus sem reservas, e admite que Ele é o único merecedor de
sua adoração, esse alguém conseqüentemente deve adorá-Lo. Isto é, saber que devemos
a Ele obediência significa colocar em prática o que nós reconhecemos em nossos
corações. Deus pergunta, retoricamente:
“E supusestes que vos criamos sem propósito,
e que não seríeis retornados a Nós?” (Alcorão 23:115)
Ele também afirma categoricamente:
“Eu não criei a Humanidade e os Jinns exceto
para Me adorarem.” (Alcorão 51:56)
Portanto, quando a fé entra no coração
de uma pessoa, ela provoca certos estados mentais que resultam em certas ações.
Reunidos, esses estados mentais e ações são a prova de uma fé verdadeira. O
Profeta, que Deus o exalte, disse:
“Fé é o que reside firmemente no
coração e que é provado pelos atos.”
O mais importante desses estados
mentais é o sentimento de gratidão a Deus, que se pode dizer que é a essência
da adoração.
O sentimento de gratidão é tão
importante que um não-crente é chamado de ‘kafir’, que significa ‘aquele que
nega a verdade’ e também ‘aquele que é ingrato.’
Um crente ama, e é grato a Deus pelas
graças que recebeu, mas por estar ciente do fato de que seus bons atos, sejam
mentais ou físicos, estão longe de se equiparar aos favores Divinos, ele está
sempre ansioso pela possibilidade de Deus o punir, aqui ou na Vida Futura. Ele
portanto O teme, se submete a Ele e O serve com grande humildade. Não se pode
estar em tal estado mental sem estar consciente de Deus praticamente o tempo
todo. Relembrar Deus é, portanto, a força vital da fé, sem a qual ela perde o
vigor e se esvai.
O Alcorão tenta promover esse
sentimento de gratidão pela repetição dos atributos de Deus com muita
freqüência. Nós encontramos a maioria desses atributos reunidos nos seguintes
versículos do Alcorão:
“Ele é Deus; não existe deus exceto Ele.
Ele é o Conhecedor do oculto e do visível; Ele é o Clemente, o
Misericordioso. Ele é Deus; não existe deus exceto
Ele. Ele é o Rei, O Puro, A Paz, O Confortador, O
Preservador, o Todo-Poderoso, o Transcendente, o Sublime. Glorificado seja Deus, acima do que idolatram! Ele é Deus, o
Criador, o Iniciador da Criação, o Configurador. A Ele pertencem os Mais Belos
Nomes. Tudo que está nos céus e na terra O glorifica; Ele é O Todo-Poderoso, O
Sábio.” (Alcorão 59:22-24)
Também,
“Não existe deus exceto Ele, o Vivente, o
Eterno. Não O tomam nem sonolência nem sono. A Ele pertence tudo que está nos
céus e na terra. Quem intercederá junto a Ele exceto com Sua permissão? Ele
sabe o que o seu passado e o seu futuro, e não compreendem nada do Seu
conhecimento exceto o que Ele quer. Seu Trono se estende sobre os céus e a
terra. Preservá-los não O fadiga; Ele é o Altíssimo, o Glorioso.” (Alcorão
2:255)
Também,
“Povo do Livro, não vos excedais nos limites
de vossa religião, e não digais acerca de Deus exceto a verdade. O Messias,
Jesus, filho de Maria, era apenas o Mensageiro de Deus, e Seu Verbo que Ele
colocou sobre Maria, e um Espírito vindo Dele. Então acredite em Deus e Seus
Mensageiros, e não digam “Três”. Abstende-vos; é melhor para vós. Deus é um único
Deus. Glorificado seja Ele – [Ele está] acima de ter um filho.” (Alcorão
4:171)
Portanto, nós temos três etapas em
nosso reconhecimento de Deus como o Único Verdadeiro Deus. Nós devemos
acreditar que Ele é o Criador, Controlador e Juiz supremo do universo e de tudo
que ele contém; nós devemos nos abster de adorar qualquer coisa exceto Ele, e
então direcionar a nossa adoração a Ele, de fato; e devemos saber que apenas Ele tem todos os atributos e nomes divinos, e não podemos aplicá-los a qualquer outro ser,
não importa quem eles sejam. Alguém simplesmente reconhecer verbalmente essas
condições, mesmo que se abstenha de aplicá-las a outros deuses, não é
suficiente. Elas devem ser sinceramente direcionadas Àquele que as merece.
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