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Lynda Fitzgerald, Ex-Católica, Irlanda (parte 3 de 4)
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Descrição:
Lynda discute sua batalha interna sobre usar o Hijab.
Por Lynda Fitzgerald
Publicado em 19 Apr 2010 - Última modificação em 19 Apr 2010
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Categoria: Artigos
> Histórias de Novos Muçulmanos
> Mulheres
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Mudança de Emprego
Houve uma parada no
recrutamento em meu hospital e então em junho repentinamente abriu o
recrutamento, e havia dois empregos que eu podia tentar. Um era no
Departamento Pessoal e outro era no Departamento de Educação e Treinamento. Podia
escolher entre ambos e ambos os diretores estavam realmente pressionando para
que ficasse em seus departamentos. Se eu fosse para o Departamento Pessoal
estaria bem no centro de tudo, saberia tudo que estava acontecendo no hospital
e teria melhor chance de obter um aumento de salário no futuro. Se fosse para
Educação, sabia que havia mais chance das pessoas descobrirem que eu era
muçulmana, e teria que começar a cobrir minha cabeça. Por semanas me preocupei
e inquietei sobre o que fazer. Repentinamente se tornou muito importante para
mim estar no centro de tudo, saber o que estava acontecendo no hospital e estar
nessa forte posição, mas ainda assim alguma coisa me impedia. Finalmente meu
amigo jordaniano me disse para fazer dois rakats extras depois de minha oração
da noite e pedir orientação a Deus. Fiz isso por dias e não parecia estar
funcionando. Acho que sabia que tinha que ir para Educação, mas havia uma
batalha constante dentro de mim e temia que as pessoas descobrissem. Temia ter
que enfrentá-las e os pensamentos tomavam conta de minha mente sobre a posição
poderosa na qual estaria se fosse para o Departamento Pessoal. Então, uma noite estava lendo o Alcorão e
me ocorreu que todas aquelas coisas não significavam nada para mim: dinheiro,
fofoca, poder. Nunca tinham significado. Então por que de repente se tornaram tão atrativas? Pensei que era
Satanás tentando me convencer, porque ele sabe que se eu fosse para Educação
teria mais apoio, porque existiam mais muçulmanos no departamento, e eu estaria
mais envolvida na religião. Foi como se uma nuvem
tivesse passado, e me decidi. Não pude esperar pelo dia seguinte para informar
a meu chefe sobre minha decisão. Claro, fui para
Educação.
Usando o Hijab
Depois disso as coisas andaram
rapidamente. Comecei a ir à mesquita orar e tive muito apoio no departamento
de Educação. Então meu chefe que é (estritamente religioso) descobriu e
começou a me pressionar para cobrir minha cabeça. Tinha que pensar seriamente
a respeito. Não queria fazê-lo pelo motivo errado. Queria fazê-lo porque
estava pronta e quando soubesse que poderia colocá-lo e nunca mais tirá-lo. Então
meu chefe saiu de férias e senti que a pressão acabou, mas continuava a pensar
sobre o assunto o tempo todo. Tinha debates constantes com meu amigo sobre
usá-lo e a razão, mas não estava convencida.
Um final de semana estava na
casa de amigos em um complexo e meninas novas tinham chegado. Comecei a
conversar com elas. Eram todas muito legais e senti
que podíamos ser amigas, mas então pensei: “Ok, pessoas novas estão chegando e
as coisas só vão ficar cada vez mais difíceis. Talvez, se me vissem com o hijab desde o início, aceitassem sem
muito questionamento.” Decidi
começar a usá-lo no dia seguinte. Aqui está um trecho
de meu diário:
“Acho que vou começar a cobrir minha cabeça amanhã. Metade de
mim sente que é o momento certo e a outra está implorando para que eu não o
faça. Estou tentando ignorar essa metade. É tão difícil saber o que fazer. E se
o odiar depois de um dia, ou uma semana; ou perceber que cometi um erro depois
de uma semana ou um mês? Não há volta, a menos que eu queira perder todo o
respeito. Quando me sentirei 100% certa? Quando me sentirei mais certa do que
isso? Tenho que arriscar. Tenho
que acreditar que se é o que Deus quer, passarei bem por isso.
Estou tendo um ataque de pânico
agora. Socorro! Realmente acredito nessa religião? Realmente quero viver
minha vida assim? Quero passar
todas as noites e finais de semana sozinha? Socorro! Socorro! Socorro! Ó Deus, por que é tão difícil? Por que sou tão covarde? 29 anos e continuo agindo como uma criança de 5. Como tomei decisões no passado se parece que não posso dar conta dessas?
Não sou uma boa pessoa. Tenho que dar muito duro para ser pelo
menos metade boa. Nesse momento gostaria de sair desse
país, ir a uma discoteca, dançar muito, me embebedar, gritar e cantar. Posso passar o resto de minha vida sabendo que não posso beber, ter
um namorado, e não posso sair sem cobrir minha cabeça? Se Kate estivesse aqui agora, acho que a telefonaria e pediria para
me preparar uma marguerita. Mas ela não está! Acho que os demônios estão fazendo hora
extra comigo agora. E as pessoas acham que sou
sensível. É de fazer rir, não é?
Estou determinada a fazê-lo. Tenho
que fazê-lo. No pior caso, cairei em mim e perceberei que tola eu sou. Na
melhor hipótese perceberei que fiz a escolha certa e estou no caminho certo –
insh’Allah [se Deus quiser].”
Não dormi nada à noite. Até o
último minuto não achei que teria coragem. Mas pouco antes de sair o coloquei.
Não olhei para trás.
Era como se todas as dúvidas
tivessem se dissipado. Era como se Satanás tivesse me deixado. Senti-me
orgulhosa. Senti-me como se tivesse mais de 2 metros de altura. Queria que todos soubessem que era muçulmana. Estava orgulhosa de ser
muçulmana. Sabia que tinha feito a escolha certa e nunca me arrependeria. Subhan’Allah
[Que Deus seja glorificado]. Ele tornou tudo muito fácil para
mim.
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