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De acordo com a quinta categoria, um
hadith só pode ser classificado com respeito à natureza de seu texto e isnad.
De acordo com Al-Shafi, se um hadith relatado por uma pessoa confiável vai
contra a narração de alguém mais confiável que ele, então o hadith é shadh
ou “irregular”. De acordo com Ibn Hajar, se uma narração por um relator fraco
contradiz um hadith autêntico, então aquele hadith é classificado como munkar
(“denunciado”), embora alguns sábios o classifiquem qualquer hadith de um
relator fraco como munkar. Um hadith também pode ser classificado como munkar
se seu texto contradiz ditos gerais do profeta. Se um hadith relatado por uma
pessoa confiável contém alguma informação adicional não narrada por outras
fontes autênticas, a adição é aceita desde que não as contradiga e a adição é
conhecida como ziyadatu thiqah (“uma adição por alguém confiável”). Entretanto,
se um relator acrescenta algo a um hadith sendo narrado, então o hadith é
classificado como mudraj ou “interpolado”. Se isso ocorre em um hadith
geralmente é em seu texto e, com frequência, com o propósito de explicar uma
palavra difícil. Em uns poucos exemplos isso ocorre no isnad - um
relator toma uma parte de um isnad e a acrescenta a outro isnad.
Um relator pego no hábito de idraj ou interpolação intencional
geralmente é considerado um mentiroso, embora sábios sejam mais lenientes com
aqueles relatores que podem ter feito isso para explicar uma palavra difícil
(Hasan 37-39).
Na sexta categoria hadiths que contêm
defeitos ocultos em seu isnad ou texto são classificados como ma’lul
ou mu’allal (“defeituosos”). Isso pode acontecer devido a classificar
um hadith como musnad quando ele é de fato mursal ou atribuir um
hadith a um Companheiro particular quando na verdade vem de outro. Para
detectar esses defeitos todos os isnads de um hadith têm que ser
coletados e examinados. Por exemplo:
“Alguns sábios escreveram trabalhos nos
quais os Sucessores ouviram hadiths de determinados Companheiros. Dessa
informação é sabido que Al-Hasan Al-Basri não encontrou Ali, embora exista uma
ligeira chance de que possa tê-lo visto durante sua infância em Medina. Isso é significativo, uma vez que se diz que muitas tradições sufis voltam para
Al-Hasan Al-Basri, que se diz ter relatado diretamente de Ali.” (Hasan 42-43)
Também pode haver incerteza sobre o
isnad ou texto, em cujo caso o hadith é classificado como mudtarib
(“duvidoso”) Isso ocorre se os relatores discordarem sobre alguns pontos no isnad
ou texto, de forma que não prevaleça nenhuma opinião. Um hadith pode ser
classificado como maqlub (“alterado” ou “invertido”) se no isnad
um nome foi invertido (ou seja, Ka’b b. Murra versus Murra b. Ka’b) ou se a
ordem de uma frase no texto estiver invertida (Azami 66). Isso também se aplica
aos hadiths cujo texto recebeu um isnad diferente ou vice-versa, ou
aqueles nos quais um nome de relator foi substituído por outro (Hasan 41-42).
A sétima e última categoria a ser
discutida aqui é a classificação de acordo com a qualidade dos relatores, da
qual o veredicto final sobre um hadith depende de forma crítica. Hadiths relatados
por aqueles conhecidos como sendo adil, hafiz, thabit e thiqa
são os de classificação mais alta e são classificados como sahih ou
“sólido”. Para alguém ser considerado adil é necessário ter sido um
muçulmano muito devoto, honesto e confiável em todos os seus procedimentos. Através
de comparação cuidadosa, o acordo verbal encontrado no texto de um hadith ente
vários transmissores indicou quem era o mais preciso (thabit), o mais
confiável (thiqa) e quem tinha a melhor memória (hafiz). Se
qualquer sábio se encaixar em menos que esse ideal em uma ou mais categorias,
mas não é criticado, então os hadiths relatados por ele são considerados menos
que sólido ou hasan (“justo”). Se um relator for conhecido por ter uma
memória fraca ou cometer erros devido à negligência, então seus hadiths são
considerados daif (“fraco”) (Burton 110-111).
Claro, existem outros fatores que atuam
no veredicto final sobre um hadith e, nas palavras de Ibn Al-Salah, “um hadith sahih
é o que tem um isnad contínuo, composto de relatores de memória confiável de
autoridades semelhantes e que é livre de quaisquer irregularidades (ou seja, no
texto) ou defeitos (ou seja, no isnad).” De acordo com Al-Tirmidhi um
hadith hasan é “um hadith que não é shadhdh, nem contém um relator
disparatado em seu isnad e que é relatado através de mais de uma rota de
narração” (Hasan 44-46). Um hadith que não alcança os requisitos para um hadith
hasan é classificado como daif e geralmente devido à
descontinuidade no isnad. Também pode ser
classificado como daif se um dos relatores não tiver uma boa reputação
por qualquer razão, seja por cometer muitos erros ou ser desonesto. Se os defeitos forem muitos e graves, o hadith está mais próximo de
ser classificado como mawdu ou fabricado. De
acordo com Al-Dhahabi o hadith mawdu é aquele cujo texto contraria
normas estabelecidas dos ditos do profeta e cujo isnad contém um
mentiroso. Um hadith também pode ser estabelecido como
mawdu devido à “evidência externa relacionada à discrepância encontrada
nas datas ou períodos de um incidente particular” (Hasan 49).
Em conclusão, as classificações
mencionadas constituem somente uma fração do número total de classificações
existentes. Os estudos em hadith são muito complexos e parece que os sábios
pensaram em todos os ângulos imagináveis para analisar um hadith. Tudo isso
com o propósito de distinguir entre tipos diferentes de narrações,
especialmente para distinguir o autêntico do não autêntico.
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